Arquivo de Abril, 2011

Os Novos(mini) Filmes: os Videoclips

Os videoclips ou telediscos são filmes de curta duração e em suporte digital na sua maioria, tendo antecedentes directos do cinema. São como que um sinónimo de videos musicais, pois é através da música que mais se “propaganda” videosclips.

As famosas cenas de Gene Kelly em “I’m Singin’ in the Rain” de 1952, são tidas como que os primeiros ‘passos’ dos videos musicais. Contudo, só no ínicio dos anos 60, é que os videoclips começaram a ser mais utilizados, tendo como pioneiros The Beatles, que começaram a gravar-se a cantar, já que não podiam tocar ao vivo em todos os lugares, e estes videos passavam, assim, a ser exibidos na televisão.

A partir dos anos 80, surge a chamada Estética Videoclip, ou seja, os videos musicais desenvolveram uma estética e linguagem própria.

A MTV(Music Television), é um canal de televisão americano, que surgiu em 1981, e que consolidou uma verdadeira nova era musical. As selecções e produções que a Mtv fazia, passaram a ser seguidas por milhares de pessoas em todo o mundo. Os videoclips ganharam, assim, uma nova dimensão. Se nos anos 60, um videoclip era apenas uma banda a tocar e a cantar, hoje em dia é um verdadeiro mini filme, com uma história e com um verdadeiro enredo por trás, com efeitos especiais, já para não falar nos realizadores famosos que direccionam um video musical. Estes videoclips ou mini filmes, como os queiram chamar, são vistos como uma nova arte, na qual se gastam milhões, em apenas 5minutos de video, por exemplo.

Um dos videos mais dispendiosos de sempre.

Inês Oliveira

Anúncios

o cinema

O cinema foi dos primeiros vínculos de passagem de informação existentes, formou e continua  a formar momentos cruciais para o desenvolvimento da arte, como da ciência… em particular da antropologia visual. Ele foi desde sempre vinculador/portador de uma mensagem…  influi na sociedade do seu tempo alterando-o com mensagens explícitas ou subliminares por parte de quem o cria, fazendo o espectador repensar a sua mentalidade, o seu lugar na sociedade, assim como algumas atitudes que porventura tenha. O cinema é assim uma máquina poderosa, uma máquina utilizada para discorrer filosofia por parte de quem realiza os filmes, de quem está no meio, ou seja é um média poderosíssimo que vai alterando a história da Humanidade. O passar da mensagem remonta-nos já ao tempo do cinema mudo em  “O grande ditador”  protagonizado por Charlie Chaplin.. Mas o cinema não funciona apenas numa vertente educativa de pôr em sentido o espectador, ele é de uma função de entretenimento (lúdica), e até de relaxe, quando depois de um dia de trabalho nos apetece espairecer! Estas funções aparecem em uníssono em alguns filmes quando estas duas vertentes convergem (conhecimento e parte lúdica).

Um pouco de história

O cinema é possível graças a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumiére no final do século 19. Em 28 de Dezembro de 1895 no subterrâneo do Grand Café, eles realizaram a primeira exibição pública e paga do cinema. Os filmes mais conhecidos desta primeira sessão foram “A saída dos operários da fábrica Lumiére” e “A chegada do trem à Estação Ciotat”.

Como forma de registar acontecimentos ou narrar histórias, o cinema é uma arte que geralmente se denomina de sétima arte, desde a publicação do manifesto das sete artes pelo teórico italiano Ricciotto Canudo em 1911. Dentro do cinema existem duas grandes correntes: o cinema de ficção e o cinema documental.

PEDRO POLÓNIO

A perda da aura

Em tempos mais recuados, a única maneira que o público tinha de entrar em contacto com uma obra de arte era precisamente estando na sua presença. Hoje, com o evoluir das técnicas e dos meios de reprodução, a obra de arte consegue chegar até ao público mais improvável. Com o aparecimento da fotografia e do cinema, tornou-se possível reproduzir tecnicamente a obra de arte, separando-a do seu contexto original e libertando-a para novas possibilidades de recepção, pondo-se porém em causa a questão da sua autenticidade. Contudo, se a fotografia e o cinema vieram abalar pela primeira vez este conceito, a Internet veio praticamente destrui-lo, juntamente com aquilo a que Walter Benjamin chama de aura. A aura designa a singularidade de uma obra de arte original, o “aqui e agora” que não se encontram em cópias e a própria reverência que a obra, por ser única, impõe ao observador. A reprodutibilidade arruína esta propriedade – assistimos ao fim do culto ao objecto único e dissolve-se o conceito de autenticidade. A Internet leva ao extremo este problema: sendo possível colocar qualquer obra em rede, ela é susceptível de um número de cópias potencialmente infinito, o que vai afectar o seu valor de unicidade. O mesmo acontece quando um manuscrito é digitalizado, ou quando um museu virtualiza a sua colecção de pintura. Decerto que esta estratégia conseguirá abrir novos caminhos para a produção artística ao levá-la até um novo público mas, por outro lado, leva a que ela perca o seu valor de culto, a sua presença única, enfim, a sua aura. A reprodutibilidade técnica supera este valor – conseguimos ver as pinturas e os manuscritos que sabemos serem os originais, mas não somos capazes de nos aperceber do valor da sua unicidade, ou de que estamos perante algo único, porque a verdade é que não estamos.

Rita Henriques

Os efeitos da reprodutibilidade técnica na obra de arte

Desde sempre foi possível reproduzir a obra de arte. Desde os aprendizes que as copiavam para praticar e melhorar a sua técnica, passando pelos próprios mestres, com o intuito de as divulgarem, até àqueles que, por ganância, as copiavam para praticar aquilo que hoje chamaríamos de pirataria. Contudo, inicialmente, a reprodução da obra de arte era feita manualmente, continuando a ter, apesar de tudo, bastantes limitações em relação ao que hoje conhecemos. De facto, com a ajuda dos novos media, temos hoje a possibilidade da reprodutibilidade técnica da obra de arte. Na obra de Walter Benjamin, são-nos apontados alguns exemplos, tal como o da fotografia e do cinema. Até à chegada da fotografia, era praticamente impossível a reprodução que não fosse manual. A partir do momento em que nos é dada a possibilidade de capturar instantaneamente o mundo à nossa volta, torna-se possível separar a mão da tarefa da reprodução do real e da obra de arte. A fotografia veio tembém, por sua vez, possibilitar o nascimento do cinema. Criado para a reprodução e para o colectivo, este acaba também por vir ajudar à reprodutibilidade técnica da obra de arte, inserindo-a, tal como fez a fotografia, em novos contextos de recepção. Apesar de Benjamin ver bastantes vantagens neste tipo de reprodutibilidade, entre as quais a democratização da arte, que deixa os círculos elitistas para se tornar alcançável por qualquer um, a verdade é que a libertação da obra de arte do seu contexto inicial acaba ao mesmo tempo por causar a perda do seu valor de autenticidade e também da sua aura, ou seja, o “aqui e agora” que só nos é possível experimentar na presença do original.

Rita Henriques

As redes sociais e as relações humanas

Lev Manovich define cinco princípios que orientam e caracterizam os novos media digitais. São eles a representação numérica (os objectos digitais são manipulados por algoritmos e, por isso, programáveis); a modularidade (os objectos têm a mesma propriedade estrutural em diferentes escalas); a automação (graças aos dois primeiros princípios, são susceptíveis de serem programados automaticamente); a variabilidade (são susceptíveis de um número potencialmente infinito de versões) e, por fim, a transcodificação cultural, ou seja, a transformação dos códigos da cultura por acção dos códigos computacionais. Manovich considerava este o princípio com mais e maiores consequências na vida e acção humanas. De facto, a crescente computarização do mundo à nossa volta acabará por nos trazer mudanças inesperadas a nível cultural e social. Um exemplo emergente é o das redes sociais. Inúmeras e espalhadas por toda a Internet, elas permitem um novo tipo de relacionamento interpessoal que se pauta, ao mesmo tempo, pelo distanciamento e pela proximidade. Ao mesmo tempo que tornam possível uma aproximação entre as pessoas nunca antes vista, promovem também um certo isolamento, no sentido em que acabam por tornar dispensável o contacto e interacção reais. Apesar de serem visíveis as vantagens por estas redes oferecidas, quer ao nível do comércio, negócios ou cultura, quer ao nível da simples interacção social, começam-se a questionar as enormes alterações a que podem levar no que toca aos padrões da cultura humana.  Por exemplo, as redes socias acabam por vir ajudar à democratização, funcionando muitas vezes, como vimos no recente caso Egípcio, como uma arma de liberdade, apesar de vir também acentuar o fosso entre os que têm acesso a este meio e os que não têm. Em todo o caso, a utilização de uma rede social para a convocação de uma manifestação revela-nos a mudança de práticas que este novo meio possibilita, e de que Manovich falava.

Rita Henriques

David Crystal, A internet está a mudar a língua? (2010)

David Crystal contextualiza historicamente os efeitos dos média sobre a linguagem, identificando algumas mudanças que as práticas de comunicação mediadas pelas redes electrónicas implicam nos usos da língua. Para Crystal as mudanças trazidas pelos modos de comunicação da internet (conversação em linha; mensagens instantâneas; sms; correio electrónico; mundos virtuais; blogues) não são substancialmente diferentes dos processos de mudança e de interacção entre tecnologia e linguagem que sempre caracterizaram o desenvolvimento e transformação das línguas.  MP

Evgeny Morozov, A Internet na Sociedade (2011)

Esta animação, realizada para a RSA (Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce), baseia-se numa palestra de Evgeny Morozov realizada em 2009 sobre os efeitos políticos da Internet. Morozov refere os usos da tecnologia digital e o modo como pode ou não ser instrumento de emancipação e de mudança política. À visão ciber-utópica da internet como instrumento revolucionário de defesa da democracia e dos direitos humanos, Morozov contrapõe os seus usos como instrumento de controlo e de entretenimento. MP

NOTA: ler também o texto de António Rito Silva sobre os argumentos de Evgeny Morozov no blogue Da Tecnologia e das Pessoas.


Calendário

Abril 2011
S T Q Q S S D
« Mar   Maio »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

Estatística

  • 656,425 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores