Arquivo de 1 de Junho, 2015

Redes sociais e seus reflexos emocionais e psíquicos nas relações humanas

“Alcançamos o computador subjectivo. Os computadores não se limitam a fazer coisas por nós, fazem-nos coisas a nós, incluindo às nossas formas de pensar acerca de nós próprios e das outras pessoas. Hoje (…) as pessoas recorrem explicitamente aos computadores em busca de experiências que possam alterar as suas maneiras de pensar ou afectar a sua vida social ou emocional. Quando as pessoas exploram jogos de simulação e mundos de fantasia ou acedem a uma comunidade onde têm amigos e amantes virtuais, não estão a pensar no computador como (…) maquinismo analítico. Procuram no computador (…) uma máquina intimista”. in Turkle, Sherry “A vida no ecrã: a identidade na era da Internet”, Relógio d’Água, Lisboa, 1997

Esta reflexão de Sherry Turkle em torno dos reflexos sociais, psicológicos e emocionais do uso do computador permanece actualizada e assume redobrada pertinência dezoito anos após a sua publicação, numa sociedade claramente marcada pela “informatização” ou mediação digital nas relações humanas.

Na presente exposição, passo a considerar o crescente uso das redes sociais como paradigmático desse recurso ao computador em busca de experiências susceptíveis de afectarem a vida social ou emocional, de que fala a autora referida supra. Se em muitas situações a ligação contínua ao facebook é uma das formas mais completas e eficazes de estabelecer relação com o outro – alguém que está do outro lado do mundo, por exemplo (estou a lembrar-me de uma pessoa que todos os dias publica fotos de quase tudo o que faz, na tentativa de diminuir a distância de milhares de km que a separa da mãe) – em muitos outros pode traduzir-se numa certa alienação da realidade não virtual.

Sem querer moralizar e diabolizar os diversos usos que são feitos do facebook, considero ser relevante reflectir sobre alguns efeitos psíquicos e emocionais da forma talvez subversiva com que muitos utilizadores encaram a lógica de estar conectado com todos a qualquer momento, subjacente à difusão das redes sociais. Estas oferecem grandes facilidades de interagir com qualquer pessoa a qualquer hora do dia – essa é uma realidade cada vez mais presente, muito em virtude das aplicações criadas para os dispositivos móveis – independentemente do lugar em que se encontre, bem como de ter acesso a uma considerável quantidade de informação sobre a pessoa em causa, seja através da partilha de fotos, de estados de espírito ou da música, dos filmes, dos itens das mais diversas áreas de que se gosta. Se isto é verdade, não podemos deixar de reconhecer que este modelo de interacção está longe de reunir todas as potencialidades comunicativas do modelo tradicional “cara a cara”.

Desde logo, como é evidente, o perfil do facebook pode ser mais ou menos construído, mais ou menos conscientemente, em função da imagem que se quer transmitir ao público, sendo certo que ninguém publicará conteúdos que evidenciem os seus defeitos e fragilidades, mas pelo contrário, tendencialmente, imagens e “estados de espírito” que contribuam para uma boa impressão sobre si.

Por outro lado, a forma de expressão permitida pelas redes sociais ou plataformas de conversação é, por natureza, limitada, ainda que usemos um smile por cada frase que escrevemos. Com efeito, a comunicação humana não se reduz à comunicação verbal, sendo a comunicação não-verbal essencial na compreensão da mensagem transmitida pelo interlocutor com quem estabelecemos interacção, revelando-se manifestamente pobre, em termos expressivos, uma conversa tida num chat via internet, em que não conseguimos observar a postura corporal da pessoa, a sua expressão facial e os gestos que espontaneamente tem enquanto conversa.

Perguntamos então: em que medida toda esta forma de interagir influi na dimensão psíquica e emocional do individuo da era digital?

Muitas vezes se não reflectirmos, vamos dando espaço, ainda que de forma pouco consciente, à ideia ilusória e superficial de que “a vida dos outros é melhor que a minha” –  já que assistimos, maioritariamente, à publicação de eventos e cenas felizes da vida das pessoas – bem como à criação de imagens superficiais e idealizadas das pessoas; por outro lado, alimentamos a necessidade de imediatismo e de resposta rápida que o computador nos proporciona, e ainda a  certas necessidades emocionais de confirmação da nossa auto-estima, tornando-nos dependentes do número de “gostos” que obtemos ao postar uma nova foto de perfil. Acresce ainda o risco de nos habituarmos a uma forma de expressão das nossas ideias simplista e descomprometida, veiculada pelo fácil mas sempre ambíguo “gosto”, habilmente caricaturado pela equipa da Rádio Comercial, conforme podemos observar no vídeo em anexo.

Ponho a descoberto esta faceta das redes sociais em jeito de reflexão e não numa atitude fechada de quem só vê seu o lado negro e obscuro, até porque este emerge ou não dependendo da atitude (passiva e acrítica ou não) do utilizador.

Sara Luísa Silva

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A evolução

Podemos dizer que os novos média tem em base os média antigos, logo o que acontece é uma transformação entre os mesmos. Dá-se uma evolução, um avançamento no conhecimento e isso leva aos novos média. No entanto não podemos esquecer que os antigos média hoje em dia, vão buscar ideias aos novos e vice-versa.
Podemos ver esse exemplo nos jornais, para muitas pessoas os jornais estão desactualizados e não tem a qualidade que a televisão ou as revistas. O que eles fizeram para mudar isso foi de génio, pegaram numa nova tecnologia e brincaram com ela, criaram jornais online, que são praticamente iguais aos de papel no entanto podem consultar-se no computador, tablet ou telemóvel. Conseguiram agradar a todas as classes e idades.
A remediação está presente quando o espaço de tempo entre o surgimento de novos média for pequeno, pois a sociedade precisará da remediação para se adaptar a esses novos média.
Podemos então afirmar que não existe uma nova invenção ou algo único nos novos média, mas sim um melhoramento do que já existia.

indexBruna Ferreira

Poder de uma Entidade Online

Avatar? Sim, Avatar.

Uma simples palavra que contém um significado de um contexto de complexidade e de poder, bem ocultos do valor em ascendência suportados por nós, Seres Humanos. Algo não real, cuja génese é composta por meios gráficos que  inseridos nesse vórtex de alucinação, nos permitem transformar, e ser uma entidade completamente arrasadora, dominando o ser Humano consciente, com o nosso sub-consciente Online.
Transcendência? Sim, tudo nos resume a esse aspecto. Em simples jogos MMORPG, uma semelhança realçada é que, todos eles requerem uma especificação, o poder da evolução, seja em atributos, armamento, estratégias criadas para te tornar cada vez mais forte.

È possível salientar, que o Avatar foi criado para engendrar um sonho, neste momento inacessível, de nos fazer superiores ao que já somos. Ao entrar na realidade fictícia, cria-se um disfarce, em colectividade, que nos permite a facilidade, de coexistência social, talvez esta,denegrida, no mundo real.
Extravagância essa que pode determinar um inverso de realidade que nos escapa e isola do mundo em si, tornando-nos um ser cada vez mais remoto e por certas excepções, mais obcecado em continuar nesse universo virtual.

elder scrool                                          MMORPG, Elder Scrolls Online

È possível retirar uma espécie de fundamento por parte dos criadores destes avatares e jogos MMORPG. A sua expansão de conhecimento, não só envolve o tema entretenimento como o factor mais importante, mas também desafiam uma expansão de limites sobre-humanos a estas criaturas formadas realística ou não-realisticamente, com atribuições semelhantes ao que o nosso ser determina de, um Deus.

Micael António Santos Pereira Ramos

O Ser Robótico-Humano

Cyborg, uma característica não distante nos tempos actuais no nosso mundo. Determina uma evolução, da nossa entidade com propriedades de maquinaria, cujo projecto consiste não só na evolução completa do ser humano, mas para algo superior ao nível considerado até de divino. O ser Humano no global contém uma característica, do querer sempre mais, isto é, mesmo quando obtém prazer e realizações, isso não é suficiente, anseiam sempre por mais e mais.

Transformar um ser biológico numa criatura robótica não escapa há regra. A ambição de metamorfosear um ser, que ignora debilidades físicas. Contudo, na actualidade, não é ainda possível realizar uma acção de total eficácia entre a combinação perfeita entre Homem-Máquina em toda a sua existência.

Objectivos delineados para o uso desta maquinaria, encontram-se na área medicinal, com o uso de variantes reduções e membros semelhantes aos do ser Humano, delineados de Próteses Robóticas. Neste momento é possível transformar algo perdido, para uma condição quase possível do que é denominado de Normal.

human vs robot

Mas se realmente se suceder a transfiguração de um Humano para Android, não será que poderemos perder o controlo? Actualmente Micro-Chips já serão introduzidos em Humanos numa expectativa de determinar a sua localização, e por rumores, conseguirem identificar malignidades, que poderão eventualmente surgir no individuo. Quem dirá que num futuro, essas pequenas partículas robóticas em constante upgrade permitam tomar um controlo mal gerido nas mãos erradas? Os danos e controlo que poderiam ser impingidos nos seres considerados Android, poderiam ser catastróficos. Uma globalização robótica pode sempre implicar a um controlo global.

Micael António Santos Pereira Ramos

Droga legal

“Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?”

  Sem dúvida a tecnologia entrou na nossa vida sem bater à porta. Em tão pouco tempo tornamos-nos “viciados” nas tecnologias, por vezes mesmo sem conseguir viver sem elas.

  Desde que a internet entrou no nosso dia à dia as pessoas deixaram de ter paciência, querem que tudo seja rápido, querem que um vídeo carregue rapidamente, querem entrar em sites rapidamente, querem mostrar às pessoas o que estão a fazer e querem ser vistos e reconhecidos rapidamente. Quando a internet falha e não as deixa entrar, ficam irritadas, partem coisas, batem no computador/telemóvel seja o que for, ficam de mau humor. Outro exemplo que se pode usar, e até já o experienciei, quando se está a jogar e acontece alguma coisa que nos mata, a internet fica lenta, ou o computador não aguenta e desliga-se, parece que o mundo acabou, temos a tendência a dizer: “porquê?”, “porquê a mim?”, “eu só queria jogar normalmente”, ficamos extremamente frustados e enervados.

  Existe um estudo da Universidade de Maryland, que vai mais longe e descobre mesmo que há pessoas que sem tecnologia tem sintomas iguais ao viciados em drogas e álcool. O estudo consistia em cerca de duzentos estudantes ficarem sem tecnologias durante um dia, passado esse tempo muitos deles exibiram sinais de abstinência, tais como ansiedade e incapacidade em agir normalmente. Na noticia em que me baseei-me para o estudo contém alguns testemunhos que admitem que são mesmo viciados.

  Analisando estes factos, pergunto-me, será que as tecnologias vierem nos ajudar ou vieram criar mais uma dependência doentia? Tentando responder à minha própria pergunta digo que, sim vieram nos facilitar a vida, mas ao mesmo tempo criou-nos um efeito parecido ao que os comprimidos fazem, dependência deles para as nossas vidas, sendo necessário uma dose diária para não entrar em demência.

Link da noticia: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1554036&seccao=Tecnologia

Eliana Silva

Os caracteres e a sincronia

Por muito que pareca que a linguagem através de caracteres e de códigos é recente não é, pois já se comunica através da música, do fogo e de outros meios. Estes meios de comunicação foram evoluindo, como por exemplo o aparecimento dos novos médias digitais, em que os seus utilizadores começaram a utilizar a linguagem de redução de caracteres para por exemplo ser mais rápido de escrever sms, para poupar dinheiro, pois os pacotes que incluem várias ofertas, sendo uma delas mensagens ilimitadas, são recentes, para estar na ´moda´ entre os amigos, entre muitos outros objetivos.

Todos estes novos médias de comunicação vieram possibilitar a comunicação síncrona, ou seja, o emissor e o receptor têm de estar em sincronia mesmo antes da comunicação iniciar e dar continuação até que esta tenha acabado. Se isto não acontecer, a mensagem que se pretende transmitir não será transmitida corretamente ou mesmo a não chegar a ser transmitida. Por exemplo, se o objetivo for transmitir uma ou mais imagens de um telemóvel para outro pode-se utilizar o Bluetooth mas para essa transação acontecer e ser realizada com sucesso é necessário que os dois telemóveis inseridos na transmissão estejam perto um do outro. Caso isto não aconteça a transação não é realizada.

Estes dois conceitos cruzam-se, uma vez que para uma comunicação em que é utilizada a linguagem de redução de caracteres é necessário que o emissor e o receptor se encontrem sincronizados, pois se o emissor mandar uma mensagem do gênero: Olá td bem? Cmg tbm tá td bem :); e se o receptor não tiver conhecimento deste tipo de linguagem de redução, a mensagem fica sem sentido para quem recebe e logo não foi cumprido o objetivo. O que também pode acontecer é que o emissor mande uma mensagem com a linguagem de redução de caracteres que se utiliza naquele determinado momento e o receptor tenha conhecimento de uma linguagem de redução de caracteres mais antigo e poderá não perceber os novos tipos de redução.

Cassandra Santos

Alter(ated)-ego

Na minha opinião, podemos falar de um avatar como um alter-ego. Uma representação à qual se alicerçam qualidades que transponham as características que temos em comum, homens e mulheres, a finitude e a fronteira entre os limites físicos e temporais. Um avatar que represente o melhor ou o pior dos nossos lados, de forma figurada ou não, que possa simultaneamente corresponder à realidade e à condição da vida humana.

Um avatar pode realmente tomar inúmeras formas. Sejam estes alguns dos exemplos: quando temos a possibilidade de criar uma conta de e-mail, um perfil ou uma página num site de âmbito social e/ou relacional, um perfil ou uma personagem para um jogo, entre tantos mais que nos possam ocorrer.

No entanto, é para mim interessante uma relativamente recente prática na internet, e na esfera do espaço social e digital do século XXI. Tive conhecimento dos Role-Playing Games (da conhecida sigla RPG) através de uma amiga que praticava esta “modalidade”. RPG é uma prática que se pode observar entre pessoas que criam um ou mais avatares (em sites conhecidos como o Twitter ou o Facebook), como que uma comunidade dentro da Internet, que se agrega para integrar uma realidade fictícia. Dentro do espaço digital, proporciona-se um outro de cariz social em que existem personagens onde quem está “atrás do ecrã” tem o conhecimento de que nada do que é dito ou que se possa ver tenha por base algum fundo de verdade.

Ainda assim, no âmbito do jogo, é possível que os avatares/personagens “deixem cair a máscara” entre pessoas que queiram efectivamente conhecer-se e podem fazê-lo out of character (gíria de RPG e outros jogos).

Maria Miguel


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