Ditados de McLuhan

Os 3 tópicos assinalados por Marshall McLuhan na sua obra “Understanding Media: The Extensions of Man” , apresentam-se para mim um ótimo de tema de exploração e discussão.

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Iniciemos assim pela citação de que “O meio é a mensagem”, no sentido mais simplificado, esta admite que a existência do meio em si converge numa modificação da sociedade. Ora tal é visível e facilmente demarcado nos nossos dias, já que podemos concluir claramente que a existência e aparecimento de um novo meio em si, é só por si factor de significativas mudanças, dependo igualmente do meio a que nos referimos. Esta situação poderá ser observada desde o inicio da história dos media, já que os meios ( na maioria dos casos ) afirmam-se primeiramente pela sua existência o que se traduz numa modificação dos hábitos do ser humano.
No que toca à segunda premissa de McLuhan, consiste em cada vez mais ou média serem extensões do corpo humano, quase como uma figuração do “Inspector Gadget” e de todos os seus utensílios. Cada vez mais os media nos são colocados desse modo, como poderemos exemplificar que o telefone é uma extensão da voz, na medida em que a projecta e refracta por milhares de quilómetros. Ainda como exemplo, poderemos falar da escrita digital. Desde a invenção da máquina de escrever que se assistiu a uma diminuição de elementos escritos à mão, essa influência duplicou com a existência dos computadores, e até mesmo de smartphones, tablet… sendo que apesar de continuarem a ser as nossas mãos que escrevem, estas já não o fazem de um modo direto mas através de intermédio de um objecto.

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Cada vez mais podemos observar a implicação e relação física do ser humano com os media ou com objetos tecnologicos, sendo que podemos dar como exemplo o iPhone 5S onde o ato de desbloquear a tela inicial é produzido através do reconhecimento da impressão digital do proprietário. Esta situação por exemplo vem criar uma interdependência mutua entre ser humano e o media, acabando por traduzir este último como uma extensão daquilo que naturalmente o homem já possuí, sendo assim,este pode ampliar-se.

   O último tópico referido por McLuhan consiste na diferenciação entre meios quentes e meios frios, sendo que está é efetivada através da relação “ definição”, “participação”. Podemos-nos assim referir a meio quente como um canal de comunicação de alta definição que requer baixa participação e/ou se centra predominantemente num estímulo sensorial, sendo que ele dá como exemplos a fotografia, a imprensa, a rádio, ou seja, não há qualquer intervenção do Homem no meio. Já por meio frio, McLuhan refere como canal de comunicação de baixa definição que requer grande participação e/ou combina diferentes estímulos sensoriais, exemplificando: o telefone, a fala… Contudo é neste último conjunto, que McLuhan insere a televisão, sendo que atualmente ( e devido à publicação ser da década de 60 ) já se efetivaram mudanças no próprio meio, sendo que a televisão poder ser inserida tanto nos meios quentes ( séries, filmes … ) como nos meios frios ( realityshows, programas em direto).

Em modo de conclusão gostaria igualmente de referir que na caracterização da história dos média, McLuhan enumera a atual como a Era Eletrónica, e refere um facto que a mim me parece de especial importância, já que defende que se assiste a um “declínio do pensamento lógico e linear”, sendo que a meu ver tal situação se deve essencialmente ao facto de cada vez mais termos os meios a “pensar” e “trabalhar” por nós, lá está, como extensões do nosso corpo, onde instintivamente acabamos por os substituir em detrimento dos nossos sentidos naturais.

Francisca Cruz

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