Arquivo de 29 de Maio, 2015

A ditadura dos imojis

E se, de um momento para o outro, se iniciasse a inserção dos tão famosos “smiles”, nos variados modelos de escrita do que está à nossa volta ? Ora vejamos, o resultado…

“ – Aqui tem! – dirigiu-se ao padre Terrier, um monge calvo e cheirando um pouco a vinagre, que lhe veio abrir-lhe a porta.
E pousou o cesto na soleira da porta.
– O que é isto ? – questionou Terrier, ao mesmo tempo que se inclinava sobre o cesto e cheirava, supondo tratar-se de víveres.
-O bastardo da infanticida da Rua aux Fers!
O padre remexeu no cesto, até pôr a descoberto o rosto do recém-nascido adormecido.
-Está com bom aspecto! – observou. – Com as faces rosadinhas e bem alimentado.” (…)

“ O Perfume, História de um assassino, de Patrick Suskind ”

Ficaria qualquer coisa deste género:

“ – Aqui tem! 😉
E pousou o cesto na soleira da porta.
O que é isto ? 😕
O bastardo da infanticida da Rua aux Fers! 😅
O padre remexeu no cesto, até pôr a descoberto o rosto do recém-nascido adormecido. 😇
Está com bom aspecto! – 😋 – Com as faces rosadinhas e bem alimentado. 😊” (…)

É flagrante o empobrecimento textual que se verifica num simples excerto. Poderão retorquir, dizendo que assim são mais visíveis as emoções e estados através da utilização “ da carinha correspondente” , contudo, a meu ver, esta só por si torna-se bastante redutora já que a grande ambiguidade leva a que cada um interprete a figura de um modo diferente.
Contudo, não vem de agora a tentativa de “ilustração” das palavras, desde sempre, que o homem procura colmatar a dificuldade que tem em exprimir-se por palavras, ou melhor, exprimir-se com as palavras certas, através da inserção de imagens que correspondam ao que pretendem transmitir. Inicialmente, tal poderia ser justificado, por exemplo na Idade Média, devido da necessidade de “educar” através de imagens, já que apenas uma infima parcela da população era alfabetizada.
De modo algum poderemos querer equiparar a escrita de uma simples sms a um romance, contudo não é o facto de cada vez mais os “smiles” serem utilizados na escrita corrente, mas sim o facto de estes servirem atualmente para substituir palavras, situação que acaba por culminar num progressivo “esquecimento” do lirismo que as palavras em si comportam.

Francisca Cruz

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Netspeak….Sempre?

Netspeak é um modo de comunicar que foi criado especificamente para o uso nas mensagens e nos 3chats na internet. Um dos objectivos da criação deste tipo de comunicação foi o de não se ter de escrever todas as letras das palavras e explicar os nossos sentimentos de maneira mais rápida e curta, não só para popr tempo como também porque muitos dos dispositivos par mandar mensagens tinham um limite de caracteres por mensagem.

O Netspeak foi criado em inglês mas rápido esta ideia de utilização de abreviaturas e emoticons (símbolos para mostrar emoções e estados de espírito) tornou se mundial.

Como alguns exemplos de Netspeak temos:

‘lol’-laughing out loud;

‘l8’- late

‘idk’- I don’t know

‘CU’-see you

‘u’- you

Bff-best friend forever

B4- before

4-for

Estes são só alguns exemplos depois temos também os emoticons, exemplos destes são:

J (feliz)

L (triste)

😉 (wink)

:/ (incerteza)

E com estes as pessoas explicam o que sentem sem usar uma única palavra!

Claro que eu não critico o uso de tudo isto, porque eu também o uso mas tudo deve ser usado com peso e medida e nas alturas correctas. Não deve ser por o netspeak ser mais fácil e rápido que o devemos usar em tudo ou em todas as mensagens, pois com isso acabamos por perder a capacidade de desenvolver as nossas ideias e explica-las com todo o seu significado.

E temos de admitir quando alguém usa esta for de escrever sempre deixa de ser levada tão a serio e deixa de ser perceptível se sabe escrever ou não correctamente.

Devemos sempre fazer um esforço para escrever o mais correctamente possível, podemos usar algumas abreviaturas e emoticons mas não fazer disso a regra!

Netspeak Chart

Filipa Silva

Como garantir um discurso coerente, objetivo, claro e com qualidade?

Herbert Paul Grice, filósofo britânico que se focou no estudo da linguagem, estabeleceu um conjunto de regras ou premissas que, segundo ele, devem “orientar o ato conversacional”. Grice atribui a estas regras a designação de máximas conversacionais – são princípios que descrevem o comportamento linguístico dos interlocutores e regras que regulam a conduta linguística. Ao respeitar o princípio das máximas conversacionais, o interlocutor está também a respeitar o princípio da cooperação – um indivíduo deve interagir com outro da forma mais explícita e completa possível para que todos os enunciados sejam corretamente interpretados.

“Faça a sua contribuição conversacional tal como se requer, na situação em que tem lugar, através do propósito ou direção aceites no intercâmbio conversacional em que está engajado” – Herbert Paul Grice

As máximas conversacionais constituem a competência conversacional dos interlocutores, pois caso sejam descuradas ou não apresentem coerência podem pôr em causa a eficácia do ato comunicativo.

“Os nossos diálogos, normalmente, não consistem numa sucessão de observações desconectadas, e não seria racional se assim fossem” – Herbert Paul Grice.

Grice estabeleceu, então, quatro máximas conversacionais que devem ser respeitadas para garantir um discurso eficaz:

1) Máxima da qualidade: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja o mais verdadeira possível e, para tal, não deve fazer afirmações que acha serem falsas e também não deve afirmar aquilo de que não tem provas suficientes para confirmar a sua veracidade.

Exemplo:

– Quando começa a verão?

– 23 de março.

(A resposta à pergunta é incorreta, logo a máxima da qualidade só seria respeitada se a resposta fosse ’21 de julho’).

2) Máxima da relevância: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja pertinente e relevante em relação ao objetivo da conversa.

Exemplo:

– Queres ir ao centro comercial esta noite?

– Preciso de ir à casa de banho.

(A resposta à pergunta foi completamente descontextualizada e nada relevante para o objetivo da conversa).

3) Máxima da quantidade: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja tão informativa quanto necessária, isto é, que seja nem mais nem menos informativa do que aquilo que é fundamental para o que a conversa pede.

Um discurso repetitivo e longo pode constituir uma violação desta máxima, pois estará a sobrecarregar-se o enunciado de informação redundante e desnecessária.

Exemplo:

A que horas tens aulas hoje?

Tenho aula de Anatomia às 11:00, na sala 14, na Faculdade de Medicina.

(A informação dada foi excessiva e desnecessária. A resposta poderia ter sido simplesmente “Às 11 horas”).

4) Máxima de modo: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja clara, organizada e breve.

Para respeitar esta máxima, devem ser evitados discursos que possam apresentar múltiplas significações ou induzir a outra pessoa em erro.

Exemplo:

– Queres ir à praia esta tarde?

– Talvez sim, talvez não.

(Apesar de breve, a resposta dada não foi clara nem concreta, deixando o interlocutor que fez a pergunta na dúvida).

Assim, para garantir um ato conversacional coerente, concreto, breve, relevante, objetivo, organizado, claro, verdadeiro e com sentido, estas máximas devem ser respeitadas, garantindo que a informação é entregue da forma mais eficaz possível.

Diogo Martins


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