Arquivo de Maio, 2014

Meio e mensagem

Herbert Marshall McLuhan na década de 60 declarou que “o meio é a mensagem”, defendendo os proprietários dos meios de comunicação por estes darem ao público o que este deseja. McLuhan chama a atenção para o facto de uma mensagem, quer oral quer escrita, desencadearem vários mecanismos diferentes de percepção, levando a diversos significados distintos. O seu objetivo era assim dar a conhecer a todo o mundo que os meios têm uma grande intensidade em si e que assim sendo provocam distintos significados e consequentes distintos pensamentos psicológicos e emocionais.

Esses pensamentos são assim extensões de nós mesmos, que advêm do significado de meio que adquirimos e que emergem mudanças. O meio não constituí só a forma de comunicação, mas também o conteúdo dessa comunicação. A mensagem por seu lado, é uma mudança que acontece em escala, em ritmo e em padrão. Pode então ter vários significados consoante o meio em que esta inserido, como a televisão, a internet, a rádio, seja oral ou escrito. A mensagem tem como objetivo a procura de mudanças que não são as mais óbvias.

 

Valentina Ferreira

Reprodutibilidade de obras de arte

Segundo Walter Benjamin a reprodutibilidade de obras de arte traz consigo a perda de aura que é descrita por este como “uma figura singular, composta por elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante por mais perto que ela esteja”, ou seja, as obras de arte originais conservam certas particularidades que são possíveis de observar no tempo e no espaço presente e que não encontramos em obras reproduzidas. 

Ao pensarmos em pintura, teatro e música, por exemplo, apercebemo-nos disso mesmo. Pegando no último exemplo da música é fácil perceber essas mesmas particularidades. Quando assistimos a um concerto de uma orquestra, temos perante nós todo um conjunto de elementos que compõem a obra de arte à qual assistimos, como a iluminação da sala de espetáculo, os movimentos do maestro e dos músicos, o ambiente que se vive no local e até mesmo a sensação de silêncio que se sente por estarmos presentes, ou seja, um contacto mais direto com a arte. Todas essas particularidades não são possíveis de se sentirem e perceberem quando a mesma orquestra é ouvida em CD ou assistida em DVD.

O lado mais positivo da reprodutibilidade é possibilitar o público de continuar a ouvir e ver artistas que já morreram ou que não continuaram a sua carreira, ou mesmo a dar a oportunidade de assistir a concertos de artistas que não podemos ver ao vivo. Assim, a reprodutibilidade permitiu a democratização da arte, disponibilizando-a a um maior número de pessoas, levando-a a toda a sociedade, mesmo de diferentes classes sociais. Apesar de termos ao nosso dispor estas oportunidades é importante referir que o mais importante é não se perder o hábito de assistir a concertos ao vivo, teatros, ir a museus, etc.

 

Valentina Ferreira

 

Mesmo ausente estou presente

As ligações wireless são, cada vez mais, uma constante no quotidiano da sociedade. Em qualquer lugar temos acesso à internet, podemos ligar-nos a qualquer interface através do nosso smartphone ou computador portátil, sem termos de nos dirigir a um terminal fixo. Passamos a estar ligados à rede a toda a hora, podemos ser contactados a qualquer momento. Já quase não há distinção entre estarmos online e offline porque estamos permanentemente num estado de stand by em que podemos ser sempre contactados.

Beth Coleman fala-nos em Ubiquitous Computing, X-reality e Pervasive Media para descrever as comunicações móveis da última década. Todos os nossos media são computacionais. A tecnologia está inserida intimamente no nosso quotidiano, desde os comandos das garagens, à televisão, aos telemóveis e computadores… já tudo funciona computacionalmente, que por sua vez está ligado em rede, uma rede móvel a que podemos aceder a qualquer momento. A rede, ao ser uma rede móvel, proporcionada na maioria pelo wireless, permite que a comunicação seja permanente e chegamos então ao ponto em que já não há distinção entre o mundo virtual e o mundo real, pois estes cruzam-se.

Não só a relação online/offline é cada vez mais esbatida, também a diferença entre presença e distância já não é tão nítida, já que muitas vezes, as interações digitais são extensões das interações face a face. Desta forma, a telepresença transforma-se na co-presença. A instantaneidade das comunicações e a frequência com que são realizadas leva a que tenhamos a sensação de presença de alguém que esteja longe. Com isto, temos o sentimento de que mesmo estando longe, a pessoa está presente, já que devido às comunicações frequentes e instantâneas a sensação de ausência é esbatida.

Toda esta instantaniedade e frequência na utilização das comunicações no mundo virtual leva-nos a outra situação: Alone Togheter referida por Sherry Turkle. Esta comunicação imediata e frequente leva a uma ilusão de que a solidão pode ser abolida, no entanto, pode ter o efeito contrário e em vez de fortificar as relações, pode distanciá-las, já que atualmente, estamos reunidos em grupo no mesmo espaço físico, mas já quase não há comunicação, pois apesar de estarmos reunidos no mesmo espaço físico, estamos desligados das interações reais, para estarmos individualmente ligados ao mundo virtual, quer através dos computadores portáteis, quer através dos smartphones.

A sociedade está de tal maneira viciada nas comunicações virtuais que mesmo que queira desligar-se não consegue, pois esta é a essência da realidade atual.

 

Letícia Ferreira.

Viajar no tempo e no espaço

Pensar em dispositivos requer automaticamente pensar também nas extensões psíquicas e emocionais do sujeito. Com o avanço e desenvolvimento tecnológico criado nas últimas décadas, o mundo que conhecíamos tal como era, sofreu modificações, começando pela sua definição. Assim, dependentes das tecnologias como somos hoje em dia, o nosso mundo real já é totalmente um mundo online, onde as diferenças que o distinguem são cada vez mais inexistentes.

Exemplo da dependência que nos “domina” é o simples facto de nos sentirmos “perdidos” quando nos esquecemos do telemóvel. Sentimos uma necessidade enorme de estarmos ligados aos outros pelos dispositivos tecnológicos, conseguindo estes o seu grande objetivo: o de nos fazerem acreditar que somos valiosos e que o que fazemos, pensamos e sentimos é uma prioridade. Ao mesmo tempo que dão a ideia que a nossa opinião é relevante, conseguem alterar as nossas vontades e os nossos gostos, modificando o nosso dia-a-dia, conseguindo com que este se altere, não podendo estar predefinido, por uma simples mensagem (SMS) enviada ou um telefonema. 

Ao mesmo tempo que os dispositivos conseguiram facilitar-nos a vida, colocando ao nosso dispor uma grande variedade de informação, quer plausível quer não, também conseguiram retirar-nos uma independência que adquirimos face aos dispositivos e à procura desse mesmo conhecimento.

 

Valentina Ferreira

Dependência tecnológica

Pensar em dispositivos requer automaticamente pensar também nas extensões psíquicas e emocionais do sujeito. Com o avanço e desenvolvimento tecnológico criado nas últimas décadas, o mundo que conhecíamos tal como era, sofreu modificações, começando pela sua definição. Assim, dependentes das tecnologias como somos hoje em dia, o nosso mundo real já é totalmente um mundo online, onde as diferenças que o distinguem são cada vez mais inexistentes.

Exemplo da dependência que nos “domina” é o simples facto de nos sentirmos “perdidos” quando nos esquecemos do telemóvel. Sentimos uma necessidade enorme de estarmos ligados aos outros pelos dispositivos tecnológicos, conseguindo estes o seu grande objetivo: o de nos fazerem acreditar que somos valiosos e que o que fazemos, pensamos e sentimos é uma prioridade. Ao mesmo tempo que dão a ideia que a nossa opinião é relevante, conseguem alterar as nossas vontades e os nossos gostos, modificando o nosso dia-a-dia, conseguindo com que este se altere, não podendo estar predefinido, por uma simples mensagem (SMS) enviada ou um telefonema. 

Ao mesmo tempo que os dispositivos conseguiram facilitar-nos a vida, colocando ao nosso dispor uma grande variedade de informação, quer plausível quer não, também conseguiram retirar-nos uma independência que adquirimos face aos dispositivos e à procura desse mesmo conhecimento.

 

Valentina Ferreira

Conexão “em ausência”

Sherry Turkle, uma psicóloga norte-americana, tem vindo a desenvolver, ao longo dos anos, diversos estudos acerca da influência que os meios digitais e as redes sociais exercem sobre a sociedade, bem como as alterações que estas provocam nas relações sociais.

Turkle constatou diversos factos de carácter negativo, entre eles a substituição da conexão “em presença” pela conexão “em ausência“. Esta substituição traduz-se na utilização cada vez mais frequente dos dispositivos/meios digitais como forma de comunicar e de estabelecer relações com o outro, prejudicando e diminuindo consideravelmente o contacto físico (“cara-a-cara“). Apesar de conectado permanentemente, o sujeito sofre um isolamento, que se vai tornando cada vez mais visível e notório à medida que este se deixa “absorver” pelo mundo social digital.

Sem dúvida que estes meios nos permitem comunicar com familiares e amigos que se encontrem a residir ou a passar férias noutro país ou noutra cidade e que nos proporcionam a oportunidade de conhecermos e contactarmos com pessoas de todas as partes do mundo, mas é necessário desenvolver capacidades de comunicação, as quais só podem ser adquiridas através de relações pessoais que estabelecemos com os outros que nos cercam.

Nos dias de hoje, as crianças crescem neste ambiente de ligação/conectividade permanente, submetidas ao isolamento de tudo o que as rodeia, o que é alarmante. O que há poucos anos atrás se julgava impossível de acontecer, hoje em dia está presente na vida da maioria dos seres humanos.

 

Sónia Gomes

Com ou sem apêndice

A ubiquidade da mediação digital na realidade contemporânea conduziu a investigadora Beth Coleman às noções de Ubiquitous Computing (computação ubíqua) e de Pervasive Media (mediação pregnante). De facto, actualmente carregamos connosco para todo o lado os nossos dispositivos electrónicos (leia-se teletelas) e a conexão permanente por eles possibilitada transforma o paradigma social com que saímos do século XX.

Os conceitos de co-presença e de tempo-real propostos pela autora transformam-nos a cada um de nós em deuses capazes de estar em todo o lado ao mesmo tempo. É por esta razão que o nosso telemóvel é mais importante para nós do que o nosso apêndice cecal. Sem o primeiro somos apenas humanos. Sem o segundo podemos continuar a ser deuses.

Mas esta co-presença simultânea de todos num espaço virtual, esta quebra ilusória da distância física, vem alterar profundamente a forma como nos relacionamos com a sociedade e connosco próprios. Sherry Turkle fala na substituição da conversação pela conexão e na consequente lesão no desenvolvimento cognitivo e social de crianças e adolescentes. A perda da capacidade de conversação cara-a-cara compromete, por sua vez, a capacidade de reflexão pessoal, transformando profundamente o indivíduo e consequentemente a sociedade.

Nos meus relacionamentos interpessoais, e tornado agora este post mais familiar, os conceitos propostos por Beth Coleman traduzem-se num esmorecimento da saudade. O facto da comunicação estar tão facilitada e poder acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar fez com que não sentisse saudade que merecesse o estatuto que a palavra alberga, da minha irmã mais velha quando esteve cinco anos fora do país. Mais grave ainda, a omnipresença da possibilidade de comunicação deixa-me tão confortável por poder fazê-lo (comunicar) que não o faço. E é desta forma que fico, tranquilamente, sem falar com a minha irmã mais nova durante semanas.

Parece-me, assim, que o novo paradigma que vivemos deixa-nos cada vez menos seres sociais e cada vez mais indivíduos isolados que, com ou sem apêndice, se iludem na partilha de informação própria construída e retocada.

 

Margarida Neves


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