Archive for the 'Sujeito Digital' Category

C!B0RGU€S

O termo ciborgue surgiu nos anos 60, através de Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline, ambos cientistas que investigaram nas áreas da saúde e tecnologia, e consiste num organismo cibernético dotado de constituintes orgânicas e cibernéticas, com a finalidade de melhorar as capacidades do ser humano através da tecnologia. O desejo do Homem de explorar o Espaço e de estabelecer uma ligação humano-máquina fazem parte do contexto que contribui para a criação deste conceito, à cerca de 50 anos atrás.

Atualmente, já existem vários casos de implantação de dispositivos e chips em organismos humanos. Ciborgue seria, então, uma mistura de um ser humano com um robot, dando origem a uma espécie de homem-máquina, dotado de um organismo cibernético. Mas não será isto mais um indicador da constante dependência da tecnologia por parte da sociedade atual? As debilidades ou deficiências físicas do ser humano parecem já não ser uma limitação. O aumento da utilização da tecnologia na área da saúde torna-se justificável e até compreensível, na medida em que contribui para melhorar a qualidade de vida das populações.

Neil Harbisson é considerado o primeiro ciborgue da história, ao instalar no seu cérebro um dispositivo que lhe permitiu recuperar parte da sua visão. Esta prótese artificial contribui indubitavelmente para melhorar o seu bem-estar e qualidade de vida. No entanto, esta tecnologia não é totalmente transparente, apesar de já ter adquirido um tamanho bastante reduzido. Considerando isto, qual seria o impacto deste mecanismo na sociedade? Seriam os ciborgues bem aceites pelo seu aspeto exterior? Contudo, toda a tecnologia parece caminhar no sentido da transparência total do meio e, dentro de alguns anos, estes dispositivos irão adquirir tamanhos tão reduzidos que passarão desapercebidos. Atualmente, já existem microchips, quase ‘invisíveis’.

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Neil Harbisson, o primeiro ciborgue.

Mas, considerando que os ciborgues têm como finalidade melhorar a qualidade de vida dos seres humanos e são dispositivos cibernéticos, não serão os simples aparelhos auditivos também um ciborgue? E, da forma como a tecnologia penetrou na nossa sociedade, não seremos todos ciborgues? Será mesmo necessária a implantação de dispositivos no interior do organismo humano para este se poder considerar ‘ciborgue’? O ser humano parece «alimentar-se» de tecnologia, não o tornará isso numa máquina?

Nota: Cibernética é a ciência que estuda os mecanismos de comunicação e de controlo nas máquinas e nos seres vivos.

 Diogo Martins

ma·ni·pu·lar (do latim manipularis)

Na realidade dos dias que se atravessam, já não é de todo um problema conseguir criar contacto com alguém que esteja noutra cidade, noutro país, noutro fuso horário. Por mais debatido que seja o tema da emergência das novas tecnologias e do que estas despoletaram, apesar de tudo, é relevante sublinhar a qualidade de vida que estas apresentaram a pessoas cujas circunstâncias são – mais, ou menos – idênticas. Familiares emigrados, companheiros separados pelo trabalho ou por outros compromissos evidentes, jovens estudantes separados dos pais lutando por um futuro mais condigno.

A possibilidade de estabelecer uma chamada ou uma video-chamada a grandes distâncias, em tempo real, quase instantaneamente, providencia uma proximidade “artificial” a que Beth Coleman chama co-presença. Esta presença “em conjunto” é fulcral e indispensável nas sociedades actuais, tanto a nível laboral como de carácter familiar. Indispensável a nível de custos (monetários e/ou físicos) ou de tempo, e salvaguarda do mesmo.

A co-presença revela uma importância fundamental nas relações interpessoais. É no olhar e na troca deste que, nos alicerces das relações interpessoais, se constroem e se edificam sentimentos como a confiança, a intimidade, a sinceridade, o conhecimento recíproco, a empatia. É também através do olhar que se geram sentimentos adversos, como o medo, a desconfiança, o controlo.

A título de curiosidade, e exemplificando a importância da co-presença, o sociólogo Georg Simmel, considerava o olhar mútuo um acontecimento social único, e que era através do olhar que se estabelecia uma verdadeira conexão entre indivíduos; considerava inclusivamente que o olhar é uma interacção mais pura e mais directa do que uma normal conversa.

No entanto, este exemplo lembra-nos invariavelmente da cegueira, e da condição daqueles que não podem obter esta aparentemente simples mas poderosa experiência.

Mas será que os verdadeiros cegos são os que não podem ver? Ou os que não podem tocar? Como é realmente percepcionado o mundo? As relações humanas são naturalmente armadilhadas pelos sentimentos que nutrimos uns pelos outros, que nutrimos pelas coisas e pelos lugares. Realmente, com todos os sentidos, para além de depreender o que nos rodeia, temos a tendência a manipular as circunstâncias de forma a facilitar os nossos caminhos e a aproximar os nossos atalhos. Manipular. Mão.

Numa esfera tecnológica como aquela em que hoje vivemos, onde a mudança e a inovação são os motores para cada dia que nasce, penso que o levantamento de dúvidas surge muito mais rapidamente do que o cessar das mesmas.

Maria Miguel

Modo Avião

Por coincidência neste último domingo, 10 de maio, um programa de televisão brasileiro apresentou uma reportagem que definiu sobre o que eu escreveria como último post desta cadeira. Todos os 14 minutos da matéria que abre o programa abordariam uma questão na qual venho refletindo desde o início do período e que culminou com a apresentação deste último tema nas aulas: a relação entre os dispositivos digitais como extensões do sujeito. Gostaria de apresentar minhas impressões sobre o ‘lado negro’ do uso da tecnologia em nossas vidas e como isso afeta nossa saúde física e psíquica.

Link para a matéria: http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/apaixonados-por-tecnologia-ficam-48-horas-sem-celulares-em-praia-detox-digital/4168974/

Por si só a matéria do programa Fantástico é autoexplicativa. Além de revelar a incapacidade atual de desligar-se, ela vai além e apresenta uma análise das consequências de se viver online, alertando para a dependência e comparando o uso abusivo da tecnologia com nomenclaturas de sintomas antes utilizado por adictos em álcool ou droga: como a abstinência e o vício. Esse sentimento de falta, a meu ver, está relacionado com a capacidade que os média digitais possuem de proporcionar um sentimento de que nunca estamos sozinhos. De cara, é um sentimento ilusório, uma vez que desligado o dispositivo, nos encontramos a sós com nossos pensamentos, medos e ansiedades. É aí que, ao ligar novamente esses dispositivos, o sentimento de conforto proporcionado pelos mesmos pode acarretar em confusão psíquica, em não conseguir discernir a realidade da virtualidade.

Quando o simples prazer se torna um vício fica cada vez mais difícil conseguir sair do círculo. De um lado o prazer de estar conectado é reconfortante, mesmo que por algum determinado momento, por outro, a realidade urge em ser encarada. Perdem-se pessoas próximas e, mais importante, a própria vida. Na matéria, fala-se em “otimização do tempo”, apontando para a percepção de desperdício de uma vida que não é vivida, senão através do ecrã. Fala-se também em ansiedade, sentimento que surge no imediatismo da comunicação. Perdemos a paciência de outrora e estamos muito mais velozes. Em tempos onde um óculos pode fazer ligações, gravar vídeos e mostrar a caixa de e-mail para o seu usuário é mais do que flagrante o acúmulo de funções ao-mesmo-tempo-agora.

É importante salientar que a utilização dos médias não somente inaugura uma nova forma de conexão com pessoas díspares, aproximadas pela anulação das distâncias. Ela também inaugura uma nova seara em termos científicos. Novas doenças psíquicas que requerem formas distintas de tratamentos e, obviamente, novos padrões de clínicas de reabilitação do indivíduo no contexto social. Assim como a expressão “nomofobia“, ou medo/pânico de ficar longe do celular, citada na matéria, apresenta-se com ares de novidade, uma gama de especializações dos agentes que trabalham a cadeira de psicologia surge para o combate do mal social da internet e afins. O medo de desconectar-se é o medo do estar sozinho, isolado. O medo de nadar contra a maré. Os dispositivos não só desenvolvem novas ações para o nosso corpo através de sua utilização, mas também se moldam de forma a passarem despercebidos quando de sua utilização. São como complementos da utopia de um corpo robótico. Não se pode deixar de usar a tecnologia no mundo de hoje, mas, como qualquer estimulante, ela deve ser encarada em termos de parcimônia.

O dualismo da questão digital está muito longe de se tornar monista. Se por um lado a tecnologia apresenta pontos favoráveis na prática como extensão do sujeito ( o aperfeiçoamento das próteses mecânicas, por exemplo ), por outro ela escraviza o psicológico a partir de convenções sociais postas em prática – a necessidade de se adequar a um mundo cada vez mais online, nonstop e on demand.

André Luiz Chaves

#seculo XXI

Século XXI, o que é isso?

Neste momento, acho que lhe podemos chamar século virtual, tendo em conta que quase metade do nosso tempo é passado em frente a um ecrã a ler e a ver publicações e mensagens nas redes sociais, a postar fotos no Instagram e a “socializar”, se é que podemos chamar-lhe assim.

Estas novas tecnologias acompanham os nossos dias, 24 sobre 24 horas, tornando-se quase impossível separarmo-nos deste mundo virtual. Eu falo por experiência própria: neste momento, eu sinto que seria impossível passar uma semana – ou alguns dias que fosse – sem utilizar a internet. A internet, para mim, tornou-se algo indispensável, tendo em conta que é esta via que mais utilizo para comunicar com pessoas que estão longe de mim e é com ela que ocupo a grande parte do meu tempo livre, quase como se uma parte da minha vida estivesse nesse mundo a que chamámos internet.

Mas como a internet, também o telemóvel roubou uma parte importante do ser humano, a capacidade de conviver com outras pessoas e socializar com as mesmas. As pessoas têm vindo a deixar de falar umas com as outras e têm passado a trocar mensagens ou chamadas, deixando de saber o que é um sorriso, uma cara triste, um amigo verdadeiro…

O ser humano deixou de falar frente a frente e começou a usar o chat, onde expressa as suas emoções, através de bonequinhos amarelos com sorrisos ou caretas; deixou de conseguir falar sem usar um hashtag antes das frases; começou a fotografar a nossa vida para que todos vejam e tornou-se alguém que diz tudo o que pensa ou sente, ou seja, expressa e expõe os seus sentimentos e a sua vida. Aqui chegados, acho que se torna um ser Antissocial.

Friamente, analisando esta problemática em profundidade, sinto-me um pouco desiludido comigo mesmo. Como é possível que uma coisa tão banal como uma rede social ou um dispositivo digital tenha sido capaz de me possuir, sobremaneira, a mim e a um mundo inteiro?

Será que conseguimos alterar esta situação – ou pelo menos diminuir os valores da dependência – num futuro próximo?

 Tiago Marques

Ubiquidade como qualidade?

«Dom de estar ao mesmo tempo em vários lugares; omnipresença»

Por entre sílabas e interpretações, a ubiquidade caracteriza a comunicação social e os mass media – se é que em parte se podem considerar sinónimos. Com frequência, têm vindo a ser alvo de grotescas transformações, de modo a alcançar e a abranger até os locais mais inóspitos. No âmbito de pesquisa da nossa disciplina, a intenção nesta temática será focar toda uma cadeia de metamorfoses que ditaram o nascimento desta era digital, e o impacto que tem este carácter omnipresente na vida dos seres humanos no século XXI.

Vemos diariamente a forma como a nossa vida foi facilitada. Seja em relação ao tempo, ao encurtar de distâncias ou de custos. Gosto aqui de exemplificar a Internet, porque no mesmo minuto, tanto posso estar a par de acontecimentos na Austrália, como de um cruzeiro itinerante pelas águas do Pacífico. É essa a realidade da Internet. A omnipresença que esta concede a quem a utiliza.

É então que surge o conceito de omnisciência. O “saber de tudo”, porque temos acesso a uma panóplia de informações, não significa que tenhamos qualquer tipo de conhecimento. A informação é difusa e, também por isso, confusa.

A título de exemplo, houve recentemente um acontecimento terrorista em França. Após o atentado contra o jornal Charlie Hebdo, muitas foram as “facções” virtuais dissidentes que cresceram na web e que esta despoletou. Falo de pessoas que acima de tudo resguardam a liberdade de expressão, ou pessoas que preservam mais o valor da vida humana, ou pessoas que defendem este “não-afrontamento” entre doutrinas. E ainda pessoas que alegam que, através da Internet não se conseguirá elucidar a contento nenhuma das partes, e creio que aqui residirá a iminência da ameaça.

Esta montra de terrorismo a que assistimos quase diariamente na mediação digital tende a tornar-se numa constante, e a Internet revela ser o veículo ideal para isso acontecer; já que a grande maioria da informação que circula não tem obstáculos para circular, e facilmente pode chegar a qualquer lado. Esta é uma outra característica da divulgação massiva de informação na mediação digital; e surge assim, por exemplo, a necessidade de criação de filtros de leitura, isto é, uma boa educação de base, que permita uma navegação mais consciente.

A título de exemplo, na passada quinta-feira, dia 19 de fevereiro de 2015, saiu este artigo relativo a uma estratégia contra esta apologia ao terrorismo, e que o Conselho de Ministros aprovou.

Maria Miguel

Sempre ligados ou não?

Será que somos assim tão desligados das redes como às vezes dizemos que somos?

Se calhar a pergunta agora é diferente. Será que conseguimos realmente estar desligados?

Ao observar os vídeos aos quais assistimos na aula tomamos consciência de que talvez já estejamos tão habituados a que tudo à nossa volta seja tão digital que nem nos apercebemos que estamos, com este mundo digital a perder muita da nossa humanidade.

Nos vídeos é nos apresentada a realidade do mundo de hoje, um mundo no qual ligamos mais ao que as pessoas metem no facebook e nos gostos que temos nas nossas fotos em vez de no que realmente importa O CONVIVIO. Eu não estou a dizer com isto que as redes sociais são horríveis e que não deviam existir, quero apenas dizer que devíamos dar mais importância ao que os nossos amigos e familiares nos dizem em vez de um gosto.

Eu nunca fui muito fã das redes sociais mas também nunca tive uma opinião delas tão negativa como tem Prince Ea, sendo que o vídeo que ele fez sobre as redes foi o que mais me impulsionou a escrever sobre o tema. Concordo com ele no facto de passarmos muito tempo ligados mas também acredito que a Humanidade aprende com os erros, sem erros nunca seriamos capazes de crescer e evoluir.

Mas de uma coisa tenho a certeza as redes sociais podem ter muitos defeitos mas tambémm muitas qualidades, como por exemplo, no outro dia vi uma entrevista na televisão sobre duas irmãs que nunca se tinham conhecido e que através do facebook conseguiram contactar-se, também o skype tem as suas vantagens é ridículo usa-lo para falar com alguém com quem se pode falar pessoalmente mas muitas das vezes é utilizado para falar com familiares que estão longe de nós e poder vê-los.

Por estes motivos na minha opinião sim, nós estamos demasiado tempo ligados mas também muitas das coisas que usamos on-line têm o seu lado benéfico. Eu acredito que a tecnologia é importante e benéfica apenas temos de aprender a usa-la melhor.

Filipa Silva

Prince Ea, Can We Auto-Correct Humanity?


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