Arquivo de Junho, 2014

Localização

Vivemos numa época em que as grandes potências tecnológicas reinam o nosso espaço social, a nossa rotina, as nossas práticas sociais. O mundo encontra-se de imensos sinais, que nos permitem e que facilitam a nossa comunicação com outros seres do outro lado do globo.
As novas tecnologias portadoras de muitas vantagens, tais como a presença de múltiplos dígitos, códigos, a ubiquidade, as diversas funcionalidades que apresentam, a mobilidade e a ligação permanente com as redes de comunicação. Mas o problema que se insere neste contexto é, o facto, de nos termos tornado numa sociedade facilmente influenciável, adaptando-nos aos meios que nos são proporcionados. A partir do momento de inserção de novos aparelhos, nós enquanto sujeitos passamos a ocupar e a possuir uma nova localização, somos como que relocalizados no nosso próprio espaço, mas com uma dimensão meramente digital. Nós somos o fruto/produto que provém da interferência entre a utilização efetuada pelo ser humano e a máquina.
As novas formas de sociabilidade que surgem partem para a questão do drama da incomunicabilidade e do isolamento social, que são problemas que advêm do uso excessivo dos aparelhos eletrónicos, que revolucionaram a nossa sociedade. Ao deixarmos que estes diapositivos modifiquem as nossas práticas culturais, hábitos e rotinas, não só nos estamos a ligar eletronicamente à era digital, deixamo-nos de sentir sozinhas a partir do momento em que entramos em contacto com alguém, mas por outro lado perdemos a necessidade de construir relações verdadeiramente interpessoais, que são deveras importante para o nosso desenvolvimento psicológico enquanto seres humanos.
Enquanto estamos conectados com o mundo social, como o facebook, o instagram, entre muitas outras redes, entramos numa espécie de jogo de autorepresentações definindo ou não a nossa personalidade, o nosso dia a dia, a nossa vida através de fotografias, preenchimento de dados pessoais, da partilha de imagens ou músicas, etc.
Em suma, a palavra controlo será a mais apropriada para representar a maneira como devem ser utilizadas corretamente estas tecnologias. Sejamos comunicáveis com o interior e com o exterior, perfurando um espaço digital e social, e criando relações interpessoais.

 

Maria Beatriz Nogueira

 

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Novas Identidades

O ser humano do século XXI está sempre acompanhado por um dispositivo móvel. Com exceção das gerações mais antigas – embora não seja uma regra – é comum ver muitas pessoas em locais até bem frequentados com algum portátil, seja um celular, um computador, ou dispositivos de várias categorias e modelos. Mesmo quando estão em grupo, há sempre um momento em que é retirado o objeto da bolsa para uma averiguação rápida. Isto pode ser uma necessidade para muitos e é normal a não percepção dessa necessidade.

Ao estar sempre acompanhado por um dispositivo eletrônico, o sujeito adquire uma certa dependência, pois transfere muitas coisas da sua vida e situações em que está inserido para serem solucionadas via internet, como marcação de compromissos, situações de trabalho e estudo, etc. Os novos médias tornaram-se extensões do corpo como afirma Sherry Turkle.

E ela vai mais longe ao afirmar que o homem precisa se isolar para poder estar conectado. O sujeito está em uma espécie de jogo de auto representações via web. Os novos médias proporcionam novas formas de sociabilidade. Essas transformações atingem a própria definição do eu enquanto algo que pertence ao interior do sujeito e passa a estar fora deste.

O ser humano começa a construir outras identidades no meio virtual. Este serve como um espaço para as pessoas experimentarem novas formas de ser e de agir perante opiniões e assuntos diversos que surgem todos os dias. Há um exercício constante de auto projeção.

Acredito que esta nova realidade possa sim ser o cenário de uma crise de identidade e que o indivíduo esteja passando por um processo de redefinição dela. A transformação talvez culmine, segundo Turkle (1997), na formação de uma identidade múltipla. Basta pensar nas diversas máscaras que são construídas no facebook. Estas máscaras são distintas das máscaras sociais tradicionais da vida cotidiana, pois elas podem ser ativadas a qualquer momento, dependerá apenas do melhor momento para determinada máscara.

Referência:

TURKLE, Sherry. A vida no Ecrã: a identidade  na era da internet. Lisboa: Relógio D”Água. 1997

Allan Moscon Zamperini

Não te sinto, mas consigo ver te democracia

É confortável promover a democracia através de um meio de comunicação como a internet, mas é difícil selecionar o que é de facto verdade e o que foi corrompido pelas forças políticas menos liberais que têm o intuito de dominar as massas. O internauta democrático terá então que lutar pela verdade exposta na internet, numa contradição ao que é a verdade empírica exterior aos media.

Temos o caso da Primavera Árabe que foi um dos mais notáveis exemplos desta explosão democrática nos media. Foi entusiasmante para todo o mundo assistir no conforto das suas casas a um momento histórico de mudança desta envergadura no Médio Oriente. A queda de um sistema ditatorial como este, hoje em dia pode ser visto em directo de diferentes perspectivas. Isto acontece pois a maioria da população de hoje das diferentes classes social tem a informação a um click, colhe essa informação em outro click e faz dela noticia por toda a aldeia global num click final.

 Porém toda esta facilidade em dar e receber informação não é de todo linear pois existe a censura. Infelizmente existem países que investem para controlar a liberdade de expressão como a China e o Vietname. Este facto vai criar um clima de medo em utilizar essas ferramentas. Ou seja, a censura não vai fazer com que existam noticias a circular, mas vai simplesmente distorcer o assunto de forma a que seja menos perceptível e não lhe prestemos atenção.

Vivemos numa época em que os princípios da democracia encontram nos recursos tecnológicos um ampla participação político-social. Os meios de comunicação ajudam a que se alarguem as forças políticas sobre o povo, vencem barreiras geográficas ao mesmo tempo que se impõem. Para que este objectivo seja alcançado, a utilização dos meios de comunicação neste caso a internet assumem um papel fulcral. Isto porque os cidadãos expõem todos os seus medos, desejos e aspirações o que auxilia a formação de uma opinião pública ampliada e de uma cultura política activa.

Luís Nunes

Fonógrafo

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A criação de uma máquina que registrasse e reproduzisse som foi a ambição e objecto de estudo de muitos cientistas. A história começa em 1877, quando Thomas Alva Edison tentava projectar um aparelho de telégrafo que gravasse os traços do código Morse num disco. Edison montou então um modelo que possuía um tambor cilíndrico rotatório, coberto por uma folha de estanho e que foi o primeiro aparelho a reproduzir um som gravado que realmente funcionou. O fonógrafo de Edison ficou conhecido como o “fonógrafo de folha de estanho”.

Na sua primeira demonstração, Edison cantou “Mary had a little lamb” no bocal da corneta do aparelho e é respectivamente a primeira gravação reproduzível de voz humana. A corneta estava ligada a uma agulha, que gravava os padrões sonoros em sulcos na folha de estanho e depois reproduzia o som gravado, estranhamente abafado. No entanto, o impossível tinha-se realizado e a voz humana tornara-se imortal.

Nos anos seguintes, outros cientistas tentaram melhorar a tecnologia do fonógrafo. O próprio Edison, associado a Charles Tainter, fez uma versão melhorada de seu aparelho em 1886, mas somente em 1887 o alemão Emil Berliner conseguiu substituir o cilindro do aparelho de Edison por um disco recoberto por zinco, recebendo a patente do modelo que chamou de gramofone. E tornou-se a grande concorrência de mercado do fonógrafo.

Uma curiosidade é a origem da marca registrada da Victrola (Victor Talking Machine Company, empresa de Emil Berliner): um cão próximo a um gramofone, imagem eternizada pelo pintor inglês Francis Barraud do terrier de seu irmão, Nipper, que, ao ouvir a voz do dono gravada nos cilindros de um fonógrafo, se aproximava do aparelho.

Luís Nunes

Redes (anti)Sociais

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Esta semana, curiosamente, no facebook deparei-me com uma publicação de um amigo que tinha com o título “These 29 Clever Drawings Will Make You Question Everything Wrong With The World”. Abri imediatamente, e enfrentei várias imagens que realmente correspondiam ao seu título e aliciavam à reflexão. Apreciei de um modo especial a imagem anexada, e quis publicar a mesma por achar que satiriza na perfeição as redes sociais.

Usamos as redes sociais para tudo e mais alguma coisa hoje em dia. Publicar fotos, músicas, vídeos, estados de espírito, pensamentos e sentimentos, até mesmo de luto. Caracterizando o que somos, o que queríamos ou julgamos ser, usando máscaras, procurando conforto e compreensão. Sentamo-nos no conforto da nossa casa ou em qualquer outro lado e podemos ir onde quisermos e ver praticamente tudo o que queremos. Mas , na minha opinião, não passará tudo isto de uma ilusão? Não passará tudo isto de apenas um vislumbre da vida real ? Somos o que experienciamos. E será que não precisamos de sentir a pessoa e o espaço visual e sonoro para experienciar de verdade ? Eu creio que sim.

Cada vez mais, somos mais distantes e mais frios uns dos outros fisicamente. Vemos frequentemente pessoas na mesma sala sem se encararem, sem se olharem nos olhos, por estarem a “brincar” com os telemoveis, tablets e computadores. Exponencialmente estamos a trocar o contacto interpessoal pelo digital. É o medo da solidão que nos causa, de facto a solidão.

Luís Nunes

Vidas Virtuais

Provavelmente um dos maiores horrores para o ser humano é a solidão, por isso vivemos em sociedade e temos interações sociais entre nós, no entanto séc. XXI com a divisão da realidade num mundo offline e um online cada vez mais vivemos á base de “falsas” interações, vivemos numa dualidade repartida do que somos e do que gostaríamos de ser através de avatares nas nossas redes sociais, videojogos, chats e outros. Vivemos cada vez mais numa utopia de vida que foge à realidade. Embora esta utopia tenha vantagens, pelo que a partir desta vida alternativa online podemos explorar-nos, a que não temos coragem para demonstrar no mundo online, podemos controlar o que dizemos e fazemos e ainda viver situações que provavelmente nunca estaremos envolvidos, uma oportunidade de ganhar importância e sentido de individualidade e de real libre arbítrio. Um exemplo muito concreto destas vantagens pode observar-se em videojogos online, em especifico RPG’s( Role Playing Game) Sandboxes, que fornecem aos jogadores nada mais do que o seu personagem (avatar) que é totalmente costumizável a vontade do jogador , o mapa e os utensílios que necessita, sendo o objetivo marcado por cada jogador , permitindo que se criem relações sociais realistas embora numa vida virtual. No entanto por mais vantagem que qualquer vida alternativa tenha será sempre uma vida virtual algo falso, e estamos de fato a criar falsas relações sociais, uma mera remediação para evitar a solidão ou para o fato que se perdeu o valor do contacto humano real.

 

Eduardo Freire

Eu, tu e os telemóveis

Sherry Turkle, uma importante psicóloga que estuda a relação da tecnologia com o ser humano, tem conduzido diversos estudos e produzindo várias teorias acerca das consequências desta relação.
Assim, estudando não só a relação da tecnologia-humanos, como também a relação entre humanos com a influência ou pelo meio da tecnologia, torna-se relevante o facto de a interacção social humana directa já quase ter sido erradicada. Cada vez menos existe o factor da experiência de conviver com os outros, de partilhar momentos e informação “real”.
Derivado disto vem a questão da conotação emocional e pessoal que é dada aos objectos tecnológicos, que por si só já fazem parte de quase todas as relações humanas em países desenvolvidos ou sub-desenvolvidos; enfim, estes dispositivos interferem de modo bastante demarcado em quase todas as relações em que existam utilizadores dos mesmos. A imagem que criamos de uma certa pessoa, hoje em dia, depende muito da interacção tecnológica que exista. E não havendo a experiência de lidar com alguém realmente, mesmo que só temporariamente, modifica as possibilidades de auto-controlo, uma vez que uma das acreditadas principais vantagens das tecnologias é precisamente a de não haver margens para erros, para defeitos, como existe num contexto de interacção natural.
As características individuais passam agora a ter de incluir os objectos de comunicação mais pessoais, pois é neles e através deles que se vê um grande reflexo da própria pessoa-até na maneira de como essa pessoa os usa, os exibe ou esconde (…); a maneira como a mesma se comporta uma vez tendo-os adquirido. Muitas vezes estas mudanças no sujeito ocorrem sem serem planeadas, derivando do avanço no tempo. Creio que este é um desses casos.
Como conclusão, os sentimentos, algo tantas vezes defendido como sendo natural e completamente espontâneo, parecem estar também a sofrer de/com algum virtualismo. Será que vai chegar a altura em que até eles vão ser totalmente computorizados?

 

Maria João Sá


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