Arquivo de Abril, 2012

Aura perdida

Podemos dizer que a aura é tudo aquilo que nos envolve, a nós e a tudo o resto que conhecemos e interagimos. A aura não é mais nem menos do que a nossa essência. Sendo assim a aura de todos as obras de arte, sejam quadros, manuscritos, poemas, livros, etc, toda essa aura acaba por ser perdida, por vezes no espaço, por vezes no tempo.

Acho muitíssimo bem que toda a gente possa ter acesso a todo o tipo de obras de arte já existentes, sejam do séc.XIX ou do séc.XXI, é de louvar a facilidade que toda a gente tem no que toca a alargar o seu conhecimento e a matar a sua curiosidade, desde sites de museus, de exposições, de concertos, de eventos de música, pintura, escultura, arquitectura até catálogos e livros onnline, mesmo não tendo oportunidades financeiras ou outras para o fazer, toda a gente pode ver a “Mona Lisa” de Da Vinci ou o quadro “Guernica”  de Plabo Picasso.

Toda esta informação, todo este conhecimento a que podemos ter acesso através de um click, é quase “falso”, na medida em que se tratam de cópias. Estas reproduções de obras originais nunca têm a aura que a verdadeira obra de arte tem na totalidade. Podemos ler um livro de Fernando Pessoa mas não podemos cheirar as folhas a novo, podemos ver uma escultura de Ron Mueck mas não podemos ver como quem vê quando a está a olhar de frente, não conseguimos sentir, na maior parte das vezes, aquilo que o autor da obra sentiu e quis transmitir quando a executou,  por exemplo o realismo de umas das esculturas de Mueck ou toda a genialidade das obras de Pessoa.

Com isto, podemos concluir é claro, que a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte. Tendo toda a gente acesso a todo o tipo de obras de arte, toda a gente pode criar também as suas próprias obras de arte ou até reproduções de obras de arte já existentes, porque afinal, tudo é considerado arte, se é de qualidade ou não, se tem valor ou não, isso é com cada um, isso é com cada autor e com a aura que inserem na sua obra de arte. Sendo assim, a arte expande-se pelo mundo mas também perde imenso valor – já não é vista com os mesmos olhos, tornou-se comercial, deixou de ser natural, de ser própria e, essencialmente, deixou de ser genuína.

Soraia Lima

Anúncios

Reprodutibilidade Técnica e Arte

Com a reprodutibilidade técnica a natureza e a função social da obra de arte mudou. Enquanto antigamente a obra de arte era utilizada num contexto ritualístico e religioso, e onde eram os ‘senhores do poder’ que tinham digamos o controlo sobre os artistas e sobre a obra de arte, hoje em dia com a reprodutibilidade técnica e a ‘massificação’ da arte, isso mudou. Também já não é só aquele grupo restrito de pessoas que tem acesso à chamada “arte”. Os novos média vieram mudar isso e as pessoas tem acesso à “arte”. Pessoas que por exemplo não tem dinheiro para viajar podem graças a Internet visitar um museu virtualmente. É claro que nunca é a mesma coisa do que ir lá ao sítio, ver e sentir a “obra”. Hoje em dia a obra de arte também é descontextualizada, mas a própria pessoa pode recontextualiza-la procurando a história dessa mesma. De qualquer forma com a passagem do tempo as pessoas já não olham para uma obra da mesma forma que as pessoas que por exemplo viveram no tempo em que ela foi criada, tal como cada pessoa tem uma abordagem diferente em relação à obra.

Como já referi, a função social da obra de arte mudou. Já não são só aquelas elites que podem criar uma chamada “obra de arte” porque hoje em dia graças ao avanços tecnológicos tornou-se fácil criar uma obra. O próprio povo, qualquer pessoa que deseja pode criar uma “obra de arte”. A arte tornou-se nesse sentido uma arma política, onde o povo ganhou um poder que não tinha antes. Como o explicou Walter Benjamin, ao dar o exemplo da fotografia:

 

A partir de uma chapa fotográfica é possível tirar um grande número de cópias; não faz sentido interrogarmo-nos sobre qual será a autêntica. Mas no momento em que o critério de autenticidade deixa de ser aplicável à produção da arte, então também toda a função da arte se transforma. A sua fundamentação ritualística será substituída por uma fundamentação numa outra prática: a política.

A chamada “arte” foi questionada. As pessoas perguntaram-se, mas o que era arte afinal? Um belo quadro? Um música bonita ou um poema engraçado? Veio a fotografia e com ela mais tarde o cinema, etc. Uns criticavam dizendo que aquilo não era arte, não era “puro” e outros ficaram fascinados com as novas descobertas.

Hoje, na minha opinião, já não é dado tanta importância “a obra”, ao objeto em si, mas à mensagem que está por detrás, ao conteúdo ou o que o artista quer transmitir ou demonstrar com aquilo. Aquela doutrina de arte pela arte, de arte “pura” já não faz grande sentido.

Walter Benjamin há umas décadas atrás explicou de forma clara como a reprodutibilidade técnica veio mudar a natureza e a função social da obra de arte. Com isto também se impõe a questão “O que é arte?” Desde então as pessoas continuam a fazer inúmeros debates sobre o que é arte e o que não é arte. Ainda não é bem claro. Eu não vou comentar sobre esse tema, porque teria de expor muitos outros aspetos, mas já que toquei nele queria ao concluir o artigo deixar aqui uma citação dum célebre artista, escultor e pintor alemão já falecido, Joseph Beuys, como reflexão sobre o tema: “Libertar as pessoas é o objetivo da arte, portanto a arte para mim é a ciência da liberdade.”

Nunca uma cópia!

‘Como se reconhecem atualmente (isto é, com os novos média) os efeitos da reprodutibilidade técnica na obra de arte (que Walter Benjamin identificou na fotografia e no cinema em 1935)? O que acontece à aura quando um manuscrito é digitalizado (cf. Espólio de Fernando Pessoa no sítio web da Biblioteca Nacional) ou quando uma pintura se torna acessível através de uma base de dados que virtualiza a visita ao museu?’

O mundo evoluiu a nível social, cultural e político. Física e abstratamente o mundo foi-se alterando, crescendo e desenvolvendo. Não é o mesmo do tempo dos meus pais, dos meus avós e não será o mesmo no tempo das gerações futuras. Ao crescimento cultural e socioeconómico aliam-se o crescimento intelectual e tecnológico. Desenvolvendo-se softwares, programas e tecnologias que cada vez mais excluem a possibilidade de unidade e unicidade ao mundo que nos rodeia.

Walter Benjamin escreve um ensaio em que aborda o efeito da reprodutibilidade técnica na arte, na era do crescimento de outras formas de arte nomeadamente a fotografia.

Será que esta possibilidade de reproduzir obras até à exaustão lhes retira a aura? Ou será que a possibilidade de reprodução cria novos conceitos?

A reprodução permite a massificação. E será que esta massificação questiona aura de uma obra de arte no século XIX e XX? E no século XXI?

Quando falamos de aura temos de ter em conta, primeiramente, o século em que nos vamos situar. Nos séculos XIX e XX, esta questão torna-se bem mais emblemática do que na atualidade. Nos séculos anteriores ao em que vivemos uma obra de arte era feita uma vez com um único efeito. (excluindo por exemplo as fases por que passa uma escultura). Seria ou uma encomenda, ou uma expressão do interior do artista. De qualquer das formas, o artista empregava sempre a alma no que fazia. Talvez seja desta ideia que surge a aura da obra de arte.

No século XXI e tendo em conta que a reprodutibilidade técnica é intrínseca à obra de arte, a questão da aura deixa de ter lugar na sociedade. Por exemplo, a ideia da música ao vivo é criada pela reprodução, sem a reprodutibilidade o conceito de ‘ao vivo’ seria inexistente. O registo de um concerto/espetáculo ao vivo é um processo de remediação. Remediação essa que é eminente.

A fotografia e o cinema são obras de arte intrinsecamente reprodutíveis. Fosse essa reprodutibilidade negada, seria quase impossível o lançamento de um filme à escala mundial, ou exposição da fotografia em vários sítios ao mesmo tempo.

A reprodutibilidade não pode ser vista apenas como a cópia de um original, deve ser vista como uma matriz com outra origem. Qualquer coisa acrescentada, nunca uma cópia. A reprodutibilidade dá origem a novas formas de arte e possibilita a distribuição das mesmas. Não fosse este o caso, teríamos de viajar sempre que quiséssemos ver um filme, não português, ou ouvir um álbum de uma banda estrangeira.

Inês Lopes

O conceito de aura na obra de Walter Benjamin

O conceito de aura na obra de Walter Benjamin insere-se no âmbito da obra de arte. Este conceito está ligado à reprodutibilidade técnica da obra de arte. Desde sempre existiu a possibilidade dos homens copiarem o que os outros tinham feito. Num primeiro momento, essas cópias eram feitas por discípulos dos artistas e, num segundo momento, eram copiadas para fins lucrativos. No entanto, a arte deixa de ser reproduzida manualmente quando, a entrada da fotografia possibilita uma mudança na mentalidade das pessoas. Benjamin escreveu que “com a fotografia, a mão liberta-se pela primeira vez, no processo de reprodução de imagens, de importantes tarefas artísticas que a partir de então passaram a caber exclusivamente aos olhos que vêem através da objectiva. Como o olho apreende mais depressa do que a mão desenha, o processo de reprodução de imagens foi tão extraordinariamente acelerado que passou a poder acompanhar a fala.” O cinema, por exemplo, surgiu como um complemento dessa percepção visual mais rápida e do olhar.

Todavia, a reprodução da obra de arte relaciona-se com a sua autenticidade. Para Benjamin, por mais perfeita que fosse a cópia, jamais seria igual à obra de arte original. Ou seja, uma obra reproduzida não capta totalmente o “aqui e agora” de uma obra de arte. Já a reprodução técnica possui maior autonomia do que a reprodução manual, por isso, para a reprodução técnica, o objecto não necessita ser reproduzido exactamente como ele se encontra no seu estado natural. “A autenticidade de uma coisa é a essência de tudo o que ela comporta de transmissível desde a sua origem, da duração material à sua qualidade de testemunho histórico.” 

Para Walter Benjamin, “tudo o que aqui se disse se pode resumir no conceito de aura, e pode dizer-se então que o que estiola na época de possibilidade de reprodução técnica da obra de arte é a sua aura. O caso mais sintomático: o seu significado aponta para além do próprio domínio da arte. Pode dizer-se, de um modo geral, que a técnica da reprodução liberta o objecto reproduzido do domínio da tradição. Na medida em que multiplica a reprodução, substitui a sua existência única pela sua existência em massa. E, na medida em que permite à sua reprodução vir em qualquer situação ao encontro do receptor, actualiza o objecto reproduzido.” Com efeito, a aura é uma figura singular, composta de elementos especiais e temporais, é a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja.

Em suma, o factores que determinam o fim da aura estão ligados ao movimento de massas. Por isso, não é desapropriado dizer que, um dos factores que determina o fim da aura da obra de arte é o desejo que as massas possuem de se aproximar dos objectos. Assim, podemos dizer também que, possuir uma imagem da obra de arte, e retirá-la de um lugar comum, acaba com a aura da obra de arte, porque a obra de arte tem apenas um sentido e, mesmo com a mudança das circunstâncias históricas, esse sentido é sempre único.

Ana Carolina Rodrigues

“Aura”, onde estás tu?

The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction é um ensaio do filósofo alemão Walter Benjamin sobre a arte no século XX, que analisa a sua existência na era da cópia, da fotografia.

Sempre foi possível reproduzir a obra de arte, mas a sua reprodução técnica é, contudo, um fenómeno novo. O processo histórico revela a aceleração da passagem da reprodução manual para a reprodução mecânica/técnica, e é fundamental reconhecermos a diferença entre estes.

A litografia, no século XIX, permite pela primeira vez às artes gráficas não só entregar-se ao comércio das reproduções em série, mas também produzir obras novas. O  processo de reprodução das imagens foi tão acelerado que passou a poder a acompanhar a fala, com a passagem da fotografia ao cinema e ao cinema sonoro.

A singularidade tem a ver com a História, uma vez que a passagem do tempo e o consequente efeito que tem na obra de arte (a degradação) manifesta-se fisicamente. Para Walter Benjamim: “o aqui e agora do original encerra a sua autenticidade”. A marca da autenticidade está escrita na singularidade do objecto.

A reprodução técnica torna a obra mais independente do original e pode pôr a cópia em situações que não estão ao alcance do próprio original. Há uma ânsia de reprodução, que visa propiciar um domínio maior do objecto, uma necessidade irresistível de possuí-lo, de tão perto quanto possível, na sua cópia, na sua reprodução. As massas querem superar o carácter único de todos os factos através da sua reprodutibilidade. Sendo assim, será que essa reprodutibilidade técnica, com a retoma do sempre idêntico,  pode atingir a aura da obra de arte, contribuindo para a destruição do seu carácter único, autêntico? Na minha opinião sim. Apesar da reprodução poder fazer parte do processo artístico, como é o caso do cinema, não podemos deixar de ter em conta que a autenticidade advém do seu carácter único. Exemplificando: Hoje, a capacidade de reprodutibilidade torna a experiência do concerto ao vivo menos importante, pois a obra é descontextualizada. A reprodutibilidade destrói aquilo que confere autoridade e autenticidade da obra de arte no tempo: a sua aura, perdendo também a sensação da obra de arte como algo mais inacessível e especial, que nos “diga algo”.

Para Walter Benjamin, apesar do cinema exigir o uso de toda a personalidade viva do homem, este priva-se de sua aura. A aura dos intérpretes desaparece com a substituição do público pelo aparelho, ao contrário do teatro, onde a aura de uma personagem liga-se à aura do actor que a representa,  e é sentida pelo público.

Através do conceito de aura, o filósofo Benjamin observa as mais profundas transformações, não apenas da arte, mas do homem e da vida na era da reprodutibilidade técnica.

Daniela Fernandes

Benjamim, Reprodução e “Aura”

De que forma a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte?

Walter Benjamim foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo, e sociólogo judeu alemão. Entre muitas obras conhecidas, ele escreveu a “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica” em 1936. Nesta obra Benjamim reflectia essencialmente sobre o advento das tecnologias de reprodução que produzia obras de arte universalmente acessíveis ao público, de um modo como nunca antes havia sido possível. Ele considerou que a proliferação de reproduções artísticas aniquilava a singularidade das obras de arte, a sua “aura”, a sua originalidade, a sua autenticidade. A reprodução retirava a “aura”, afastava o objecto do domínio da tradição e, segundo Benjamin, provocava a “liquidação do valor de tradição na herança cultural”.

A fotografia, que torna absurda a noção de “obra autêntica”, substituiu as raízes rituais da arte tradicional autêntica, com uma base na política.

No seu ensaio, Benjamin afirma que antes do advento da reprodutibilidade técnica das imagens, a obra de arte singular possuía – em parte como função da sua autenticidade original e singularidade enquanto artefacto físico – uma “aura”, um eco distante das origens da arte, “ao serviço de um ritual, primeiro mágico e depois religioso”. A “aura” é o vestígio do “valor de culto”, que as tecnologias modernas de reprodução de imagem não têm capacidade de preservar, liga o artefacto ao domínio da tradição e continha em si o testemunho autêntico da nossa história individual.

Benjamin liga a percepção da “aura” à sugestão de uma identificação retrospectiva, dentro da autenticidade do objecto histórico, das raízes do que era – ou talvez do que ainda é.

Por fim, Benjamin definiu a autenticidade da obra de arte no “aqui e agora”, no presente. Deste modo, a autenticidade subtraía-se à reprodução técnica, mas ao relacionar-se com o “aqui e agora”, dependia do seu efeito sobre o espectador (o que o artista pretendia que afectasse o observador não era importante). Através deste filme http://www.youtube.com/watch?v=yDEm9tAbO1k&feature=related podemos ver “A obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”.

 

Cátia Gouveia

Superficialidade da Era digital

Tema de escrita: “De que forma a reprodução técnica altera a natureza e a função social da obra de arte?”

Pensar obra de arte nos dias atuais significa pensar na forma como ascendemos à elas, porque é a forma pelo qual tomamos contato com a obra que influencia nossa percepção e apreciação do objeto artístico.Hoje em dia não precisamos correr o mundo e visitar museus e galerias para ver uma obra que nos interesse, ir as principais salas de espetáculos para ver uma encenação à diversos concertos e apresentações para usufruir das diferentes produções e práticas artísticas que desenvolveram-se no mundo ao longo de séculos de criação.Podemos conhecer um objeto independentemente de sua localização ou época em que fora criado, a medida em que retiramos o objeto de seu tempo e espaço e disponibilizamos em outros canais que mediam esse contato, trazendo até nós esses objetos.

Durante muitos anos os museus serviram como canais que proporcionavam o encontro do homem com as produções artísticas de diferentes tempos e lugares, e já ele, de certa forma,retirava a contextualização das peças que ali se encontram expostas.O individuo que vai até esses espaços tem a oportunidade de estabelecer contato com peças artísticas que ali foram reunidas para essa finalidade, portanto independe da função ou contexto pela qual foi criada, e assim sua significação genuína perde-se.

Hoje, para alem de vermos uma obra de arte apenas como uma peça artística, com valor estético e sujeita a fruição e analise intelectual (independendo muitas vezes do contexto e da motivação que levaram os artistas a produzirem), a exploração da obra tende novamente a ser remodulada, a mediada em que, se por um momento deixamos de ir ao local para o qual a obra fora feita e articulada para irmos á grandes salões que reúnem diferentes peças , hoje nem isso mais tendemos a fazer.Não vamos até o objeto.Ele vem até nós.Com a reprodução técnica das obras de arte temos acesso a produções que sem essa intermediação se calhar jamais conheceríamos.Mas, ao mesmo tempo em que temos á nossa disposição um grande numero de informações e uma proximidade no contato com as obras, é essa mesma proximidade que de certa forma nos afasta da verdadeira matéria.

Considero que os médias possuem e produzem sobre o ser humano um efeito bastante ilusório, que nos afeta em todos os segmentos- nossas relações , forma de ver , pensar e representar o mundo e nossa própria existência.Estamos em constante conectividade mas cada vez mais presos em uma realidade paralela onde o dinheiro, os amigos, as relações tornaram-se virtuais, e vivemos cada vez mais em um mundo pouco concreto mas que recebe efeitos concretos da virtualização.

Nossa relação com a obra de arte através de reproduções é tão frágil quanto qualquer relação do homem da era digital.Nos tornamos superficiais e perdemos a noção de originalidade.Acreditamos apreciar uma obra quando baixamos em nossos computadores os melhores ângulos dos quadros expostos no Louvre, e nossa ingenuidade e falso intelectualismo ainda nos fazem pensar que somos apreciadores da verdadeira obra de arte.Temos contato com a obra de arte tal como é, mas mediada por um meio digital, portanto o que conhecemos das peças do Louvre ( se nunca lá fomos) é na verdade a representação digital de uma obra original.Não conhecemos a matéria, mas seu espectro representado.

E é exatamente pela característica volátil do mundo moderno e pela não concretização das coisas que é reafirmado pela velocidade com que as coisas se propagam, e a facilidade com que os indivíduos têm para chegarem á elas. Podemos assistir a um concerto musical em tempo real e em simultâneo sem que toda a orquestra esteja dentro dos nossos quartos, mas a experiência de estarmos frente a um dispositivo que media essa relação entre a performance e o espectador causa-nos a ilusão de apreciação da obra, enquanto o que presenciamos não é a obra pura e genuína em si mesma, mas a forma como se faz efetivar e representar através de um dispositivo.É uma obra artística enquanto elemento remediado e não enquanto elemento original que efetivamente oferece a possibilidade de exploração bastante diferentes dos que uma remediação digital possa oferecer por mais fidedigna que seja, a medida em que retira sua materialidade.

Amanda Gomes


Calendário

Abril 2012
S T Q Q S S D
« Mar   Maio »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Estatística

  • 656,425 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores