Archive for the 'Teatro Digital' Category

O grupo Teatro para alguém e o grupo Teatro Uzyna Uzona

Aqui um exemplo de um grupo de teatro que tem suas produções exclusivamente para a Internet.

Teatro para alguém

“Renata Jesion e Nelson Kao são os idealizadores do Teatro Para Alguém e, desde o início do projeto, mantiveram como um dos principais objetivos do TPA a troca de experiências com artistas que quisessem se aprofundar na experimentação do viés tecnológico das artes cênicas, a partir do advento da internet. Artistas vindos de diferentes direções se aproximaram do TPA com esse mesmo desejo em comum. Em junho de 2011, alguns deles se juntaram a Renata e Kao nesse grande laboratório de experimentação que é o Teatro Para Alguém. Assim, com a chegada dos atores Zemanuel Piñero e Adriano Costello, as atrizes Vera Bonilha e Bianca Lopresti, o ator e preparador de atores Luiz Mario Vicente e a dramaturga e roteirista Drika Nery, o grupo se revitalizou.

A fricção criativa desses artistas (mais cerca de 250 profissionais que já trabalharam no TPA desde o seu início) alimenta este espaço digital a experimentar linguagens de espetáculos que misturam artes cênicas, cinema, vídeo e internet. ”

site do grupo teatro para alguém

Aqui ainda um outro grupo brasileiro que possui uma plataforma no live stream onde apresenta suas peças ao vivo.

site do grupo oficina teatro Uzyna Uzona

página do live stream com peça do Uzyna Uzona

Novas formas artísticas no teatro

O número de pessoas que actualmente experienciam a arte presencialmente, nos locais à sua apresentação destinados, está a diminuir. Podemos pensar nisto como um efeito da conjuntura económica actual mas também pela facilidade de acesso a essas obras de arte, de uma forma mais económica e, de certo modo, mais cómoda para o espectador – através dos média digitais.

Mas não são só desvantagens. Ao criar uma nova forma de exibição que motive a experiência presencial do espectador   – por exemplo, como o cinema está a fazer com o 3D, – as estatísticas podem ser invertidas.

A utilização da tecnologia digital no teatro pode ajudar a atrair mais pessoas aos espectáculos teatrais, uma prática que se está a perder cada vez mais. O exemplo que trago é a utilização de hologramas no teatro.

 

Os hologramas podem criar um espectáculo teatral totalmente diferente do que estamos habituados, aproximando-se do cinema e dos seus efeitos, mas de uma forma ainda mais real. Por exemplo, os hologramas permitem que o actor contracene consigo próprio, e o espectador tem a percepção real do actor em palco como também a percepção de uma figura virtual, igual ao actor,  que contracena com ele. A cena está ao nosso alcance e estamos totalmente envolvidos no espectáculo.  Na minha opinião, isto criaria uma experiência única, ainda mais se fossem utilizados mecanismos que nos poderiam fornecer os cheiros que constituem o cenário. Este processo de imediacia ia envolver o espectador naquele mundo fantasioso que o teatro cria, à semelhança do cinema, mas de uma forma muito mais motivante que poderia superar o cinema e trazer mais espectadores ao teatro, porque não vemos a acção através de um ecrã mas sim encontramo-nos no espaço em que tudo acontece. Assim, através das novas tecnologias, podemos criar outra dimensão para o espectador, que o faça sentir parte do teatro e da sua história, que o faça querer esta experiência e não contentar-se a vê-la em casa.

O público actual exige novas formas para concentrar a sua atenção (principalmente no teatro), devido à quantidade de imagens que nos invadem os olhos diariamente, sendo o estímulo visual um aspecto a ter em conta. Os média digitais podem fornecê-lo, de uma maneira original, que cative a experiência presencial – mais valorizada pela utilização de meios que normalmente não temos ao nosso dispor. Enquanto que o 3D já está a ser incorporado em televisões que facilmente adquirimos, o que nos permite ver filmes em 3D nas nossas casas, a criação de um mundo totalmente paralelo não está (e penso que dificilmente estará) disponível a qualquer um.

Por isso, esta nova forma artística pode retomar velhos hábitos que fomos perdendo ao longo do tempo, reinventando a tradição teatral ao integrar as tecnologias digitais nesta “velha” arte, adaptando o teatro à actualidade e enfrentando todas as dificuldades que advêm deste novo contexto.

Tatiana Simões

É ou não é teatro?

Até onde vai o limite da apropriação da tecnologia nas práticas artísticas? começo com esta pergunta para fundamentar todo o resto.

Existem graus de apropriação da tecnologia nas artes e são estes graus que nos cabe discutir, a fim de identificar se estes mudam ou não em essência da arte que se apropria do mundo tecnológico. Há um limite, que, quando tocado, nos faz pensar se não se está na verdade, surgindo uma nova expressão artística, uma nova categoria de arte.

Usando o teatro como exemplo: Quando se modificou nas práticas teatrais, o uso de orquestra ao vivo, pelo som gravado, por mais que tivesse sido inovador naquela época- e definitivamente foi- o questionamento se deixou ou não de ser teatro não surgiu. Depois, com a invenção da eletricidade, novas tecnicas de iluminação foram utilizadas, mas ainda assim, se via que era teatro.

O grau limite neste caso é justamente o que vivemos hoje. Teatro gravado, ao vivo ou não, ainda é teatro??? Se retiramos a presença física de ator-espectador, ainda poderemos considerar aquilo uma prática teatral?

Se, ao se inspirar no teatro, uma nova técnica de encenação surgiu, e junto com ela uma nova nomenclatura, como no caso do cinema, porque não, neste caso, não ser pensado uma outra designação para essa nova forma artística que está surgindo?

Acredito que por muito tempo, o teatro foi uma das poucas artes que ainda não tinha sido substituída por meios de reprodução tecnológicos.

O cinema pode ser visto de casa, um quadro que se encontra no museu também, a fotografia nem se fale. Apenas o teatro continuava a ser a arte onde o espectador teria que estar presente no mesmo espaço que os atores que a fazem.

Ainda uma outra questão: A música, ao ser gravada, continua causando em quem ouve as mesmas sensações que a música ao vivo, em maior ou menor grau. Mas no caso do teatro, isso ocorre? ver uma peça gravada transpõe as mesmas sensações que ver ao vivo? ai você pode me dizer: sim porque se pode fazer uma filmagem que leve ao espectador a essas sensações. Mas eu te pergunto de volta: se é necessário outras técnicas que são alheias ao teatro para causar estas sensações, como técnica de filmagem, não seria então, por si só, uma outra expressão artística que não teatro?

Por fim, acredito que o problema está no constante incentivo social de se anular a presença física. Aqui uma entrevista de Jorge Dubatti sobre o tema,  bem como outros textos do mesmo autor.

Entrevista em PDF

Texto em espanhol sobre o tema.

Entrevista para revista espanhola

Carolina França Corrêa

A voz, a fotografia e as primeiras imagens em movimento

Nos dias de hoje, a nossa sociedade apesar de pobre, é uma sociedade de luxos. Seria impossível, antigamente, pensar em ver algo em movimento, ver a captação real de um momento ou até ouvir um simples ruido que não saísse de uma boca. Hoje em dia, em casa ou fora dela, vemos por todo o lado sequências de imagens, ouvimos vozes na rádio, na televisão, no computador, nos carros, nas lojas, em todo o lado conseguimos estar em contacto com estes novos media.

Podemos começar por falar da primeira fotografia que foi registada em 1838. Trata-se de uma fotografia urbana que apanha duas ruas de prédios e uma rua entre elas, esta fotografia deu-nos o primeiro registo de lugar, o primeiro retracto do ser humano, onde podemos observar cada pormenor, coisa que seria impensável se simplesmente lá passasse-mos no meio, pois há sempre mais do que aquilo que vemos para descobrir, existem muitos mais ângulos e ainda muitas mais perspectivas.

A voz, que tem o seu primeiro registo em 1877, tem a capacidade de registar todos os elementos expressivos de qualquer individuo. É mais presente que, por exemplo, uma fotografia, essa trata-se de uma forma mais plena de captar a presença.

Já as primeiras filmagens foram realizadas em 1888, no jardim de uma casa onde os actores aparecem a rir e a andar de um lado para o outro, intitulada de Roundhay Garden Secene é uma curta-metragem britânica considerada o primeiro filme da história ainda sobrevivente. Essas filmagens vieram revolucionar toda a geração que via só e simplesmente aquilo que era naturalmente visível, palpável e real.

As imagens em movimento são cinema, o cinema são imagens em movimento, dão-nos uma expansão visual fantástica para além de servirem de registo, de poderem voltar a ser vistas, de poderem ser inventadas e impossíveis (porque a imaginação cresce com o cinema). As imagens acima de tudo serviam como registo do passado – memórias.

A voz, a fotografia e as imagens em movimento são, sem dúvida, uma extensão dos sentidos, alargam-nos a capacidade de ver e ouvir, conseguimos ver (através de fotografias) e ouvir (através de filmes, gravações etc.) o que não conseguimos captar naturalmente, no momento, cara a cara. Com o registo da primeira voz, da primeira fotografia e da primeira imagem em movimento, todo o mundo começou a poder preocupar-se com os chamados pormenores, e isso acaba por completar o conhecimento do real.

Mais tarde, tudo isso deixou de servir tanto de testemunho de um acontecimento, de um momento e passou a servir mais de entretenimento. Daí veio tudo aquilo que conhecemos hoje, que nos entretém como grande parte dos programas televisivos, a propaganda, a publicidade, os programas de rádio, a música, os teatros, o cinema, etc.

Tudo isto é um fenómeno que veio alargar toda a percepção visual e auditiva daquilo que nos rodeia.

Soraia Lima

Teatro 3D

A peça “Pigmalião”, a primeira peça de teatro em Portugal a contar com tecnologia 3D, foi apresentada pela primeira vez 10 de Março de 2010 no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. A encenação foi feita por Marcos Barbosa, a partir de um texto de Pedro Mexia, baseada no livro “Metamorfoses” de Ovídio. Contou com uma parceria entre o Teatro Oficina e o Centro de Computação Gráfica da Universidade do Minho.
Pigmalião era um escultor que queria criar a estátua da mulher ideal, á qual chamou Galateia. Quando consegue conceber a estátua, apaixona-se por ela. À medida que o amor vai crescendo, a estátua vai-se transformando até se tornar numa mulher real. Esta é uma mulher como qualquer outra, com qualidades e defeitos e que não quer nem tem a ambição de ser perfeita para não ter que se subjugar à vontade de um homem. Ela tem as suas próprias vontade e os seus próprios defeitos, e no fim, pede a Pigmalião que a aceite como ela é.
Foi utilizada uma tecnologia pioneira da Universidade do Minho designada 3D Stereo, um processo de registo de imagens em estereoscopia, com a utilização de todas as estruturas de projecção a três dimensões (projector, tela e óculos).
Os espectadores recebem uns óculos 3D que transmitem uma imagem diferente para cada olho, alterando o ângulo de cada um deles e fazendo com que o cérebro crie a ilusão de profundidade. A meio da peça, os espectadores recebem indicação para colocar os óculos que lhes permite visualizar as imagens em e 3D.
Os únicos momentos da peça que contam com imagens tridimensionais são os da metamorfose da estátua. O programa de computador recria a imagem de Galateia através de um holograma até surgir a actriz em palco.
A Holografia é uma forma de apresentar uma imagem em três dimensões. Foi concebida em 1948 pelo húngaro Dennis Gabor, e executada pela primeira vez nos anos 60, após a invenção do laser. É um método de registo com relevo e profundidade. Cada componente do holograma possui a informação da imagem completa. Ela poderá ser vista na íntegra, mas a partir de um ângulo estreito.
A Imediação está presente na medida em que o objecto digital surge integrado com os restantes elementos cénicos. Apenas é visível o holograma e não os dispositivos electrónicos responsáveis pela sua projecção, pelo que o meio é ocultado.
Estamos igualmente perante a lógica da Remediação uma vez que conteúdos cinematográficos e digitais são transportados para o meio teatral, um local de pessoas e espaços onde este tipo de tecnologias á partida não entrariam.
A intervenção de tecnologias no teatro está a tornar-se mais frequente de forma a que assistimos a uma evolução e adaptação desta arte ás formas de projecção actuais.

Joyce Lopes e Juliana Alves

Itinerário Sem Sal

Assistimos na aula de hoje a um excerto da ópera electroacústica Itinerário do Sal, de Miguel Azguime. Apesar de compreender o desejo de pôr em diálogo ou mesmo fundir várias artes, vários meios de comunicação, o resultado final não me surpreendeu de todo.

A temática do autor lutando contra os seus demónios internos, esperando por rasgos de criatividade, não é nada de novo. Já foi abordada na música, no teatro, no cinema, e por centenas de bloggers com bloqueios de escritor, que aproveitaram para escrever sobre eles. O próprio texto desta obra é desinteressante, e por vezes desnecessariamente ininteligível. A repetição exaustiva da frase “o som tem um som tem um som..” fica facilmente na cabeça, mas não é nada que Gertrude Stein não tivesse já feito há cerca de um século – mostrando bem a dissociação entre som e sentido. As palavras em si não me parecem muito bem escolhidas, mas não pretendo entrar demasiado no campo da subjectividade, até porque o som da língua portuguesa não me agrada particularmente. Outro aspecto que considerei menos bom foi o desperdício total da dinâmica sonora, através do volume excessivo dos sussurros e de outros sons. No entanto, ver um vídeo é bastante diferente de presenciar um espectáculo, pelo que me limito a registar esta impressão. Por fim, a utilização frequente dos mesmos tipos de jogos de palavras acaba por criar uma sensação de previsibilidade.

Encaro a utilização da tecnologia como uma tentativa de mascarar uma certa falta de talento, tentando passar a peça por arte conceptual inovadora. Não observei nenhuma técnica verdadeiramente original, ou que fosse absolutamente necessária para o desenvolvimento da acção da peça ou das características psicológicas da personagem. Pelo contrário: os contrastes claro vs. escuro, estatismo vs. dinamismo acelerado são recursos bem convencionais; apenas não costumam ter elementos electrónicos a suportá-los.

Ouvindo o Itinerário do Sal, não consigo evitar sentir que falta alguma coisa, e o problema não é a ausência de instrumentos nem os tipos de som produzidos. Bobby McFerrin é um bom exemplo de um músico capaz de aproveitar as potencialidades do seu corpo para criar música que não depende de instrumentos nem de sons electrónicos. É certo que o seu jazz possui melodias muito mais agradáveis à primeira audição, mas mesmo géneros mais “extravagantes” de música experimental podem ser mais bem conseguidas do que a composição de Azguime. É o caso de Litany IV, composição de John Zorn interpretada neste vídeo por Mike Patton, mais conhecido pelo seu trabalho com a banda Faith No More, e entusiasta da poesia fonética.

Embora desprovida dos elementos cénicos da composição de Azguime, acho esta música semelhante, mas bastante superior. Aproveita vários sons bastante comuns no dia-a-dia, mas pouco comuns na música, misturando-os com vários outros menos convencionais, cria vários motivos musicais sem utilizar uma única sílaba perceptível, e podemos aprender a apreciá-la e ouvi-la várias vezes. Todos os sons foram pensados, e a margem para improviso é pouca: as notas estão lá porque o compositor as considerou necessárias, e confiou a Patton a tarefa de as vocalizar correctamente.

A ópera de Miguel Azguime tem efeitos electrónicos de sobra, mas falta-lhe essência… falta-lhe “sal”.

Daniel Sampaio

Teatro em 3D em Portugal

E porque a tecnologia 3D está a tomar conta das nossas vidas, nada melhor que falarmos da dimensão 3D agora também no Teatro.

No passado mês de Março pela mão do Teatro Oficina e a Universidade do Minho, estreou em Guimarães no Centro Cultural Vila Flor a primeira peça Portuguesa em 3D. Doze minutos foi o tempo suficiente para revolucionar o Teatro em Portugal.

De nome “Pigmalião”, a peça escrita por Pedro Mexia é baseada no livro de Ovídio “Metamorfoses”. Esta retrata um mito Grego, onde Pigmalião era um escultor e rei de Chipre que se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir o seu ideal de mulher perfeita. A pedido de Pigmalião a deusa Afrodite, uma vez que este vivera em celibato até encontrar o seu ideal de mulher, transformou a estátua numa mulher de carne e osso chamada Galatéia, com quem Pigmalião se casou.

A mulher é representada por um holograma até ao fim da sua criação, ou seja quando surge actriz em palco.

A associação da peça à tecnologia 3D tem por objectivo um processo de humanização da imagem da mulher que se vai tornando realidade, ou seja na transformação da estátua para a mulher em carne e osso.

A peça tem a utilização de uma tecnologia pioneira no Centro de Computação Gráfica da Universidade do Minho, o 3D stereo. Os espectadores recebem à entrada da sala uns óculos 3D que transmitem a sensação ilusão de profundidade que não são utilizados durante toda a peça. A meio da peça, estes recebem uma indicação para os pôr e poderem assistir à transformação da estátua em mulher.

O encenador afirma que esta é a junção perfeita entre o teatro e a ciência: “São dois mundos aparentemente opostos, mas que funcionam muito bem. O teatro tem de conversar com o que está à sua volta. Não pode ser uma peça que ninguém entende, a falar para dentro.” Marcos Barbosa defende que este é apenas o início de uma parceria que pode trazer muitas outras mudanças à forma de apresentar teatro. “Queremos provocar uma maior envolvência sensorial do público. Tal como no início do cinema, as pessoas tinham medo do comboio que aparecia na tela. Essa inocência interessa-nos muito.”

Em baixo fica o link com o video da notícia:

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Teatro-3D-em-Guimaraes.rtp&headline=20&visual=9&article=326520&tm=4

Ana Rita Freitas


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