Arquivo de Março, 2011

Genealogia dos Novos Média (Remediação, Hipermediacia e Imediacia)

É necessário antes de mais reconhecer que os média estão em constante evolução, eles não estagnam, compreendemos nesta lógica que alguns se aperfeiçoem, que alguns se integrem, se transformem ou simplesmente coexistam noutros… Outra ideia  que é necessário compreender  é a presença do meio em si próprio, quando ele é latente bem óbvio ou quando ele se encontra bem disfarçado quase não se dando por ele!  É aqui que nos deparamos com os conceitos de remediação, hipermediacia, imediacia que nos são pela primeira vez apresentados por Jay David Bolter e Richard Grusin . A remediação consiste praticamente em reformar as formas de média anteriores como são os casos a seguir apresentados:

Fonografia para concerto

Pintura para fotografia

Teatro para cinema

 Romance para cinema

Imprensa para hipertexto electrónico

Telefone para teleconferência.

Mcluhan afirma que o conteúdo de cada meio é sempre outro meio. Ex: o conteúdo da escrita é a fala  / o conteúdo da imprensa é a escrita! Bolter e Grusin chamam remediação a essa mesma característica. O conteúdo do meio é representado noutro meio. Segundo Bolter e Grusin esta característica seria a principal dos novos média digitais. Como todos os média digitais  funcionam numa relação dialéctica com os meios anteriores. Existem quatro tipos de remediação a saber:

a) Incorpora meios anteriores, procurando apagar a diferença, ex: digitalizando um livro preservando a sua estrutura e aparência originais.

b) Incorpora meios anteriores acentuando a diferença, ex: digitalizando imagens de cinema ou televisor e utilizando-as numa obra inteiramente digital. 

c) Absorve  inteiramente  um meio anterior e minimiza as diferenças entre ambos, ex: um jogo de computador que permite os jogadores serem personagens de uma narrativa fílmica.

d) Incorpora outras formas oriundas do seu próprio meio,  ex: um livro que incorpora elementos de outro livro.

A remediação tem em  vista o melhoramento dos média que o precedem!

Existe ainda nesta genealogia dois tópicos importantes: a imediacia e a hipermediacia.

Hipermediacia – a mediação opera segundo a lógica da opacidade, isto é, o meio mostra-se e torna a sua presença visível – o meio enquanto superfície que expõe a sua materialidade própria. Os diferentes actos de representação são tornados visíveis multiplicando os sinais de mediação: o espaço visual de representação é visto como espaço mediado.  Factores que favorecem a hipermediacia:

a) A multiplicidade de perspectivas.

b) Presença das marcas do pincel na superfície da tela, combinação de materiais, emancipação das cores e das formas relativamente ao código realista.

c) Presença do utilizador no próprio meio e dispositivos que centram interactividade.

d) Representações múltiplas dentro de janelas abertas no ecrã (texto, gráficos) e os vários elementos das aplicações (ícones, menus, barras de ferramentas) produzem um espaço heterogéneo.

 Falta ainda falar da imediacia. A imediacia actua segundo a lógica da transparência, isto é, tenta esconder-se tornar-se invisível. O meio para além de si próprio que oculta a sua materialidade especifica por ex: o sistema de 3D . Tudo isto é com o intuito que o utilizador não se depare com o média mas logo com o conteúdo do mesmo.

Procedimentos que favorecem a imediacia:

a) Perspectiva linear.

b) Apagamento das marcas do pincel na superfície da tela, homogeneidade das superfícies, utilização mimética da cor e da luz.

c) Automatização da técnica da perspectiva linear (através do cinema, fotografia e televisão).

d) Invisibilidade das aplicações informáticas que são executadas aparentemente sem intervenção Humana.

PEDRO POLÓNIO

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A brecha entre gerações causada pelos NM

Com a explosão dos novos média, a geração claramente mais atraída e mais confortável com a evolução tecnológica da comunicação é a mais jovem. Para as pessoas que nasceram nos anos 80 ou 90, os novos média participam nas suas vidas, e estes os olham com complacência, e muitas vezes dependem deles como fonte de entretenimento e partilha de informação. Mas para a antiga geração, acredito que seja diferente. Como é que quem está habituado a comprar um jornal e a ter a informação imprensa em algo material vai-se habituar à ideia de ver as notícias num computador? Como é que se vão habituar a fazer “scroll down” em vez de virar a página?

 

O facto é que a nova geração conduz os novos média para níveis mais altos e fáceis de aceder, no que toca a partilha e conforto do seu uso. Isso traz consigo uma certa questão de valores. O que antes era sentar-se à volta do rádio ou da TV e esperar pela programa favorito, ou pelas notícias (categorizadas por outrem) agora é escolher qualquer altura do dia para ver qualquer programa ou para ler qualquer notícia que pretendemos saber. E também aquilo que vemos ou partilhamos constitui diferenças de percepções entre as gerações. O significado de privacidade, hoje-em-dia, é ditado pelos jovens, e o que para eles é aceitável de ser público, para os mais velhos não o é. A partilha de fotos de família ou de “noitadas” com os amigos é algo até encorajado pela nova geração. Esta liberdade que os jovens vêm não se traduz de maneira tão simples para os mais velhos. Os  de gerações prévias estão habituados a ser mais cuidadosos, porque são mais velhos e temem pela sua saúde, segurança e privacidade.Eles preferem algo ao qual estão habituados, como o jornal em papel (com notícias seleccionadas por profissionais, em quem confiam), do que aventurar-se na Internet e pesquisar a informação por eles próprios.

Há outras questões que evidenciam a brecha entre gerações causada pelos novos média, mas deixo aqui um vídeo para resumir o meu argumento:

 

André Ribeiro

O impacto da máquina de escrever

Antes de redigir este post, pesquisei no google: Impact of the first typewritter.Infelizmente só encontrei referências e textos sobre a máquina enquanto objecto. Isto é, não encontrei nenhum texto que falasse especificamente das reacções sociais causadas pela primeira máquina de escrever. Tentei falar com o meu avô para saber se ele sabia de alguma coisa, mas a máquina de escrever foi inventada em 1860, portanto, para a sua época, o impacto já estava mais difuso..

No entanto encontrei o seguinte website: answers.yahoo.com. Aparentemente é um sítio onde um utilizador pode submeter qualquer pergunta e os outros utilizadores, se a virem, podem tentar respondê-la. Por sorte, um indivíduo tinha uma pergunta semelhante à minha: http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20080805003537AAcumIh

A resposta do outro utilizador, apesar de bastante informal, tinha uma base lógica e satisfatória. Segundo JVHawai’i, a máquina de escrever impressionou pela sua utilidade, especialmente para as empresas onde as ordens e instruções circulavam em textos escritos à mão e não era incomum que acontecessem desastres que originassem de uma palavra mal escrita. Por exemplo, um indivíduo que se enganasse a escrever um certo número de itens a produzir, podia induzir imensos trabalhadores em erro. E, juntamente com o fonógrafo e os outros aspectos da Revolução industrial, estas máquinas revolucionaram o negócio empresarial, o que proporcionou aos EUA , e a vários países da Europa, uma ascensão a potências mundiais.

Reflectindo sobre este argumento, entendo que o impacto da máquina de escrever foi mais profundo em termos económicos, empresariais e políticos. Mas, na vertente literária, também deve ter sido prezada por introduzir uma nova maneira de escrever. Em vez dos escritores estarem dependentes de uma letra legível, ou de uma editora mais perfeita, a máquina de escrever vem uniformizar todos os tipos de letra feitos por cada mão humana.

 

André Ribeiro

Arte digital

Quando se fala em tecnologia, já não podemos resumir o discurso em áreas relacionadas apenas de ordem científica.

Hoje as artes em suas várias configurações, também bebem dessa fonte e assim remodelam o olhar não apenas do espectador, mas de todos que pensam e executam arte.

Vemos assim o “Poder”, que é instituído a palavra “Tecnologia”, pois nos faz pensar, agir, reagir e sentir novas experiências.

Um meio se anexa ao outro essa foi a proposta de “Destino”, um desenho animado produzido pela Disney contendo representações das obras de arte de Salvador Dalí.

Não devemos porém, nos deixar ser conduzidos pela ingenuidade, pois não estamos diante das obras de Dalí, e sim de uma reconfiguração das mesmas, porém a consideração positiva dessa parceria é poder fazer com que um maior público tenha acesso as tais obras, ou seja, pode-se reflectir que, a tecnologia proporciona também quando convém, a promoção de um discurso social mais igualitário.

Andréia Moro Maranho

 

O Meio e a Mensagem

Uma das ideias centrais de McLuhan remete-nos para a noção de que qualquer mensagem é inevitavelmente  marcada pelo meio que a transporta, de tal forma que, no limite, este é que define aquela.  É certo que cada meio implica na forma de apreendermos uma mensagem e que de meios diferentes resultam apreensões diferentes de uma mensagem semelhante. Como já foi indicado neste blogue, uma carta, um e-mail, uma SMS, um vídeo, um quadro, uma gravação áudio,etc, ainda que utilizando a mesma mensagem ou ideia original, implicam percepções distintas do que se está a transmitir.

No entanto, penso que o importante desta análise por McLuhan tem que com as alterações culturais, sociais e também psicológicas provocadas pelo aparecimento de cada novo medium. Considerando que cada meio é uma extensão do ser humano, o aparecimento de cada um deles traz novas formas de contacto com o outro, novas formas de rnos relacionarmos com o mundo e com as pessoas. Historicamente, o autor define 3 grandes momentos em que se assiste a alterações drásticas provocadas pelo aparecimento de novos meios de transmissão de informação: o aparecimento da escrita, o aparecimento da imprensa e o aparecimento da electricidade. A cada passo, assistimos ao aparecimento de um novo e drasticamente diferente meio de interacção. Fugindo à descrição mais ou menos detalhada que o autor faz dessas consequências, não há dúvidas sobre o impacto causado por cada nova forma de transmissão da informação, da maneira como foram recebidas e assimiladas por cada sociedade: novas formas de identidade, novas relações de poder, novas maneiras de entender o nosso mundo. E é neste ponto, após a resignação a estes novos meios, que surge a preocupação com as consequências, como um possível mau uso do meio de comunicação: a propaganda, a engenharia social, a moldagem de uma opinião pública, invenção de necessidades, alienação…

Pope Pius XII was deeply concerned that there be serious study of the media today. On February 17, 1950, he said:

It is not an exaggeration to say that the future of modern society and the stability of its inner life depend in large part on the maintenance of an equilibrium between the strength of the techniques of communication and the capacity of the individual’s own reaction.

Failure in this respect has for centuries been typical and total for mankind. Subliminal and docile acceptance of media impact has made them prisons without walls for their human users.  (Understanding Media: The Extensions of Man, 2001[1964])

Rui Carvalho

Our conventional response to all media, namely that it is how
they are used that counts, is the numb stance of the technological idiot. For the “content” of a
medium is like the juicy piece of meat carried by the burglar to distract the watchdog of the
mind. The effect of the medium is made strong and intense just because it is given another
medium as “content.” The content of a movie is a novel or a play or an opera. The effect of
the movie form is not related to its program content. The “content” of writing or print is
speech, but the reader is almost entirely unaware either of print or of speech.

Download!!

Nenhuma “cultura” de aproximação do povo à cultura em geral, provavelmente a maior lacuna na evolução intelectual do ser humano, foi um erro muito grave cometido pela maioria dos estados ditatoriais europeus e um pouco por todo o mundo durante o século XX.

Devido a esta implícita acção de não-alimentação do culto do intelecto e da evolução em geral foram poucas as fontes de trabalho competente.

O ponto principal desta nota passa pela tentativa de compreensão da evolução do mercado musical.

Corria o século XVIII quando é dado a conhecer o primeiro “prodígio” do mundo, Mozart. Esta foi a altura em que se deu o principal desenvolvimento na Imprensa, foi comercializada. Este é um meio muito importante de comunicação inter-pessoal em massa.

Neste período Mozart deu a conhecer através da imprensa os seus dotes de compositor e pianista e ainda os seus primeiros concertos, concertos esses que eram vendidos em bilhetes, até então a única forma de dar ouvir à população as suas criações. Ao mesmo tempo estava a ser construído o mercado da música.

Passados os séculos XVIII e XIX onde se deram as primeiras provas do potencial económico que este mercado poderia ter chegamos ao século XX, período em que já referi ter havido uma depressão cultural.

Aqueles que na primeira metade do século XX produziram trabalhos musicais não conseguiram ter na Europa um reconhecimento tal como era desejado, até porque muitos desses aventureiros faziam parte de facções políticas discordantes com os governos em geral, gerando assim um sentimento de revolta por parte dos artistas, que muitas vezes acabavam por ser censurados nas suas letras e espectáculos. Ou seja nesta altura temos uma adulteração à liberdade do indivíduo. Os meios de comunicação tais como a imprensa, rádio, em meados do século a televisão, eram condicionados por vontades políticas em prol de uma população burra, fazendo com que não houvesse oposição do Zé Povinho ao Estado Governador.

Com o passar dos anos 50, devido à queda da maioria dos regimes fascistas, houve uma crescente sede de conhecimento.

Chegando aos anos 90 deu-se o “BOOM” da mediação de informação. Com o elevado nível de procura à adesão a um sistema de criação, mediação, remediação, etc, chamado Internet.

Se por um lado o mercado musical beneficiou com a fácil notificação aos interessados, e não só, dos seus novos nomes, por outro teve um castigo bastante grande, o fácil contorno dos deveres económicos que o utilizador tem para com o dono dos direitos de autor da arte em geral.

Com a criação do “Napster”, um sítio que pôde ser apelidado de “traficante de música”, o mundo perdeu o total controlo sobre os poderes da Internet, o principal meio de mediação de informação.

Download passou a ser a palavra-chave da Cybersociedade mundial. Desta forma os autores perderam economicamente muito daquilo que lhes era devido, devido à pirataria informática.

No entanto, ainda assim, à rebelia dos autores são criadas plataformas online de forma gratuita para o utilizador onde é possível disfrutar em pleno da cultura musical, sem que tenhamos de cometer crimes de pirataria. Ou seja, não pode ser feito o Download. Um grande e bom exemplo é o sítio “Grooveshark”.

Mesmo com estes podres, podemos agradecer por existir e ser tão implementado o nosso sistema de divulgação de informação.

João Ferreira

A busca pelo «real» e «eterno» nas imagens: a ascensão da fotografia.

Pintura em Lascaux, França

Das formas mais diferentes, o homem sempre tentou registar a sua existência. Na pré-história, além das marcas produzidas nas cavernas pela impressão de suas mãos, havia a representação das primeiras formas narrativas que faziam parte de seu quotidiano, onde desempenhavam um papel espiritual (relata-se que ao pintar um animal e depois o atingir com uma lança, esta acção seria realizada).

No Renascimento, a própria utilização da câmara escura por alguns pintores no acto de produção, revela essa tentativa em busca do real. A produção de imagens, em geral financiadas pela burguesia e clero ao longo da história das artes, faziam parte fundamental da imortalização de figuras importantes da sociedade. Esse sentimento humano em busca do «eterno» é discussão de vários filósofos. Em O Banquete (380 a.C.), Platão afirma que todo homem busca a “imortalidade, memória e bem-aventurança por todos os séculos seguintes”.

Com as primeiras experiências fotográficas no século XIX, o conceito de «real» e «eterno» tornam-se imediatos. A fotografia livra a representação da aptidão manual e, em parte, da interpretação individual. Deste modo, aproxima-se mais da representação do real. A fotografia compreende algo que está longe do «aqui e agora», e permanece no tempo sempre idêntica a si. Não é surpreendente que os primeiros modelos fotografados afirmavam que o advento da fotografia era uma “grande e misteriosa experiência” (Walter Benjamin), pois eram confrontados com uma realidade desconhecida de um meio mecânico, desvelada pelo próprio meio: a fotografia.

Esta aproximação da fotografia com os objectos, que revela o próprio e o outro, age sobre o espectador de forma mística. As pessoas passam a confrontar-se com a representação verosímil de si; a imagem adopta um sentimento quase que «primitivo» como das antigas pinturas rupestres. É comum o desconforto quando alguém rabisca ou falta respeito com alguma foto nossa ou de um ente querido. É como se a fotografia fosse tão real quanto os objectos ou pessoas.

A busca pelo real e eterno através da fotografia são evidentes, e fazem sentido até mesmo nos dias actuais. Contudo, o abuso de sua utilização pelos média convencionalizam os processos místicos e as revoluções internas que ainda as envolve.

Manoel Paixão Lordelo S. Jr.


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