Escolhas

“Quando filmas o mundo, sem edições, estás a mostrar a realidade (que pode abrir os olhos a alguns). No entanto, hoje em dia, quando se filma o mundo, há sempre uma edição, uma escolha, uma seleção do que é mais apelativo”
– Rita Sousa, Arte e Design, ESEC

Sortie des Usines Lumière à Lyon

A saída dos operários da Fábrica Lumière, de Auguste e Louis Lumière, foi o primeiro filme projectado na história do cinema, no Salon Indien du Grand Café em Paris. Esta apresentação teve um total de dez filmes em que cada um deles não tinha mais de 17 metros de película (aproximadamente um minuto de duração).

Se compararmos esta primeira sessão com as sessões de hoje em dia, notaríamos que por cada filme de aproximadamente noventa minutos teríamos 1530 metros de fita. Este era um problema na era analógica por vários motivos, entre eles o transporte das bobines e o seu possível incendiamento (dado que o material da película é altamente inflamável). A era digital veio facilitar – em muito – os problemas de distribuição, de películas que partiam, o próprio armazenamento.

Falando agora da citação inicial (Rita Sousa): o cinema, tal como a mediação de informação, resulta de um conjunto de escolhas. Escolhas que precisam de ser tomadas com o intuito apelativo, de ser a forma mais rápida de transmitir aquela informação, do melhor enquadramento ou até mesmo do melhor nível de decibéis. E isto coloca a questão: quão fiável será a escolha de partilha a nível informativo? Quão fiável será a escolha de partilha a nível artístico? O que será melhor deixar implícito? O que será melhor não dar sequer a entender?

Carlos Vicente Paredes


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