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C!B0RGU€S

O termo ciborgue surgiu nos anos 60, através de Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline, ambos cientistas que investigaram nas áreas da saúde e tecnologia, e consiste num organismo cibernético dotado de constituintes orgânicas e cibernéticas, com a finalidade de melhorar as capacidades do ser humano através da tecnologia. O desejo do Homem de explorar o Espaço e de estabelecer uma ligação humano-máquina fazem parte do contexto que contribui para a criação deste conceito, à cerca de 50 anos atrás.

Atualmente, já existem vários casos de implantação de dispositivos e chips em organismos humanos. Ciborgue seria, então, uma mistura de um ser humano com um robot, dando origem a uma espécie de homem-máquina, dotado de um organismo cibernético. Mas não será isto mais um indicador da constante dependência da tecnologia por parte da sociedade atual? As debilidades ou deficiências físicas do ser humano parecem já não ser uma limitação. O aumento da utilização da tecnologia na área da saúde torna-se justificável e até compreensível, na medida em que contribui para melhorar a qualidade de vida das populações.

Neil Harbisson é considerado o primeiro ciborgue da história, ao instalar no seu cérebro um dispositivo que lhe permitiu recuperar parte da sua visão. Esta prótese artificial contribui indubitavelmente para melhorar o seu bem-estar e qualidade de vida. No entanto, esta tecnologia não é totalmente transparente, apesar de já ter adquirido um tamanho bastante reduzido. Considerando isto, qual seria o impacto deste mecanismo na sociedade? Seriam os ciborgues bem aceites pelo seu aspeto exterior? Contudo, toda a tecnologia parece caminhar no sentido da transparência total do meio e, dentro de alguns anos, estes dispositivos irão adquirir tamanhos tão reduzidos que passarão desapercebidos. Atualmente, já existem microchips, quase ‘invisíveis’.

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Neil Harbisson, o primeiro ciborgue.

Mas, considerando que os ciborgues têm como finalidade melhorar a qualidade de vida dos seres humanos e são dispositivos cibernéticos, não serão os simples aparelhos auditivos também um ciborgue? E, da forma como a tecnologia penetrou na nossa sociedade, não seremos todos ciborgues? Será mesmo necessária a implantação de dispositivos no interior do organismo humano para este se poder considerar ‘ciborgue’? O ser humano parece «alimentar-se» de tecnologia, não o tornará isso numa máquina?

Nota: Cibernética é a ciência que estuda os mecanismos de comunicação e de controlo nas máquinas e nos seres vivos.

 Diogo Martins

“O caráter, assim como a fotografia, desenvolve-se no escuro.”

Segundo Sherry Turkle, as tecnologias e o seu avanço provocaram em nós um desequilíbrio, a convicção de companhia constante. Esse desequilíbrio, chamemos-lhe assim, trata-se (não só, mas também) da nossa incapacidade de enfrentar a solidão, o medo de estar só. Essa incapacidade é camuflada pelo uso das redes sociais; a substituição dos amigos de “carne e osso” pelos amigos virtuais que nos transmitem conforto através de um simples “like” ou comentário, remete-nos para a ilusão de que não estamos sozinhos. Mas a realidade é outra e muitos dos adolescentes e mesmo adultos não a conseguem percecionar. “Juntos mas sozinhos”, formatados pelas tecnologias presentes em todos os espaços da sociedade, criam uma disfunção ao nível da fala, onde nos é possível percecionar as dificuldades que crianças/adolescentes, que contaminados pelas tecnologias, já não conseguem manter uma simples conversa, onde as perguntas se tornaram básicas e as respostas curtas, tal qual como nas mensagens de texto.

Discernindo sobre dois tipos de solidão, a solidão enquanto opção que é saudável, permite momentos de reflexão, de autoanálise, o entendimento de nós mesmos antes dos demais, o aceitar-se, permitir-se, o olhar para a vida de forma rica e harmoniosa; e solidão enquanto condição que traz infelicidade e que se repercute para doenças do foro psicológico.

Turkle alerta assim para a necessidade da solidão saudável, essencial ao ser humano, o “desligar da conexão” por instantes, para nos permitir-mos ao pensamento e consciencialização. As tecnologias devem ser encaradas como boas quando não substituem a nossa vida real e quando não interferem diretamente com aquilo que somos/queremos ser.

“Os grandes homens estão muitas vezes solitários. Mas essa solidão é parte da sua capacidade de criar. O caráter, assim como a fotografia, desenvolve-se no escuro.”

Yousuf Karsh

Ana Freitas Oliveira

Tecnologias do sujeito

Michel Foucault foi um filósofo, teórico social, filólogo e crítico literário. As suas teorias abordam a relação entre o poder e o conhecimento e, aprofundam a relação destes dois tópicos, assim como a sua utilização visando o controlo social por meio de instituições sociais.

Foucault afirma que as tecnologias do sujeito são tudo aquilo que permite aos indivíduos através dos seus meios, ou com a ajuda de outros, um certo número de operações nos seus próprios corpos e almas, pensamentos, conduta e forma de ser, de modo a transformarem-se a eles mesmos, a fim de atingir um certo estado de felicidade, pureza, sabedoria, perfeição ou imortalidade.

Na actualidade, a tecnologia pode ser vista como um dispositivo capaz de provocar uma transformação radical no ser humano, desde a informática e contiguamente a realidade virtual, até à biotecnologia e nanotecnologia.

Ao focar uma especial atenção na temática da realidade virtual, quer seja nas redes sociais ou nos jogos online, observamos inúmeras construções e reconstruções do “eu” (em diferentes escalas), uma vez que, na realidade virtual o indivíduo adquire o poder de se moldar ou criar da forma que quiser, obtendo assim uma nova identidade. Através da internet, a identidade estende-se a multiplicidade, onde há a possibilidade de construir e alternar várias “personalidades”. A identidade na realidade virtual é flexível pois, não é vista como algo definitivamente construído ou finalizado, mas sim como algo em construção. As identidades ou representações criadas na rede podem ser denominadas de avatares, o avatar é o sujeito na realidade virtual. É necessário “avatarizar-nos” de forma a podermos actuar dentro da rede, o papel do avatar é expressar o poder da nossa vida em rede.

Contudo a leitura, por exemplo, pode ser também considerada uma tecnologia do sujeito, na medida em que o leitor vai sofrer uma transformação dos seus pensamentos, após ter lido e, tal acção acentua a emergência da consciência individual.

A tecnologia com que vivemos no nosso quotidiano força-nos a colocar a nós próprios questões como “quem somos?” e “o que viremos a ser?”.

Joana Valente

WHAT IS A AVATAR ?

olá,  avatar é um pequeno pedaço de códico  de facil utilização que permite programar os nossas sistemas  vertuais. Em avatar olá Beteth Coleman examina o aspecto crucial das nossas mudanças culturais do analógico para o digital: o cuuntiunum entre on-line e off-line o que ela chama de `´REALIDADE´` X  que atravessa entre o virtual e o real. Ela olha para o surgimento de um mundo que não é, nem virtual,l nem real mas engloba uma multiplicidade de combinações de rede. Ela argumenta que é o papel de avatar para nos ajuda a expressar a nossa agência. o nosso poder de personalizar a nossa vida em rede.

Por avatar Coleman significa não apenas as figuras animadas que povoam as nossas telas, mas a gestal de imagens texto e multimédia que compõem nossas identidades on-line em mundos virtuais como o second life e não forma de e-mail, chat de video e outros artefactos digitais.Explorando essa actividades de rede como forma de realização, extrema violencia virtual), e um trabalho na realidade  de laboratórios virtuais, e oferecendo entrevistas, barras lateral com designações profissionais, Ela argumenta que, o que é novocom  colaboração em tempo real e com presenças a nossa forma de fazer conexões  usando media em rede e as culturas em torno deste. A estrela deste drama de horizontes explanadas é o assunto em rede- todos nós que representam aspectos nós mesmo e do nosso trabalho em todo o medias cape

Em avatar olá Coleman explica nos o que está acontecendo nas bordas de sociedade em rede de forma profunda e reveladores. Ela provoca o melhor em nos empurrando as fronteiras da nossa reflexão sobre a identidade. Ela consegue operar o nível mais grave de teoria e o nível mais imediato do designer e da prática do mesmo texto. o novo livro do Coleman é um verdadeiro presente, para o estudioso, o designer e para o leitor em geral iguais

IVETE MONTEIRO

A ditadura dos imojis

E se, de um momento para o outro, se iniciasse a inserção dos tão famosos “smiles”, nos variados modelos de escrita do que está à nossa volta ? Ora vejamos, o resultado…

“ – Aqui tem! – dirigiu-se ao padre Terrier, um monge calvo e cheirando um pouco a vinagre, que lhe veio abrir-lhe a porta.
E pousou o cesto na soleira da porta.
– O que é isto ? – questionou Terrier, ao mesmo tempo que se inclinava sobre o cesto e cheirava, supondo tratar-se de víveres.
-O bastardo da infanticida da Rua aux Fers!
O padre remexeu no cesto, até pôr a descoberto o rosto do recém-nascido adormecido.
-Está com bom aspecto! – observou. – Com as faces rosadinhas e bem alimentado.” (…)

“ O Perfume, História de um assassino, de Patrick Suskind ”

Ficaria qualquer coisa deste género:

“ – Aqui tem! 😉
E pousou o cesto na soleira da porta.
O que é isto ? 😕
O bastardo da infanticida da Rua aux Fers! 😅
O padre remexeu no cesto, até pôr a descoberto o rosto do recém-nascido adormecido. 😇
Está com bom aspecto! – 😋 – Com as faces rosadinhas e bem alimentado. 😊” (…)

É flagrante o empobrecimento textual que se verifica num simples excerto. Poderão retorquir, dizendo que assim são mais visíveis as emoções e estados através da utilização “ da carinha correspondente” , contudo, a meu ver, esta só por si torna-se bastante redutora já que a grande ambiguidade leva a que cada um interprete a figura de um modo diferente.
Contudo, não vem de agora a tentativa de “ilustração” das palavras, desde sempre, que o homem procura colmatar a dificuldade que tem em exprimir-se por palavras, ou melhor, exprimir-se com as palavras certas, através da inserção de imagens que correspondam ao que pretendem transmitir. Inicialmente, tal poderia ser justificado, por exemplo na Idade Média, devido da necessidade de “educar” através de imagens, já que apenas uma infima parcela da população era alfabetizada.
De modo algum poderemos querer equiparar a escrita de uma simples sms a um romance, contudo não é o facto de cada vez mais os “smiles” serem utilizados na escrita corrente, mas sim o facto de estes servirem atualmente para substituir palavras, situação que acaba por culminar num progressivo “esquecimento” do lirismo que as palavras em si comportam.

Francisca Cruz

Netspeak….Sempre?

Netspeak é um modo de comunicar que foi criado especificamente para o uso nas mensagens e nos 3chats na internet. Um dos objectivos da criação deste tipo de comunicação foi o de não se ter de escrever todas as letras das palavras e explicar os nossos sentimentos de maneira mais rápida e curta, não só para popr tempo como também porque muitos dos dispositivos par mandar mensagens tinham um limite de caracteres por mensagem.

O Netspeak foi criado em inglês mas rápido esta ideia de utilização de abreviaturas e emoticons (símbolos para mostrar emoções e estados de espírito) tornou se mundial.

Como alguns exemplos de Netspeak temos:

‘lol’-laughing out loud;

‘l8’- late

‘idk’- I don’t know

‘CU’-see you

‘u’- you

Bff-best friend forever

B4- before

4-for

Estes são só alguns exemplos depois temos também os emoticons, exemplos destes são:

J (feliz)

L (triste)

😉 (wink)

:/ (incerteza)

E com estes as pessoas explicam o que sentem sem usar uma única palavra!

Claro que eu não critico o uso de tudo isto, porque eu também o uso mas tudo deve ser usado com peso e medida e nas alturas correctas. Não deve ser por o netspeak ser mais fácil e rápido que o devemos usar em tudo ou em todas as mensagens, pois com isso acabamos por perder a capacidade de desenvolver as nossas ideias e explica-las com todo o seu significado.

E temos de admitir quando alguém usa esta for de escrever sempre deixa de ser levada tão a serio e deixa de ser perceptível se sabe escrever ou não correctamente.

Devemos sempre fazer um esforço para escrever o mais correctamente possível, podemos usar algumas abreviaturas e emoticons mas não fazer disso a regra!

Netspeak Chart

Filipa Silva

Como garantir um discurso coerente, objetivo, claro e com qualidade?

Herbert Paul Grice, filósofo britânico que se focou no estudo da linguagem, estabeleceu um conjunto de regras ou premissas que, segundo ele, devem “orientar o ato conversacional”. Grice atribui a estas regras a designação de máximas conversacionais – são princípios que descrevem o comportamento linguístico dos interlocutores e regras que regulam a conduta linguística. Ao respeitar o princípio das máximas conversacionais, o interlocutor está também a respeitar o princípio da cooperação – um indivíduo deve interagir com outro da forma mais explícita e completa possível para que todos os enunciados sejam corretamente interpretados.

“Faça a sua contribuição conversacional tal como se requer, na situação em que tem lugar, através do propósito ou direção aceites no intercâmbio conversacional em que está engajado” – Herbert Paul Grice

As máximas conversacionais constituem a competência conversacional dos interlocutores, pois caso sejam descuradas ou não apresentem coerência podem pôr em causa a eficácia do ato comunicativo.

“Os nossos diálogos, normalmente, não consistem numa sucessão de observações desconectadas, e não seria racional se assim fossem” – Herbert Paul Grice.

Grice estabeleceu, então, quatro máximas conversacionais que devem ser respeitadas para garantir um discurso eficaz:

1) Máxima da qualidade: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja o mais verdadeira possível e, para tal, não deve fazer afirmações que acha serem falsas e também não deve afirmar aquilo de que não tem provas suficientes para confirmar a sua veracidade.

Exemplo:

– Quando começa a verão?

– 23 de março.

(A resposta à pergunta é incorreta, logo a máxima da qualidade só seria respeitada se a resposta fosse ’21 de julho’).

2) Máxima da relevância: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja pertinente e relevante em relação ao objetivo da conversa.

Exemplo:

– Queres ir ao centro comercial esta noite?

– Preciso de ir à casa de banho.

(A resposta à pergunta foi completamente descontextualizada e nada relevante para o objetivo da conversa).

3) Máxima da quantidade: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja tão informativa quanto necessária, isto é, que seja nem mais nem menos informativa do que aquilo que é fundamental para o que a conversa pede.

Um discurso repetitivo e longo pode constituir uma violação desta máxima, pois estará a sobrecarregar-se o enunciado de informação redundante e desnecessária.

Exemplo:

A que horas tens aulas hoje?

Tenho aula de Anatomia às 11:00, na sala 14, na Faculdade de Medicina.

(A informação dada foi excessiva e desnecessária. A resposta poderia ter sido simplesmente “Às 11 horas”).

4) Máxima de modo: o interlocutor deve tentar que a sua contribuição conversacional seja clara, organizada e breve.

Para respeitar esta máxima, devem ser evitados discursos que possam apresentar múltiplas significações ou induzir a outra pessoa em erro.

Exemplo:

– Queres ir à praia esta tarde?

– Talvez sim, talvez não.

(Apesar de breve, a resposta dada não foi clara nem concreta, deixando o interlocutor que fez a pergunta na dúvida).

Assim, para garantir um ato conversacional coerente, concreto, breve, relevante, objetivo, organizado, claro, verdadeiro e com sentido, estas máximas devem ser respeitadas, garantindo que a informação é entregue da forma mais eficaz possível.

Diogo Martins

Humanos 2.0

Os dispositivos digitais estão constantemente a ser usados pelo ser humano, fazendo com que possam ser considerados extensões da mente humana.

É quase impensável para nós sairmos de casa sem o telemóvel, isto porque sabemos que durante o dia-a-dia precisaremos de comunicar com alguém, fazer uma pesquisa no google, jogar os nossos jogos favoritos ou até mesmo actualizar os nossos perfis nas redes sociais, e por isso podemos, ainda mais do que uma extensão, denominar este dispositivo de melhoria da mente humana. Isto porque nos dá capacidades que não possuímos naturalmente. Possuir um dispositivo como um smartphone dá-nos imediatamente o poder de comunicar a longas distâncias, de fazer uma viagem rápida para algum destino cujo caminho nos seja desconhecido, de procurar solução para quase qualquer problema na internet, ou mesmo fazer uma compra e pagá-la, em qualquer lugar do Mundo.

O mais recente exemplo desta utilização dos dispositivos como extensão da nossa mente é o Smartwatch. Os smartwatches são dispositivos móveis, com a forma de um relógio de pulso, com a capacidade de fazer quase tudo o que os telemóveis, tendo ainda a capacidade de “trabalhar” em conjunto com estes últimos, podendo ser usados para atender as chamadas que fazem para o nosso telemóvel e também receber e enviar mensagens.

O facto de este dispositivo ter a forma de um relógio é um indicador claro do quanto estamos ligados aos nossos dispositivos, introduzindo-os até no nosso vestiário.

Podemos, portanto, concluir que os nossos dispositivos fazem parte de nós, modificando as nossas práticas diárias e ajudando-nos a superar-nos a nós próprios, oferecendo-nos habilidades que há 20 anos atrás seriam impensáveis.

João Resende

O meio é a mensagem

Herbert Marshall McLuhan nasceu a 21 de Julho de 1911, no Canadá. Aos 23 anos formou-se em Literatura Inglesa, pela Universidade de Manitoba e em 1942 doutorou-se em filosofia na Universidade de Cambridge.

McLuhan estudou o impacto das novas tecnologias e os efeitos dos meios de comunicação na sociedade. Nas suas pesquisas desenvolveu conceitos que alcançaram grande fama e foram amplamente divulgados. “O meio é a mensagem” foi uma das suas declarações mais importantes e é também o título da sua obra publicada em 1967. A afirmação acima referida foi inovadora, na medida em que, até então, apenas se tinham elaborado estudos relacionados com o conteúdo difundido pelos meios, focando a questão da mensagem e ignorando o meio que a disseminava. Contudo essa tendência foi contrariada quando o autor apresentou esta nova perspetiva visionária.

Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam.”

A mensagem pode ter diversos significados como resultado do meio que a divulga. McLuhan explica-nos que, uma mensagem transmitida de forma oral ou por escrito tem diferentes estruturas perceptivas, ou seja, o indivíduo que vai ser o receptor do conteúdo, irá adotar diferentes mecanismos de compreensão, consoante o meio utilizado para lhe fazer chegar a mensagem. Uma mesma mensagem é percebida por um mesmo indivíduo de formas diferentes se ele as receber em diferentes meios, o que faz com que a mesma mensagem adquira diferentes significados.

Alguns conteúdos são transmitidos deliberadamente através de um certo meio e não por outro, além dos meios ditarem, por vezes, o assunto da mensagem também são escolhidos de forma intencional conforme o público a que se quer fazer chegar a mensagem.

Concluindo, o meio não deve de ser visto como um simples veículo de transmissão da mensagem, já nos apercebemos do quão determinante na comunicação pode ser, uma vez que pode demarcar o conteúdo desta.

Joana Valente

O Software Nas Nossas Vidas

Nos dias de hoje o contacto com algum tipo de software é praticamente inevitável, ele está presente nos nossos telemóveis, computadores, tablets e até em alguns televisores.
Mas existem vários tipos de software, vocacionados para diferentes funções.
Alguns programas e aplicações são utilizados exclusivamente a nível profissional, ou seja, este tipo de software age como ferramenta de trabalho.
Porém, existem também milhões de “apps” e programas direccionados para o lazer, entretenimento, desporto e muito mais.
Obviamente que todo este software à nossa volta tem implicações no nosso estilo de vida, e na forma como socializamos com os outros.
Como exemplo disso, temos as SMS’s (Short Message Service), que vieram introduzir ao mundo uma nova forma de comunicação escrita, muito mais rápida e acessível do que todas as anteriores, sendo utilizado em estilo de conversa, e não para assuntos formais ou profissionais. É aí que entra o E-Mail, muitas vezes denominado como o “substituto da carta”, embora esta última forma de correspondência não tenha caído ainda completamente em desuso.
Muito daquilo que vemos como arte é realizado através do software. A edição musical exemplifica isso muito bem, em que várias ferramentas de software se juntam na criação ,edição e masterização da música que chega ao consumidor final.

O Design Gráfico é mais uma das áreas em que o software é frequentemente envolvido, através de programas utilizados também na edição fotográfica.

Podemos concluir assim que o software tem um enorme peso nas nossas vidas, estando ligado a quase tudo o que fazemos, tanto no trabalho, como nas nossas outras actividades diárias.

João Resende

Os Conceitos de Copresença e Tempo-Real

No nosso dia-a-dia, sem apercebemo-nos, existem vários processos de mediação com vários conceitos. Dois desses conceitos, que eu vou falar, são a copresença e tempo-real.

– E o que são esses conceitos? – perguntam aqueles agarrados ao telemóvel sem saber que projeção dão ao mundo.

Não estou a julgar, eu também não sabia, teve de ser a Beth Coleman a explicar-me.

Muito bem, e o que é a copresença?

Bem, a copresença é um conceito de criação de um ambiente onde duas (ou mais) pessoas estão juntas, via uma conexão de rede, mas não estão realmente no mesmo sítio. Um exemplo disto seria uma chamada pelo Skype ou um stream de videojogo pelo Twitch. Com esses processos de mediação, existe assim uma atmosfera de familiaridade e convívio, sem as pessoas envolvidas estarem alguma vez no mesmo lugar.

O outro conceito, tempo-real, é, basicamente, o tempo que existe realmente, ou pelo menos o tempo que nós humanos experienciamos (existe a quarta dimensão espacial, people).

Isso, em relação com os processos de mediação, transmite-se numa forma mais pessoal. Um exemplo dessa relação poderia ser o site de social media, Facebook. Onde experienciamos, em tempo-real, a adição de fotos e comentários que o nosso tal amigo adiciona ao seu perfil (onde em 90% dos casos não é nada de interessante ou revelante) e nós somos quase como um espetador nessa vida digital. Em tempo-real.

Carolina Gonçalves

Um diferente meio, uma diferente repercussão da mensagem.

McLuhan

No século XX ocorreram profundas transformações políticas, económicas, sociais, mas sobretudo científicas, tecnológicas e artísticas que permitiram uma nova concepção do mundo.

Por exemplo, na arte, a originalidade ganhou um papel de extrema importância, onde as convenções clássicas foram deixadas à margem, produzindo-se uma arte nova que apelava à crítica, à imaginação e à ironia.

Igualmente, por volta da década de sessenta, investiu-se em perceber qual a repercussão dos media na sociedade. Um dos maiores investigadores deste fenómeno foi Herbert Marshall McLuhan (1911-1980). Este sociólogo canadiano produziu duas grandes obras: The Guttenberg Galaxy: the Making of Typographic Man (1962) e Understanding Media: the Extensions of Man (1964).

Destas obras extraem-se três aspectos fulcrais para se perceber a ideia de McLuhan, são eles: the medium is the message; os media como extensões do ser humano; e meios quentes e meios frios.

No primeiro aspecto, no qual o meio é a mensagem, McLuhan explicava que o mais importante não é o conteúdo, mas o veículo através do qual este é transmitido. Por outras palavras, McLuhan apostava em perceber o papel dos media enquanto difusores de informação. Esta interpretação gerou bastante controvérsia na época, dado que as anteriores pesquisas atribuíam grande significado à mensagem em detrimento do estudo do veículo por onde essa era transmitida.

Desta forma, é inevitável não se estudar as características específicas de cada media, ou seja, é preciso analisar pormenorizadamente os vários media, saber quais os seus defeitos e qualidades, para assim se definir qual a melhor forma de os utilizar.

Entramos, deste modo, no aspecto dos media como extensões do ser humano, isto é, os media recorrem aos nossos sentidos para se fazerem transmitir. McLuhan distingue três Eras: a Era Tribal, marcada por uma linguagem que privilegia os sentidos do gosto, do olfacto e da audição, onde a oralidade assume um papel enaltecedor em detrimento do poder da escrita; a Era da Escrita, na qual o sentido da visão torna-se predominante, favorecendo a distância individual, bem como a lógica e o pensamento linear, e o desenvolvimento da filosofia, da ciência e da matemática; a Era da Imprensa que nos remete à Galáxia de Gutenberg, onde se agudiza o predomínio da visão, onde a estandardização das línguas nacionais conduz ao nacionalismo, onde a uniformização da comunicação escrita elaborada pela imprensa antecipa o modo de produção industrial e onde se promove o desenvolvimento da ciência e do individualismo; e, por fim, a Era Eletrónica, definindo-se como uma autêntica “aldeia global”, na qual as notícias circulam a uma velocidade incrível, onde a televisão e os meios eletrónicos favorecem a participação e a espontaneidade e promovem a retribalização da humanidade, e cuja essência origina o declínio do pensamento lógico e linear na cultura eletrónica.

Para explicar melhor as suas convicções, McLuhan distingue meios frios de meios quentes. Os meios frios transmitem uma mensagem menos óbvia, sendo necessária alguma dedicação para a compreender, sendo exemplo, a fala, a animação, o telefone, a televisão, a escrita e a ideografia. Estes meios têm baixa definição e alta participação do receptor; por sua vez, os meios quentes transmitem uma mensagem precisa e clara que se impõe fortemente ao receptor, não exigindo uma leitura de grande esforço, como a imprensa, a escrita alfabética, a rádio, o cinema (excepto os filmes de animação). Estes meios apresentam ainda uma alta definição e uma baixa participação do receptor.

Obviamente que esta distinção de meios frios e meios quentes, hoje em dia, tem de ser questionada, visto que existem meios, como a televisão, que pode ser considerada um meio quente e frio ao mesmo tempo. Ou seja, a Era Eletrónica na qual nos encontramos actualmente tem meios cuja alta definição e a participação activa torna complicada e controversa a diferenciação entre frio e quente.

Em suma, o impacto de uma mensagem depende do meio através do qual esta circula. O meio modifica, sem dúvida, o peso de uma determinada mensagem, tal como o seu conteúdo.

Rafael Pereira.

PRESENÇA

Beth Coleman escreveu o livro Hello Avatar: Rise of the Networked Generation, ela estudou como a tecnologia afectou as pessoas nos últimos anos de 2000.

A verdade é que na ultima década a maneira como as pessoas se relacionam mudou drasticamente, temos cada vez mais relações feitas através de dispositivos médias do que cara a cara, no geral,isto faz com que tenhamos uma realidade diferente da que existia à uns anos atrás, tanto para o lado bom como o mau.
Posso dizer por experiência própria, e contra mim falo, de que noto uma diferença cada vez mais crescente quando estou no café com amigos, a fala é mais escassa, há momentos em que damos por nós e estamos, todos nós, a olhar para o nosso smartphone, ou a jogar ou ás mensagens com alguém que não está presente. Por outro lado há também coisas boas nesta nova realidade como conseguirmos comunicar com familiares ou amigos que estão a quilómetros e quilómetros de distância, ou aquela simples mensagem de bom dia que faz com que acordemos com outra disposição.

Coleman fala nos conceitos de “copresença” e “tempo-real”, a copresença é conseguirmos comunicar com alguém que não está presente, que não está no mesmo sitio que nós, para mim acho até parecido com o conceito de Sherry Turkle “alone together” pois estamos sozinhos mas estamos a comunicar com alguém, estamos ligados, estamos sozinhos estando juntos. A “copresença” traz com ela uma proximidade e relações frequentemente falsas, pois por vezes essa é a única relação que existe entre duas pessoas não há o verdadeiro “olhar nos olhos”, não há toque, não há proximidade, não há relação. Mas claro que isto acontece quando há apenas este tipo de relação, uma relação artificial, tecnológica. Quando a relação é mais do que apenas tecnológica penso que a “copresença” seja algo que ajuda e muito numa relação, seja ela qual for, agora não temos que estar meses sem falar com o familiar que emigrou, ou falar de mês a mês por carta, onde não havia conversação, não era uma conversa em “tempo-real”, com os novos média podemos agora ter relações distantes a “tempo-real”.

Num modo geral penso que neste momento já estamos numa  realidade talvez um pouco alarmante, para alguns, para os mais novos penso eu, mas na minha opinião cabe a cada um e aos seus progenitores de mostrar que as relações que se estabelecem não podem ser apenas de “copresença” mas sim de PRESENÇA.

Ana Bento

Questões Acerca dos Meios

O meio é a mensagem, diz a máxima de Marshall McLuhan. O meio é a massagem, diverge uma simplificada e humorosa edição da Penguin Books, publicada pela primeira vez em 1967, para divulgar a mesma ideia às massas que consideravam o original demasiadamente intricado para ser compreensível. De facto, esta pequena frase aparece-nos como suma da doutrina de McLuhan; e em cinco breves palavras, o teorizador canadense convida-nos a observar os meios de comunicação como algo mais que meras ferramentas, alterando talvez de forma definitiva a nossa relação com os mesmos.

Tomemos como exemplo a banalização do smartphone, que nos acompanha de forma tão presente como se de uma extensão do nosso corpo se tratasse. O smartphone é o exemplo máximo do paradigma de transmissão imediata de informação dos nossos tempos: onde quer que estejamos, basta uma simples ligação à rede para termos as principais fontes de informação a nível global na palma da mão. E até desligados da rede podemos consultar determinadas aplicações, ler ebooks, revisitar informação previamente descarregada; não que estar ligado seja tarefa difícil, pois as redes wifi são cada vez mais ubíquas nas nossas cidades.

Mas se um meio tão pequeno é capaz de uma transmissão de dados tão avassaladora, que dizer do seu impacto enquanto aparelho móvel e omnipresente na nossa sociedade? Não terá a sua mera existência mais peso na nossa conceção do universo do que a sua utilização propriamente dita? É que muitas vezes damos por nós a ignorar todas as potencialidades dos novos média, toda a sua capacidade de transmissão e armazenamento da informação, em troca de um uso mais dedicado ao entretenimento e à comunicação. Não será, então, mais marcante para a sociedade as inúmeras possibilidades trazidas pelos novos média do que as mensagens que neles trocamos?

São estas algumas das questões que McLuhan nos faz ponderar, mantendo sempre presente que, por vezes, até os grandes teorizadores se enganam.

Beatriz de Sousa Ferreira

Hiper-Imediacia

Os conceitos de imediacia e hipermediacia, desenvolvidos por Bolter e Grusin podem estar interelacionados embora provocando resultados desiguais. 
Se o meio está contido em si mesmo e pratica uma ocultação desse mesmo meio estamos diante da imediacia, em que a mediação exerce uma lógica de transparência capaz de absconder as suas componentes materiais tornando-as invisíveis ao seu utilizador. O espaço visual corresponde então ao espaço real. 

O contrário, onde é operativa a exposição do meio e da sua materialidade e exige uma interação mais presente do utilizador, corresponde à hipermediacia. 

Estes efeitos atuam em determinados meios como por exemplo na pintura, onde as técnicas de perspectiva permitem uma submersão sobre o que estamos a ver, tal como os jogos de luz e cor que permitem a formação de uma imagem que se transpõe para um espaço real. 

Mas se o processo criativo estiver perceptível e a própria pintura autônoma, sendo esta capaz de contrariar o realismo, podemos estar a favorecer a presença da hipermediacia e de uma transparência dos meios utilizados para a sua criação. 

Helena Bastos 

Cibereternidade 

É inevitável o reconhecimento da progressiva fusão entre a mecânica/tecnologia com a biologia, mas isso poderá constituir uma ameaça para a imagem de ser humano como conhecemos? 

As mutações tecnológicas constituirão uma perda de percepção existencial? 

Não podemos negar essa desconstrução humana, pois as correções genéticas estão cada vez mais presentes e consistentes, a tecnologia é capaz de se integrar em nós como complementos ao que a biologia não é capaz de sustentar por si mesma. A ideia de imortalidade humana através de mecanismos tecnológicos está em progresso, a Iniciativa 2045 prevê uma transposição do nosso cérebro para um avatar em etapas finais da nossa vida, tal como a possível existência de cérebros sintéticos capazes de conter a nossa personalidade e consciência. 

Estaremos a contradizer o natural através da cibernética? O nosso futuro poderá estar condicionado, poderemos atingir a posição de seres sobre-humanos capazes de manipular a sua própria genética. 

No entanto já é possível a inserção de dispositivos subcutâneos que nos liga diretamente a computadores, e não podemos negar que seja um processo gradual que culminará num corpo biotecnológico ou totalmente mecanizado. 

Mas não é correto adotarmos um olhar completamente negativo sobre a capacidade de transformarmos o nosso corpo, pois poderemos contrariar erros genéticos se conjugarmos os avanços tecnológicos com a medicina, que poderão conter efeitos positivos. 

Helena Bastos

A base dos novos média é a remediação

A frase de Antoine Lavoisier, “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, combina perfeitamente com o tema, uma vez que todos os novos média tem uma base num média antigo, ou seja, o que se realiza é a transformação do média.

A remediação também está presente quando o espaço de tempo entre o surgimento de novos média for pequeno, pois a sociedade precisará da remediação para se adaptar a esses novos média. Contudo, se esse espaço entre divulgações de novos média for longo, já não sera necessária a remediação pois a sociedade tem tempo de se adaptar a esse média.

Na remediação estão incluídos dois outros conceitos, que são o de imediação e o de hipermediação. Estes dois conceitos são o oposto um do outro, uma vez que o primeiro consiste na transparência, na ocultação do meio para o seu utilizador ter a sensação de que está em contacto direto com o conteúdo de forma a que pensem que até fazem parte do meio. Em oposição temos a hipermediação que se baseia na opacidade, ou seja, não têm como objetivo não deixar transparecer o meio, nos média que se baseiam na hipermediação os seus utilizadores terão noção de tudo o que está ali representado é através de um meio.

Em suma, nenhum dos novos média existentes é totalmente novo e desconhecido, pois as suas bases já são conhecidas. Por exemplo, começou por existir a pintura para representar a realidade, depois passou a existir a fotografia, depois os vídeos e os filmes. Todos estes tipos de média têm os três conceitos mencionados em cima.

Cassandra Santos

“Remediação é a lógica formal através do qual novos média reformam as formas de média anteriores”

“Remediação é a lógica formal através do qual novos média reformam as formas de média anteriores”

Hoje em dia cada vez há mais novos média, e todos eles tiveram uma base, um molde, algo em que se basearam para fazer estes novos média. É mais ou menos isto que Bolter e Grusin querem dizer quando falam em remediação. A remediação é quando o conteúdo de um meio é representado noutro meio, ou seja quando o novo meio é baseado noutro como por exemplo, o conteúdo da imprensa é a escrita.

A remediação nos dias de hoje é bastante usada, a meu ver, da fala foram buscar o telefone, e do telefone as videochamadas, que toda a gente usa, pois vivemos num tempo em que as famílias, os amigos, estão separados, ou em países diferentes ou em cidades diferentes devido ao trabalho. A remediação que foram fazendo ao longo dos anos ajudou a que esta comunicação distante seja possível, ajudou a manter a comunicação, não só a comunicação como a visualização dos nosso familiares e amigos.
Há outros exemplos como o da pintura, da pintura passámos para a fotografia, da fotografia para o vídeo, e estes dois, a fotografia e o vídeo podemos encontrar no telemóvel, na verdade no telemóvel encontramos grande parte dos novos média, na minha opinião o telemóvel é o dispositivo que mais usou a remediação e que é mais remediado, pois de mês a mês temos novas versões, melhores que as anteriores, o telemóvel está constantemente a ser actualizado, a ser melhorado, a ser remediado. O computador por exemplo é outro exemplo pois tem imensos média, como a fotografia, o cinema, o rádio, os jogos, a escrita, a imprensa etc.

Há várias formas de fazer a remediação, podemos querer mostrar a diferença, podemos não mostrar a diferença, podemos copiar inteiramente outro meio e podemos também retirar várias coisas de vários meios, como o exemplo do computador e do telemóvel.

Bolter e Grusin dizem que a remediação é a principal característica dos novos média digitais, pois os médias que hoje existem, que todos nós usamos, todos eles tiveram um antecedente, algo que foi a fonte para estes novos média, como o facto do conteúdo da escrita da escrita ser a fala.

Ana Bento

ma·ni·pu·lar (do latim manipularis)

Na realidade dos dias que se atravessam, já não é de todo um problema conseguir criar contacto com alguém que esteja noutra cidade, noutro país, noutro fuso horário. Por mais debatido que seja o tema da emergência das novas tecnologias e do que estas despoletaram, apesar de tudo, é relevante sublinhar a qualidade de vida que estas apresentaram a pessoas cujas circunstâncias são – mais, ou menos – idênticas. Familiares emigrados, companheiros separados pelo trabalho ou por outros compromissos evidentes, jovens estudantes separados dos pais lutando por um futuro mais condigno.

A possibilidade de estabelecer uma chamada ou uma video-chamada a grandes distâncias, em tempo real, quase instantaneamente, providencia uma proximidade “artificial” a que Beth Coleman chama co-presença. Esta presença “em conjunto” é fulcral e indispensável nas sociedades actuais, tanto a nível laboral como de carácter familiar. Indispensável a nível de custos (monetários e/ou físicos) ou de tempo, e salvaguarda do mesmo.

A co-presença revela uma importância fundamental nas relações interpessoais. É no olhar e na troca deste que, nos alicerces das relações interpessoais, se constroem e se edificam sentimentos como a confiança, a intimidade, a sinceridade, o conhecimento recíproco, a empatia. É também através do olhar que se geram sentimentos adversos, como o medo, a desconfiança, o controlo.

A título de curiosidade, e exemplificando a importância da co-presença, o sociólogo Georg Simmel, considerava o olhar mútuo um acontecimento social único, e que era através do olhar que se estabelecia uma verdadeira conexão entre indivíduos; considerava inclusivamente que o olhar é uma interacção mais pura e mais directa do que uma normal conversa.

No entanto, este exemplo lembra-nos invariavelmente da cegueira, e da condição daqueles que não podem obter esta aparentemente simples mas poderosa experiência.

Mas será que os verdadeiros cegos são os que não podem ver? Ou os que não podem tocar? Como é realmente percepcionado o mundo? As relações humanas são naturalmente armadilhadas pelos sentimentos que nutrimos uns pelos outros, que nutrimos pelas coisas e pelos lugares. Realmente, com todos os sentidos, para além de depreender o que nos rodeia, temos a tendência a manipular as circunstâncias de forma a facilitar os nossos caminhos e a aproximar os nossos atalhos. Manipular. Mão.

Numa esfera tecnológica como aquela em que hoje vivemos, onde a mudança e a inovação são os motores para cada dia que nasce, penso que o levantamento de dúvidas surge muito mais rapidamente do que o cessar das mesmas.

Maria Miguel

Invisível ou Visível?

“Como podemos entender a relação entre ‘imediacia’ e ‘hipermediacia’ (por exemplo, num destes meios: televisão, cinema, rádio, computador pessoal, videojogo, pintura, romance, teatro?)”

Jay David Bolter e Richard Grusin em Remediation: Understanding New Media desenvolveram uma teoria que se baseia em três conceitos: remediação, imediacia e hipermediacia.

Os novos média baseiam-se sempre em outros meios, claro que sofrem modificações para que se adeque ao seu tempo, por exemplo, os jornais ou revistas que consultamos nos nossos smartphones ou tablets, tem o mesmo estilo dos de formato em papel, por vezes são mesmo iguais ao formato de papel simplesmente são digitalizados. Mas não encontramos remediação só do velho para o novo, também podemos encontrar no contrário, por vezes os média antigos procuram características dos novos e adaptam para os antigos para manter ou chamar mais público.

Relativamente à imediacia, é um conceito em que a mediação realiza-se através da transparência, da naturalização e da ocultação do meio, ou seja, o meio tenta esconder-se e tornar-se invisível. Podemos usar como exemplo um jogo em primeira pessoa (de muitos que há, vou me basear no Far Cry 3) é um jogo que nos leva até à ação, o facto de estarmos tão concentrados no que estamos a fazer leva nos a pensar que estamos mesmo na ação, este jogo move a câmera como se fossem os teus próprios olhos, o que torna o meio um pouco invisível.

A hipermediacia, é um conceito em que ao contrário da imediacia opera pela opacidade, o estranhamento e a revelação do meio, isto é, o meio mostra-se e torna a sua presença visível. Como para a imediacia podemos usar um jogo mas agora na terceira pessoa como por exemplo, o facto de vermos o avatar não nos remete para o lugar dele, faz com que não nos esqueçamos que é um jogo e não a vida real.

Estes dois conceitos são contraditórios mas podem complementarem-se um ao outro, ou seja um é como o espelho do real, o outro cria-nos uma ideia de continuidade.

gta-v-1 Far-Cry-3-hangglider

Eliana Silva


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