Arquivo de Maio, 2015

Avatar ou Real ?

Quando jogamos um jogo onde nos é dada a possibilidade de criar um avatar  que tipo de avatar vamos escolher  ?

Será que de algum modo não vamos de certa maneira escolher um avatar  que  reflita  algo que secretamente gostássemos de ser se habitássemos naquele mundo fictício,? Será que não podemos considerar que de certo modo o avatar vai ser o nosso reflexo durante o jogo?   Respondendo as 2 perguntas anteriores resposta é sim pelo menos no meu caso!

Quando escolho um personagem num jogo escolho um que eu gostasse de ser naquele mundo, com a qual de certo modo me identifique ou pelo menos com a qual eu sinta vontade  de jogar .   na minha opinião os avatares são  de certo modo o reflexo de cada um de nós durante o jogo.  É o nosso avatar que os outros jogadores vêm e mesmo que falem ou comuniquem no chat não chegam a ver as nossas caras , por isso de um certo modo estão a falar para o nosso avatar.

Quando criamos uma conta numa rede social será que de certo modo não estamos também a  criar mais uma avatar nosso  atrás do qual nos escondemos?

A resposta aqui é sim e não, depende de cada pessoa!

Há pessoas que criam uma conta numa rede social e escondem- se atrás  de fotografias de outras pessoas ou qualquer outro tipo de  fotografias  e também os próprios nomes associados a essas contas não têm nada a ver com o real nome dessas pessoas .  nestes casos é um avatar como se fosse o de um jogo pois nada esta associado aquela determinada pessoa.

Mas a maioria das pessoas cria contas  com nome próprio  onde vai colocando fotos  e publicando coisas que podem refletir o que está a sentir ou a pensar num determinado momento. Aqui eu já não considero que sejam  avatar pois pudemos ver com quem estamos a interagir , pois não foi criada uma personagem, apenas foi criada uma conta que possibilita que uma pessoa comunique mais facilmente com quem deseja , mas sem se esconder atrás de um avatar e sem viver num mundo fictício .

Ambos os casos refletem a necessidade crescente que o ser humano tem em se comunicar com os outros , quer seja escondido atrás de um avatar , jogando um jogo , ou através de uma conta criada numa rede social como o  facebook.

Estaremos nos  dependentes  destes meios?

Luis Santos

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Netspeak

David Crystal desenvolveu o conceito de netspeak ao investigar o impacto que a internet tem na linguagem. Netspeak é a linguagem virtual que, inicialmente, começou por ser utilizada na internet, maioritariamente nas redes sociais e, posteriormente, a sua utilização passou a ser efectuada também nas mensagens de texto (SMS). O conceito anteriormente referido tem como objectivo facilitar a comunicação, a linguagem virtual é simplificada, na medida em que torna a comunicação mais rápida e flexível. Nas redes sociais e nas mensagens de texto assiste-se a um cruzamento da escrita e da oralidade, o que se sucede nesses ambientes é uma conversação em forma escrita mas com traços da oralidade. A abundância de comunicação é intensa e o ambiente informal atrai uma linguagem mais próxima da oralidade. Algumas das expressões da linguagem virtual tornaram-se tão triviais que passaram a ser usadas na linguagem oral do nosso quotidiano.

Caracteriza-se por ser uma linguagem carregada de abreviaturas, assim como emoticons (junção de emotion + icon que se traduz por uma sequência de caracteres tipográficos) e, emojis (palavra que significa “pictograma” em japonês que seleciona várias imagens incluindo animais ou objectos).

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emoticons

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emojis

Numa conversa presencial, é possível fazer uma breve análise comportamental do sujeito e, por exemplo, associar o que este diz às suas expressões faciais ou corporais para que, desta forma, se conclua qual o verdadeiro intuito ou significado daquilo que acabou de proferir. Os emoticons e os emojis contribuem para a demonstração de sentimentos ou emoções numa conversa virtual, uma vez que, a escrita usada na internet não permite facilmente sintetizar as emoções. Ambos servem para que o interlocutor exprima as suas emoções ou evite situações inconvenientes, como a de ser mal interpretado.

O netspeak e todos os aspectos que se integram no mesmo, é um processo de transição ou metamorfose entre os novos média e a linguagem. Esta temática tem dado origem a estudos e pesquisas importantes relacionadas com a nossa conjuntura na sociedade da informação.

Joana Valente

Outra Realidade

Cada vez mais, somos bombardeados com novos aparelhos que são lançados todos os dias, computadores topo de gama, telemóveis de última geração, televisões em 3D. Todos eles cada vez mais evoluídos e transparentes com o objectivo de nos proporcionar a melhor experiência enquanto estamos a trabalhar com eles. Isso permite-nos como que nos teletransportar para dentro deles e esquecer tudo o que se passa à nossa volta.
Por outro lado, é impossível a completa absorção para dentro destes aparelhos pois o meio que nos rodeia está sempre presente e impede-nos a completa experiência de Imediacia. O ipad ficou sem bateria, a televisão passou para os anúncios, alguém nos chama para realizar algo, ou acontece algo nesse mundo que nos faz perder o completo interesse nele fazendo com que nos comecemos a aperceber do que se passa à nossa volta. Isso faz com que perceba-mos que na realidade estamos a olhar só para um aparelho electrónico e que na realidade não estamos noutra dimensão, Hipermediacia.
Isso acontece várias vezes quando estamos a jogar um jogo, ou até a ver um filme, estamos tão fixados no que estamos a fazer que todo o que está à nossa volta desaparece. O nosso mundo passa a ser o mundo virtual, nós mesmos passamos a ser virtuais, a nossa realidade passa a ser outra, Imediacia.
No entanto quando passa uma publicidade, ou o jogo acaba já começamos a ver o contorno dos aparelhos, apercebemo-nos que estamos sentados no sofá e o interesse naquele mundo electrónico começa a desaparecer e leva-nos outra vez para a nossa realidade, onde somos seres humanos e não algo virtual, Hipermediacia.
Pessoalmente assusta-me sermos tão absorvidos para a realidade electrónica que nos esquecemos completamente do mundo real, podemos ver os lados positivos, pois existem, as experiências que nos dão, o tempo só para nós. No entanto estamos a perder o nosso mundo, estamos a perder o que se passa à nossa volta e o que é na realidade importante.

Bruna Ferreira

O desaparecimento da escrita tradicional

Desde o início dos tempos houve uma necessidade de comunicação. Foi aí que houve as primeiras tentativas de um sistema de comunicação, isso aconteceu há milhares de anos atrás. Cada sociedade tinha uma forma de comunicar básica que ajudava com as suas relações e até a viverem em harmonia.
As formas de comunicação evoluíram e agora temos o alfabeto romano como base da escrita alfabética. Agora diferente de antigamente conseguimos comunicar com qualquer pessoa no planeta terra e com a evolução da linguagem veio a evolução das tecnologias.
A internet fez surgir novos géneros discursivos que possibilitaram a proximidade da oralidade à escrita através de uma linguagem despreocupada e informal. A realidade virtual mudou a realidade de escrita, começaram a aparecer as abreviações, os acentos e a pontuação desapareceram tudo para facilitar a velocidade da comunicação. É importante salientar que esta forma de escrita não respeita as regras de ortografia no entanto quem usa esta forma de escrita consegue fazer-se entender.
O correio tradicional foi substituído pelas mensagens de texto e pelo e-mail, tal como o papel e a caneta pelo computador e pelo ipad. Na actualidade as crianças sabem manusear o computador, ipad, telemóvel e tablet mais rápido do que a escrita tradicional o que não deixa de ser preocupante pois a nossa sociedade é feita pela comunicação e pela escrita e não pelas abreviações e pelos emojis.
A escrita é feita pelas pessoas, pela sua ortografia, pela forma da sua letra, pela sua inclinação, por ser algo único pois cada pessoa tem a sua caligrafia. Com as mensagens de textos, os chats e com os e-mails pode-se perder a forma mais pura e única de comunicar.

Bruna Ferreira

Sinais de fumo ou WiFi?

Não custa conhecer a histórias da escrita e a sua evolução. qualquer manual de história nos apresenta uma cronologia suficiente para que possamos pesquisar e compreender o porquê de a vida e comunicação hoje ser assim. desde há trinta e cinco anos para cá que muita coisa mudou, a Internet teve o seu boom na década de 90 após ter estado em top-secret durante a Guerra Fria. As telecomunicações nunca mais foram as mesmas, o avanço da tecnologia e facilidade de transmitir e receber informação disparou.

Nasci em 1996, ano em que já existiam duas mãos cheias de empresas licenciadas para ativar o aceso à Internet pelos Serviços de Telecomunicações Complementares Fixos em Portugal. Foi um
bom ano para nascer, a Internet ainda não estava enraizada no quotidiano das pessoas. Sinto que tive o melhor dos dois mundos, o pré-Internet e o pós. Poucas crianças terão a oportunidade de ter uma infância tão diversificada como eu e os meus colegas tivemos.

Antes de a minha cidade ter um óptimo acesso de rede por cabo, encontrei um manual de escutismo no qual tinha descrito vários códigos de mensagem. Citando:

Código Braille (Falso)
Data
Alfabeto Invertido
Transposto
Picos de Morse
Passa um Melro
Passa dois Melros
Alfabeto Numeral
Romano-Árabe
Metades
Grelha
Vogais por Pontos
Caranguejo
Frase-Chave-Vertical
Frase-Chave-Horizontal
Frase
Código +3
Código Chinês 1
Código Chinês 2
Angular
Última Letra Falsa
Homógrafo-Traços
Nós de Morse
Batalha Naval – Certa
Batalha Naval – Incerta
Jornal
Vertical
Horizontal
Caracol
Primeira Letra Falsa

Eu e mais três amigos divertiamo-nos a por em código leads de notícias, a organizar caças ao tesouro. Tudo com a ajuda de um simples manual. Nunca fomos muito agarrados ao livro, andávamos sempre com ele à vez, mas passávamos os códigos para um caderno e não lhe tocávamos mais para que a lombada não descolasse. Até ao dia em que alguém se aproximou do final do livro e encontrou uma folha A4  dobrada duas vezes. Eram instruções sobre sinais de fumo; como manter uma boa fogueira e dicas de como comunicar à distância. Sentíamo-nos cowboys, nessa altura.

Nos tempos de hoje não é recorrente comunicar com estas três pessoas que tiveram tanta importância na minha infância, às vezes há uma SMS, combinamos um café, mas mais facilmente procuramos sinais de WiFi quando estamos juntos que comunicação cara a cara.

Carlos Vicente Paredes

Um mundo HÍBRIDO !!!

Cada vez mais nos dias de hoje, o nome CIBORGUE, começa a ganhar mais relevância, pois cada vez mais aparecem indivíduos com chips implantados, ou com partes do corpo cibernéticas em vez de orgânicas. Tudo isto mostra o quão cada vez estamos mais dependentes da tecnologia, embora a grande parte das vezes seja por razões de saúde, para pessoas com problemas de visão (exemplo o qual vou falar a seguir), problemas motores ou de fala.

Um Ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial.

O termo deriva da junção das palavras inglesas cyber (netics) organism, ou seja, “organismo cibernético”. Foi inventado por Manfred E. Clynese Nathan S. Kline em 1960 para se referir a um ser humano melhorado que poderia sobreviver no espaço sideral. Tal ideia foi concebida depois de reflectirem sobre a necessidade de estabelecer uma relação mais íntima entre os seres humanos e máquinas, em um momento em que o tema da exploração espacial começava a ser discutido.

Um exemplo de um ciborgue real é o exemplo de Neil Harbisson, considerado o primeiro ciborgue e reconhecido como isso. Harbisson tem acromatopsia, uma condição que desde o nascimento o obrigou a ver o mundo em preto e branco. Desde os 20 anos, tem instalado um olho electrónico chamado eyeborg, que permite ao artista escutar as cores.

Com o aparecimento destes novos Ciborgues cada vez mais, começo a acreditar que daqui a uns anos muitas pessoas conseguiram superar doenças físicas, que até ali seriam impossíveis de corrigir. Quem sabe com isto aumentar talvez a esperança média de vida da sociedade. Claro que isto seria um processo muito lento e só apenas daqui a muitos anos seria possível tal acontecimento.

Tiago Marques

T

A Identidade Online

Se há algo inescapável, é a necessidade humana de vida em sociedade. É através da sociedade e em confronto com ela que, desde crianças, formamos a nossa identidade; nela assimilamos os nossos valores morais e questionamos os daqueles que nos rodeiam. Somos, de facto, o animal social, que criou e foi criado pela comunidade em que habita. Contudo, é também verdade que esta tem por base um conjunto de ideias preconcebidas, as quais podem provocar em alguns de nós uma sensação de deslocamento, resultando na separação do indivíduo e sociedade.

Os avatares e as comunidades online surgem, então, como autênticas máscaras que nos permitem viver uma sociedade à qual nos adaptamos com mais facilidade. As razões para tal podem ser várias: uma deficiência física que é superada através de um personagem equiparável a personagens guerreiras míticas; uma tentativa de auto-expressão que, por receio de inadaptação, é dificultada no mundo real; a busca por um universo extraordinário onde somos mais que humanos. Em suma, uma busca de transcendência; busca esta geralmente focada na participação em MMORPG, jogos online frequentados por múltiplos indivíduos em locais vários, porém conectados em simultâneo.

De certa forma, estas comunidades funcionam quase como o jogo do faz de conta. Fazem lembrar uma espécie de parques infantis nos quais podemos experimentar o papel de outrem; posições de poder estratégico, físico, místico; os últimos sobreviventes, ou parte de uma comunidade de lutadores. Através destes avatares, podemos assumir uma personalidade que não nossa, e reinventarmo-nos. Assimilar novas ideias, novos hábitos, tal como faríamos em criança. Absorver o mundo fictício, ou dele retirar apenas o que nos auxilia no mundo real. Nas palavras empregadas por Sherry Turkle, online life emerged as an “identity workshop”; ou seja, o mundo online surge-nos como uma verdadeira ferramenta de melhoramento pessoal na ponta dos nossos dedos.

Beatriz de Sousa Ferreira


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