Arquivo de 3 de Abril, 2015

O significado da fotografia nos seus primórdios

Para nós que nascemos num tempo em que o acesso à fotografia já se encontra plenamente (ou quase plenamente) democratizado e massificado, torna-se de algum esforço o exercício de recuarmos no tempo até à data do surgimento das primeiras fotografias, no início do século XIX, e imaginarmos exactamente o impacto dessa novidade na mundividência das pessoas que a ela assistiram, dando resposta à questão “e se eu tivesse vivido naquele século, o que significaria para mim ver pela primeira vez uma fotografia?”.

No entanto, nem por isso deixa de ser fácil a constatação de uma série de fenómenos nos campos social, cultural, artístico, filosófico, desencadeados pelo advento da fotografia.

É evidente, desde logo, que, de um modo geral, a fotografia permitiu reproduzir a realidade com níveis de exactidão e objectividade que outras formas até então usadas pelo ser humano para expressar a sua visão sobre o mundo envolvente não permitiam. Aliás, no âmbito artístico, muitos foram os artistas – em particular pintores – que se insurgiram contra a classificação da fotografia como forma de arte precisamente por considerarem que ela se reduzia ao produto de um processo químico, sendo a objectividade e fidelidade à realidade elementos perversores da própria arte, na medida em que ocupavam o espaço devido à intervenção criativa da mão humana. À semelhança do que muitas vezes sucede perante algo novo e diferente, e portanto, estranho, a fotografia, nos seus primórdios, foi alvo de desconfiança e de críticas destrutivas, vindo a ser assimilada gradualmente, não só na arte, mas com diversos outros objectivos, no quotidiano dos indivíduos, até se tornar “viral” nos nossos dias, perante a completa vulgarização da câmara fotográfica.

Fixando o olhar no século XIX, podemos ainda dizer que a captação da imagem fotográfica possibilitou uma nova dinâmica no mundo da imprensa, assim como ir mais longe na investigação científica das mais diversas áreas do saber, desde as ciências sociais e humanas – no âmbito das quais permitiu documentar a realidade de diversos estratos sociais – às ciências exactas como a medicina ou a biologia, servindo de precioso instrumento de apoio ao estudo, ao facilitar a apreensão da realidade com maior exactidão (ainda que as primeiras fotografias apresentassem uma nitidez e precisão de imagem muito relativa…)

AUTOPORTRAIT BAYARD 1839

“Autoportrait en noyé” (“Auto-retrato de um homem afogado”), de Hippolyte Bayard (1839) – o primeiro auto-retrato conhecido em fotografia, também considerada uma das primeiras fotografias de crítica e reivindicação social

De todo o modo, concluo que o ver pela primeira vez uma fotografia, no século XIX, terá sido um momento envolto em alguma “magia” – a que naturalmente é suscitada pela percepção de se poder eternizar uma imagem, seja de um espaço, seja de uma pessoa, naturalmente efémera –, permanecendo essa magia até aos nossos dias, a meu ver, sempre que, através de uma máquina profissional ou do nosso smartphone, condensamos no tempo um momento da nossa vida, por muito banal que aparente ser, e alimentamos a felicidade a ele associada, cada vez que o revivemos ao revisitarmos o álbum de fotografias.

Sara Luísa Silva

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O inicio da Imortalização do som: a gravação audio de voz e música

Tecnologias de ver, ouvir, falar e escrever: uma arqueologia dos média

o que significou registar a voz humana pela primeira vez? O que acontece quando se grava o som?

Graças a Thomas Edison, que inventou o Fonógrafo em 1877, foi possível a gravação e reprodução de sons pela primeira vez. A partir desse momento, uma serie de outros inventos semelhantes surgiram, com outros nomes, como Gramofone, Fonoautógrafo, melhorados por diferentes inventores, como Bell e Thomas Young, fazendo com que mais tarde, por volta de 1927, Edison sofresse com os avanços na reprodução de som e com o facto de não ter optado mais cedo pela produção de modelos melhorados.

Assim, a partir do século XIX, já não era preciso aparecer em eventos musicais ao vivo para poder ouvir música, já podíamos ouvi-la no conforto da nossa casa (se tivéssemos possibilidade de comprar o produto) como nos é dito pelo próprio fonógrafo no anúncio de Edison que ouvimos na aula – Advertising_Record.ogg. Com este avanço tecnológico, podemos, em principio fazer muita coisa, como levar a música connosco para onde quisermos (através do transporte do Fonógrafo); gravar uma mensagem de voz e, através do transporte do aparelho por meio de alguém conhecido, enviá-la para um amigo ou familiar e receber outra de volta, apesar de este tipo de contacto parecer um pouco ineficiente devido ao transporte cansativo; deixar uma mensagem audio em casa antes de sairmos para alguém ouvir quando acordasse ou chegasse, entre outras hipóteses… Foi sem dúvida um grande avanço pois apesar de 50 anos depois já haver avanços ainda maiores e melhores, sem um primeiro avanço e uma primeira tentativa, nenhum dos aparelhos que surgiram naquela época poderiam ter sido inventados. Quando gravamos um som, é uma tentativa de imortalização do mesmo, isto é, uma tentativa de que este dure para sempre, ou o maior período de tempo possível, para que possa ser recordado sempre que necessitado, através da sua reprodução. Isto também é válido, claro, para a gravação da voz humana, como por exemplo, um antepassado nosso gravar algo num instrumento semelhante ao fonógrafo ou a outro dessa época que que mais tarde possa ser recuperado por algum familiar curioso.

A história da gravação sonora teve várias paternidades que a desenvolveram e todas devem ser valorizadas de igual maneira, pois sem estas invenções e os seus inventores, o mundo da música e o nosso mundo não seria como o conhecemos agora.

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