Arquivo de Março, 2013

Uma pequena relação entre teatro e as teorias de Bolter e Grusin

Fiquei pensando muito sobre a última aula, e não pude deixar de fazer algumas comparações…

Diante dos conceitos de imediacia e hipermediacia podemos traçar uma linha de raciocínio ligada ao teatro.

Imediacia: a lógica de representação e presença dos meios em si próprios. Processos de transparência, naturalização e ocultação do meio.

Há aqui indiretamente um sentido de ilusão para o termo e seu conceito. Como se a intenção fosse enxergar além do meio, criar uma ilusão para quem vê ou usufrui daquele meio.

Não pude deixar de relacionar esta questão com o teatro realista, naturalista, etc. Existe uma intenção clara neste tipo de teatro que é de produzir uma imersão do espectador através do teatro, procurando uma ilusão, uma realidade, embora falsa, mas completamente convincente. Por um momento, o desejo deste teatro é que o espectador esqueça que está em uma sala, com um palco, com outras pessoas que nem ao menos conhece, assistindo atores fingindo ser quem não são.

Já a hipermediacia deixa-se mostrar,é além do meio e o próprio meio, estando muito relacionada ao teatro Brechtiniano, onde a ilusão é totalmente quebrada. Podemos nos emocionar com o personagem mas podemos também ser distanciados com a presença dos holofotes em cena, evidenciando, entre outros elementos, para o espectador a todo tempo, que aquilo é teatro. Há aqui um estranhamento por parte de quem usufrui do meio, sem que isto tenha uma conotação negativa. É preciso que personagem e ator se mostrem, que o teatro e o espaço teatro apareçam, que ilusão e quebra dividam o mesmo espaço, afinal, para se produzir a quebra da ilusão, é preciso que esta antes seja construída para depois ser quebrada.

O que podemos ver são duas formas de se fazer, duas formas de relação entre o meio e agente, que está muito presente nas artes em geral, e que tem tudo a ver com os conceitos desenvolvidos por Bolter e Grusin. Fazer este tipo de comparação aproxima mais a teoria da minha prática artística, e facilita o entendimento dos conceitos sobre os média, ainda mais, possibilita que nós entendamos que estes princípios descritos por Bolter e Grusin estão presentes em diversos movimentos artísticos, desde que o mundo é mundo.

Carolina França Corrêa

McLuhan, “o meio é a mensagem”.

mcluhan

O conceito de Aldeia Global surgiu na década de 60 por Herber Marshall Mcluhan quando este explorou os efeitos da rádio nos anos 20. A teoria de Mcluhan, que se caracteriza pelo contacto mais rápido e mais íntimo com os outros, está intimamente relacionada com o conceito de Globalização pois ambas reflectem uma visão de um mundo novo onde o desenvolvimento das tecnologias de informação e a facilidade e rapidez dos meios de transporte, transfiguram as relações de comunicação.

Em “The Medium is the Massage”, McLuhan afirma que vivemos num mundo em que o tempo e o espaço desapareceram e onde os media electrónicos nos rodeiam. Onde já não existe apenas a visão linear da imprensa como modelo de comunicação, mas um conjunto evoluções tecnológicas que nos permitem estar permanentemente em contacto. Esta ideia reflecte uma visão multissensorial do mundo, onde pessoas em qualquer local podem comunicar entre si como se vivessem numa aldeia.

O autor acreditava que, enquanto a imprensa nos destribalizou, tentando  separar-nos, individualizando, os media estão a “retribalizar-nos”, reconstituindo uma tradição oral. No entanto, quando McLuhan explorou a sua visão em 1967, a web não existia. O conceito de web apresenta-nos uma visão multissensorial da parte do mundo que nela está representada pois oferece meios a qualquer individuo para comunicar as suas mensagens a um universo infindável, pois essa informação está disponível a todos, à distância de um único clique. O tempo e o espaço perdem o seu significado, pois com apenas um clique pode dar-se a volta ao mundo.

Este conceito está eminentemente relacionado com a evolução das tecnologias de informação e comunicação que permitem que o mundo tenha relações próximas entre si como se de uma aldeia se tratasse. Este mundo interligado, permite encurtar distancias, realizar uma partilha quase imediata de informações mas também revela uma capacidade nociva nas influências, cada vezes mais globais, que este imediatismo cria em assuntos económicos, políticos, culturais, etc. nos vários pontos do mundo.

O conceito desenvolvido por McLuhan serviu para explicar a tendência de evolução do sistema mediático como elo de ligação entre os indivíduos e o mundo, onde este ficava cada vez mais pequeno perante o efeito das novas tecnologias da comunicação.

O autor considerava que, com os novos media, o mundo se tornaria numa pequena aldeia, onde todos poderiam falar entre si e o mais insignificante dos rumores poderia ganhar uma dimensão global.

McLuhan quando reflectiu sobre o conceito de Aldeia Global, elegeu a televisão como o verdadeiro paradigma desta ideia, um meio de comunicação de massa, que atinge um nível internacional e que começava a ser integrado via satélite. No entanto, podemos considerar que as comunicações de uma aldeia são essencialmente executados por dois indivíduos ou seja bidirecionais, logo só agora com meios como a internet ou o telemóvel, o conceito de McLuhan se começa a materializar.

Tiago Faria

Ilusões de ótica

Tema de escrita: O que significou ver a imagem em movimento pela primeira vez? O que acontece quando se filma o mundo?

 

“A tecnologia só é tecnologia para quem nasceu antes dela ter sido inventada.” (Alan Kay)

 Image

O cinematógrafo, criado pelos irmãos Lumière, teve como inspiração o praxinoscópio de Émile Reynaud, datado de 1877. Este, já aperfeiçoado do zootropo, consistia numa máquina, composta por imagens e espelhos que, com uma fonte de iluminação e fendas, permitia, ao ser rodada, uma ilusão de movimento.

O cinematógrafo foi o marco inicial da história do cinema. Este permitiu o registo de fotogramas que davam (e dão) a ilusão de movimento. Já desde a época de Thomas Edison, havia o desejo de captar a vida em movimento. Tal feito foi finalmente conseguido na década de 1880.

A partir daí, o cinema difundiu-se às massas. Os irmãos Lumière fizeram do cinema uma prática social.

Em 1895, estrearam-se com a exibição da sua primeira produção cinematográfica: “A saída dos Operários da Fábrica Lumière” (http://www.youtube.com/watch?v=fNk_hMK_nQo) .

O cinematógrafo proporcionou o desenvolvimento da sétima arte. Cenas filmadas no quotidiano passaram a dar lugar a enredos, favorecidos pelos gestos “exagerados” dos atores uma vez que o registo do som ainda não era possível.

À medida que o tempo avançou, esta indústria foi desenvolvida. De “provinciana” passou a uma indústria de grande escala.

Ao filmar o mundo, regista-se o passado e o presente; permite-se o desenvolvimento das dimensões artística, cultural, política, social, etc.

Outrora fora espetacular, hoje, qualquer pessoa pode registar imagens em movimento. Muitos já não pensam como surgiu ou como é que é possível algo como um telemóvel registar o movimento do quotidiano; já não surpreende.

A criação do século XIX originou a banalização no século XXI.

“Tecnologia é a habilidade de organizar o mundo de forma que não tenhamos que senti-lo.” (Max Frisch)

Cristiana Almeida

Escrita Tradicional ou Escrita Digital ?

Antes de conhecermos ou aprendermos a usar um computador e a escrita digital, todos nós aprendemos a escrever à mão, com papel e caneta.

A escrita alfabética como a conhecemos não foi a primeira a aparecer, antes dela apareceram, há mais de 3 mil anos atrás, as escritas hieroglíficas, como a egípcia ou a maia, que se foram alterando ao longo dos séculos até à escrita que conhecemos hoje. Foi graças o Cristianismo, e a negação dos povos pagãos e dos seus conhecimentos, que chegamos ao alfabeto conhecido hoje. O alfabeto romano, o que nós usamos, é o sistema de escrita alfabética mais usado no mundo, apesar de não ser o único.

A escrita tradicional tem vindo a ser substituída pela escrita digital, e cada vez se nota mais a sua utilização, principalmente no ensino superior. Nas salas de aulas das faculdades encontram-se cada vez mais pessoas a usar um computador, ou um tablet, do que um cadernos, começando assim a escassear aos poucos.

Nos EUA, alguns estados determinaram que a escrita manual já não é obrigatória. Um dos seus argumentos é a caligrafia, que se demonstra uma perda de tempo. Muitos cientistas, e professores, são contra esta medida, argumentando que aprender a escrever à mão tem um papel importante no desenvolvimento das capacidades motoras e da linguagem das crianças. Um estudo publicado na revista “Science” evidencia que a escrita à mão muda as ligações neuronais do cérebro, tornando as crianças mais fluentes e ajudando na solidificação da aprendizagem. Mesmo assim uma responsável pelo sistema público de ensino do Colorado, onde a medida foi aplicada, indicou que «nas escolas americanas a tendência é para ter mais tecnologia», declarando que quanto menos os alunos se tiverem que preocupar com a forma mais tempo terão para o conteúdo. Apesar de a medida ter sido imposta em algumas escolas do país não é uma medida obrigatória. Cada escola poderá optar entre continuar a ensinar a escrever à mão ou começar a ensinar as crianças a escrever num teclado.

Em Portugal, e em muitos outros países, não se poderá substituir a escrita tradicional nos próximos anos porque imensa gente não tem acesso aos meios digitais para isso. Muitas crianças só têm acesso a meios digitais quando ingressam na escola. Nem todas as famílias têm como dar um computador ou um tablet aos seus filhos, o que atrasará esta medida, por enquanto.

Assim apesar da escrita digital estar a ganhar terreno perante a escrita tradicional, continua a ser importante que as crianças aprendam a escrever através da escrita tradicional e que depois evoluirem para a escrita digital. As probabilidades de isso acontecer no futuro são cada vez maiores, e mais cedo ou mais tarde as pessoas apenas aprenderam a escrever através de um computador.

Ana Nascimento

A arte de desenhar com a luz

Ao longo dos tempos a arte vem contribuindo para o registro da história da humanidade. Com a invenção da perspectiva no século XV, os artistas imortalizavam suas obras através da representação do real. Contudo, a partir do século XIX com o desenvolvimento da industrialização, foram criados mecanismos capazes de facilitar a forma de registro da imagem, das quais possibilitaram a reprodução técnica em massa.

A fotografia capta imagens de fragmentos da realidade que possibilita recordar o que se passou, tornando-se eterna através do registro da mesma, permitindo a capitação da foto mais rápida e realista, dinamizando o registro das imagens e substituindo a função da pintura de retratar o real. No entanto, seus ideais artísticos fotográficos foram contestados por sua reprodução técnica em massa, que segundo Walter Benjamim, foi a responsável pela perda da autenticidade da obra.

No contexto em que vivemos, é difícil imaginar como se foi registrar mecanicamente a imagem pela primeira vez, pois somos cercados por   dispositivos capazes de reproduzir  inúmeras imagens de diversos modos que nos permite tirar milhares de fotos  em um curto período de tempo. A evolução dos medias tecnológicos modificou a forma como são reproduzidas as fotos e tornou possível que a escrita da imagem pudesse ser feita por outros dispositivos, além de possibilitar uma melhor qualidade, efeitos, edições e a visualização imediata no ecrã.

De um modo geral, é possível afirmar que esse processo que se iniciou com a revolução industrial, teve como consequência uma nova forma de pensar e de se fazer a arte. A fotografia e o cinema foram consequências do desenvolvimento capitalista vigente, que contribuíram diretamente para a construção de uma nova visão artística. Sendo assim, a reprodução técnica em massa resultou na criação de um novo conceito para a obra arte do século XX.

Rodrigo Sá

Pequena coreografia da morte

Holbein-death

Totentanz, Michael Wolgemut, 1493

A dança dos mortos, antes de ser fotografia, foi também danse macabre.

A danse macabre é um tema ou uma alegoria da morte que surge no final da idade média da Europa, num período em que a guerra, a fome e a peste eram acontecimentos quotidianos e recorrentes para toda a população. Entre as suas ocorrências mais antigas contam-se os Mistérios, um género dramático da idade média, representações murais em cemitérios e igrejas, poemas e diálogos em verso. A ideia que articula é a de que a morte aceita toda a gente, independentemente da posição que cada um tem na sociedade. Não é possível dizer com segurança se o efeito procurado era, sobretudo, corrigir os desvios de quem não tinha nada a perder ou oferecer uma perspectiva trágica a quem vivia em permanente medo da morte.

Mas, se a danse macabre era apenas um tema ou uma alegoria da morte entre outros possíveis, com a fotografia, a fonografia e a cinematografia é o processo de representação que passa a inscrever a morte em tudo aquilo que representa.

Com a introdução destas técnicas, em vez de vermos o retratado a dançar com a sua morte, temos antes uma coreografia que é descrita pelo processo preciso e subtil com que o retratado é capturado e que é inscrita no cadáver impecável da imagem que fica.

[…]

Uma relação entre morte e realidade, portanto. A realidade como aquilo que escapa à representação e a morte como a possibilidade de realidade e representação coincidirem exactamente.

Por mais autos de fé em photoshops que façamos ou por mais distorcidos que passem os vídeos pelos ecrãs sem repararmos que o mesmo jogador de futebol é baixo e gordo quando está de pé e alto e magro quando está estendido no relvado, num caso claro de falta para penalty, a realidade e a morte na fotografia dançam indissociáveis.

yvesKlein

Le Saut dans le vide, fotomontagem de Shunk Kender de uma performance de Yves Klein, 1960

A VOZ COMO COMUNICAÇÃO

A relação dos indivíduos e a comunicação entre eles, sofreu grandes mudanças com a mecanização dos dispositivos de mediação de troca de mensagens no século XIX.

Foi crescendo no ser humano a necessidade de enviar informações e receber respostas de forma rápida e segura, o que levou a investigações para o desenvolvimento de meios mecânicos  que pudessem resolver essa questão, agindo em cima das unidades de tempo e espaço com o  intuito de diminuir cada vez mais estas fronteiras e acelerar a troca de informações.

Com a invenção do fonógrafo o som pode ser armazenado em um dispositivo mecânico e reproduzido pelo mesmo, e não satisfeitos em registrar a voz humana, desenvolve-se outros dispositivos de captação de traços humanos como a fotografia e a cinematografia.

O homem/mulher pro meio destes dispositivos poderiam ter guardados sua voz, imagem fixa e/ou em movimento de seus tipos característicos para a posterioridade.

Com o surgimento do telefone, como meio de comunicação, houve um salto fantástico na conquista da manipulação das unidades de espaço e tempo, pois agora a voz humana não era armazenada no presente e reproduzida no futuro e sim transmitida em tempo praticamente real, deixando de lado as fronteiras territoriais e levando a outro patamar a comunicação a distância.

Hoje olhamos para a facilidade que temos em adquirir um telefone portátil leve e barato que esquecemos o quanto oneroso era ter um terminal telefônico e com os baixos custos nas mensagens e nas ligações não selecionamos o que comunicamos, enquanto no passado este conteúdo era escolhido com muito cuidado para que não houvesse desperdícios.

A comunicação verbal é uma das formas mais usadas entre as pessoas e sendo assim o telefone foi absorvido pela sociedade de forma que sua incorporação pode ser entendida na nos dias atuais como um forma natural de comunicar e com o telefone as distâncias foram diminuindo aproximando os indivíduos e tendo uma elevação na qualidade da comunicação com a aceleração do tempo para a troca de informações.

Patrícia Grigoletto


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