Arquivo de Fevereiro, 2013

TIC, tac

«O Movimento Milénio, uma iniciativa promovida pelo Expresso e pelo Millennium bcp, atribuiu hoje o primeiro prémio, na categoria Democracia, ao projeto “Voto Simplex”, uma proposta para lutar contra a abstenção eleitoral através do voto via caixa multibanco.» [http://expresso.sapo.pt/inovacao-voto-simplex-via-caixas-multibanco-distinguido-no-movimento-milenio=f641964]

«Food waste is a massive problem in most developed countries. In the US, figures released this year suggest that the average American family throws away 40% of the food they purchase – which adds up to $165bn (£102bn) annually.

Bread is a major culprit, with 32% of loaves purchased in the UK thrown out as waste when they could be eaten […].

One of the biggest threats to bread is mould. […]

In normal conditions, bread will go mouldy in around 10 days.

But an American company called Microzap says it has developed a technique that will keep the bread mould free for two months.» [http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-20540758]

«Facebook’s mission is to make the world more open and connected.» [https://www.facebook.com/facebook]

 
Ao pensarmos nas TIC é fácil esquecermo-nos duma das primeiras, a linguagem. Sem a linguagem é bastante mais difícil sofrermos mal-entendidos e mantermos uma visão errada da realidade.

Assim, ao fazermos uma distinção entre o discurso sobre um dispositivo técnico e o dispositivo técnico que é o seu objecto estamos a criar também uma espécie de dispositivo com diversas características e com diversas utilidades.

Nos casos apresentados no início, a aplicação desta distinção não apresenta grandes dificuldades. Podemos usar a distinção para separar o dispositivo técnico do discurso do problema que o primeiro vem resolver. No primeiro caso, o problema da falta de participação no processo democrático é associado a dificuldades logísticas do acto de votação, problema esse que é resolvido com uma adaptação das caixas multibanco à função em causa. No segundo caso, o problema do desperdício de alimentos é associado a dificuldades de gestão dos stocks domésticos, decorrentes da perecibilidade dos mesmos, que é resolvido ou atenuado com a introdução de um novo processo de conservação. No terceiro caso, o problema da deficiente abertura e conectividade do mundo é corrigido com a introdução de uma ferramenta informática.

A dúvida que se levanta, então, tanto em relação a este dispositivo de distinção como às TIC, por exemplo, é se os resultados do funcionamento destes são dependentes apenas das utilizações que lhes possam ser dadas ou se são independentes destas, isto é, se são dependentes do próprio funcionamento prefigurado pelo dispositivo.

Ora, esta segunda hipótese, ao levantar a questão da autonomia do funcionamento do dispositivo para determinar um resultado incontornável ou irreversível no sujeito implicado na sua operação, parte do princípio da regularidade e da eficácia das operações programadas. Ou seja, tanto os defensores da utilidade de uma boa utilização do dispositivo como os defensores de uma implicação inescapável do funcionamento deste no operador (tanto no sentido do upgrade da espécie humana como no da sua corrupção inevitável) partem do mesmo princípio de regularidade e eficácia.

A hipótese deste texto é que, assim como o dispositivo de distinção utilizado para compreender melhor o fenómeno das TIC funciona de forma deliberada, autónoma, eficaz, ineficaz, prevista, imprevista, ideológica, subversiva, sincera, irónica, inadvertida, divertida ou acidental, também as TIC estariam sujeitas a uma indeterminação do mesmo género.

E que, consequentemente, enquanto a humanidade não tiver meios para eliminar completamente esta indeterminação é provável que só a totalidade da vida à face do planeta esteja perdida.

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A Maquinização do Homem

O ser humano vem passando por diversas mudanças culturais em suas formas de comunicação, passando da cultura oral, passando pela escrita, a visual, a audiovisual e culminando na confluência de todas elas na cultura virtual. Percebemos que com o passar do tempo os médias vem introduzindo mais rapidamente novos meios de estarmos ligado a essa era digital.

Não devemos esquecer que a internet não existe sem a comunidade, mas a comunidade antes vivia sem ela, a pergunta é: por que hoje a comunidade não vive mais sem ela?

A resposta é tão simples como deveria ser dois mais dois, os novos médias existem para tornar simultâneo o presente, para a interação cotidiana, para suprir necessidades modernas, hoje muitos aspectos alteram o modo da presença humana, da forma de aprendizagem, os novos médias se tornaram uma nova forma de interligar as pessoas.  O computador deixou de estar restrito a meros meios funcionais, assim como o desenvolvimento do telemóvel.

O desenvolvimento da imprensa, das universidades, da própria forma de escrita levaram os meios digitais a evoluirem com rapidez, e esta rapidez tornou-se cotidiana. Com os comerciais, somos bombardeados diariamente com imagens desses novos equipamentos, a publicidade se torna um isntrumento de mediaçao entre o consumo e o que se produz. A forma de apropriação dos médias encoraja as empresas a distribuirem sinais para fazer convergências, contudo esta convergência deve ser pensada, de modo que estas podem se integrar nas formas culturais já existentes.

Os médias são mercadorias, não nascem por produção instantânea, e a maioria de sua produtividade é pensada pelos próprios utilizadores, que mudam constantemente a necessidades desses produtos seguindo conveniências pré-estabelecidas que esta mesma “sociedade” impõe: uma intensificação da presença da identificação digital.

Devemos sempre lembrar que os médias estão nos influenciando nas mais diversas áreas de nossos vidas, seja na arte, no mercado, na forma de nos relacionarmos, estão cada vez mais presentes e mais desenvolvidas, quase que perpassam desapercebidos, são quase que extensão de nós. Acredito que no futuro não existirá uma humanização da máquina e sim uma maquinização do homem.

Caroline Dominguez

PoliTIC’s – Os media Burocráticos

Por muitos anos (e ainda hoje), as Tecnologias da Informação e da Comunicação foram (e são) controladas por pessoas de poder político.

Um exemplo óbvio disso: época de Hitler. Por muito tempo, as Tecnologias da Informação e da Comunicação estiveram subjugadas aos ideais políticos impostos pelo Terceiro Reich.

Hitler controlava o que devia ou não passar na televisão, nos jornais, na rádio. Esse controlo resultou na chacina de milhões de pessoas, propositadamente encoberto pelo próprio poder burocrático.

Se virmos bem as coisas, as próprias Tecnologias da Informação e da Comunicação que encobriram todo o enredo, são as mesmas que, posteriormente, denunciaram ao mundo a verdade.

Desde os seus primórdios, foram utilizadas como meio de manipulação. Partindo do mesmo exemplo, como chanceler, Hitler serviu-se disso mesmo para dar uma imagem dos judeus excessivamente distorcida da realidade.

Por detrás deste “embrulho” estava Joseph Goebbels, ministro da propaganda e do esclarecimento na Alemanha nazi.

Segundo um lema de Joseph,

Uma mentira, quando dita mil vezes, torna-se uma verdade.

Semelhante foi a situação em Itália, quando Mussolini se apoderou do cargo máximo de chefia. Soube usar de forma inteligente os meios de tecnologia comunicacional como forma de propaganda do seu ideal.

E mesmo no caso português, por muitos anos, a Rádio Televisão de Portugal (único canal televisivo da altura Salazarista) foi controlada pelo governo. Salazar tinha uma ideia própria do que queria transmitir ao povo português e fazia dos média o seu meio de propaganda.

Aquando do 25 de Abril de 1974, a RTP teve de ser tomada de assalto por parte dos revolucionários uma vez que esta era propriedade do governo.

No mesmo dia, a RTP e a Rádio Renascença, serviram de meio transmissor das senhas ditas revolucionárias.

Eis o que aconteceu: http://www.youtube.com/watch?v=N-PS3V5Hrek

Não só de repressão serviram os média, mas também de libertação. Estes são servidores de quem os “possui”.

Já John Markoff dizia:

Os computadores deixaram de ser rebaixados como ferramenta do controlo burocrático e passaram a ser valorizados como símbolo de expressão e liberdade pessoal.

Cristiana Almeida Rosa

Odisseia da Internet

Eu sinto-me previligiado. Mesmo antes de saber ler, já era capaz de utilizar a internet. Claro que eu tenho noção de que hoje em dia isso é comum entre maioria das crianças. Mas considero que, comparando a facilidade de acesso que se tinha em meados dos anos noventa e a que se tem hoje é fácil desenhar uma forte ligação entre o meu desenvolvimento intelectual e psicológico e o crescimento da internet como uma emulação da vida real.

Quando era novo e a internet era apenas uma criança, éramos simples e sem problemas, o mundo era o nosso recreio, mas ambos sabiamos que iriamos evoluir e ser algo maior. Enquanto eu tinha professores que explicavam como funcionava o mundo e me preparavam para o futuro, a internet tinha programadores sonhadores que imaginavam um futuro para ela. Éramos os dois muito novos e sabíamos que o futuro ia ser grande, mas naquele momento só queriamos brincar um com o outro.

Quando fomos para o novo milénio muita coisa mudou, ambos crescemos, tanto em tamanho como em conhecimento. Ainda brincávamos, mas também tínhamos de estudar e fazer trabalhos. Foi nesta altura que comecei a encarar a internet não só como um amigo para brincar mas como colega de trabalho, aquele que sabe sempre tudo e não tem problemas em ajudar os outros.

Durante a adolescência, nunca soube o que iria ser, nem a internet. Éramos um par de diamantes por lapidar. A internet ajudou-me a navegar o mundo sem sair de casa, mostrou-me ideias de pessoas que outrora nunca iriam ser faladas, pontos de vista que me faziam perceber melhor o mundo e eu mesmo.

Devo muito à internet, com ela descobri a maioria das coisas de que gosto mais, deu-me uma visão mais clara (apesar de ainda muito turva) da vida. Sem ela não seria o que sou hoje, graças a ela pude procurar aquilo que queria e não só aquilo que me mostravam.
Hoje em dia ainda estamos juntos, continuamos a fazer o mesmo, brincamos, estudamos e continuamos a descobrir o mundo, mas hoje em dia ela tem muitos mais amigos e muitos deles não a sabem utilizar…

“The Internet is the first thing that humanity has built that humanity doesn’t understand, the largest experiment in anarchy that we have ever had.”- Eric Schmidt

Fábio Campos

A ROBOTIZAÇÃO DA HUMANIDADE

O ser humano é um ser mutável que esta em constante evolução de sua espécie,  e sendo assim, a cada dia surgem novas necessidades que tem de ser sanadas para a que se tenha uma vida mais confortável  e cômoda.

A evolução do ser humano no decorrer da história acarretou imensas mudanças nas relações existentes entre o homem e o ambiente que o rodeia e também nas trocas interpessoais.

Em meio a esta geração na qual estamos inseridos, nos deparamos constantemente com avanços dos dispositivos de mediação da comunicação, que garantem uma interação fácil e muito prática.

O meio de comunicação entre os seres humanos deixa de ser apenas pelo contato direto entre os indivíduos, e passa a ter um equipamento tecnológico que tem o papel de mediar esta comunicação acarretando uma nova postura da humanidade a esse respeito.

Os avanços dos média fez com que o tráfego da informação desse uma grande salto, e a cada nova geração de equipamentos temos a evolução dos mecanismos que dão maior liberdade e poder ao homem sobre a máquina, que nos provoca a ilusão de controlarmos o material quando o que na verdade ocorre, por vezes, é o aprisionamento do ser à máquina.

Tornamo-nos dependentes dos dispositivos, transmitimos dados da nossa vida para eles gerirem, e  o tornamos assim uma extensão do nosso corpo, dando a eles um certo toque de humano, e esta aglutinação é feita em dupla via, pois nos tornemos também parte da máquina.

A sociedade vai nos impondo um modelo mais atual de dispositivos de média quase que diariamente e sempre munido de mensagens subliminares, incutido em nós a necessidade de consumir o que é mais novo, e que o que possuímos já esta ultrapassado,  e que não corresponderá a todas as  nossas necessidades.

A necessidade não surge de cada indivíduo,  e sim é imposta por uma indústria que rotula o que é a necessidade da humanidade naquele momento, e ao consumirmos o novo deitamos o que temos fora, causando uma produção de lixo tecnológico quase incalculável. Tudo isso pelo simples fato de o dispositivo que temos não nos dar mais a sensação de prazer e de completude por em fim suprimos todas as nossas eventuais necessidades.

Hoje não se é mais aceitável imaginar o ser humano vivendo sem seus complementos tecnológicos mediáticos, que funcionam como tentáculos facilitadores da vida cotidiana, o que leva cada vez mais a desumanização dos indivíduos e suas relações.

Patrícia Grigoletto

O ensino e a tecnologia

Neste mundo globalizado, é incontrolável o avanço da tecnologia na sociedade. O crescente aumento dos médias digitais proporcionam mudanças que influenciam directamente no comportamento de professores e alunos em sala de aula.  Esta revolução tecnológica  acelera o processo de inovação, provocando transformações no meio em que vivemos,  criando oportunidades e possibilitando o acesso à informação, permitindo assim aos profissionais da educação diferentes formas  de metodologias e técnicas para o ensino-aprendizagem.

O uso dos médias digitais no dia-a-dia de uma escola, necessita de treinamento dos docentes e técnicos da  instituição de ensino, é necessário que exista uma estrutura  que possibilite  a implementação dos materiais tecnológicos e o livre acesso aos alunos.  Para que haja o melhor aproveitamento  do ensino-aprendizagem com a inclusão da tecnologia na educação, faz-se necessário que tenha uma metodologia adequada para que o uso dessa ferramenta que proporcione uma aula dinâmica, produtiva e desenvolva habilidades nos alunos, atribuindo-lhes a percepção, interacção e produtividade dentro de um assunto  aprimorando o seu conhecimento. Esse modelo de nova escola,  compreende que a educação consiste no desenvolvimento e aproveitamento dessas tecnologias para a formação e  aperfeiçoamento de novas técnicas para o ensino básico e superior.

Conclui-se que os médias digitais nas práticas educacionais facilita o aprendizado dos alunos de formas diversificadas, proporcionando um ensino interactivo e colaborativo para a turma. É indissociável o uso da tecnologia  sem a proposta de uma metodologia pedagógica   para o desenvolvimento significativo da turma, o uso  dessas  práticas devem  possibilitar as vivências  tecnológicas em sala de aula, voltado para os métodos de ensino que devem atender às necessidades dos alunos de todas as idades, promovendo a inclusão nessa era digital, a qual deverá estar ao alcance de todos, para o acesso à informação e contribuindo para a formação de cidadãos para a sociedade moderna em que vivemos.

Niely Freitas

A Propaganda: da facilidade à necessidade

Tamanha foi a evolução da propaganda, intensificada pela evolução dos meios de informação em massa, que agora a propaganda é a alma do negócio. A propaganda de um determinado dispositivo tem como função tornar cada vez mais conhecido para atingir diferentes públicos-alvo, para que possa abranger todas as idades. Nisso, vale ressaltar que tamanha evolução dos dispositivos, o que fazia-se útil apenas para trabalho e para adultos, como um computador portátil ou o que destinado principalmente para crianças, foram repensados e adicionadas inúmeras novas funções, de uma forma que tornaram-se atrativos para todas as idades e públicos.

A publicidade fica com a função de deixar isto cada vez mais explícito. Tanto quanto as principais possibilidades que a utilização do produto pode trazer ao seu usuário, como nos deixar a sensação que determinado produto tem uma função indispensável de atender às nossas necessidades. Necessidade esta que muitas vezes nós mesmos criamos, mesmo não existindo. Vale ressaltar que as necessidades mudam realmente, a comunicação passa a ser mais dinamizada e suas diferentes formas passam a ser indispensáveis.

Porém, podemos refletir em várias outras funcionalidades que proporcionam estas facilidades, e esta é a palavra real que precisamos levar em consideração real: “facilidade”. E não “necessidade”. Este é apenas um exemplo raso do que a publicidade nos deixa a pensar, cabe-nos refletir se e uma realidade de uma propaganda é mesmo a realidade que queremos para nós e para nossa família, amigos, etc.

 

 

Francimar Santos


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