Archive Page 2

Droga legal

“Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?”

  Sem dúvida a tecnologia entrou na nossa vida sem bater à porta. Em tão pouco tempo tornamos-nos “viciados” nas tecnologias, por vezes mesmo sem conseguir viver sem elas.

  Desde que a internet entrou no nosso dia à dia as pessoas deixaram de ter paciência, querem que tudo seja rápido, querem que um vídeo carregue rapidamente, querem entrar em sites rapidamente, querem mostrar às pessoas o que estão a fazer e querem ser vistos e reconhecidos rapidamente. Quando a internet falha e não as deixa entrar, ficam irritadas, partem coisas, batem no computador/telemóvel seja o que for, ficam de mau humor. Outro exemplo que se pode usar, e até já o experienciei, quando se está a jogar e acontece alguma coisa que nos mata, a internet fica lenta, ou o computador não aguenta e desliga-se, parece que o mundo acabou, temos a tendência a dizer: “porquê?”, “porquê a mim?”, “eu só queria jogar normalmente”, ficamos extremamente frustados e enervados.

  Existe um estudo da Universidade de Maryland, que vai mais longe e descobre mesmo que há pessoas que sem tecnologia tem sintomas iguais ao viciados em drogas e álcool. O estudo consistia em cerca de duzentos estudantes ficarem sem tecnologias durante um dia, passado esse tempo muitos deles exibiram sinais de abstinência, tais como ansiedade e incapacidade em agir normalmente. Na noticia em que me baseei-me para o estudo contém alguns testemunhos que admitem que são mesmo viciados.

  Analisando estes factos, pergunto-me, será que as tecnologias vierem nos ajudar ou vieram criar mais uma dependência doentia? Tentando responder à minha própria pergunta digo que, sim vieram nos facilitar a vida, mas ao mesmo tempo criou-nos um efeito parecido ao que os comprimidos fazem, dependência deles para as nossas vidas, sendo necessário uma dose diária para não entrar em demência.

Link da noticia: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1554036&seccao=Tecnologia

Eliana Silva

Os caracteres e a sincronia

Por muito que pareca que a linguagem através de caracteres e de códigos é recente não é, pois já se comunica através da música, do fogo e de outros meios. Estes meios de comunicação foram evoluindo, como por exemplo o aparecimento dos novos médias digitais, em que os seus utilizadores começaram a utilizar a linguagem de redução de caracteres para por exemplo ser mais rápido de escrever sms, para poupar dinheiro, pois os pacotes que incluem várias ofertas, sendo uma delas mensagens ilimitadas, são recentes, para estar na ´moda´ entre os amigos, entre muitos outros objetivos.

Todos estes novos médias de comunicação vieram possibilitar a comunicação síncrona, ou seja, o emissor e o receptor têm de estar em sincronia mesmo antes da comunicação iniciar e dar continuação até que esta tenha acabado. Se isto não acontecer, a mensagem que se pretende transmitir não será transmitida corretamente ou mesmo a não chegar a ser transmitida. Por exemplo, se o objetivo for transmitir uma ou mais imagens de um telemóvel para outro pode-se utilizar o Bluetooth mas para essa transação acontecer e ser realizada com sucesso é necessário que os dois telemóveis inseridos na transmissão estejam perto um do outro. Caso isto não aconteça a transação não é realizada.

Estes dois conceitos cruzam-se, uma vez que para uma comunicação em que é utilizada a linguagem de redução de caracteres é necessário que o emissor e o receptor se encontrem sincronizados, pois se o emissor mandar uma mensagem do gênero: Olá td bem? Cmg tbm tá td bem :); e se o receptor não tiver conhecimento deste tipo de linguagem de redução, a mensagem fica sem sentido para quem recebe e logo não foi cumprido o objetivo. O que também pode acontecer é que o emissor mande uma mensagem com a linguagem de redução de caracteres que se utiliza naquele determinado momento e o receptor tenha conhecimento de uma linguagem de redução de caracteres mais antigo e poderá não perceber os novos tipos de redução.

Cassandra Santos

Alter(ated)-ego

Na minha opinião, podemos falar de um avatar como um alter-ego. Uma representação à qual se alicerçam qualidades que transponham as características que temos em comum, homens e mulheres, a finitude e a fronteira entre os limites físicos e temporais. Um avatar que represente o melhor ou o pior dos nossos lados, de forma figurada ou não, que possa simultaneamente corresponder à realidade e à condição da vida humana.

Um avatar pode realmente tomar inúmeras formas. Sejam estes alguns dos exemplos: quando temos a possibilidade de criar uma conta de e-mail, um perfil ou uma página num site de âmbito social e/ou relacional, um perfil ou uma personagem para um jogo, entre tantos mais que nos possam ocorrer.

No entanto, é para mim interessante uma relativamente recente prática na internet, e na esfera do espaço social e digital do século XXI. Tive conhecimento dos Role-Playing Games (da conhecida sigla RPG) através de uma amiga que praticava esta “modalidade”. RPG é uma prática que se pode observar entre pessoas que criam um ou mais avatares (em sites conhecidos como o Twitter ou o Facebook), como que uma comunidade dentro da Internet, que se agrega para integrar uma realidade fictícia. Dentro do espaço digital, proporciona-se um outro de cariz social em que existem personagens onde quem está “atrás do ecrã” tem o conhecimento de que nada do que é dito ou que se possa ver tenha por base algum fundo de verdade.

Ainda assim, no âmbito do jogo, é possível que os avatares/personagens “deixem cair a máscara” entre pessoas que queiram efectivamente conhecer-se e podem fazê-lo out of character (gíria de RPG e outros jogos).

Maria Miguel

Avatar

A ideia de avatar pode ter várias vertentes no sentido de identificar/dar identidade a alguém no “mundo virtual”.

A perspectiva de que o avatar transporta a nossa identidade os nossos preceitos , limitações e crenças para uma dimensão digital não se apresenta , para mim, como sendo algo plausível.

Por outro lado acredito que o avatar é uma forma de transpor ideais e objectivos por vezes otopicos, pois o lado virtual da realidade tem como característica a falta de limitações , pois todos os problemas podem ser solucionados e ou transpostos por apenas algumas linhas de códigos, o que faz com que o nosso avatar seja regido não pela verdade mas sim na verosimilhança , na tentativa de alcançar uma representação daquilo que gostaríamos de ser, e não do que somos.

Podemos assim identificar assim os “avateres

” como ferramenta de introspectiva.

Migrar para o ciberespaço

A história dos media começa com a imprensa de Gutenberg, seguida de um outro conjunto de media tradicionais, como a rádio e a televisão. A esta evolução juntaram-se, rapidamente, novas criações e desenvolvimentos tecnológicos que, devido à adesão do cidadão-comum, levaram os media tradicionais a procurar um lugar na Internet. Ou seja, os media tradicionais “foram obrigados a migrar para o ciberespaço”.

Se analisarmos o exemplo do jornal, o fenómeno da Internet repercutiu neste media dois resultados: por um lado, um fácil acesso à informação que subsiste nele, sem custos; por outro, diminuiu, em grande escala, o número de compradores do seu suporte físico, podendo este vir a desaparecer, devido à falta de compradores, ou mesmo deixar de existir, dado não haver lucros para pagar aos seus redactores. Além disso, a Web 2.0 autorizou a liberalização da publicação, permitindo ao cidadão-comum criar o seu próprio espaço de publicação, fazendo dele um leitor e editor ao mesmo tempo, o que banaliza a circulação da informação.

Este exemplo serve para mostrar o quão dependente da tecnologia se encontra a nossa sociedade. Vivemos num século “preso” às “máquinas”, nas quais jovens e adultos investem grande parte do seu tempo, salvo raras excepções.

Entramos assim, num campo controverso, pois até que ponto estar dependente de uma dada “máquina” é favorável ao nosso desenvolvimento? Eis a questão! Sherry Turkle, especialista em estudos sociais científicos e tecnológicos, psicóloga clínica e directora/fundadora de uma iniciativa no Instituto de Tecnologia do Massachusetts – MIT Initiative on Technology and Self, na qual se reflecte sobre a crescente relação do ser humano com as tecnologias – diz-nos: “we are vulnerable creatures. Our vulnerability is when we are asked to nurture another creature we bond, we connect.” Deste modo, actualmente, valorizamos mais o telemóvel, o computador, a Internet, o que revela que é difícil conseguimos estar sós, porque na verdade nunca estamos sós. Estamos sempre ligados, conectados e, por vezes, não encararmos a solidão como algo positivo, digna de um amadurecimento pessoal enriquecedor para as nossas vidas. Aliás, esta mensagem está bem presente na sua mais recente obra literária, lançada em 2011, Alone Together. Nesta, a autora frisa que há trinta anos atrás tudo era uma autêntica descoberta, não havia Facebook, Twitter, telefones “inteligentes” e ainda mal se sabia quais as utilidades de um computador; já no momento actual, graças aos rápidos avanços tecnológicos, podemos criar, navegar e executar as nossas vidas emocionais. A tecnologia é hoje arquitecta das nossas intimidades, sendo que estar online é hoje uma verdadeira tentação, quase que irresistível. Assim sendo, Alone Together espelha quinze anos de pesquiza realizada por Turkle na área das relações “tecno-sociais”, baseada em entrevistas com centenas de crianças e adultos, onde são descritas relações inquietantes entre amigos, pais e filhos, novas instabilidades na forma como encaramos a privacidade, a intimidade e a solidão, na qual Turkle expressa a sua vontade de que as pessoas, nomeadamente os jovens, não dependam tantos das tecnologias para se sentirem realizados, mas que apostem mais numa interacção humana directa.

Para terminar, convido-vos a visualizarem um anúncio muito recente, lançado em Abril de 2015, pela marca de cerveja portuguesa Super Bock, que espelha perfeitamente, a meu ver, a “ideia” defendida por Turkle.

Texto do anúncio:

“O que é que se passa com a amizade?

Se os amigos são tão importantes na nossa vida, como é que temos tão pouca vida para os amigos? Tudo serve de desculpa. O trabalho, a família, o sono, o sofá. Habituámo-nos a adiar encontros cada vez com menos caracteres. Conversamos com ecrãs. Rimo-nos com as teclas e fazemos likes para enganar a saudade. Mas entre um “não posso” e outro, os grandes amigos vão se tornando estranhos. O que é estranho. As grandes amizades não pedem muito. Mas pedem manutenção. Pedem olhares, silêncios, sintonia. Piadas que mais ninguém percebe. Pedem tempo. Mesmo que pareça pouco. Vai sempre parecer. Não precisamos de mil amigos, precisamos de bons amigos. Muito mais do que imaginamos. Vá lá… Liga-lhes e fura-lhes a agenda. Arranca-os da rotina. Das desculpas, seja a que horas for. Se estiveres de pijama veste umas calças por cima. Marquem encontro no sítio do costume e façam o que sempre fizeram. Nada! Tenham conversas que não levam a lado nenhum. Contem as mesmas histórias de sempre mas estejam juntos. Está na altura de pousarmos o telefone e levantarmos o copo. Se não poderes hoje vai amanhã. Mas vai mesmo. Se a vida conspira contra a amizade, conspiremos juntos para a defender. Leva a Amizade a sério!”

Referências Bibliograficas:

MANDIM, Andreia Alexandra Almeida (2012) “Crise dos media tradicionais e importância dos novos media: o papel dos blogues nacionais como meios de divulgação do Cinema” [http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/23308/1/Andreia%20Alexandra%20Almeida%20Mandim.pdf, acedido em Maio de 2015]

TURKLE, Sherry (2012) “Connected, but alone?” [http://www.ted.com/talks/sherry_turkle_alone_together#t-78309. acedido em Maio de 2015]

 

Rafael Pereira.

 

A nova realidade

Cada vez mais os humanos sentem a necessidade de viver uma vida em sociedade. Inseridos na comunidade e com base na mesma criamos a nossa identidade e a nossa personalidade. No entanto, todas as sociedades tem problemas e ideias já concebidas o que faz com que haja deslocados e pessoas que se sentem completamente incompreendidas.
Os avatares e o mundo virtual surge assim como uma escapatória e uma máscara que nos permite viver numa sociedade à qual nos adaptamos com mais facilidade e nos faz sentir mais que humanos, onde temos capacidade para tudo o que é impossível no mundo real.
As razões para tal acontecer podem ser várias: uma deficiência que nos faz sentir menos que os outros, sofrer de bullying ou até sentirmo-nos simplesmente à parte da sociedade.
No mundo virtual temos uma grande variedade de escolha, podemos ser criaturas míticas, grandes guerreiros, assassinos ou até super homens.
Podemos dizer que este universo é um universo de fantasia, ou seja tudo o que fazemos nesses jogos não passa de uma necessidade que os humanos tem de fugir dos problemas da sociedade e de nos sentirmos invencíveis.
É importante salientar que até a nossa personalidade podemos mudar, isso acaba por ser viciante e pode levar mesmo ao isolamento.
Para Sherry Turkle o mundo online não passa de um workshop para o mundo real, é uma ferramenta que podemos usar de melhoramento pessoal ou até físico.
fiddlesticks_pumpkinheadskin

Bruna Ferreira

Avatar ou Real ?

Quando jogamos um jogo onde nos é dada a possibilidade de criar um avatar  que tipo de avatar vamos escolher  ?

Será que de algum modo não vamos de certa maneira escolher um avatar  que  reflita  algo que secretamente gostássemos de ser se habitássemos naquele mundo fictício,? Será que não podemos considerar que de certo modo o avatar vai ser o nosso reflexo durante o jogo?   Respondendo as 2 perguntas anteriores resposta é sim pelo menos no meu caso!

Quando escolho um personagem num jogo escolho um que eu gostasse de ser naquele mundo, com a qual de certo modo me identifique ou pelo menos com a qual eu sinta vontade  de jogar .   na minha opinião os avatares são  de certo modo o reflexo de cada um de nós durante o jogo.  É o nosso avatar que os outros jogadores vêm e mesmo que falem ou comuniquem no chat não chegam a ver as nossas caras , por isso de um certo modo estão a falar para o nosso avatar.

Quando criamos uma conta numa rede social será que de certo modo não estamos também a  criar mais uma avatar nosso  atrás do qual nos escondemos?

A resposta aqui é sim e não, depende de cada pessoa!

Há pessoas que criam uma conta numa rede social e escondem- se atrás  de fotografias de outras pessoas ou qualquer outro tipo de  fotografias  e também os próprios nomes associados a essas contas não têm nada a ver com o real nome dessas pessoas .  nestes casos é um avatar como se fosse o de um jogo pois nada esta associado aquela determinada pessoa.

Mas a maioria das pessoas cria contas  com nome próprio  onde vai colocando fotos  e publicando coisas que podem refletir o que está a sentir ou a pensar num determinado momento. Aqui eu já não considero que sejam  avatar pois pudemos ver com quem estamos a interagir , pois não foi criada uma personagem, apenas foi criada uma conta que possibilita que uma pessoa comunique mais facilmente com quem deseja , mas sem se esconder atrás de um avatar e sem viver num mundo fictício .

Ambos os casos refletem a necessidade crescente que o ser humano tem em se comunicar com os outros , quer seja escondido atrás de um avatar , jogando um jogo , ou através de uma conta criada numa rede social como o  facebook.

Estaremos nos  dependentes  destes meios?

Luis Santos


Calendário

Agosto 2017
S T Q Q S S D
« Jun    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Estatística

  • 625,323 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores