Arquivo de 24 de Maio, 2015

Questões Acerca dos Meios

O meio é a mensagem, diz a máxima de Marshall McLuhan. O meio é a massagem, diverge uma simplificada e humorosa edição da Penguin Books, publicada pela primeira vez em 1967, para divulgar a mesma ideia às massas que consideravam o original demasiadamente intricado para ser compreensível. De facto, esta pequena frase aparece-nos como suma da doutrina de McLuhan; e em cinco breves palavras, o teorizador canadense convida-nos a observar os meios de comunicação como algo mais que meras ferramentas, alterando talvez de forma definitiva a nossa relação com os mesmos.

Tomemos como exemplo a banalização do smartphone, que nos acompanha de forma tão presente como se de uma extensão do nosso corpo se tratasse. O smartphone é o exemplo máximo do paradigma de transmissão imediata de informação dos nossos tempos: onde quer que estejamos, basta uma simples ligação à rede para termos as principais fontes de informação a nível global na palma da mão. E até desligados da rede podemos consultar determinadas aplicações, ler ebooks, revisitar informação previamente descarregada; não que estar ligado seja tarefa difícil, pois as redes wifi são cada vez mais ubíquas nas nossas cidades.

Mas se um meio tão pequeno é capaz de uma transmissão de dados tão avassaladora, que dizer do seu impacto enquanto aparelho móvel e omnipresente na nossa sociedade? Não terá a sua mera existência mais peso na nossa conceção do universo do que a sua utilização propriamente dita? É que muitas vezes damos por nós a ignorar todas as potencialidades dos novos média, toda a sua capacidade de transmissão e armazenamento da informação, em troca de um uso mais dedicado ao entretenimento e à comunicação. Não será, então, mais marcante para a sociedade as inúmeras possibilidades trazidas pelos novos média do que as mensagens que neles trocamos?

São estas algumas das questões que McLuhan nos faz ponderar, mantendo sempre presente que, por vezes, até os grandes teorizadores se enganam.

Beatriz de Sousa Ferreira

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Hiper-Imediacia

Os conceitos de imediacia e hipermediacia, desenvolvidos por Bolter e Grusin podem estar interelacionados embora provocando resultados desiguais. 
Se o meio está contido em si mesmo e pratica uma ocultação desse mesmo meio estamos diante da imediacia, em que a mediação exerce uma lógica de transparência capaz de absconder as suas componentes materiais tornando-as invisíveis ao seu utilizador. O espaço visual corresponde então ao espaço real. 

O contrário, onde é operativa a exposição do meio e da sua materialidade e exige uma interação mais presente do utilizador, corresponde à hipermediacia. 

Estes efeitos atuam em determinados meios como por exemplo na pintura, onde as técnicas de perspectiva permitem uma submersão sobre o que estamos a ver, tal como os jogos de luz e cor que permitem a formação de uma imagem que se transpõe para um espaço real. 

Mas se o processo criativo estiver perceptível e a própria pintura autônoma, sendo esta capaz de contrariar o realismo, podemos estar a favorecer a presença da hipermediacia e de uma transparência dos meios utilizados para a sua criação. 

Helena Bastos 

Cibereternidade 

É inevitável o reconhecimento da progressiva fusão entre a mecânica/tecnologia com a biologia, mas isso poderá constituir uma ameaça para a imagem de ser humano como conhecemos? 

As mutações tecnológicas constituirão uma perda de percepção existencial? 

Não podemos negar essa desconstrução humana, pois as correções genéticas estão cada vez mais presentes e consistentes, a tecnologia é capaz de se integrar em nós como complementos ao que a biologia não é capaz de sustentar por si mesma. A ideia de imortalidade humana através de mecanismos tecnológicos está em progresso, a Iniciativa 2045 prevê uma transposição do nosso cérebro para um avatar em etapas finais da nossa vida, tal como a possível existência de cérebros sintéticos capazes de conter a nossa personalidade e consciência. 

Estaremos a contradizer o natural através da cibernética? O nosso futuro poderá estar condicionado, poderemos atingir a posição de seres sobre-humanos capazes de manipular a sua própria genética. 

No entanto já é possível a inserção de dispositivos subcutâneos que nos liga diretamente a computadores, e não podemos negar que seja um processo gradual que culminará num corpo biotecnológico ou totalmente mecanizado. 

Mas não é correto adotarmos um olhar completamente negativo sobre a capacidade de transformarmos o nosso corpo, pois poderemos contrariar erros genéticos se conjugarmos os avanços tecnológicos com a medicina, que poderão conter efeitos positivos. 

Helena Bastos


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