Arquivo de Maio, 2014

Meio e mensagem

Herbert Marshall McLuhan na década de 60 declarou que “o meio é a mensagem”, defendendo os proprietários dos meios de comunicação por estes darem ao público o que este deseja. McLuhan chama a atenção para o facto de uma mensagem, quer oral quer escrita, desencadearem vários mecanismos diferentes de percepção, levando a diversos significados distintos. O seu objetivo era assim dar a conhecer a todo o mundo que os meios têm uma grande intensidade em si e que assim sendo provocam distintos significados e consequentes distintos pensamentos psicológicos e emocionais.

Esses pensamentos são assim extensões de nós mesmos, que advêm do significado de meio que adquirimos e que emergem mudanças. O meio não constituí só a forma de comunicação, mas também o conteúdo dessa comunicação. A mensagem por seu lado, é uma mudança que acontece em escala, em ritmo e em padrão. Pode então ter vários significados consoante o meio em que esta inserido, como a televisão, a internet, a rádio, seja oral ou escrito. A mensagem tem como objetivo a procura de mudanças que não são as mais óbvias.

 

Valentina Ferreira

Reprodutibilidade de obras de arte

Segundo Walter Benjamin a reprodutibilidade de obras de arte traz consigo a perda de aura que é descrita por este como “uma figura singular, composta por elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante por mais perto que ela esteja”, ou seja, as obras de arte originais conservam certas particularidades que são possíveis de observar no tempo e no espaço presente e que não encontramos em obras reproduzidas. 

Ao pensarmos em pintura, teatro e música, por exemplo, apercebemo-nos disso mesmo. Pegando no último exemplo da música é fácil perceber essas mesmas particularidades. Quando assistimos a um concerto de uma orquestra, temos perante nós todo um conjunto de elementos que compõem a obra de arte à qual assistimos, como a iluminação da sala de espetáculo, os movimentos do maestro e dos músicos, o ambiente que se vive no local e até mesmo a sensação de silêncio que se sente por estarmos presentes, ou seja, um contacto mais direto com a arte. Todas essas particularidades não são possíveis de se sentirem e perceberem quando a mesma orquestra é ouvida em CD ou assistida em DVD.

O lado mais positivo da reprodutibilidade é possibilitar o público de continuar a ouvir e ver artistas que já morreram ou que não continuaram a sua carreira, ou mesmo a dar a oportunidade de assistir a concertos de artistas que não podemos ver ao vivo. Assim, a reprodutibilidade permitiu a democratização da arte, disponibilizando-a a um maior número de pessoas, levando-a a toda a sociedade, mesmo de diferentes classes sociais. Apesar de termos ao nosso dispor estas oportunidades é importante referir que o mais importante é não se perder o hábito de assistir a concertos ao vivo, teatros, ir a museus, etc.

 

Valentina Ferreira

 

Mesmo ausente estou presente

As ligações wireless são, cada vez mais, uma constante no quotidiano da sociedade. Em qualquer lugar temos acesso à internet, podemos ligar-nos a qualquer interface através do nosso smartphone ou computador portátil, sem termos de nos dirigir a um terminal fixo. Passamos a estar ligados à rede a toda a hora, podemos ser contactados a qualquer momento. Já quase não há distinção entre estarmos online e offline porque estamos permanentemente num estado de stand by em que podemos ser sempre contactados.

Beth Coleman fala-nos em Ubiquitous Computing, X-reality e Pervasive Media para descrever as comunicações móveis da última década. Todos os nossos media são computacionais. A tecnologia está inserida intimamente no nosso quotidiano, desde os comandos das garagens, à televisão, aos telemóveis e computadores… já tudo funciona computacionalmente, que por sua vez está ligado em rede, uma rede móvel a que podemos aceder a qualquer momento. A rede, ao ser uma rede móvel, proporcionada na maioria pelo wireless, permite que a comunicação seja permanente e chegamos então ao ponto em que já não há distinção entre o mundo virtual e o mundo real, pois estes cruzam-se.

Não só a relação online/offline é cada vez mais esbatida, também a diferença entre presença e distância já não é tão nítida, já que muitas vezes, as interações digitais são extensões das interações face a face. Desta forma, a telepresença transforma-se na co-presença. A instantaneidade das comunicações e a frequência com que são realizadas leva a que tenhamos a sensação de presença de alguém que esteja longe. Com isto, temos o sentimento de que mesmo estando longe, a pessoa está presente, já que devido às comunicações frequentes e instantâneas a sensação de ausência é esbatida.

Toda esta instantaniedade e frequência na utilização das comunicações no mundo virtual leva-nos a outra situação: Alone Togheter referida por Sherry Turkle. Esta comunicação imediata e frequente leva a uma ilusão de que a solidão pode ser abolida, no entanto, pode ter o efeito contrário e em vez de fortificar as relações, pode distanciá-las, já que atualmente, estamos reunidos em grupo no mesmo espaço físico, mas já quase não há comunicação, pois apesar de estarmos reunidos no mesmo espaço físico, estamos desligados das interações reais, para estarmos individualmente ligados ao mundo virtual, quer através dos computadores portáteis, quer através dos smartphones.

A sociedade está de tal maneira viciada nas comunicações virtuais que mesmo que queira desligar-se não consegue, pois esta é a essência da realidade atual.

 

Letícia Ferreira.

Viajar no tempo e no espaço

Pensar em dispositivos requer automaticamente pensar também nas extensões psíquicas e emocionais do sujeito. Com o avanço e desenvolvimento tecnológico criado nas últimas décadas, o mundo que conhecíamos tal como era, sofreu modificações, começando pela sua definição. Assim, dependentes das tecnologias como somos hoje em dia, o nosso mundo real já é totalmente um mundo online, onde as diferenças que o distinguem são cada vez mais inexistentes.

Exemplo da dependência que nos “domina” é o simples facto de nos sentirmos “perdidos” quando nos esquecemos do telemóvel. Sentimos uma necessidade enorme de estarmos ligados aos outros pelos dispositivos tecnológicos, conseguindo estes o seu grande objetivo: o de nos fazerem acreditar que somos valiosos e que o que fazemos, pensamos e sentimos é uma prioridade. Ao mesmo tempo que dão a ideia que a nossa opinião é relevante, conseguem alterar as nossas vontades e os nossos gostos, modificando o nosso dia-a-dia, conseguindo com que este se altere, não podendo estar predefinido, por uma simples mensagem (SMS) enviada ou um telefonema. 

Ao mesmo tempo que os dispositivos conseguiram facilitar-nos a vida, colocando ao nosso dispor uma grande variedade de informação, quer plausível quer não, também conseguiram retirar-nos uma independência que adquirimos face aos dispositivos e à procura desse mesmo conhecimento.

 

Valentina Ferreira

Dependência tecnológica

Pensar em dispositivos requer automaticamente pensar também nas extensões psíquicas e emocionais do sujeito. Com o avanço e desenvolvimento tecnológico criado nas últimas décadas, o mundo que conhecíamos tal como era, sofreu modificações, começando pela sua definição. Assim, dependentes das tecnologias como somos hoje em dia, o nosso mundo real já é totalmente um mundo online, onde as diferenças que o distinguem são cada vez mais inexistentes.

Exemplo da dependência que nos “domina” é o simples facto de nos sentirmos “perdidos” quando nos esquecemos do telemóvel. Sentimos uma necessidade enorme de estarmos ligados aos outros pelos dispositivos tecnológicos, conseguindo estes o seu grande objetivo: o de nos fazerem acreditar que somos valiosos e que o que fazemos, pensamos e sentimos é uma prioridade. Ao mesmo tempo que dão a ideia que a nossa opinião é relevante, conseguem alterar as nossas vontades e os nossos gostos, modificando o nosso dia-a-dia, conseguindo com que este se altere, não podendo estar predefinido, por uma simples mensagem (SMS) enviada ou um telefonema. 

Ao mesmo tempo que os dispositivos conseguiram facilitar-nos a vida, colocando ao nosso dispor uma grande variedade de informação, quer plausível quer não, também conseguiram retirar-nos uma independência que adquirimos face aos dispositivos e à procura desse mesmo conhecimento.

 

Valentina Ferreira

Conexão “em ausência”

Sherry Turkle, uma psicóloga norte-americana, tem vindo a desenvolver, ao longo dos anos, diversos estudos acerca da influência que os meios digitais e as redes sociais exercem sobre a sociedade, bem como as alterações que estas provocam nas relações sociais.

Turkle constatou diversos factos de carácter negativo, entre eles a substituição da conexão “em presença” pela conexão “em ausência“. Esta substituição traduz-se na utilização cada vez mais frequente dos dispositivos/meios digitais como forma de comunicar e de estabelecer relações com o outro, prejudicando e diminuindo consideravelmente o contacto físico (“cara-a-cara“). Apesar de conectado permanentemente, o sujeito sofre um isolamento, que se vai tornando cada vez mais visível e notório à medida que este se deixa “absorver” pelo mundo social digital.

Sem dúvida que estes meios nos permitem comunicar com familiares e amigos que se encontrem a residir ou a passar férias noutro país ou noutra cidade e que nos proporcionam a oportunidade de conhecermos e contactarmos com pessoas de todas as partes do mundo, mas é necessário desenvolver capacidades de comunicação, as quais só podem ser adquiridas através de relações pessoais que estabelecemos com os outros que nos cercam.

Nos dias de hoje, as crianças crescem neste ambiente de ligação/conectividade permanente, submetidas ao isolamento de tudo o que as rodeia, o que é alarmante. O que há poucos anos atrás se julgava impossível de acontecer, hoje em dia está presente na vida da maioria dos seres humanos.

 

Sónia Gomes

Com ou sem apêndice

A ubiquidade da mediação digital na realidade contemporânea conduziu a investigadora Beth Coleman às noções de Ubiquitous Computing (computação ubíqua) e de Pervasive Media (mediação pregnante). De facto, actualmente carregamos connosco para todo o lado os nossos dispositivos electrónicos (leia-se teletelas) e a conexão permanente por eles possibilitada transforma o paradigma social com que saímos do século XX.

Os conceitos de co-presença e de tempo-real propostos pela autora transformam-nos a cada um de nós em deuses capazes de estar em todo o lado ao mesmo tempo. É por esta razão que o nosso telemóvel é mais importante para nós do que o nosso apêndice cecal. Sem o primeiro somos apenas humanos. Sem o segundo podemos continuar a ser deuses.

Mas esta co-presença simultânea de todos num espaço virtual, esta quebra ilusória da distância física, vem alterar profundamente a forma como nos relacionamos com a sociedade e connosco próprios. Sherry Turkle fala na substituição da conversação pela conexão e na consequente lesão no desenvolvimento cognitivo e social de crianças e adolescentes. A perda da capacidade de conversação cara-a-cara compromete, por sua vez, a capacidade de reflexão pessoal, transformando profundamente o indivíduo e consequentemente a sociedade.

Nos meus relacionamentos interpessoais, e tornado agora este post mais familiar, os conceitos propostos por Beth Coleman traduzem-se num esmorecimento da saudade. O facto da comunicação estar tão facilitada e poder acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar fez com que não sentisse saudade que merecesse o estatuto que a palavra alberga, da minha irmã mais velha quando esteve cinco anos fora do país. Mais grave ainda, a omnipresença da possibilidade de comunicação deixa-me tão confortável por poder fazê-lo (comunicar) que não o faço. E é desta forma que fico, tranquilamente, sem falar com a minha irmã mais nova durante semanas.

Parece-me, assim, que o novo paradigma que vivemos deixa-nos cada vez menos seres sociais e cada vez mais indivíduos isolados que, com ou sem apêndice, se iludem na partilha de informação própria construída e retocada.

 

Margarida Neves

Aqui não é a Matrix!

Em ontologia da imagem fotográfica, André Bazin nos faz refletir sobre esta relação entre as imagens e o ser humano, uma necessidade vinda de tempos remotos na historia da humanidade, de nos tornamos imortais, de preservar uma parte nossa no tempo e no espaço. O aparecimento de novas tecnologias não somente nos daria esta oportunidade de registrar e recriar a realidade, como também de nos inserir nela, comunicando-nos através de representações nossas, um “eu digital”, mas e quanto ao “eu real”, como as novas tecnologias o afetariam, seríamos maduros o suficiente para lidarmos com estas novas realidades?

Ao acordarmos pela manhã, procuramos ver nossas mensagens pessoais em emails, facebook, blogs, etc. Pegamos nossos telemoveis, notebooks, tabletes, e sem percebemos, começamos a nos tornar prisioneiros de certas rotinas, ou de hábitos que vão refazendo o nosso modo de viver em sociedade. Vivemos uma vida construída ao longo dos anos, com base em experiências de sucessos e fracassos nos mais diversos aspectos, situações estas que nos aperfeiçoam (pelo menos em teoria) as capacidades sociais para lidar com o outro, mas quando passamos a dar maior importância ao que temos dentro do mundo virtual, talvez haja algo errado em como organizamos estes aspectos da nossa vida .

Em 1984 a escritora Sherry Turkle escreve em seu livro Second Self que os computadores são mais do que ferramentas, e afirma como eles se tornaram parte de nossas vidas sociais e psicológicas, alterando tanto nossas rotinas tanto como a maneira como pensamos. Turkle teoriza que os avanços tecnológicos estão influenciando os comportamentos sociais, e que aos poucos estamos chegando a um limiar entre a vida real e o ciberespaço.

É neste espaço que construímos um novo “eu”, um mundo de informações que vamos adicionando a esta construção, desde fotos, gostos, amizades, criamos um duplo nosso, um reflexo de nossa imagem pessoal, maneira esta que o ser humano  encontrou de se tornar imortal, preservando esse “eu” salva-se do tempo, e substituindo a vida no mundo exterior, também nos protegeríamos de nossos fracassos, segundo Turkle, é neste mundo virtual que somos capazes de dar melhorias a nos mesmos, um laboratório de experiências, onde construímos novas identidades, criando avatares que nos auxiliariam a descobrirmos quem somos.

Mas não devemos esquecer que é na vida real que de fato nos aperfeiçoamos, as relações, os sentimentos, nossa experiência de vida, o Ciberespaço nos permite nos satisfazer necessidades psicológicas, mas uma imersão profunda nele também pode vir a causar danos psicológicos e emocionais. Deve-se ter consciência em saber separar realidade e realidade virtual, assegurando que possamos perceber e compreender o mundo verdadeiro e viver realmente nele.

Já tiveste algum sonho do qual estivesses certo que fosse real? E se fosses incapaz de acordar desse sonho? Como conseguirias distinguir a diferença entre o mundo do sonho e o mundo real?” (Do filme Matrix)

                               Volney Nazareno

BTW, vms flr d Netspeak

abreviaturas-carrusel

À combinação do discurso oral com o escrito, dá-se o nome de “Netspeak” (língua da rede). Podemos caracterizar o discurso oral como sendo limitado pelo tempo, espontâneo, realiza-se cara-a-cara, promove a interação social, é pouco estruturado, imediatamente revisto e rico prosodicamente, e o discurso escrito como sendo limitado pelo espaço, artificial, visualmente descontextualizado, factualmente comunicativo, tem uma estrutura elaborada, é repetidamente revisto e rico graficamente. O Netspeak utiliza características destes dois discursos.

O Netspeak caracteriza-se por usar abreviaturas, acrónimos, e emoticons,  para “poupar” tempo a escrever. Começou a ser usado pelos jovens, ao falarem uns com os outros na Internet, em salas de chat, no Messenger, no facebook, no twitter. O facto deste último só permitir escrever um número limitado de caracteres, faz com que as pessoas usem ainda mais esta forma abreviada de escrever. Mas não é só em sítios da Internet que esta linguagem é usada, mas também em SMS’s, o que admito às vezes dar jeito abreviar quando estamos com pressa, apesar de ser algo que não me agrade muito, por isso raramente o faço.

Apesar de usarmos o Netspeak para poupar tempo, a verdade é que para quem não está familiarizado com esta linguagem, demora muito mais tempo a decifrar o que está escrito, e muitas vezes não consegue sequer perceber, o que causa muita frustração (e falo por experiência própria!).

Exemplos de emoticons (usados para exprimir o que estamos a sentir):
JESS3_TNW_FB_Emoticon_Guide

Exemplos de abreviaturas/ acrónimos:

btw- by the way
wth- what the hell
lol- laugh out loud
rofl- rolling on floor laughing
4- for
brb- be right back
cuz- because
i c- I see
ttyl- talk to you later
u2- you too
l8tr- later
omg- oh my good
bff- best friend forever

Mas como tudo, o Netspeak também tem as suas desvantagens. Os jovens actualmente estão tão enraizados e habituados a escrever de forma abreviada, que utilizam esta escrita na escola, o que é bastante grave, quer seja por força do hábito, quer seja por não saberem regras de gramática e de pontuação. Está a haver uma espécie de lavagem cerebral, que nos está a fazer esquecer como de facto se escreve, para dar lugar a facilitismos.

Se todos escrevêssemos assim, e aplicássemos esta escrita à literatura, a frase mais famosa de Shakespeare, em Hamlet escrever-se-ia:

2b r nt 2b tht s da ? (to be or not to be that is the question)

 

Suse Duarte

O q é Netspeak?

David Crystal desenvolveu o conceito Netspeak, o qual diz que a escrita abreviada utilizada em alguns meios de comunicação, como por exemplo, Facebook, WhatsApp, Skype, SMS e entre outros, são combinações  entre fala e escrita que resulta nessa atual alteração da linguagem.

Se comunicar através desses meios significa que no mínimo duas pessoas estão conversando simultaneamente, porém estão distantes, mesmo que essa distância seja de alguns poucos metros.

Os meios de comunicação online proporcionaram uma alteração não apenas na maneira de comunicar, mas também na forma da escrita utilizada nas redes sociais. Antes do advento da internet a forma de comunicação à distância mais usada, provavelmente era o telefone. Hoje são os SMS trocados ao longo do dia, através dos novos média. Com o pouco tempo e a necessidade falar rápido, quer dizer digitar com mais agilidade o homem começou a abreviar palavras.

Além das abreviações também há um elemento mais rápido, os smiles ou as “carinhas” que transmitem rapidamente nosso estado emocional, essas que são representadas através dos sinais de pontuação, os mais utilizados são os dois pontos, a vírgula e os parênteses.   

               As formalidades linguísticas são desnecessárias para alguns meios de troca de mensagens online, temos a liberdade de falar/digitar como quisermos. Não haverá julgamentos sobre a forma de escrita, mesmo que seja errada ou abreviada.

Não há dúvidas que a linguagem utilizada para comunicação rápida e em tempo real sofreu uma mudança mundial ao longo dos últimos anos e também possui um vocabulário próprio.  🙂

Arlane Marinho.

#Netspeak

Netspeak, ou seja, a desconstrução quase completa do modo como escrevemos e falamos veio de certa maneira mudar a forma com interagimos não só online mas também na vida real.
O netspeak funciona como um dicionário virtual no qual os cibernautas arranjaram maneira de abreviar tudo e mais alguma coisa e na qual a fonética tem mais importância que a etimologia das palavras.

As SMS e a redes sociais como o twitter ou facebook, fizeram com que o netspeak passasse a ser uma forma de comunicação aceitável. Ter um número de carateres limitado criou uma comunidade de pessoas que não querem saber de gramática ou pontuação.

O facto de cada vez existir mais gente mergulhada no mundo online e completamente desfasada da vida social faz com que lhe seja impossível fazer a distinção entre o certo e o errado.

A aprendizagem da escrita depende da memória visual, por exemplo muita gente escreve uma palavra quando se quer lembrar da sua grafia, sendo assim, se se for bombardeado por diferentes grafias será mais difícil para crianças ainda em formação a assimilação correta da palavra.
A utilização do netspeak está difundida em praticamente todas as áreas de comunicação desde da publicidade até ao merchandising.

 

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A meu ver o netspeak pode ter a seu favor a poupança de microssegundos, mas penso que acima de tudo a língua e a sua preservação deve prevalecer.

 

 

Vasco Assis

Anti-insocial

Atualmente, não passa um dia sem surgir uma inovação ou a renovação do que outrora foi novidade. Tal efusividade tecnológica permite o constante aparecimento de novas e aliciantes formas de nos contactarmos. Formas essas que superam a própria interação “face-to-face”.

Qualquer rede social é hoje uma parte bastante considerável do quotidiano de uma enorme massa demográfica. Antes, algumas vezes, durante e depois do trabalho o ser humano “liga-se” ao mundo desconectando-se do mesmo. Esta ambivalência aparentemente recente, tem vindo a ser estudada na teoria pela socióloga Sherry Turkle desde os anos 80.

Em 1984, Turkle já definia o computador não só como uma ferramenta indispensável, mas também como parte vital do nosso quotidiano. Na obra The Second Self, a autora observa em que aspecto o computador afeta a nossa capacidade de introspeção e as nossas relações com outro. Assim, é com a certeza que a tecnologia modifica o modo como agimos que Turkle inicia o estudo da relação entre o Homem e máquina tecnológica, o “segundo eu”.

Com o aparecimento de redes sociais, a já fraca barreira entre o ser humano e o seu computador desmorona-se. Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other (2011), a ultima publicação de Turkle, esta fala-nos da queda deste muro e consequente construção de uma convivência insociavelmente social.

Concluindo, é nesta linha de pensamento que a socióloga alerta para ascensão de “robôs sociais” – símbolo da decadência das interações humanas. Até mesmo a preferência das mensagens curtas em detrimento da fala, uma característica que distingue o humano do animal, tem se vindo a verificar. A nossa clara adição relativamente aos aparelhos digitais (e apelativas aplicações) faz com que, mais cedo do que pareça, eles se tornem próteses do nosso corpo.

Eduardo Duarte

O registo sonoro

Inventado por Édouard-Léon Scott em 1857, o Fonoautógrafo foi o primeiro aparelho com a capacidade de gravar ondas sonoras, no entanto, este foi concebido com o único objectivo de registar sons e não de os reproduzir. Em 1860, Scott consegue gravar pela primeira vez a sua voz, e para seu espanto (apesar de pouco se perceber) para além de conseguir registar as ondas sonoras, este consegue também reproduzi-las. Após esta inovação de Édouard-Léon Scott, o ser humano começou a ganhar um certo interesse pelo processo de gravação de sons, o que o levou a uma tentativa de aperfeiçoamento de registo sonoro até que este correspondesse à realidade. Em 1877, Thomas Edison cria o Fonógrafo, um aparelho concebido com a finalidade de gravar e reproduzir sons e em 1878, este faz sua primeira gravação. O que ambos não sabiam, era a mudança que os aparelhos que tinham inventado viriam viria a provocar anos mais tarde.

Hoje em dia, quase todos os objectos tecnológicos têm a capacidade de gravar e reproduzir sons, com um simples telemóvel/computador é-nos possível captar momentos das nossas vidas de forma a podermos relembra-los anos depois. A invenção de aparelhos como interfaces transformaram de tal forma as nossas vidas que nos é possível gravar ondas sonoras que correspondem quase de forma perfeita ao que é ouvido pelo ser humano numa conversa de café.

Através deste registo “perfeito”, (devido ao facto de ao nos ouvirmos a falar numa gravação não reconhecermos a nossa própria voz, mas os outros reconhecerem-na) foi-nos possível concluir que ao falar-mos, as vibrações sonoras não passam só pelo ar à volta da nossa cabeça, mas também através dos ossos na nossa cabeça.

Sendo o som um dos principais causadores de emoções nas nossas vidas, a gravação do mesmo alterou-as radicalmente. Nos dias de hoje, é-nos possível colocar um ficheiro de som num aparelho com 5×5 cm de forma a podermos estar constantemente a ouvir o que queremos.

 

Francisco Frutuoso

“O meu telemóvel é a minha vida”

Desde os últimos dez anos que o avançar da tecnologia fez esta tornar a sua presença mais vincada na vida da sociedade, levando grande parte dos indivíduos a tornar-se cada vez mais dependente dela. Isto levou a que a separação entre o mundo real e o virtual acabasse, unindo-se num só, e porquê?

Segundo Sherry Turkle os dispositivos tecnológicos tornaram-se objectos evocativos porque os indivíduos aproximaram-se deles de tal maneira que estes ganharam um significado pessoalmente importante, nomeadamente os telemóveis. Isto é, tornaram-se parte dos sujeitos. Muitas pessoas usam até a expressão ” o meu telemóvel é a minha vida”, levando a crer que sem eles não serão a mesma pessoa. Tornaram-se extensões dos próprios indivíduos, carregando uma carga importante na sua vida.

Por exemplo, são eles, os telemóveis, que guardam grande parte das nossas conversas quando não temos a oportunidade de falar pessoalmente com as pessoas. São eles que estão lá quando queremos gravar um momento. São eles que nos fazem companhia enquanto esperamos pelo autocarro. São eles que nos permitem manter uma relação de amizade diária com alguém que está longe. São eles que nos lembram, pelo alarme, que temos uma consulta no dia seguinte. São eles que não nos deixam chegar atrasados ao emprego. E são eles que nos dão acesso a todo o mundo através de um clique. São a chave para o mundo virtual.

Portanto, pode admitir-se que as tecnologias ganharam lugar no nosso dia a dia. Enraizaram-se no mundo real. A população tornou-se dependente delas. É por isso que a qualquer sitio que formos temos o telemóvel no bolso, é por isso que dormimos com o telemóvel na cabeceira e que quando acordamos é das primeiras coisas em que mexemos. Estes dispositivos tornaram-se uma droga.

A consciência pessoal do que nós somos, o nosso eu subjectivo, tem em si a rede de comunicação que é criada a partir da tecnologia no mundo virtual. Logo, os dispositivos tecnológicos, na nossa ideia, contribuem para fazer de nós aquilo que somos. São ainda estes dispositivos que nos permitem estar entre o mundo digital e físico.

Concluindo, a relação entre o indivíduo e a tecnologia aumentou imenso nos últimos anos, tornando-nos dependente delas e levando os dispositivos digitais a tornarem-se objectos evocativos. São estes dispositivos que comandam em parte a nossa vida, fazendo parte dela. E são ainda eles que dão uma percentagem de si para aquilo que subjectivamente nós achamos de nós próprios. Nós precisamos deles tal como eles precisam de nós.

 

Catarina Santos

Ir ao museu sem sair de casa

 

 

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O Google Art Project é uma plataforma online que proporciona ao público visitar a partir do conforto da sua casa alguns dos mais prestigiados museus de arte do mundo.

Este projeto foi lançado a 1 de Fevereiro de 2011 pela Google e veio de certa formar mudar a maneira como as pessoas interagem com a arte.

Do meu ponto de vista este projeto tem mais fatores positivos do que negativos. Um dos fatores positivos mais importante é o económico. Com a situação económica que vivemos, a oportunidade de se poder ver um leque enorme de obras de arte sem ter que gastar rios de dinheiro a viajar pelo mundo fora é sem dúvida um ponto a favor.

Em contrapartida o único fator negativo que encontro tem a ver com o sedentarismo inerente ao mundo online, sendo mais um razão para as pessoas não saírem de casa.

Pessoalmente prefiro ir aos museus e ver com os meus olhos, poder vadiar pelos corredores e poder ver ao vivo as obras de arte, mas em contrapartida no Google Art Project tenho a possibilidade de poder ver detalhes que são impossíveis a olho nu.

Em suma o mais importante é o facto da Google dar toda esta informação gratuita a um grande número de pessoas que de outra forma não teriam acesso a ela.

 

 

 

Vasco Assis

Seres automáticos.

No correr dos tempos, foram várias as fases de desenvolvimento do ser humano. Há media que foi “crescendo”, foram-se formando juntamente com ele inúmeros meios tecnológicos com os quais teve que aprender a lidar.
Inicialmente notava-se o receio de contacto e uma certa distância em relação a todas essas tecnologias, hoje em dia, nota-se a ânsia pela chegada de algo totalmente novo ou de uma simples inovação. E com isto podemos perceber o funcionamento e a posição do ser humano, este que antes tinha as novas tecnologias presentes e ao mesmo tempo mantinha uma relação social num ambiente totalmente normal, mas que hoje em dia vive para elas, relacionando-se através delas, fazendo a sua vida com base nelas.
Pegando em algumas palavras de Sherry Turkle, psicóloga, que tem desenvolvido muito este assunto aqui posto em causa, percebemos como ela própria e muitos de nós, certamente, temos vindo a mudar a nossa opinião em relação ao contacto que o ser humano mantém com as novas tecnologias.
Tal como Turkle defende “cada vez esperamos mais das tecnologias e menos dos humanos” e esta é a realidade social. São raras as pessoas que nos dias de hoje conseguem estar um dia inteiro sem ver o telemóvel, porque sentem que lá é que têm o contacto com as pessoas, mesmo que tenham uma exatamente à frente delas, ou então refugiam-se no aparelho para simplesmente se afastarem de qualquer assunto, ou por não se sentirem bem no momento em que se encontram, o que prejudica, claro, o convívio social.
Em pleno século XXI e realçando uma vez mais o estudo de Turkle, o ser humano já está tão automatizado que é instantânea a utilização do telemóvel ou de outro meio digital para aceder ao email ou enviar mensagens, o que é claramente prático, mas ao mesmo tempo é como que se fosse um dever que há para cumprir e que não se pode deixar esperar. Seria então correto criar espaços onde fossem proibidos os dispositivos tecnológicos e se mantivesse uma relação de contacto cara a cara, mas muitas vezes haveria um toque de uma chamada ou mensagem o que despertaria a curiosidade e incentivava logo a que se quebrassem as regras.
Em suma, é importante ter-se em atenção aquilo que nos rodeia e os erros que se calhar estamos a cometer, pois quase que podemos considerar que agora há, não seres humanos, mas seres automáticos, que funcionam comandados por um “click” que está instalado e que reage imediatamente ao que é pensado pelo cérebro.
E é assim, já não conseguimos controlar a nossa entrada e saída dos meios, estamos de tal forma interligados, que muitas vezes colocamos apenas uma pausa, pois o botão de desligar, parece já nem estar ativo.

Inês Pina

Os princípios dos Novos Média

Na obra “The Language of New Media!, Lev Manovich contextualiza historicamente o aparecimento dos novos média e faz uma reflexão sobre os mesmos. Nesta obra, Manovich formula cinco princípios para os novos média, princípios estes, que, apesar de não poderem ser chamados de regras absolutas, são vistos como um guia para a informação informatizada. Os cinco princípios são: a reprodução numérica. a modularidade, a automação, a variabilidade e a transcodificação.

A reprodução numérica consiste na manipulação algarítmica dos objectos digitais, de forma a que estes possam ser quantificáveis.

Chamado de “estrutura fractal dos novos média”, a modularidade tem diferentes escalas. Esta permite que os elementos média (tais como som, imagem e forma) possam ter diferentes tamanhos sem que percam a sua independência.

A automação permite que muitas das operações envolventes nos novos média não necessitem de ter uma intenção humana, isto é, que exista uma certa autonomia nos novos média. Esta só é possível devido aos dois pontos referidos acima e pode ter dois níveis: o nível baixo (correspondentes as funções pré-definidas na maioria dos programas informáticos) e o nível alto (criação e acção da inteligência artificial). Esta é limitada consoante ao que está programada a responder.

Em contraste com os “antigos média”, onde várias cópias idênticas eram feitas de um determinado objecto, os novos média, através da variabilidade, permitem-nos fazer várias versões diferentes desse mesmo objecto. Em vez de criadas pelo ser humano, estas versões são elaboradas pelo computador automaticamente. Dado esta automação tecnológica, podemos concluir que a variabilidade também só nos é possibilitada pela existência da reprodução numérica e da modularidade.

Por último, visto por Manovich como a consequência mais substancial dos novos média, a transcodificação consiste na transformação dos média em dados de computador.

 

Francisco Frutuoso

Netspeaker

À medida que a tecnologia foi evoluindo ao longo dos anos, o ser humano, sendo um ser que tem como necessidade estar sempre em movimento e em comunicação com outros, foi como que obrigado a acompanhar esse avanço tecnológico. Como consequência, este criou uma espécie de dicionário virtual que facilitasse as conversações em redes sociais (Facebook, Myspace, Instagram, etc), em jogos online, em Chatrooms, nas mensagens de texto (sms), etc; à qual deu o nome de Netspeaker.

Com esta nova forma de escrita, a comunicação virtual tornou-se mais rápida e mais fácil para quem a conhece. Este tipo de linguagem consiste no uso de expressões como LOL (lots of laughlots of love); na omissão de letras em determinadas palavras como: n (não), cmg (comigo), qqr (qualquer), agr (agora) q (que); no uso excessivo de pontuação para dar enfase às frases tais como “…..”, “!!!”, “???”; na utilização de onomatopais como “ahahahah” (para indicar risos); no uso de símbolos e smiles para expressar sentimentos tais como 🙂 (feliz), 😦 (triste), 😥 (choro), ❤ (amor), 😮 (surpreendido), etc.

No entanto, nem todos os aspectos do netspeaker são positivos: apesar desta linguagem poupar tempo a quem a escreve, esta demora duas vezes mais a ser compreendida por quem a lê. Outro aspecto negativo é o facto de um pequeno (mas existente) número de pessoas não conseguir diferenciar a linguagem virtual da linguagem formal, e pela mesma razão deixarem que esta as afecte no seu dia a dia (nas aulas, no trabalho, etc).

Pessoalmente, não sou adepto desta linguagem chamada de Netspeaker (especialmente aquela em que se usam K em vez de Q e Y em vez de I), no entanto, tenho consciência de que esta veio dar algo de novo à sociedade onde vivemos e de que existe muita gente que a aprecia.

 

Francisco Frutuoso

A importância da Fotografia

 

Quando Niépce tirou a primeira fotografia em 1826, estaria longe de imaginar as proporções e a influência que a sua descoberta iria ter na sociedade moderna.

Hoje em dia para se tirar fotografias basta ter um telemóvel ou uma câmara digital. É quanto basta para captar todo e qualquer momento sem nenhuma relevância, seja para quem as tira ou para as centenas de pessoas com quem as partilham nas redes sociais.

Falando de modo mais sério, a fotografia foi uma das maiores descobertas do milénio passado e uma das mais influentes. Com a fotografia começámos a conseguir captar os momentos com uma autenticidade que nos era impossível a partir da pintura. Mudou de tal forma as nossas vidas que nos passou a ser possível datar os acontecimentos mundiais com provas concretas do que tinha acontecido e passar esse conhecimento para as gerações futuras. E foi a partir dela que surgiu o tão amado cinema que ainda melhor conseguiu captar o movimento e o momento, e todos os pormenores que de certa forma nem a própria fotografia conseguia.

Concluindo, a fotografia não só influenciou o nosso passado como irá com toda a certeza influenciar o nosso futuro.

 

 

Vasco Assis

A extinção da Carta

 

A meu ver, uma das invenções mais importantes de todos os tempos, foi sem dúvida alguma o telefone.
O telefone veio de certa forma substituir a carta, um meio de comunicação muito mais moroso e bastante diferente na sua essência. Acho que durante toda a minha vida, só uma vez recebi uma carta de um familiar distante e foi algo combinado por telefone. Veja-se a ironia!

Como já referi, a essência de ambos é bastante diferente, na carta é tudo mais premeditado e menos espontâneo. Todavia é graças à escrita que conseguimos ler os outros não só pelas palavras mas também pela caligrafia, que funciona quase como uma extensão da alma de cada pessoa. É algo que nos é querido e nos acompanha para o resto das nossas vidas.
No telefone existe uma enganadora sensação de presença com a pessoa com quem falamos e uma espontaneidade bastante maior naquilo que se diz. É mais difícil esconder o estado de espirito e aquilo que se sente. Porém é muito mais prático e rápido e existe ainda a vantagem de termos comunicação instantânea com qualquer parte do mundo.

Creio que todas estas vantagens do telefone façam com que a carta pareça um sistema cada vez mais datado, escasso e perto da extinção.

 

Vasco Assis


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