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McLuhan y Radiohead

El aislamiento absoluto de los individuos dentro de una sociedad altamente evolucionada tecnológicamente es imposible. O sea, que en la medida en que el adelanto científico disminuye, la posibilidad de privacidad total de los individuos disminuye por la creación de una Aldea Global. Es decir, la idea de que indudablemente todos están interconectados por la tecnología y que las distancias son cada día más una metáfora en lugar de una realidad física.

Las teorías de Marshall MacLuhan tiene que ser estudiadas en un pequeño contexto espacio-temporal, sin prejuicios y teniendo siempre presente a la época en la que fueron pensadas. Uno de los ejemplos modernos para comprender la idea del medio ser lo mensaje dice que el iPod sustituyó a la música como mensaje. Ejemplo, que encuentro absurdo. Es totalmente irrisoria la idea de que ya no importa lo que se escucha, sino cómo se escucha.  En la gran mayoría de casos el medio actúa como un anexo del mensaje, una forma de complementar el simplemente facilitar el acceso a la información que se desea transmitir. Sin embargo, existen un par de ocasiones puntuales en las que el medio demostró ser más relevante del mensaje. Por ejemplo, con el disco “In Rainbows” de Radiohead, que fue en una primera instancia distribuido exclusivamente por internet y con el precio oscilando entre los cero dólares hasta el infinito, pues confiaban en el criterio de los consumidores para determinar cuánto valía la obra que iban a descargar. Durante un par de meses, toda la discusión en torno al disco estuvo protagonizada no por su calidad musical, sino por la manera en la que fue distribuido.

Otro ejemplo de la vida real ocurriría cuando un autor revelándose en contra del perverso mundo editorial decide hacer y publicar su novela por la internet con la contribución de los lectores. Estoy hablando de “The Mongoliad, una novela 2.0 de Neal Stephenson. Dicha novela atrapó la atención de la prensa especializada ya que es el primer -o por lo menos más famoso- intento de hacer una novela interactiva por la internet y con una historia amoldada por los usuarios, como se fuera la Wikipedia de la literatura moderna. Este es un caso muy obvio de cuando el medio es más importante que al mensaje. Nadie habla de la trama, de los personajes, ni del contenido de la obra (el mensaje); hablan de la manera en como está a ser hecha y publicada, hablan de su medio.

Entendiendo a la internet como la realización del término Aldea Global, ¿qué decir entonces de las personas que simplemente no tiene acceso a la internet?. Por ejemplo, de acuerdo cifras facilitadas por Microsoft, 70 millones de mexicanos no tienen acceso a internet. Sólo cerca de 30 millones de personas tienen internet en México. La basta mayoría de las personas se quedan excluidas de esa comunidad, que ni es una Aldea y que no es Global, como acabamos de demostrar. Es cómo pretender que el Miss Universo sea de hecho universal; De cualquier forma, no hay participantes extraterrestres. De la misma manera en que el hecho de existir personas fuera de la aldea, excluye la posibilidad de que sea global.

Por último, un video que realmente no tiene nada que ver con este artículo pero que de cierta manera compensa por la tardanza con la que fue publicado:

– Mauricio Andrés Gomes Porras.

“O Mundo como uma Aldeia Global” – McLuhan

Herbert Marshall McLuhan, nascido em Edmonton (Canadá) é um nome essencial quando se fala das Teorias da Comunicação. Estudou Literatura Inglesa na Universidade de Manitaba e fez o Doutoramento pela Universidade de Cambridge. Para McLuhan os media são uma extensão do Homem. Do pé à roda, da vista à escrita, da pele ao vestuário e do sistema nervoso central aos circuitos eléctricos, as evoluções tecnológicas dos media são extensões dos nossos sentidos e modificam as nossas relações com o meio ambiente. Para além disso, McLuhan defende também que um medium nasce tendo por base o medium já existente. No caso da comunicação é fácil de ver esta relação: do pensamento nasceu a fala, da fala a escrita, da escrita e imprensa, da imprensa a rádio e da rádio a televisão.

“O Meio é a Mensagem,” O meio em si não é isento, contem também ele informação que é transmitida a par com a mensagem. Toda a mudança ou comportamento que o meio provoca na sociedade é considerado a mensagem do meio. Ou seja: o que se lê na imprensa tem uma importância diferente do que se ouve na rádio ou vê na televisão mesmo que a mensagem seja igual. A questão prende-se com o que os espectadores esperam do meio e as associações ideológicas que, sem se aperceberem, fazem a este meio.

Para McLuhan existiram três eras da humanidade:
A Era da Comunicação Oral (Era pré-alfabética);
A Era da Comunicação Escrita (Era alfabética);
A Era da Electrónica ou Aldeia Global.

“A nova interdependência electrónica recria o Mundo na imagem de uma Aldeia Global” (McLuhan). Nesta última Era (onde nos encontramos actualmente) existe a possibilidade de contacto instantâneo sem fronteiras. É daí que vem a ideia do Mundo como uma Aldeia onde todos podem comunicar sem ter em conta a distância que os separa. Telefones, telemóveis e o Skype são apenas alguns dos elementos que nos possibilitam um regresso à comunicação oral mas agora ultrapassando as barreiras da distância.

Esta ideia de constante comunicação a nível mundial pode ser entendido, segundo as teorias de McLuhan, como uma extensão da necessidade social do Homem ampliada pela tecnologia que se tem desenvolver nos últimos anos a uma velocidade estonteante.

Filipa Traqueia

(In)consciência do meio?

Tema de escrita: Como podemos entender a relação entre ‘imediacia’ e ‘hipermediacia’ (por exemplo, num destes meios: televisão, cinema, rádio, computador pessoal, videojogo, pintura, romance, teatro?) 

A Teoria dos novos média digitais segundo Jay David Bolter e Richard Grusin em Remediation: Understanding New Media (1999) assenta em três conceitos: remediação, imediacia e hipermediacia.

Ao longo da História podemos observar uma remediação. Os média digitais são sempre remediações de outros meios (por exemplo da imprensa para o hipertexto electrónico), o que implica transformação ou adaptação. Contudo, a remediação não é só do meio velho para o novo, os meios velhos vão buscar características aos mais recentes para atrair novamente a população.

O conceito de imediacia (ou imediação) é analisado consoante os processos de transparência, neutralização e ocultação do meio. Opera segundo a lógica da transparência uma vez que o tem como objectivo ocultar a sua materialidade específica. Ou seja, podemos falar de imediacia quando não temos consciência da presença do meio, o espaço visual da representação é visto como espaço real. Um bom exemplo disso é um jogo ou um filme em 3D, já que nos deixamos abstrair do meio e entendemos a experiência como situação real, como se estivéssemos nesse mundo e fizéssemos parte dele, apesar de conscientemente sabermos que isso não é bem assim. A interface gráfica do utilizador (graphical user interface) segue o mesmo propósito, procurando ocultar-se. Exemplificando, quando abrimos uma pasta no computador não pensamos naquilo que acontece para que essa operação seja sucedida e a forma como o próprio ícone se apresenta (imagem de uma pasta com documentos no seu conteúdo) ajuda a criar um ambiente mais “natural”.

O conceito de hipermediacia (ou hipermediação) é analisado através dos processos de opacidade, estranhamento e revelação do meio. Actua segundo a lógica da opacidade uma vez que o meio se mostra e torna a sua presença visível (temos consciência dele). Quando contemplamos um vídeo no youtube e a meio ele fica lento chegando mesmo a parar, apercebemo-nos do meio, a relação de continuidade é quebrada.

A tensão entre imediacia e hipermediacia está  presente nos média e a cada conceito correspondem diferentes procedimentos que os favorecem, como por exemplo: na imediacia  a perspectiva linear representa  a ideia da tela como uma janela que mostra o que está para além dela, criando a ilusão de continuidade entre o espaço representado e o espaço real, já na hipermediacia temos uma multiplicidade de perspectivas a que podemos comparar com um espelho que reflecte o real; as marcas do pincel na superfície de um  quadro são esbatidas no caso da imediacia, enquanto que na hipermediacia essas marcas estão presentes.

A propósito de um vídeo que observámos numa aula intitulado de “A new dimension in TV”, aqui está o link de um vídeo que mostra o modo como tudo foi realizado:

 Daniela Fernandes

Os Novos Média em três palavras

A teoria relativa aos novos média desenvolvida pelos autores Jay David Bolter e Richard Grusin tem como base os conceitos de remediaçao, imediacia e hipermediacia. De acordo com esta teoria, a remediação é uma característica definidora do média digitais e na representação dos meios há uma relação dialética de oscilação constante entre a imediação e a hipermediação. Mas para entender o que isso quer dizer é necessário, antes de tudo, entender os conceitos desenvolvidos por Bolter e Grusin.

O conceito de remediação é o mais importante e diz respeito a relação entre os novos e antigos média. De acordo com a remediação, os novos meios derivam dos meios anteriores a eles. Eles se apropriam das suas características, mas as reconfiguram e adaptam, utilizando-se de novas tecnologias, para a conjuntura atual da sociedade. Ou seja, os novos média digitais são uma “evolução” dos média analógicos. Por exemplo, a fotografia é uma remediação da pintura, pois “faz a mesma coisa” (representa uma imagem), mas de forma automática. Os autores afirmam, então, que a remediação é a caracterísitca definidora dos novos média digitais, mas a remediação também ocorre no sentido inverso. Hoje, os média analógicos, por verem que estão perdendo espaço para os digitais, estão também remediando certas características destes a fim de atender as novas necessidades da sociedade para continuarem vivos.

Em sua teoria os autores Bolter e Grusin desenvolveram também os conceitos de imediacia e hipermediacia. Os dois conceitos, ao contrário do de remediação, que diz respeito à relação dialética entre dois meios diferentes, falam da relação de um meio com ele mesmo. A imediacia está presente quando o meio tenta se esconder e torna-se invisível ao expectador; neste caso, não temos consciência do meio, ele funciona metaforicamente como uma janela (transparente e aberta), pois vemos diretamente o que está do outro lado, sem perceber a “separação”. Já a hipermediacia, ocorre quando o meio expõe a sua materialidade; neste caso percebemos a todo momento a existência do meio. Mas os autores falam da linha tênue que separa essas duas lógicas e da relação de cosntante oscilação entre a imediacia e a hipermediacia na representação dos meios. Por exemplo, quando assistimos a um filme em 3D, estamos vivenciando a imediacia, pois adentramos no filme e ficamos tão imersos naquele mundo que nem percebemos a tela do cinema ou da televisão, mas basta retirar os óculos 3D, que o meio revela-se por completo.

É através da lógica desses três conceitos que os autores Bolter e Grusin estabelecem a sua teoria dos novos média no livro “Remediation: Understanding New Media”, em 1999. Agora é possível entender o que os autores quiseram dizer quando afirmaram a remediação como característica definidora e imprescindível aos novos média. Podemos resumir, então, a teoria dos novos média no estudo das relações de remediação, imediação e hipermediação existente entre os meios.

Larissa Guedes

Marshall McLuhan influencia a Teoria dos Média

Quando um dispositivo aparece é muito dispendioso e restritivo, quando o tempo vai passando  e vão-se inventando novos “aparelhos”, o primeiro dispositivo deixa de ter tanto valor e o novo é que fica mais dispendioso. Deparamos-nos com inúmeras transformações: económicas, sociais e formais. E essas transformações tornaram-se evidentes quando nos anos 50/60 foi introduzida a televisão e aí nota-se que a relação entre os media foi mudando. A rádio e a televisão permitem criar fluxos de informação e universalização.

Marshall McLuhan fundou o Centro de Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto e publicou dois livros importantes: The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man em 1962 e Understanding Media: The Extensions of Man em 1964. Foi ele que introduziu o conceito de “aldeia global”, poucos anos depois do lançamento dos primeiros satélites de telecomunicações. Os média originaram mudanças nas práticas de comunicação levando assim a que a sociedade mudasse. Notamos assim que houve transformações tanto económicas como sociais e formais na história dos média. Os três tópicos mais importantes para McLuhan são: 1. The Medium is the message (o meio é a mensagem), 2. Os média como extensões do ser humano e 3. Meios frios e meios quentes. 

Todos estes tópicos são importantes e interessantes para a história dos média, ou seja, todos eles se complementam. O primeiro mostra-nos que o mais importante para Marshall não era o conteúdo da mensagem mas o “meio” que transmite essa mensagem. Notamos neste tópico a relação entre os média, a organização social e as formas de pensamento nos vários momentos da história humana. No segundo tópico que para mim é mais significativo porque é aí que os média recorrem aos nossos sentidos para fazerem-se transmitir, usando a tecnologia como prótese do corpo e os média como extensões do corpo. Deparamos-nos com quatro eras: a Era Tribal (oralidade) em que os sentidos da audição, do gosto e do olfacto são mais desenvolvidos do que os da visão e por isso, favorece o envolvimento, a paixão e a espontaneidade nas interacções. Em seguida, temos a  Era da Escrita (escrita) em que o sentido da visão torna-se predominante, favorece a lógica e o pensamento linear, o desenvolvimento da matemática, da ciência e da filosofia. Não nos esqueçamos que também favorece a distância individual em vez do desenvolvimento tribal. A Era da Imprensa (imprensa – acentua o predomínio da visão) remete-nos para estandardização das línguas nacionais que produzem o nacionalismo e também a comunicação da escrita realizada pela imprensa antecipa o modo de produção industrial e promove o desenvolvimento da ciência e do individualismo. Actualmente, temos a Era Electrónica (média electrónicos, aldeia global) sabemos que actualmente a televisão e os meios electrónicos favorecem a participação, a espontaneidade e promovem a retribalização da humanidade.

Por fim, temos o último tópico em que a presença dos diferentes sentidos no canal de comunicação faz com que o grau de participação do interlocutor, leitor e espectador seja diferente. Este filme mostrará um exemplo do que é a “Aldeia Global” que Marshall nos mostra.

Depois desta explicação e deste filme notamos o quanto McLuhan influenciou a teoria dos Média…

Cátia Gouveia

O Meio é a Mensagem ou A Mensagem é o Meio?

A partir da década de 40, começaram a surgir várias tentativas de análise e explicação dos fenómenos dos meios de comunicação, e o seu papel.

Herbert Marshall McLuhan foi um sociólogo canadiano, que viveu no séc. XX (1911-1980). McLuhan interessou-se por estes fenómenos. Escreveu duas grandes obras: The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man (1962) e Understanding Media: The Extensions of Man (1964).

Os três aspectos mais importantes do McLuhanismo são: 1. The Medium is the message (o meio é a mensagem), 2. Os média como extensões do ser humano e 3. Meios frios e meios quentes.

The Medium is the message: este foi o ponto que gerou maior controvérsia, pois até então, tinha-se estudado o efeito dos média quanto ao conteúdo, para o que difundiam e transmitiam, sem se dar grande importância a o que é que o disseminava (jornal, rádio, televisão, cinema…). Para McLuhan, o mais importante não é o conteúdo da mensagem, mas o veículo através do qual a mensagem é transmitida. Desta maneira, estuda-se a relação entre a forma e o conteúdo da transmissão da mensagem.

Cada meio de difusão tem as suas características próprias, e por conseguinte, os seus efeitos específicos. Qualquer transformação do médium é mais determinante do que uma alteração no conteúdo.

Desta forma, estuda-se as características específicas de cada medium, com o objectivo de saber as qualidades e defeitos de cada um, e que impõem ao conteúdo, para assim definir a melhor forma de os utilizar. Esta investigação remete-nos para os Meios frios e meios quentes.


2.

Os média como extensões do ser humano: os média recorrem aos nossos sentidos para se fazerem transmitir. Passámos por três eras: a Era Tribal (oralidade; multi-sensorial), Era da Escrita (escrita – visão), Era da Imprensa (imprensa – “ainda mais” visão); e actualmente vivemos na Era Electrónica (média electrónicos; aldeia global).

3.

Meios frios e meios quentes: hot (meios quentes) transmitem uma mensagem clara e precisa, que se impõe ao receptor de forma muito forte. A leitura desta mensagem não exige grande esforço, por exemplo: imprensa, escrita alfabética, rádio, cinema (excepto animação). Têm alta definição e baixa participação do receptor. Cool (meios frios) fazem passar uma mensagem menos óbvia que a dos meios quentes, sendo necessário alguma dedicação para a compreender, por exemplo: televisão, escrita ideográfica, fala, telefone, animação. Têm baixa definição e alta participação do receptor.

Atente-se que, actualmente, esta categorização já não está propriamente correcta, na medida em que haveria meios, como a televisão, que se podem encaixar nos meios quentes e nos meios frios. A Era Electrónica, com os meios digitalizados, confere aos média a alta definição e a participação, o que torna difícil a distinção entre quente e frio.

A mudança do meio de comunicação, modifica, de facto, a mensagem, e o seu conteúdo. Apesar de a mensagem ser a mesma, o efeito causado não é o mesmo.

Por exemplo: O site da Rádio Antena 2.

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Linearidade: Ao ligar o rádio e sintonizar a frequência, “sujeitamo-nos” a ouvir o que está a passar naquele momento.

Na versão online, podemos ouvir a música/programa do momento ou escolher o programa que queremos ouvir, já que temos a opção de Programas Podcast. Assim, é-nos permitido ter acesso a programas já passados, por exemplo. Vemos os destaques com um slide-show que é impossível de passar despercebido, podemos partir para blogs e sites relacionados com o conteúdo da estação de rádio, etc.

Qualidade: Nem sempre conseguimos ouvir os programas radiofónicos com qualidade através do rádio, e nem sempre nos é possível deixar o que estamos a fazer, para ir ouvir rádio. Nestes casos, temos a possibilidade de ouvir em directo, através do site desta estação.

Concentração: No rádio, estaremos mais atentos ao que estamos a ouvir, pois à partida não estaremos a fazer mais nada.

Na versão online, os nossos sentidos fazem-nos dispersar, pois “hiperligação-aqui”, “hiperligação-ali”, há uma certa tendência para nos distrairmos. Não só no site da rádio há a propensão de nos distrairmos, como em todas as ferramentas que o próprio computador nos oferece e na possibilidade de abrirmos novas janelas da internet. É de salientar, por exemplo, a publicidade, as chamadas pop-ups, que se movimentam no ecrã, constituindo mais um factor de dispersão.

Interacção: Não há qualquer interacção entre nós e o rádio, ao contrário do site do canal: por exemplo, no link + Lidas, para além de termos acesso a uma compilação dos artigos/notícias mais lidos no site, podemos ainda deixar o nosso comentário (escrito) no site.

Links: A versão digital da rádio dá-nos a oportunidade de navegar por outros sites relacionados com o que lemos/ouvimos.

Redes sociais: A nível digital, a rádio está ainda nas redes sociais, como por exemplo, Facebook e Twitter. Deste modo, o ouvinte não terá sequer de aceder ao site, já que muitas das vezes, as actualizações do site, são feitas também, pelo Facebook e Twitter. Assim, o ouvinte poderá apenas ler estes “pedaços de texto” ou integralmente, se assim o quiser, bastando-lhe clicar no link do artigo.

McLuhan mostra, desta forma, como o meio interfere no produto final da mensagem, que é a sua transmissão. Assim, o meio é, de facto, a mensagem.

No caso da rádio na internet, temos de compreender que a rádio deixa de ser rádio. Há uma remediação do meio.

Beatriz Barroca.

Meio, mensagem e receptor

Marshall McLuhan introduz, na sociedade contemporânea, várias metáforas, como por exemplo “o meio é a mensagem”, ao ponto de, essas mesmas metáforas, se terem tornado parte da nossa linguagem do dia a dia.

E isto porquê?

Podemos entender a afirmação “The medium is the message” da seguinte maneira: todo o próprio meio em si já tem um conteúdo, um conteúdo que tem a ver com a própria natureza do meio, por exemplo a televisão tem a imagem como conteúdo da sua própria natureza, o rádio o som e assim consecutivamente. O conteúdo de cada meio pode ou não influenciar a mensagem desse mesmo meio, pode influenciar muito ou pouco, no caso da televisão e do rádio, ambas passam notícias e têm como objectivo passar a mensagem ao receptor, mas vão ser recebidas pelo espectador de maneiras bastante diferentes pois cada desses meios tem um conteúdo diferente e apesar da mensagem ser a mesma, o conteúdo neste caso interfere na recepção da notícia, óbvio que podemos pegar naquilo que temos como conteúdo em casa meio e dar mais ênfase a tal, às imagens que se passam no decorrer da notícia – no caso da televisão – e no caso da rádio as palavras e a escolha acertada delas, mas mesmo assim, sem dúvida que a mensagem é sempre recebida de maneira diferente.

Podemos chegar à conclusão que o meio em si nunca é neutro, tem sempre uma mensagem para passar, um conteúdo próprio e uma recepção da mensagem sempre diferente devido ao conteúdo.

Já Jay David Bolter e Richard Grusin em “Understanding the New Media” falam-nos de um novo conceito – a remediação.

E afinal o que é isto da remediação?

A remediação não passa de uma simples transformação entre os novos média, ou numa definição mais complexa é a “lógica formal através da qual os novos média reformam as formas dos média anteriores”.

Alguns exemplos de remediações bastante comuns e simples: a pintura para fotografia, o teatro e o romance para cinema, o telefone para tele-conferência, a imprensa para texto electrónico etc, tudo isto são evoluções da maneira como a mensagem é passada de um meio para outro meio, por exemplo, retratar uma paisagem pintando ou, mais tarde, fotografando é sempre diferente, ambas retratam o real, mas uma com mais exactidão e realismo que a outra óbvio.

Resumidamente, existe uma enorme evolução e persistência em tentar fazer ver à sociedade as coisas como elas realmente são aos olhos dessa mesma. As mensagens que os meios nos passam, são cada vez mais perto daquilo que realmente vemos, afinal não se trata só de uma enorme bola de informação, conhecimento e corrupção, trata-se, acima de tudo, de uma enorme bola cheia de realismo.

Soraia Lima

A Máquina do Tempo

Hoje viajo no tempo e no espaço.

Saio de casa, procurando no bolso as chaves da minha novíssima aquisição, a máquina do tempo Speedlightning 3001, obviamente comprada em segunda mão, e diga-se de passagem, está para ali muito mal estacionada.

Entro no pequeno cubículo prateado, e defino como destino: os novos média do século XIX. Sim, porque a máquina é dotada de uma super inteligência, direccionando a viagem para o destino certo!

Passado alguns segundos espaciais, dou por mim numa ampla praça, onde se reunia um vasto grupo de pessoas em torno de um vendedor de jornais. Estão na maioria todos muito exaltados, atiram palavras ao ar, como que procurando uma resposta concreta e imediata. “Será isto possível? Estarei a ler bem? Uma máquina que grava e reproduz som? Não, é impossível! Ou será?”. “É obra do diabo, do diabo!” diziam os mais crentes, ou os descrentes, “Não existem meios para que tal seja possível!”. Já os interessados especulavam, “Será lançado para venda ao público? Para quando?”.

Se eu realmente tivesse uma máquina do tempo, poderia facilmente deslocar-me ao encontro do Sr. Edison, e congratula-lo pelo grande contributo aos seus contemporâneos e às futuras gerações pela sua mais recente invenção, explicando-lhe que o seu fonógrafo seria o grande impulsionador de um mundo tecnologicamente desenvolvido.

Voltando agora a uma escrita um pouco mais realista,  não será difícil imaginar o choque e o entusiasmo dos que presenciaram o nascer de um novo conceito: a fonografia, a escrita pelo som.

Um conceito que foi rapidamente ultrapassado por outros sentidos: a visão, com a fotografia (escrita com luz) e a visão agregada ao movimento, falo portanto da cinematografia (escrita da imagem em movimento). No entanto, o conceito fonográfico não foi sem dúvida esquecido, e séculos depois é ainda utilizado, ainda que através de meios bastante mais desenvolvidos.

Oferecendo um leque variado de funções, a fonografia possibilita-nos, por exemplo, a simples gravação de som e a sua própria reprodução, seja para puro desfruto pessoal do acto de ouvir música, ou para uma documentação sonora de algo que deve ser preservado, ou difusão de informação de qualquer género.

Assim, também funcionam a fotografia e a cinematografia, ainda que num contexto diferente, pois tratam da captação de imagens e movimentos, mas que igualmente servem como utensílio de documentação da vida humana, como para seu próprio lazer.

Estes três meios possibilitaram às gerações seguintes, a libertação das amarras de um mundo bidimensional, abrindo os horizontes à compreensão e utilização dos  sentidos, que desde então estão activos e em constante mutação.

Contribuindo com um exemplo pessoal, posso dizer que até há bem pouco tempo atrás, as únicas referências que tinha dos meus bisavós paternos eram relatos de memórias por parte dos meus familiares, agregados a testemunhos fotográficos, que sem eles ser-me-ia impossível saber, simplesmente, como se aparentavam. E heis que surge uma gravação, um quanto danificada devido ao tempo e aos meios de preservação, que me permitiu pela primeira vez escutar o som das suas vozes, a maneira única de como se expressavam, as suas reflexões sobre os tempos em que viviam, a maneira como cantavam e riam com os seus, num simples encontro familiar e que era feito de tempos a tempos.

Foi como se estivessem do outro lado da sala, criticando a situação política e social da altura, como se eu própria tivesse voltado a entrar na dita máquina do tempo e tivesse viajado até ao mês de Dezembro de 1974.

Fim da viagem.

Inês Arromba

A “Escrita da Imagem com Movimento” …

O século mais marcante dos novos média foi de facto o XIX, pois aqui surgiram os sistemas mais revolucionários e marcantes da sua história: a Fonografia como “escrita do som”, Fotografia como “escrita da luz”, Cinematografia como “escrita da imagem com movimento”, Telégrafo como transmissor da escrita à distância,  o Telefone como transmissão da fala à distância, a Máquina de Escrever que deu autonomia e homogeneidade à letra, e a Datilografia como mecanização da letra para uso individual “escrita do dedo”. Todos eles bastante inovadores e marcantes, mas a meu ver é a Cinematografia que se destaca.

O Cinema surge como um “olho humano mecanizado” periférico, pois capta o real no instante. Acaba até por ser mais completo que este dos 5 sentidos, porque o registo fica eternizado.  Funciona quase como a memória humana, mas neste caso qualquer um pode ter acesso ao que foi filmado, e não só apenas o ser ao qual pertence a memória.

Através deste sistema pode-se fazer um registo pormenorizado, sem ser preciso recorrer a palavras para o explicar, pois diz-se que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Sem esquecer que posteriormente, a “escrita da imagem com movimento” alia-se à “escrita do som”. Cinematografia e fonografia juntos completam-se, tanto é que hoje em dia é “quase” impensável vê-los autónomos. Mas há excepções, visto que a rádio é só fonográfica  e no caso na cinematografia temos um exemplo recente, o “The Artist” ganhou o Óscar para melhor filme.

Francisca Luís Pereira

Mass Media

No final dos anos 40 do séc. XX, quando a televisão começava finalmente a massificar-se, George Orwell publicava o livro “1984”. Nesta distopia marcada inevitavelmente pela Guerra Fria , o autor descreve um mundo futuro divido em três grandes blocos a que correspondem 3 estados concorrentes e em constante conflito: Eurasia, Eastasia e Oceania. A acção decorre neste último, regime totalitário chefiado pelo Partido. O seu representante máximo é o “Big Brother”, termo hoje conhecido por todos  (entre outros, sendo também conhecida a expressão “Big Brother is Watching You”, usada ainda hoje um pouco por todo lado precisamente quando se pretende criticar qualquer tipo de controlo sobre as massas)  foi cunhado pelo autor desta obra.

Não querendo entrar numa descrição detalhada do enredo, é necessário referir que a engenharia social era levada ao extremo, através do uso da propaganda ,do reescrever da história, do raciocínio (punição dos “crimes de pensamento”) e da própria língua (a “Newspeak”), do controlo/abolição da vida privada. Neste último ponto, entrava em cena o telescreen , uma espécie de emissor/receptor semelhante a uma televisão que tanto emitia a propaganda do regime como servia coma uma espécie de circuito interno de TV, gravando e transmitindo ao partido todos os movimentos de cada um, eliminando, à partida, qualquer possibilidade de desvio ás normas.

De facto, o exercício de futurologia praticado pelo autor, é assustadoramente próximo dos potenciais (ou reais) usos para o controlo das massas que essa nova tecnologia (e qualquer outra, a partir daí) colocou à disposição das lideranças. No entanto, alguns defendem que a distopia não passa disso mesmo e que a televisão foi, afinal, um catalisador da democracia.

Hoje vivemos numa época em que a internet, para além de todos os novos esquemas sociais que possibilitou, se consagrou definitivamente como um campo onde se desenrolam eventos que influem directamente na vida de comunidades e até estados. E como esperado, estes mesmos estados começam já hoje a tentar perceber como se pode controlar este sistema sem líder. Bom exemplo é a última reunião do G8 (intitulada e-G8), que juntou os lideres mundiais e representantes das maiores empresas do planeta no que diz repeito a conteúdos, meios e tecnologias relacionadas com a web. Congratulou-se o papel da internet nas revoluções mais recentes mas também se questionou como ter mais controle sobre o que se passa na rede…

De qualquer forma, numa sociedade que cada vez mais se define pelos media, esta distopia será sempre um ponto de partida, de passagem ou chegada numa dicussão sobre o poder e os media.

Rui Carvalho

Arte interactiva – visitas virtuais

Iniciativas como o Google Art Project, ( http://www.googleartproject.com/c/faq), a proliferação dos Museus Digitais ou a Reprodução Fotográfica do Mundo (http://www.360cities.net/), propõem visitas virtuais e aderem ao conceito de “arte interactiva”e ou “visitas virtuais”; obrigam-nos a reflectir sobre o papel dos novos media na tentativa de cumprir um velho adágio “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai (ou é levada!) a Maomé” e sobre a forma como a realidade se molda, expande, contrai ou deforma, neste percurso.

Tradicionalmente, os museus proibiam/proíbem fotografias ou filmes das obras expostas. No entanto é agora muito comum a sua participação em iniciativas e projectos virtuais de divulgação. Perguntamo-nos se será esse mesmo o principal objectivo destas mostras virtuais e interactivas – a “divulgação” massiva, acenando virtualmente com “a montanha a Maomé” como incentivo a que “Maomé procure fazer uma visita real à montanha”, ou seja ao museu ou ao local de paisagem natural fascinante? Simplesmente uma tentativa arrojada de resgatar a “aura” do original, isto é, procurar sobrepor-se às réplicas falsas ou de pouca qualidade “oficializando” de certa forma o estatuto artístico da “réplica”?

Voltemos aos exemplos citados e à reflexão proposta. A observação de detalhes que não são perceptíveis in loco e o paralelismo com a ideia de reprodução dos postais, remetem-nos para conceitos como a hipermediacia, imediacia e remediação, descritas por Jay David Bolter e Richard Grusin em “Remediation: Understanding New Media”.

No projecto do Google tanto nos é dada a ilusão de que estamos num local fictício e estamos a viajar dentro de um museu, como ao mesmo tempo essa ilusão é quebrada pela presença constante de menus que nos guiam e são essenciais à nossa navegação. Por outro lado, a todo o instante podemos carregar numa hiperligação e “olhar” ou “ver” com maior pormenor os quadros, de uma forma que não poderia ser feita in loco, o que evidência o facto de não estarmos realmente naquele local, mas sim num mundo virtual criado a partir do mundo real e físico do museu e que remedeia, através da sua forma de navegação, a visita a um museu.

No site “360Cities” podemos também ver, além de algumas das coisas já indicadas no projecto de arte do Google, um clara remediação das ideias dos postais que surgem no séc. XIX e dos micro filmes dos irmãos Lumière, onde, para lá de observar um local podemos também explora-lo, dentro das limitações que a composição da fotografia permitem, como também optar, ou tentar optar, por diferentes perspectivas dentro do mesmo local captado.

A decomposição dos objectos digitais modularmente, como descreve Lev Manovich em “The Language of New Media”, é uma constante destes projectos.

O processo da fotografia digital só é conseguido graças a essa “pixelização”, evidente até mesmo no título de algumas fotografias, como é o caso da maior fotografia de interiores com o título “Strahov Library 40 Gigapixels”. Mas também a montagem de um ambiente em 360º a partir da fotografia se faz a partir da montagem de várias fotografias tiradas no local e relacionando elementos comuns, dando-nos a ilusão de que nos deslocamos no local através das tomadas de perspectiva diferentes e montadas como um só.

Ao observarmos como o virtual tenta penetrar num espaço social e físico, tentando substitui-lo, é-nos proposta a reflexão sobre a substituição da arte pela réplica. Há aspectos fascinantes que nos são disponibilizadas através da réplica e aos quais não teríamos acesso numa visita presencial. Mas este é um dos factores chave que ajudam a proliferar esta prática que promove a cultura de massas, que se alimenta do rápido, fugaz, cómodo e desprovido da reflexão própria da relação que é suposto poder estabelecer-se entre a obra e o interlocutor; é o “aqui e agora” que se vê desvirtuado, como diz  Walter Benjamin, em ‘ A Obra de Arte na Época da sua Possibilidade de Reprodução Técnica’ [1935], é a substituição do objecto real e do seu contexto verdadeiro. E Maomé receberá, sem se aperceber, uma “montanha” diferente daquela que não chegou a visitar.

A organização da sociedade em rede torna o mundo mais pequeno mas afasta cada vez mais as pessoas umas das outras, dos objectos e dos contextos reais. Marshall McLuhan em “Understanding Media: The Extensions of Man” quando refere a Era Electrónica, descreve os médios electrónicos focando o seu favorecimento da participação e a espontaneidade dos indivíduos, mas também a sua contribuição para a re-tribalização da humanidade com a emergência da ideia da “aldeia global” e para o declínio do pensamento lógico e linear.

Maria Pires

Indústria Cultural: A relação das massas com a arte.

Se, por um lado, Walter Benjamin encontra-se em uma posição favorável às reprodutibilidades técnicas, afirmando que através delas ocorrem uma «democratização das artes», Theodor Adorno, também da Escola de Frankfurt, tem uma posição mais negativa, ele afirma que a condição das artes passa a fazer parte da indústria cultural.

A arte de massas, ou cultura de massas, é concebida como produto da indústria cultural, destinada à sociedade de consumo – um público indeterminado despido de suas características individuais (classe, idade, religião, etnia, região…) que tem acesso aos meios industriais. A expressão “indústria cultural” foi criada no final dos anos 30 por Theodor Adorno e Max Horkheimer no livro Dialéctica do Esclarecimento, para substituir o termo cultura de massas, indicando uma prática baseada na «razão instrumental», onde os fins justificam o meio. Assim, a obra de arte perde o seu valor de culto, entrando para um contexto capitalista.

Este pensamento denuncia as obras de arte como meras mercadorias, incorporando-se no objectivo mercantil, onde o valor é equivalente ao preço. A indústria cultural veicula formas estereotipadas, pois suas ideias devem ser compreendidas imediatamente por todos, evitando linguagens complexas e exercendo uma massificação do público. Por esta razão, a arte de massas condiciona a população aos padrões pré-estabelecidos, que seguem uma lógica capitalista, utilizando uma linguagem formulaica e repetitiva, visando atender ao maior número de público possível.

E, também, a arte de massas apenas dá acesso ao produto cultural. Não se trata de uma cultura surgida das massas (como a arte folclórica, que surge da identidade cultural de um povo), mas da integração de um determinado público mediano. Cabe à arte genuína estimular a população nos processos cognitivos diante de uma experiência estética, e não apenas transforma-los em consumidores.

Diante à arte de massas, há uma menor participação e pouco esforço imaginativo e intelectual, pois tal meio, como dito, é concebido para ser acessível e de fácil captação, não sendo necessário um empenho interpretativo. A massificação excessiva das ideias (quase sempre irrelevantes em seu contexto) aumenta a formação de um espectador cada vez mais negligente frente à uma obra. Nada é preciso ser desvelado, tudo parece fazer parte de uma convenção estipulada pela indústria cultural. Logo o público da arte de massas tende a ser passivo.

Ao mesmo tempo em que a arte de massas busca ser notada pelo espectador, não permite uma análise semiótica e um prolongamento reflexivo.

É esta posição inconsciente e inerte do público que difere a cultura de massas da arte genuína, pois a arte genuína desafia os efeitos padronizados da comercialização da arte, pela qual os objectos seriam reduzidos ao valor de troca.

Livre da razão instrumental, a finalidade da arte genuína esgota em si mesmo – o que Kant chamou de «finalidade sem fim» da obra de arte. A desvinculação da arte com o fim (utilidade) aproxima o espectador da verdadeira razão. Clement Greenberg afirmou que a arte vanguardista salvaria o espectador da relação passiva pois, por exemplo, quando entramos em contacto com uma pintura abstracta (que segundo Greenberg era a maior das artes), não a associamos a nada previamente existido – o que leva o espectador a pensar junto com a obra. Isso não ocorre na arte de massas, que sempre adquire um conceito previamente existente (fórmulas), é narrativa e tem efeitos programados.

Existe na arte genuína a liberdade e a subjectividade incorporadas nas linguagens artísticas. A arte genuína é livre dos parâmetros do mercado artístico, não são padronizadas, o que garante uma autonomia estética, e logo política e moral do fruidor. Assim, a arte genuína oferece ao público uma postura activa, em que o espectador participa constantemente na interpretação e fruição da obra, gerando questionamentos que ultrapassam a própria arte.

Manoel Paixão Lordelo S. Junior.

Addicted

Hoje quero principalmente que seja cada um a reflectir sobre este tema e, caso se sinta confortável, a partilhar a sua opinião na caixa de comentários. E a reflexão recai sobre a adição que os meios de comunicação geram.

No fundo, em toda a cadeira de Introdução aos Novos Média, é quase sempre disso que estamos a falar. A humanidade tem vindo a criar meios, que até ao momento da sua criação não eram fundamentais, mas que depois, se tornam imprescindíveis na evolução e nas formas de convivências sociais posteriores. E tudo começa a girar à volta dele. Isto é, antes da roda não eram necessárias estradas. Mas depois da roda começaram a haver estradas. Houve a necessidade de criar caminhos convencionais e funcionais para que a roda, a nova invenção, pudesse passar e subsistir. Da mesma forma que, antes de haver televisão, podíamos viver sem ela. Mas depois de esta existir, a adição que esta nos causou com as suas novas capacidades, levou a que toda a nossa rotina e até a organização das nossas casas fossem alteradas em função das mesmas. Assim aconteceu com os telefones móveis, com a proliferação dos computadores de secretária e posteriormente com os portáteis. E mais recentemente com o acesso à internet em quase toda a parte do mundo. Isto é, estamos a assentar a estrutura da nossa sociedade em formas e convenções sociais geradas por uma criação nossa. Estamos a moldar a sociedade à medida das funcionalidades dos meios e dispositivos que vão surgindo de tempo a tempo. Será que isso é positivo ou negativo? Será que nem uma coisa nem outra, ou seja, nem branco nem preto mas sim cinza?

Eu acho que é cinza realmente. Pois, se por um lado há uma panóplia de funcionalidades inerentes a qualquer meio, como diz Marshall McLuhan, por outro lado, ao assentar a sociedade na fiabilidade desses meios estamos a construir um castelo de cartas que facilmente pode ruir. Pois o que nos acontecerá se deixar de haver internet? O que acontecerá se as ondas de rádio forem desligadas? O que acontece às nações se os satélites em orbita falharem?

Acho que poucas pessoas estão cientes de que a sociedade não pode continuar a colocar a sua funcionalidade somente nas capacidades fascinantes de cada meio ou dispositivo interprete. Por outras palavras, há que haver consciência de que muito do fascínio que nutrimos pela internet, televisão, rádio, etc., advém, sobre tudo, do grande nível de adição que estes provocam em cada um de nós.

João Miguel C. Pereirinha

David Crystal, A internet está a mudar a língua? (2010)

David Crystal contextualiza historicamente os efeitos dos média sobre a linguagem, identificando algumas mudanças que as práticas de comunicação mediadas pelas redes electrónicas implicam nos usos da língua. Para Crystal as mudanças trazidas pelos modos de comunicação da internet (conversação em linha; mensagens instantâneas; sms; correio electrónico; mundos virtuais; blogues) não são substancialmente diferentes dos processos de mudança e de interacção entre tecnologia e linguagem que sempre caracterizaram o desenvolvimento e transformação das línguas.  MP

A obra de arte e sua autenticidade

A industrialização empreendeu de forma sistemática a massificação das coisas, a produção em serie aguçou o mundo ocidental capitalista com  o slogan propagandista  do desenvolvimento tecnológico  e  trouxe  a tão almejada modernidade. Walter Benjamim analisa as mudanças que ocorreram no inicio da  era das máquinas e suas consequencias  na sociedade de seu tempo e na arte em geral.

A arte e  particularmente a pintura retratista foi afetada com a chegada da fotografia, o click da maquina passou a ser usado de forma habitual para eternizar o momento e a face das pessoas passou  então ao  realismo de facto, apesar de no começo a fotografia retratar o mundo em preto e branco, representava as caracteristicas fidedigna do retratado. Os artistas do século XIX,  perderam de certa forma seu quinhão de sobrevivência, a fotografia revoluciona a maneira de fixar a imagem com o uso da luz e pode reproduzir cópias diversas em curtíssimo tempo usando as chapas negativas e depois as películas, o oposto  da pintura retratista que  dispunha  de tela ou papel como suporte e demora horas hoje ainda  para produzir uma imagem usando tintas e pincéis  ou outros materiais disponiveis, o artista trabalhava e trabalha o retrato ainda manualmente (apesar e não ser realista como a fotografia), como um artesão que produz uma única peça, e a unicidade da imagem é que contém o que a fotografia jamais terá: originalidade. A crise causada com o advento da fotografia no mundo artístico foi tão impactante ao ponto de se prever o fim da pintura retratista, paisagista ou natureza-morta,  mas o que se viu foi a reação dos artistas (Impressionistas) que  foram aos espaços abertos pintar o cotidiano das grandes metropolis (Paris), usando as tintas  produzidas em larga escala e  modificando a relação com os pigmentos que os artitas prepravam  em seus ateliês com a matéria prima. A reprodutibilidade técnica e a  fotografia  impulsionou a arte pictórica a buscar novas alternativas de se produzir obras de arte e não meramente reproduzir mecanicamente e foi isso que os artistas fizeram e estão a fazer, e nesse contexto, a arte ganhou autonomia, liberdade e criatividade.

Na atualidade, com o uso dos recursos tecnológicos que  possibilita  mostrar as imagens das obras de arte de qualquer lugar do mundo,  pode de certa forma democratizar a visibilidade , mas a relação e o contato com a obra  é algo  mágico e ainda ritualista e  faz a obra de arte perpetuar sua “aura” por ser autêntica e original como Walter Benjamim a definiu: o aqui e agora da obra, ou seja,  os detalhes, a percepção e a contemplação presencial é algo que a simples imagem do ecrã não conseque  realizar.

Manoelito Neves.

A Captação do Real

Desde os seus primórdios, o Homem encontrou dentro de si uma necessidade inegável de se expressar, inicialmente através de sons rudes, passando pela fala e pela escrita, pelo desenho e pintura, até às formas mais complexas e mecânicas, como é o caso da fotografia ou do cinema. Hoje, estas formas de comunicação são-nos muito familiares, de tal forma que quase as não notamos. Contudo, podemos-nos deparar com uma interessante discussão se pensarmos no que significou para o homem ver a primeira fotografia, a primeira imagem em movimento, ou ouvir pela primeira vez a voz humana gravada.

A fonografia, a fotografia e o cinema alteraram profundamente a nossa maneira de comunicar, a imagem que temos de nós próprios e, também, a nossa memmória e a forma como vivemos. Com as primeiras gravações da voz humana, ela desprendeu-se, de certa forma, da presença física do emissor, o que alterou a nossa concepção de fala e expressão oral de algo limitado e local a algo que pode ser ouvido noutros lugares e noutros tempos. Já a fotografia deu-nos a possibilidade de captarmos um momento quase instantaneamente. A sua antecessora pintura tentou várias vezes este efeito, sendo notável o esforço e génio de alguns pintores realistas. Contudo, muitas dessas pinturas foram construídas após a vivência do momento que representam, tendo sempre, ainda que bem disfarçada, alguma parcialidade por parte do autor. Hoje, ao pegarmos numa máquina fotográfica, conseguimos, assim que carregamos no botão do obturador, captar o momento no momento exacto em que acontece. O mesmo acontece com a captação de imagens em movimento.

É incontornável o efeito social e cultural que estas possibilidades nos trouxeram. Começam por alterar a maneira como vivemos, como nos vemos a nós próprios, como atentamos ao que nos rodeia, acabando por funcionar como auxiliares da nossa memória, permitindo-nos reviver momentos e sensações que acabam por se perder no tempo. Por fim, alteram a forma como nos damos a conhecer aos outros e mesmo a nós próprios.

Rita Henriques

Representação da (1ª) Imagem

Observando os nossos comportamentos e formas de estar e viver podemos dizer que a representação é, em certa medida, um dos grandes pilares da nossa sociedade cultura. Tudo é feito em representação de algo, projectado em nome de, e nós mesmos, poderemos dizer, não somos mais do que uma mera representação daquilo que pensamos que os outros vê em nós. E como representação que somos, imagem construída, estamos constantemente a representar, a reproduzir, a apresentarmo-nos e a expormo-nos. No fundo somos a imagem que projectamos de nós mesmos ou tentamos ser essa imagem. E este termo, “Imagem”, diz-nos Carlos Ceia que “significava em latim (imago) mais uma cópia da realidade do que uma representação artística, portanto, convencional e trabalhada esteticamente.” E com isto chegamos à questão que nos foi apresentada numa das aulas de Introdução aos Novos Média: “Que terá representado para o Homem o visionamento das primeiras imagens em movimento?”.

Sinceramente é-me quase impossível dizer ou tentar explicar ou verbalizar tal sensação. É que eu já nasci bem depois dessas primeiras imagens, numa sociedade onde a imagem em movimento é algo banal. Mas creio que, seguindo a linha de raciocínio acima, o visionamento das primeiras imagens em movimento, além de outras implicações que possa ter tido, veio modificar os processos de autognose do homem em geral. “Afinal é assim que eu ando!” terão exclamado muitos. A noção que temos de nós próprios é, sempre foi e será, muito diferente de nós próprios. Se não concordam lembrem-se de quantas vezes não pensaram que estavam feios ou mal numa fotografia e mandaram repetir, quando a opinião dos outros era discordante.

A fotografia, e os processos fílmicos que a partir dela se desenvolveram, vieram dar ao Homem um novo espelho. O Homem consegue, a partir desse momento, congelar uma realidade, um momento, com tempo e espaço. Uma representação da realidade, de uma determinada realidade com uma determinada duração e um determinado espaço físico. Isto independentemente do que se tenha captado ser uma actuação ou um momento de espontaneidade, pois não é essa a questão agora. Se for captada uma peça de teatro esta não deixa de ter tido um tempo e espaço onde foi representada e captada e, como tal, apesar de uma encenação, faz parte de uma realidade que aconteceu.

Temos então dois conceitos juntos: espaço e tempo. E a autognose é, num sentido simplista, uma tentativa profunda de nos conhecermos enquanto ser, físico e psicológico, com massa física que ocupa um determinado espaço e que se modifica e evoluí com o tempo e num determinado tempo e contexto. Na verdade, as primeiras imagens em movimento conseguidas foram obtidas no âmbito de um estudo científico acerca do movimento do corpo de animais e humanos.

No fundo Marshall McLuhan estava coberto de razão quando afirmou, na sua teoria acerca dos meios de comunicação, que estes são extensões do homem, não sou eu que o afirmo nem a mim me compete. Mas indo mais longe poderemos afirmar que o vídeo, a imagem em movimento, além de uma extensão da visão do Homem são uma extensão do seu cérebro também, da sua noção de espaço e tempo. Pois se por um lado nos permitem ver onde coisas os nossos olhos não estavam, também nos permitem ver em nós coisas que os nossos sentidos não conseguem discernir e, como tal, das quais o nosso cérebro não tem noção e nós não conhecemos à partida.

João Miguel C. Pereirinha

O Meio é a Mensagem

Graças aos media, o nosso mundo é hoje uma aldeia global. Eles permitiram a difusão de mensagens e saberes que antes estavam reservados a pequenos grupos ou classes sociais. Nesta era da informação de acesso fácil e generalizado, torna-se bastante simples modificar valores, crenças e padrões comportamentais, através de mensagens capazes de percorrer o mundo num piscar de olhos. Contudo, é aqui que surge uma questão, inicialmente colocada por Marshall McLuhan, nos anos 60: em que medida o meio, o canal através do qual é veiculada a mensagem, influencia a mesma que, por sua vez, nos irá influenciar a nós? O modo como comunicamos é capaz de influenciar aquilo que comunicamos? A teoria de McLuhan leva-nos a crer que tal é, de facto, possível. Nas suas palavras, ” o meio é mensagem porque é o meio que molda e controla a escala e a forma de associação e acção humana”. De facto, não se pode dizer que os media, sejam eles quais forem, sejam inconsequentes. Ao utilizarmos um determinado meio para veicularmos uma determinada mensagem, aquele acaba sempre por exercer alguma influência naquilo que se pretende difundir, moldando, modificando e, por vezes, contrariando mesmo o significado da mensagem propriamente dita. É hoje, portanto, impossível desligar uma mensagem do meio através do qual nos é transmitida, dando-nos conta do vínculo existente entre certos meios e mensagens de determinado teor: há certas mensagens que são transmitidas preferencialmente através de um meio em concreto, e não por um outro qualquer. Assim, os meios determinam muitas vezes não só o teor da mensagem, mas também o público-alvo a que ela deve chegar.

Não há, portanto, meios isentos ou neutros, e o facto de determinarem, adaptarem e desviarem o sentido da mensagem é que nos faz apercebermo-nos de que o meio é realmente a mensagem.

Rita Henriques

A Aprendizagem Mudou

O meu avô não foi à escola e só sabe contar. A minha avó só tem a instrução primária, sabe ler e contar e escrever um pouco, com erros, mas sabe. Nenhum deles, obviamente, teve oportunidade de frequentar o ensino secundário, muito menos uma universidade. E o que aprenderam advém das experiências que tiveram ou do que lhes ensinaram as pessoas que foram conhecendo ao longo da vida. Mas, se tivessem tido, como teria sido? Seguramente ter-se-iam deslocado para uma cidade diferente; iriam a casa só quando a ocasião o justificasse, isto é, no Natal, Páscoa e no Verão e durante o resto do ano meia dúzia de cartas chegariam para manter a família descansada; teriam gasto imensas horas à procura de livros nas bibliotecas; teriam gasto ainda mais tempo a passar à mão para os seus cadernos todas as citações que lhes interessariam; teriam ainda que se ter deslocado frequentemente às mesmas bibliotecas para renovar as licenças de requisição; teriam muito poucos jornais diários e ainda menos semanários para ler ou se manterem informados, mas para se manterem informados teriam que se deslocar a um café para passar os olhos nas gordas ou teriam que passar numa papelaria e compará-los; não teriam televisão, talvez um rádio, pois a primeira seria um luxo de se ter visto as poucas emissões que ainda eram feitas, um luxo que talvez adquirissem já casados e com filhos, nos anos setenta.

Enfim, teria sido complicado, trabalhoso e mais lento, seguramente, que hoje. Porquê? Bem, por uma enormidade de coisas e porque efectivamente e invariavelmente os tempos mudam, e as sociedades mudam com eles. Pois hoje em dia estou no ensino universitário e a verdade é que quase nada do que era feito há cinquenta anos faz parte da rotina universitária actual, ora veja-se: hoje posso ir a casa todos os fins-de-semana, graças à evolução dos meios de transporte bem como das infra-estruturas que os suportam (desde 1973 até hoje há mais 2694 km de auto-estrada, num total de 2759 km) e posso contactar com a minha família todos os dias, quer por telefone, telemóvel ou via internet. Os livros que são necessários para as cadeiras ou encontro-os na internet em formato pdf, ou mesmo quando não encontro, basta ir ao sítio (site) da biblioteca que me interesse e procurar o catálogo, e quando lá chego em cinco minutos o livro que eu quero é-me entregue. O que me interessa nos livros em questão basta ir a uma reprografia e fazer cópia na fotocopiadora (em termos legais apenas de cinquenta páginas no máximo, mas quando nos deixam fazer de mais… pode ir até o livro todo). Além disso, muito do material necessário para o meu estudo os próprios professores disponibilizam-no ou nas reprografias ou no sítio (site) da faculdade. Também quando os livros são requisitados e eu preciso de mais tempo para os ler não preciso de perder mais tempo para ir lá renovar o prazo, basta ir novamente ao sítio (site) da biblioteca, e quando quero comprar um também são raras as vezes em que me desloco uma livraria, fisicamente, basta ir às suas páginas digitais e procurar no motor de busca qual o livro que me interessa, pagar por multibanco e esperar que ele chegue a casa em dois ou três dias. É também nos motores de busca que esclareço muitas dúvidas quando passo apontamentos a limpo e não percebo minimamente o que está escrito, basta digitar, procurar, e conferir. E porque estamos a falar de livros já agora? Bem, no tempo dos meus avós de pouco mais poderíamos falar. Mas hoje não são raros os professores que me aconselham a procurar conceitos e matéria em sítios com enciclopédias digitais como a “Wikipédia” (enciclopédias de vinte e muitos fascículos que demoram anos a pagar pra que vos quero?) ou em dicionários on-line (lá se foram os pesados dicionários que se tornam obsoletos com o tempo, o “Google” traduz, ensina, explica, encontra). Além disso, há sempre um vídeo algures que explica e resume toda a matéria da aula, e um pdf ou um power point com a matéria da aula passada, e muitos já são os que levam o computador para a aula, passando os apontamentos directamente no Word, pois há quem escreva mais rápido num teclado que à mão, como eu (mal pensaria Christopher Sholes).

Mas eu também poderia não ter ido à universidade, e como seria? Bem, talvez não fosse pastor, mas mesmo assim se fosse essa a profissão que escolhesse, talvez seria um pastor que sabe que o maior objecto do Sistema Solar é o Campo Magnético de Júpiter porque vi no Discovery Chanel; que a máfia Italiana ajudou os EUA na Segunda Guerra Mundial a conquistar a Sicília porque vi no Canal História; saberia a História de Portugal porque gravei e revi em casa os episódios do José Hermano Saraiva na RTP Memória; iria discutir com o meu médico sobre o melhor tratamento para as dores nas costas, porque li na internet que há um melhor. Seria um pastor que só iria pró café depois de ver as notícias de manhã nos diários da manhã da televisão, e os jornais dos muitos que há, seriam poucos os que compraria, não só porque a vida de pastor não é fácil, como quase tudo o que eles imprimem também digitalizam.

Ora, digitalizar também é algo que posso hoje fazer. Posso digitalizar uma carta, fotografia, etc. Posso até, em vez de ir fotocopiar os livros que preciso, digitalizá-los. Lê-los no computador, imprimir só as páginas que sejam importantes, ou até partilha-los com amigos, colegas, etc. Os direitos do autor? Ah, esses, já foram atropelados há muito tempo, e andam à espera de serem repensados aos olhos da lei.

Ora, como é visível, de algum modo as nossas formas de aprendizagem foram sendo moldadas com o passar dos tempos, com o aparecimento de novos meios de comunicação e novas ferramentas. Diz-se que é hábito dos chineses usar talas nos pés para que não lhes cresçam os mesmos e lhes sirvam os sapatos. Bom, até que ponto estamos a usar uma tala na educação hoje em dia? Ou seja, os meios utilizados para aprender hoje em dia são adequados ao tamanho da informação que circula no mundo ou o sapato continua pequeno?

Tirar um curso universitário passa essencialmente por adquirir um conhecimento geral numa determinada área específica, que carece de um docente também ele especializado que nos ensine, transmita conhecimento, filtre conhecimento de causa, separe o trigo do joio. Mas se os novos meios nos têm ajudado nesse descobrimento, com o acesso à informação mais generalizado e fácil, também acho que nos têm tornado mais burros. Isto é, hoje em dia carregamos os livros fotocopiados para casa, em vez de criarmos resumos e apontamentos dos mesmos, e normalmente nem os lemos, lemos só o resumo que alguém fez; quando hoje formatados pela informação de consumo rápido, as mensagens rápidas, quando temos que ler meia dúzia de folhas achamos muito, quando antigamente talvez fossem muitas mais e ninguém se queixaria. Contudo hoje talvez leiamos muito mais que antigamente, mas em pequenas quantidades e pouco conhecimento estruturado.

Ou seja, os novos média deveriam começar efectivamente a moldar-se às nossas verdadeiras necessidades intelectuais em vez de as adulterarem e manipularem, privilegiando o facilitismo e o comodismo.

João Miguel C. Pereirinha

Computador nas aulas?

Cada vez mais novos, os alunos tem acesso ao computador e a internet. Os professores mandam pesquisar e os alunos até copiam e colam trabalhos tirados da internet. Na primária, ainda me lembro pesquisar em livros e copiar a mão certas passagens; na escola secundaria era: “para mais informação consultar wikipédia”, agora é: “vejam na woc se deixei lá tal documento”. É certo que agora já não temos tanto o contacto com os livros como tínhamos a poucos anos atrás, mas na minha opinião os média são benéficos a educação.

Passei Verões a enfadar-me em casa, e a minha distracção era pura e simplesmente os média! Eu ia da televisão para o computador e do computador a ouvir música no mp3; e quando saia tirava fotos com a minha máquina fotográfica. O tempo que eu passava no computador entretinha-me a pesquisar coisas que me interessavam, ao saber mais sobre notícias que eu tinha visto na televisão etc. Aprendi bastante graças aos média, e concordo com o uso dos média como meio de leccionação!

Claro que o professor continua fundamental para o ensino, e a internet não pode substituir um professor, mas pode ajuda-lo a completar as suas aulas; e assim ganham vantagens de ambos os lados: o professor cumpre a sua profissão dando ao aluno o máximo de saber, e os alunos ficam a aprender mais, participam até mais nem que seja para contar ao professor um exemplo que viram na TV ou na internet. Concluindo, acho que os média interferem de maneira positiva na aprendizagem, e apoio a evolução de certos média, como o computador, para uso do ensino.

Luiza Fernandes.


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