Arquivo de Maio, 2010

“Paranóia televisiva”

Este post pretende mostrar um lado radical, imaginário, paranóico e até mesmo surreal dos efeitos que a televisão pode provocar. Para isso vou dar o exemplo de dois filmes que retratam na sua plenitude um papel um tanto obscuro que a televisão  pode exercer na sociedade, nomeadamente o filme “Network” (1976) de Sidney Lumet e o filme “Videodrome” (1983) de David Cronenberg. Embora divergem em certas abordagens, estes filmes têm o objectivo de criar o que se pode chamar “paranóia televisiva”.

O motivo de referir o filme Network é que este trata-se de uma crítica mordaz a um dos principais média daquele tempo, bem como da actualidade, precisamente a televisão. Network reflecte-se como um testamento da liberdade e da ambição dos anos 70 em Hollywood. Um dos temas centrais do filme é a decadência da sociedade e da moralidade em relação à audiência televisiva, facto extremamente actual na sociedade de hoje, já que (e é meramente a minha opinião) a audiência é vista como uma competição constante entre os canais televisos mas não resulta em nada numa garantia de qualidade na programação televisiva. Numa breve sinopse do filme, este consiste no despedimento de um apresentador de televisão devido às fracas audiências, que ao ter conhecimento de tal anuncia a sua demissão enquanto o seu programa ainda está a ser emitido e que se irá suicidar na próxima emissão do programa. A ironia constante no filme é inicialmente visível quando o director do programa vê a ameaça do suicídio como uma possibilidade de ganhar audiências, uma vez que o público demonstrou-se curioso e o programa começa a ganhar audiências bruscas.

Tudo isto exemplifica a sátira ao mundo televisivo e à forma como este constrói uma disfuncionalidade de personalidade, bem como à falta de escrúpulos dos meios televisivos para conseguir audiências. Do ponto de vista do espectador, também critica o consumismo insconscienteddaquilo que pode ser considerado novidade, neste caso um programa noticioso que se transforma numa espécie de reality show”. Aqui fica o trailer

No filme Videodrome, o papel da televisão é explorado como algo que afecta fisicamente o espectador e também  como um controlo social, como um deturpador e manipulador da concepção do espectador em relação à realidade, devido muito à violência constante transmitida na televisão. O fulco central do filme é o programa televisivo “Videodrome” (que dá o título ao filme) e que contém por exemplo imagens de pornografia sadomasoquista e de violência física, muito ao estilo dos  “snuff movies” . O programa conduz a personagem principal a uma série de acontecimentos regidos por alucinações, violência e morte. A componente real deste filme aparece disfugarada através de efeitos especiais, do “fantástico” e  do terror físico como também psicológico, aparentemente nada comum à realidade do ser humana. De qualquer forma são abundantemente visíveis na cinematografia de David Cronenberg. Sem mais demoras segue em baixo o trailer para aguçar a curiosidade a quem nunca tenha visto o filme.

Ricardo Pereira

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Rótulos Digitais

Foi criada na Bélgica a primeira empresa especializada no fabrico de rótulos electrónicos para embalagens que poderão conter filmes e animações digitais. A Lumoza, ainda em fase de construção, surgiu do trabalho conjunto do Centro de Investigação em Nanoelectrónica (IMEC), da Universidade de Hasselt e da empresa Artist Screen.

Esta empresa irá usufruir dos desenvolvimentos que se têm verificado no campo da electrónica orgânica (ramo da electrónica que lida com compostos de polímero ou plástico), com a criação de dispositivos que permitem o fabrico de circuitos electrónicos, principalmente telas, por processos similares aos da impressão.

A tecnologia empregue pela Lumoza para a impressão de telas electrónicas combina uma tinta electroluminescente com um circuito electrónico que controla a sequência e a temporização das animações. Estas poderão ser impressas em qualquer tipo de superfície, desde o plástico ao tecido e, além disso, há a possibilidade de se dobrar ou reutilizar esses materiais, sem que se danifiquem. Quando impresso, por exemplo, em uma folha de plástico fino, o display pode ser dobrado, enrolado, ou envolto em torno dos objectos. Desta forma, em breve teremos esta tecnologia a ser usada em novos tipos de embalagens, cartazes de animação, vestuário, revestimento de veículos, manuais de instruções.

Numa primeira fase, esta tecnologia será destinada exclusivamente à indústria de embalagens e publicidade. Contudo, Wouter Moons, director geral da Lumoza, revelou que a indústria de capas para DVD’s já demonstrou interesse e que a longo prazo serão desenvolvidas aplicações mais duradouras.

Teremos de ter em conta a poluição que esta tecnologia irá provocar, pois com rótulos digitais a reciclagem não vai ser eficiente. A poluição visual também será um problema, na aquisição de um produto banal será imposto um ataque visual muito maior que a habitual publicidade. Iremos infestar todo o nosso quotidiano, mais do que aquilo que já está, com imagens digitais.

Joana Costa Santos

:)

Hoje em dia, os indivíduos têm sérias dificuldades em expressar os seus sentimentos por escrito. Tal facto, deve-se sobretudo aos apoios cibernéticos que nos vêm a ser dados pelas salas de conversação digital. Estes surgem para melhor demonstração de intenções de certo sujeito, utilizando o menor número de caracteres possíveis, poupando espaço e tempo. Inicialmente, uma expressão de alegria básica, um  smile, foi facilmente interpretado, até, porque tais sítios de conversação funcionavam com código HTML e o : ) era transformado numa carinha sorridente, no formato png., como esta :). Porém, com os avanços tecnológicos, assistiu-se a uma transformação do sorrisinho numa vasta gama de expressões faciais, cada uma codificada num sem número de combinações possíveis.
Assim, para comunicarmos nos dias que correm, quer seja via internet ou via sms, recorremos constantemente ao uso destes sinais de pontuação descontextualizados, ignorando a importância de outros que outrora demonstravam exactamente a mesma intencionalidade, evitando a vertente gráfica complexa, que, por exemplo, um mero ponto de exclamação não oferece.
Deste modo, a mania dos smiles foi crescendo. Inventaram-se novas expressões faciais numa perfeita simbiose de letras, números e sinalética gramatical! A estas juntaram-se onomatopeias e siglas de expressões inglesas! LOL e OMG marcharam lado a lado com xD e *.*, invadindo páginas na internet, caixas de entrada de telemóveis e, inclusivamente, textos elaborados com papel e caneta! Focando uma situação que me foi próxima: uma docente do meu agregado familiar chegou ao cúmulo de corrigir testes de avaliação onde o aluno recorria ao uso de carinhas tristes ou sorridentes para exprimir o seu entusiasmo nas respostas dadas! E quando a situação não se podia tornar mais ridícula, foi notada a sua ignorância na utilização de virgulas e pontos finais na construção da sua prova, que, para espanto de qualquer entusiasta das letras, era de português de 11º ano! Caso para dizer: “LOL xD”
Em suma, torna-se urgente uma intervenção abrupta na vida desta geração de jovens! Ainda que a utilização de abreviaturas comece a ser controlada, a vaga de expressão emocional gráfica deve ser retraída! O que seria da nossa bela língua e cultura literária se Luís de Camões adoptasse também este estilo? “Aquela : ( e : ) madrugada” ou “<3 é fogo que arde x.x”

Dispax Multitouch Technology

Dispax Multitouch Technology é uma tecnologia que funciona através de nanofios incorporados numa película de polímero mais fina que papel. Quando é detectado contacto com a tela, uma pequena perturbação eléctrica permite que o micro-processador identifique movimento.

Esta tecnologia é capaz de tornar em ecrã táctil e interactivo qualquer superfície não condutora, plana ou curva, opaca ou transparente, incluindo superfícies de vidro, plástico ou madeira.

As características desta tecnologia são inovadoras. Consegue detectar 16 dedos ao mesmo tempo numa tela de 50 polegadas. É também sensível ao sopro, quando alguém sopra, é medida a intensidade, a direcção e o fluxo de ar. Pesa cerca de 300 gramas, o que facilita o transporte para qualquer lugar. Mesmo quando utilizado numa superfície transparente a qualidade de visualização não é influenciada. Da mesma forma que também não é afectado pelas condições de luz, podendo trabalhar de noite ou dia, em ambientes fechados ou ao ar livre. A durabilidade é uma questão a considerar porque neste caso, a película é colocada na parte de trás da superfície, e deste modo fica protegido de arranhões e outros danos, pois não há necessidade de contacto directo com o material.

Esta tecnologia foi apresentado  no passado mês de Fevereiro em Amesterdão por uma empresa nacional, a Edigma, e começará a ser comercializado no terceiro trimestre deste ano.

Actualmente, estas tecnologias estão a tornar-se reais e cada vez mais próximas e acessíveis ao público. Anteriormente só era possível ter a percepção destas  realidades  em filmes de ficção cientifica, como por exemplo no filme “Minority Report” de Steven Spielberg protagonizado por Tom Cruise em 2002 baseado num conto de Philip K. Dick em 1956. Há décadas que o homem sonha com a possibilidade de interacção sem barreiras com a máquina.  Esse sonho está cada vez mais próximo!

Minority Report, 2002

Joana Costa Santos

Melih Bilgil, History of the Internet (2009)

Análise do anúncio “A new dimension in TV”

“A new dimension in TV” é um anúncio comercial da divulgação de um produto (televisão em 3D) que simultaneamente poderá ser visto como obra digital uma vez que tem uma diegese muito própria, alicerçada na co-habitação do real com a ilusão de real que cria o pequeno objecto que mudou o mundo: a televisão.

Todo o vídeo é isento de qualquer diálogo entre os seus participantes. Note-se aqui um apelo ao carácter e poder da mensagem visual da mensagem, uma vez que, no fundo, introduzir um diálogo, à partida, funcionaria como ruído ao poder que aquelas imagens têm no espectador, induzindo-nos também ao êxtase que vimos em todas as personagens daquela obra, criada pela Samsung.

A música ao longo de todo o vídeo adquire uma centralidade fortíssima, uma vez que acentua, gradualmente, o carácter “extraordinário” do produto que aquela marca pretende dar a conhecer. A cadência musical é bastante marcada, o que nos sugere e remete para o ritmo de uma cidade cosmopolita, como a que é apresentada no vídeo. No início, apenas os ruídos se notam, mas não tarda muito e a música surge, sublinhando outras emoções. Contudo, é apenas com o aparecimento da primeira imagem criada com os monitores de TV da Samsung (o urso) que a música adquire outra melodia capaz de pontuar ainda mais a emoção no espectador, perdurando nesse registo até ao término do anúncio.

Todo o cenário construído está extremamente bem estruturado na medida em que se tenta transformar uma cidade cinzenta, movimentada e artificial, numa cidade onde os animais e a natureza parecem encaixar-se na perfeição, ou seja, toda aquela encenação cenográfica entre as imagens dos monitores e a cidade não é mais do que uma tentativa de evidenciar a profundidade da tridimensionalidade daquela televisão, onde o mundo artificial se pode encaixar no mundo natural, sem esforço.

A verdade é que vídeo faz-nos caminhar para uma espécie de êxtase final (imagem da enorme queda de água visível meio da cidade com uma baleia dentro dela – efeito criado pelas várias televisões juntas).

Ao nível dos planos, o frontal e lateral, bem como o plano geral de cima para baixo são os mais utilizados, não descurando as panorâmicas que também são muito recorrentes. Com esta obra assistimos à remediação, neste caso, da televisão conceptual pela televisão a três dimensões. Podemos encontrar também uma clara tensão entre a imediacia e a hipermediacia, contudo, com ligeiro ênfase nesta última.

Se por um lado a tridimensionalidade tenta ocultar o meio tornando o mediado ainda mais real – e prova disso é o facto de quase ficarmos convencidos de que o mundo natural, ali, se fundiu com o artificial – por outro, parece-me que a hipermediacia acaba por ser muito mais forte e gritante visto que o meio é por demais visível, aliás, todo aquele cenário foi concretizável através da colocação dos monitores (meio) no ambiente do vídeo. Contudo, o factor “ilusão” é extremamente forte em toda a obra, sendo o ponto de partida para a concepção e posterior concretização de todo aquele imaginário que tem como finalidade sublinhar a espectacularidade da inovação presente nas representações geradas pelas novas tecnologias.

Sara Oliveira

A tecnologia na educação

Excluir a tecnologia da nossa vida? É impossível!… Os seus avanços têm-nos tornado cada vez mais dependentes das suas ferramentas devido às suas vantagens. A sua utilização é, cada vez mais, indispensável nas nossas vidas.

A tecnologia na educação é, muitas vezes, questionada. A verdade é que trouxe com ela muitos benefícios…

A presença da tecnologia tornou-se fundamental nas escolas. A internet, por exemplo, permite a constante interacção entre os alunos e professores, a entrega de trabalhos, a partilha de informações, diapositivos e dados importantes para o estudo individual.

No computador, fazemos os nossos trabalhos, conversamos com os nossos amigos, trocamos ideias com os nossos colegas,  tiramos dúvidas com a ajuda dos nossos professores “on-line”, “postamos” no blog de “Introdução aos Novos Média”, expomos o vídeo realizado para “Construção da Imagem Fílmica”, ouvimos a música necessária à disciplina “História da Música Ocidental”, estudamos, lemos artigos e até podemos ler livros! Uma infinita gama de possibilidades!…

A tecnologia facilita (e muito!…) a vida de um estudante…

Como é trabalhar com este método de estudo, numa só palavra?

Motivante!

Sara Godinho


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