Arquivo de Abril, 2015

O mundo dentro dos Media

Cada vez mais, somos confrontados com novos aparelhos que são lançados todos os dias, televisões topo de gama, smartphones, computadores, que com o tempo, cada vez mais, estes aparelhos se tornam mais transparentes, sempre com o objectivo de termos a melhor experiencia quando os usamos, permitindo com que sejamos absorvidos para dentro destes, perdendo noção de que estamos a olhar para um telemóvel ou para um computador, quase como se fossemos puxados para dentro destes aparelhos, para outra dimensão.

Por outro lado é sempre inevitável a completa absorção para dentro destes mundos electrónicos, pois estes aparelhos, ou o meio que nos rodeia vai impedir a completa experiência de Imediacia, ou porque o nosso telemóvel desligou ou abriu num menu, ou porque somos chamados para ir realizar alguma actividade ou até mesmo porque nesse mundo se está a passar algo que nos faz perder o interesse nele, fazendo com que comecemos a apercebermo-nos do que se passa à nossa volta, reparando que na verdade estamos a olhar para um simples aparelho electrónico, Hipermediacia.

Dando agora exemplos disto, quando estou a ver televisão, que no meu caso a televisão é fina e com contornos pequenos, e está a dar um programa que me interesse, eu sou completamente sugado para o mundo onde se passa o programa, ficando abstraído completamente do mundo que me rodeia, ou seja Imediacia, mas quando o programa vai para intervalo ou acaba e começam a dar publicidades ou até mesmo outros programas menos produtivos, o interesse com que eu estava no programa começa a desaparecer, começando a reaparecer os contornos da televisão, a parede onde ela está presa e todo o mundo que me rodeia. Concluindo a minha visão sobre o aparelho muda, sendo que deixo de ver através do aparelho e começo a ver o aparelho, sendo que ainda não são completamente invisíveis.

Será que algum dia estes aparelhos serão feitos de uma maneira em que deixe de haver Hipermediacia, e sejamos mesmo absorvidos para dentro do aparelho?

Não sei, mas eu ia adorar!

Tiago Marques

Remediação

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A afirmação de Bolter e Grusin de que a ‘remediação’ é a principal característica técnica e formal dos meios digitais pode ser explicada de uma maneira relativamente simples.

O que estes escritores tinham como ideia de que todos os novos média têm como base da sua existência outros média que existiram antes destes, não podendo estes novos média existirem sem os anteriores terem existido.

Sendo assim, e porque é sempre mais fácil explicar algo com exemplos, a internet só existe hoje porque antes dela foi criada a maquina de escrever e o telefone. Se a pintura não tivesse existido e com isto ter sido criado o desejo da representação da realidade de forma fiel, a máquina fotográfica não teria sido criada.

Sempre que novos média são criados têm sempre outros média existentes dentro deles sendo o exemplo mais simples de que antes de existir a escrita de mensagens no telemóvel existiram as cartas e a máquina de escrever.

Mas claro que eles também referem que não são só os novos média que são inventados graças aos mais antigos, mas os média mais antigos também são reinventados tendo como base os meios mais recentes. Exemplos deste fenómeno são a criação de televisões cada vez mais parecidas com a internet ou então a utilização em filmes de efeitos especiais que são criados com ferramentas de programas de computadores.

Concluindo, a principal característica dos novos média é a ‘remediação’ pois existem sempre neles meios que já tinham sido criados.

 

 

Filipa Silva

Tecnologia do futuro?

Mais um projeto que contribui para o que aparenta ser o objetivo final: conseguir a transparência total do meio. 

Diogo Martins

Escolhas

“Quando filmas o mundo, sem edições, estás a mostrar a realidade (que pode abrir os olhos a alguns). No entanto, hoje em dia, quando se filma o mundo, há sempre uma edição, uma escolha, uma seleção do que é mais apelativo”
– Rita Sousa, Arte e Design, ESEC

Sortie des Usines Lumière à Lyon

A saída dos operários da Fábrica Lumière, de Auguste e Louis Lumière, foi o primeiro filme projectado na história do cinema, no Salon Indien du Grand Café em Paris. Esta apresentação teve um total de dez filmes em que cada um deles não tinha mais de 17 metros de película (aproximadamente um minuto de duração).

Se compararmos esta primeira sessão com as sessões de hoje em dia, notaríamos que por cada filme de aproximadamente noventa minutos teríamos 1530 metros de fita. Este era um problema na era analógica por vários motivos, entre eles o transporte das bobines e o seu possível incendiamento (dado que o material da película é altamente inflamável). A era digital veio facilitar – em muito – os problemas de distribuição, de películas que partiam, o próprio armazenamento.

Falando agora da citação inicial (Rita Sousa): o cinema, tal como a mediação de informação, resulta de um conjunto de escolhas. Escolhas que precisam de ser tomadas com o intuito apelativo, de ser a forma mais rápida de transmitir aquela informação, do melhor enquadramento ou até mesmo do melhor nível de decibéis. E isto coloca a questão: quão fiável será a escolha de partilha a nível informativo? Quão fiável será a escolha de partilha a nível artístico? O que será melhor deixar implícito? O que será melhor não dar sequer a entender?

Carlos Vicente Paredes

Princípio da Variabilidade

Na obra The Language of New Media, Lev Manovich, um crítico de cinema e professor universitário que se debruçou sobre as áreas dos novos média, média digitais, design e estudos de software, propõe uma teoria dos novos média digitais que assenta em cinco princípios: a representação numérica, modularidade, automação, variabilidade e transcodificação cultural.

Focando-nos apenas no quarto princípio (variabilidade), é possível concluir que este conceito remete para as inúmeras versões que um objeto digital pode adquirir. Este princípio está estreitamente ligado ao princípio da representação numérica (os objetos digitais são compostos por códigos que podem ser descritos matematicamente, isto é, as unidades ou elementos são quantificáveis (código binário de 0s e 1s), e podem ser manipulados por algoritmos) e ao princípio da modularidade (os objetos digitais, sejam eles imagens, sons ou outras plataformas, têm na sua propriedade estrutural diferentes níveis ou «camadas» e são compostos por partes independentes que, por sua vez, são compostas por partes independentes de tamanho menor e assim sucessivamente, até chegar à unidade mais reduzida como o pixel, no caso de uma imagem). Estes dois princípios «alimentam» o conceito de variabilidade visto que, através deles, é possível criar um número potencialmente infinito de versões de um objeto digital. A manipulação destes objetos digitais pode adquirir duas formas: automática, quando é realizada por um algoritmo programado, ou humana, na medida em que parte da ação e vontade do próprio utilizador.

Observemos agora o princípio da variabilidade aplicado a diversos softwares:

1) Microsoft Word

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Neste software, o princípio da variabilidade é bastante simples de detetar. Basta escolher uma palavra e modificar o tipo de letra ou a cor, colocar em negrito ou itálico, aumentar ou diminuir o tamanho da letra, sublinhar… Através destes mecanismos (já automatizados pelo próprio software), podemos criar inúmeras versões visuais da mesma palavra, neste caso, a partir da manipulação humana.

2) Editor de imagem Pixrl

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Com este editor de imagem, é fácil obter uma versão diferente da mesma fotografia através da aplicação de um efeito. Os programadores tornaram este processo automático, isto é, basta apenas um clique (selecionando o efeito pretendido) para criar uma imagem diferente. Contraste, luminosidade, brilho ou cor são alguns dos elementos manipuláveis através destes softwares de imagem. A todas estas funcionalidades corresponde um algoritmo/código diferente.

3) Editor de vídeo Wondershare

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Tal como o editor de imagem, este software é muito semelhante, utilizando o mesmo método de edição. É possível acelerar ou diminuir a velocidade do vídeo, aplicar um efeito de cor, introduzir subtítulos ou adicionar efeitos visuais, por exemplo.

 4) Editor de som Audacity

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Este software de edição de som permite modificar, por exemplo, uma melodia tornando-a mais aguda ou mais grave, ou até aumentando a sua velocidade. Estes são apenas alguns dos exemplos que podem contribuir para criar várias versões da mesma peça musical. Podemos ainda adicionar batidas ou acordes para «reinventar» o mesmo som.

 5) Jogo Online Adventure Quest

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Este é um exemplo dos muitos jogos onde é possível criar um avatar personalizado. O jogador pode escolher toda a aparência física da personagem: formato e cor do cabelo, cor dos olhos, cor da pele, vestuário, calçado… Tal como acontece com todos os softwares anteriores, cada alteração/efeito/versão apresenta um algoritmo matemático programável e «invisível».

Assim, o princípio da variabilidade é, possivelmente, o mais «visível» ao olho humano, visto que percecionamos as inúmeras alterações e versões que são feitas na estrutura visual do objeto digital. Apesar disso, não observamos como são feitas essas alterações, isto é, não temos acesso direto aos códigos e algoritmos. Esse acesso seria, no entanto, inútil, visto que são necessários conhecimentos matemáticos e tecnológicos para conseguir programa-los. O software funciona, então, como «máscara» de todos estes processos digitais.

 Diogo Martins

Hipermediacia vs Imediacia

A cada dia que passa, em cada upgrade  que os objetos tecnológicos que fazem parte do nosso dia a dia sofrem  mais eles vão aparentemente desaparecendo .

Cada vez mais a imediacia esta presente nas nossas vidas .

Os telemóveis estão cada vez mais finos e até transparentes os computadores portáteis ou fixos  assim como os tablets seguem o mesmo caminho estando cada vez  mais leves, mais finos  deixando de ter aquela moldura a volta do ecrã passando a ser tudo ecrã  as teclas desapareceram ,, tudo isto em nome  de uma evolução logica  que quer fazer com que o meio se torne invisível.

Hoje quando jogamos um  videojogo  ou quando vemos um filme  numa televisão das mais recentes / modernas  parece que somos transportados para aquele mundo e que passamos a fazer parte de toda a ação que esta a decorrer,  isso acontece  exatamente porque as televisões  tem écrans cada vez mais panorâmicos e alguns deles já tens a tecnologia 3D  que torna tudo ainda mais real.

Temos televisões que de tao finas que são e com toda a tecnologia que têm mais parecem pequenos portais que nos podem transportar para onde quisermos bastando para isso premirmos um botão.

No momento em que premirmos o botão começamos uma viagem que só acaba quando voltamos a premir o botão e desligamos a televisão, nessa altura voltamos a realidade!

Isto é a imediacia.

Mas há coisas que não mudam e na minha opinião não podem nem devem mudar.

Na hipermediacia, quando vamos ver uma peça de teatro , os atores estão la  ou próprio teatro , cenário tudo esta la e embora os atores seja excelentes ,  e nos possamos sentir de algum modo enredados / envolvidos na peça e em toda a sua historia , nunca perdemos a verdadeira noção de onde estamos , nunca perdemos a noção do espaço que nos rodeia .

Quando vamos ver uma exposição de pintura, por mais que apreciemos a obras expostas , a presença  das telas , das molduras  e das marcas de pincel ,danos a ver o meio a “janela “.

A imediacia está cada vez mais presente nas nossas vidas , fazendo desaparecer as janelas que nos separam do que nos estamos a ver, mas depois temos a hipermediacia que nós da a ver a tal janela  e que nos lembra da sua presença e do que nos separa daquilo que estamos a ver.

E apesar de todas as evoluções que existem e as que ainda virão nos nunca devemos perder por completo a noção de onde estamos e acho que esse é um dos papeis que a hipermediacia tem.

Luis Santos

A Relação entre Imediacia e Hipermediacia (dentro dum Videojogo)

Quando estás imerso num videojogo, não pensas imediatamente no mundo à tua volta, pois não?

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Um bom exemplo de um grupo de estudantes a jogar videojogos quando deviam estar a estudar para os exames ou acabar as suas teses.

Os teus olhos estão fixados no ecrã, a tua atenção completamente agarrada ao que se passa com o teu avatar dentro do jogo, como se estivesses mesmo numa situação de perigo ou de adrenalina. Mas depois sentes um pouco tonto, ou as tuas mãos suam no controlador, ou alguma coisa puxa-te fora dessa experiência (por exemplo, a tua mãe a chamar-te para apanhares a roupa). Essas sensações são esperadas, e mais interconectadas do que pensas. É a relação que existe entre a imediacia e hipermediacia.

Na imediacia (ou imediação), o jogador emerge-se no videojogo através de processos de ocultação, naturalização e transparência do meio. A interação e o meio visual/áudio do videojogo faz esse trabalho. É parecido com o meio da televisão, exceto que neste caso também temos a interação que acontece entre o videojogo e o jogador. Somos nós que decide as ações das personagens que vemos, e por isso a nossa atenção fica mais focada no que está a acontecer no ecrã, assim apagando as distrações em redor.

O contrário disto é a hipermediacia (ou hipermediação), que é o que se passa quando o jogador nota o videojogo através de processos de revelação do meio. Isto é conseguido, por exemplo, com o nosso sentido de toque no controlador da consola, ou a realização do que se está a passar no videojogo está dentro do ecrã da televisão ou do computador. O ambiente à tua volta ficando mais evidenciado.

Portanto, é assim que essa relação de contraste está interconectada. (E, não, não estamos a contar com o exemplo da tua mãe a chamar-te para apanhares a roupa. Isso era só uma piada sarcástica. Lamento imenso se desapontei-vos.)

Carolina Gonçalves

“O meio é a Mensagem”- McLuhan

tema: Como podemos entender/exemplificar a afirmação de McLuhan de que ‘o meio é a mensagem’? McLuhan chegou à conclusão de que só o facto de existirem aparelhos que nos deixam falar com pessoas que estão longe com um telemóvel ou um computador,que nos deixam fixar momentos passados através de imagem (parada ou em movimento) como a máquina fotográfica ou a câmara de filmar, só esse facto já pode ser considerado como mensagem, daí a expressão: “The medium is the message- O meio é a mensagem”. A forma com a mensagem é passada, isto é, o meio, é tão importante como a mensagem transmitida pelo mesmo, pois sem o meio, seria impossível transmitir a mensagem.Temos como um dos exemplos o radio que é o meio, a mensagem é a fala, sendo esta também um meio. Todos os meios, quer sejam telemóveis, computadores, escrita, máquina fotográfica, entre outros, são extensões do nosso corpo, mente ou sentidos: a fotografia é uma extensão da visão, a música é uma extensão da audição, a roupa é a extensão da pele e assim sucessivamente. Em conclusão:

“Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam. O meio é a mensagem porque é o meio o que modela e controla a escala e forma das associações e trabalho humanos”

(Marshall McLuhan) mcluhan1234

Out with the old, in with the new

New media are doing exactly what their predecessors have done: presenting themselves as refashioned and improved versions of other media, digital visual media can best be understood through the ways in which they honor, rival, and revise linear-perspective painting, photography, film, television, and print.” (Bolter and Grusin, 1999, p.14)

Esta afirmação refuta a ideia de que as novas tecnologias, os novos média, são totalmente novos. A remediação como conceito lógico e até prático, defende que os meios digitais deste século não são mais do que upgrades dos meios anteriores, ou como que versões melhoradas e sucessivamente adaptadas às necessidades do consumidor; com tendência a reunir cada vez mais meios num só aparelho, num só meio.

my-new-camera-phoneO telemóvel é, provavelmente, o exemplo que a maioria de nós mais frequentemente utiliza para sintetizar fisicamente a remediação. Com uma breve viagem no tempo, podemos aperceber-nos de que este pequeno objecto que hoje nos cabe no bolso e que podemos autonomamente levar para qualquer lado, era impensável até há umas décadas atrás. Figurativamente falando, e como forma de perceber a remediação, podemos utilizar o exemplo que dei anteriormente para perceber como é que o conteúdo de um meio está presente noutro, e vice-versa. Um telemóvel do século XXI, e analisando, por exemplo, um telemóvel ou um smartphone desta geração, como lhe queiramos chamar, já seria o equivalente a carregar numa mochila uma máquina fotográfica (já com uma boa resolução), uma máquina de escrever, um papel, uma caneta, uma calculadora, uma lista de contactos, um relógio, um álbum de fotografias, uma bússola, um rádio, entre tantos outros que poderíamos enumerar. Todos estes meios incluídos neste meio “maior”, são o conteúdo que verdadeiramente “sofreu” o fenómeno da remediação por parte de dezenas de empresas que oferecem num único produto, a fusão de tantos outros.

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Creio que seja inevitável que a remediação se torne cada vez mais sintomática, já que a propensão para a globalização está intimamente ligada com os novos média.

Maria Miguel

Click

A invenção fotográfica não foi revolucionária na medida em que fixou através de fontes luminosas uma imagem permanentemente. 

Em oposição teríamos a pintura ao nosso dispor, mas por vezes de traços grosseiros e pigmentos que, combinados metodicamente apropriava o objeto observado e era transposto para a tela e lá permanecia, como um legado para a eternidade. Este era o método posterior à fotografia para gravar algo graficamente.
A fotografia, com o seu processo científico e respectivos aperfeiçoamentos permitiu algo mais. Um auto reconhecimento mais automatizado, algo que a pintura por si só não consegue alcançar, mesmo com a descoberta de técnicas mais revolucionárias, novos géneros como o hiper-realismo que com um tracejado quase imperceptível e um desenho mais concreto e de alta resolução se aproxima da fotografia mas não é suficiente.
Não é por acaso que este tipo de representação é progressivamente descartado na nossa contemporaneidade e é encarado exclusivamente como arte.
Esta necessidade particular de fixar imagens está presente em nós desde os tempos mais primitivos, numa tentativa de transpor o meio visual para um formato mais material.
Podemos considerar a fotografia como uma extensão da mente? Sim, se pensarmos na fotografia como uma oportunidade de dar fisicalidade às nossas memórias, em algo que o nosso cérebro não tem alcance a longo prazo, não temos armazenamento suficiente.
Somos estimulados, a nossa percepção ganha uma nova dimensão pois agora visualizamos com mais pormenor. 
Então, não fixamos imagens, fixamos momentos.
A fotografia permite o acesso a algo que nunca vivenciamos de forma corporal e presencial, essa é a outra face da fotografia. Somos de facto deslocados, experenciamos por via visual.
Nós permanecemos, os rostos são mantidos, os lugares inalterados, os detalhes são gravados, e assim estamos, detidos numa fração de segundo.
I used to think that I could never lose anyone if I photographed them enough. In fact, my pictures show me how much I’ve lost.”
—Nan Goldin
                                    Helena Bastos

O meio é a mensagem?

O meio é a mensagem , é o que nos apresenta McLuhan na sua visão sobre os média. Mas o que quererá dizer com essa afirmação?

Na minha perspetiva a afirmação coloca-nos numa posição onde o meio é o seu próprio conteúdo, isto é, as suas características técnicas condicionam a forma das práticas culturais, da organização social e dos padrões de pensamento.

Por exemplo, a maquina fotográfica foi inventada e introduzida na sociedade como forma de captar aquilo que vê-mos, congelar um momento, mas até então estas eram vistas como competências exclusivas de um pintor.

Isto desencadeou um número enorme de mudanças na sociedade, como as criticas por parte dos artistas e pintores que não aceitavam a fotografia como sendo uma arte, o nascimento de novas correntes artísticas que se afastam da representação do real por parte da pintura, e a tentativa da fotografia de acompanhar o resto das artes  criando assim correntes artísticas, o crescimento exponencial de retratos, o uso da fotografia como registo cientifico, o foto jornalismo, mais tarde a criação da cinematografia…

Hoje não há uma família que não tenha “fotos de família”, uma pessoa que não tenha uma selfie, não há ninguém que passe pelo Big Ben, pela torre Eiffel, pela capela Sistina, ou pelo Castelo de Guimarães… sem tirar uma foto, hoje em dia estão em vias de extinção aqueles que comem sem terem passado tempo a tirar fotos à comida.

A fotografia é só um exemplo, poderia ter usado qualquer meio, pois todos eles provocam alterações na sociedade, cultura e praticas em todo o mundo.Marshall_McLuhan

“ O telefone, a voz, o instante ”

Atualmente, nos tempos que correm, tornou-se banal a audição da voz de alguém que poderá se encontrar a milhares de quilômetros de distância. Contudo, seria de facto interessante, fazermos um exercício de incorporação, e encarnarmos a pele daqueles que pela primeira vez na História assistiram à propagação da voz num tempo e espaço que até então seria impensável que se verificasse. Certamente muitos terão ficado estupefactos com o “transporte” da voz, de um local para o outro, no momento instantâneo sem a presença física dos corpos em questão. O telefone, é assim, um dispositivo de telecomunicações que foi inventado com o propósito de transmitir sons por meio de sinais elétricos.Há muita controvérsia sobre a invenção do telefone, sendo que esta é geralmente atribuída a Alexander Bell.
Contudo recentemente a invenção foi concedida como uma criação de Antonio Meucci, ( por volta de 1860 ) , sendo que esta se deveu a uma necessidade de comunicar com a sua esposa. Contudo em Portugal a
primeira experiência com o telefone deu-se só a 24 de Novembro de 1877, ligando Carcavelos à Central do Cabo em Lisboa.
A voz, para além de uma fonte de transmissão de sentimentos, é um dos mais fortes indicativos dos traços da personalidade de alguém, e é acima de tudo o modo de comunicação por excelência, desde os primórdios, antes da escrita. A primeira grande emoção dos pais é quando os seus filhos começam a falar, como se a partir desse momento integrassem de facto a espécie humana. A condição de ser em permanente estado de comunicação é inerente ao Homem, sendo que o primeiro modo que utiliza para o expressar, e que o faz de uma forma mais pura é através da fala.
O modo como alguém se expressa está igualmente associado às emoções que está sentir naquele momento. O telefone veio possibilitar isso, quase como se trouxesse um pouco da alma com quem se estava a falar no momento. É difícil esconder ou manipular os sentimentos quando somos confrontados com eles no momento, sem maneira de os podermos amadurecer nem camuflar. Não podemos igualmente esquecer o facto do telefone possibilitar uma comunicação relativa ao instantâneo, possibilitando e facilitando não só a comunicação do foro mais pessoal, mas bem como a transmissão de notícias e acontecimentos de importância do foro universal.

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Ana Francisca Cruz

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Telefone

O que significou deixar de escrever à mão? O que acontece quando se escreve com um teclado?

A escrita é a pratica ancestral de “matar ideias”, pois uma ideia no papel não pode argumentar nem mudar consoante as barreiras impostas por uma argumentação, mas desde os primórdios da humanidade que vê-mos  a escrita ser usada como forma de fazer uma ideia perdurar no tempo e vencer as malhas do esquecimento.

Mas como terá sido escrever num teclado pela primeira vez? Como terá sido encontrar uma alternativa para uma pratica que teve inicio à já 3000 anos antes de Cristo com a proto-escrita?

A maquina de escrever é como uma prensa de Gutenberg , na qual os caracteres são impressos no papel, um a um consoante a tecla que pressionamos. Concede tudo o que necessita-mos para formular palavras e consequentemente frases e parágrafos, de uma forma sempre legível, mecânica ,e quanto mais a utiliza-mos , intuitiva.

A escrita por meio de uma maquina retira grande parte da humanidade de um texto, da expressividade da caligrafia, mas não retira a mensagem passada pelas palavras, daí o facto de ainda hoje o meio mais usado para propagar ideias sobe a forma de texto seja através da escrita a maquina, pois é aquela com a qual todos se podem relacionar, ler, interpretar, pois não é a escrita de uma pessoa , é a escrita de TODOS.

Luzes, Câmara.. Ação?!!

Talvez por ter nascido numa geração onde a gravação de video já estava vulgarizada, não consigo imaginar o mundo sem esta forma de arte e de comunicação social, talvez a mais importante e usada nos dias de hoje. Mas nem sempre foi assim.

O movimento representado numa gravação de vídeo é, nada mais, nada menos do que a junção de várias fotografias tiradas consecutivamente, pelo que se pode considerar que a câmara de filmar é directamente descendente da câmara fotográfica. A ideia de “imagem em movimento” maravilhou o mundo e rapidamente se foram desenvolvendo mais e melhores técnicas e equipamentos, tendo também levado à criação do cinema, que fez chegar esta ideia ao público em geral.

Os primeiros filmes envolviam poucas ou nenhumas técnicas cinematográficas e movimentos da câmara e apenas por volta de 1910 os actores começaram a ser valorizados pelo seu trabalho. O som só foi introduzido no cinema em 1927.

Até aos dias de hoje, a indústria cinematográfica desenvolveu-se de forma predominante, tanto no que toca às técnicas como aos equipamentos.

Só por volta de 1976 é que o cinema chega à casa das pessoas, com o sistema VHS (Video Home System).

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Mais tarde, no final dos anos 90, foi introduzido o DVD, inserido já na chamada era digital.

Actualmente, somos sufocados pelo poder que o video exerce nas nossas vidas. Tornou-se um meio de massas, acessível a todos, bastando para isso ter um simples telemóvel. O video, tornou-se portanto, a forma mais fiável de presenciar tudo aquilo que se passa no mundo, sem realmente lá estar, graças à democratização do aparelho de filmar, todos somos hoje capazes de rapidamente captar momentos únicos, partilha-los na Internet, e torna-los acessíveis ao resto do mundo em poucos minutos. Todos podemos ser realizadores ou jornalistas através da gravação de vídeo.

João Resende

O que acontece quando se grava o som?

     Um dia Edison inventou o fonógrafo, um dispositivo que gravava o som e o reproduzia, na altura em que foi inventado, não havia algo igual, apenas havia os fono-autogramas de Édouard-Léon, mas obviamente este dispositivo não teve o mesmo impacto que o fonógrafo teve.
Ouvir, reproduzir um som por uma máquina mudou tudo, a forma como se ouve, se sente a música, e também a forma como se partilha informação ou mesmo culturas. Com o fonógrafo foi possível levar a música para dentro de casas, foi possível levar a arte para dentro de casa, foi possível ouvir música sem que ela  esteja a ser tocada ou cantada por músicos, foi assim possível também, talvez uma magnificação da música em termos culturais, com o fonógrafo podiam gravar uma musica duma tribo africana e reproduzi-la nos Estados Unidos, quando que se o fonógrafo não existisse isso nunca existiria. Não só na música mas em tudo, podiam gravar o que quisessem e reproduzi-lo no outro canto do mundo. Mas para mim este dispositivo leva a algo maior que é os dispositivos que temos hoje em dia, onde podemos gravar tudo, estes dispositivos que hoje são uma grande ajuda em várias profissões.
Outra grande mudança que este dispositivo, o fonógrafo, trouxe foi a simplicidade de gravar a voz de uma pessoa, gravar a voz, talvez não seja algo tão espectacular para alguns, pois já estamos tão habituados ás tecnologias de hoje, maso facto de gravar a voz de uma pessoa e guarda-la é um tesouro tão grande, eu penso e tenho quase a certeza que há tanta gente, incluindo eu, que desejava ter gravado a voz de pessoas que partiram, este dispositivo mudou a forma como olhamos para o passado.
Ouvir a voz ou a música e reproduzi-la é algo que nos dias não achamos ser uma grande coisa, mas se de repente ficassemos sem essa possibilidade con certeza que o Mundo não seria o mesmo.

Ana Bento

Mcluhan o Meio é a Mensagem

     O meio e Mensagem

      Na década de ano 1960 Macluhan apresentou  as suas teorias, um tanto visionarias, a cerca das tecnologias, para o autor os meios tecnologicos são uma extensão do corpo humano que ampliam as capacidades do Homen, ou dos próprios sistemas e instrumentos criados pelo Homem, para ele por exemplo: a roda seria uma extensão das pernas a roupa seria uma extensão da pele, os próprios meios da tecnologia não se detém em suas formas físicas ou matérias, e dá o exemplo do alfabeto  como uma extensão humana ( linguagem).

Neste caso, teria posteriormente sua capacidade expressiva, ampliava através dos meios expressos,   que através da mensagem manifestam- se em simultâneo. o livro contém a palavra impressa, que contem a escrita, contendo o discurso e assim por diante neste exemplo podemos entender que o conteúdo de um meio é sempre outro meio. nele encontramos uma mensagem. o meio é qualquer extensão de nós mesmo, noutras palavras, um meio é qualquer coisa a partir da qual surge uma mudança.

A mensagem não pode ser simplesmente reduzida ao conteúdo ou informação que o meio vincula,a sua mais importante característica poder de mudar, e influir nas relações e actividades humanas. É ai que encontramos a máxima de Mcluhan. sua famosa controversa frase: O meio é a mensagem..

É difícil encontramos ou definimos uma concreta para tal conceito, mas após dizer que: O meio é a mensagem em seu livro os meios de comunicação como extensões do homem. Mcluhan o fato é que nem sempre percebemos a interface entre os diversos meios de comunicação e seus efeitos sobre nós, suas intervenções nas sociedades ou culturas, pois podemos  pensar que o  conteúdo de qualquer mensagem é como algo menos importante do que o próprio meio.

Na obra de Mcluhan, na sua perspectiva sobre os medias sociais é possível ver algo de profético.

Antecedeu os adventos de meios que hoje se manifestam, como uma realidade global, diferentemente da sua época, hoje a sua interactividade dos multi médias, da  velocidade dos avanços tecnológicos , são superiores e se tornaram verdadeiramente extensões  físicas e psíquicos do homem,  temos como maior exemplo a Internet, podemos dizer que é a nossa realidade actual sem dúvida, que o meio é a mensagem.

As condições e alterações proporcionadas  pelo meio, as quais todos os individuas estão submetidos, geram mudanças não só no nível da Sociedade e  da comunicação, como também, e  principalmente no estilo de vida de cada um.

Mcluhan  nos deixou quatro teorias que nos permitem estudar e aprender a real natureza  dos meios de comunicação, que revolucionaram toda a historia da Humanidade.

 Ivete Monteiro,

Espetáculo, Mídia, Sociedade

No primeiro episódio da quarta de temporada da série American Horror Story há um diálogo que julguei apropriado para começar este texto. A história que se passa em um circo de “aberrações humanas” enfrenta problemas financeiros para se manter e o esforço de trazer novas “atrações” para o circo, consequentemente atraindo um certo número de espectadores, é resumido na seguinte frase:

– “Os tempos estão difíceis. Graças aos comediantes no rádio, o pessoal está se divertindo em casa agora.”

Não somente essa frase em particular, mas momentos pontuais durante toda a temporada discutirão a questão do abandono da prática popular do circo e de suas consequências em detrimento ao advento de novas tecnologias. Freakshow se passa no ano de 1954, na Flórida, Estados Unidos. O escopo da série serve para pensar na teoria de Marshall McLuhan que, mais do que pensar nos médias apenas por seu viés evolutivo, coloca a questão da práxis social no entorno destes objetos.

Nesse contexto, a televisão ao mesmo tempo que distancia socialmente, cria um novo nicho, uma nova prática individualista, uma nova extensão humana em sua apreciação. Não mais a reunião coletiva em um determinado local onde códigos de conduta em grupo estariam sendo postos em prática. A televisão, com a sua alta necessidade de atenção e pouca chance de argumentação a partir do espectador acaba por erradicar a conversação social. Além disso, por causa de se alcance imediato e instantâneo, serve de instrumento ideológico.

Em uma entrevista de 1977, Marshall McLuhan afirma que entre o rádio e a televisão, a televisão estaria criando um certo tipo de analfabetismo. Isso é justificado a partir das opiniões professadas pela televisão ( o conteúdo ) e, mais ainda, salienta a eficácia e importância que o objeto eletrônico em si desempenha na sociedade: o que a televisão professa é algo verdadeiro, indiscutível ( o meio ).

Dessa forma, podemos entender o meio, além de um transmissor, como a própria mensagem, o que ratifica a máxima de McLuhan: ‘o meio é a mensagem’. Não só o seu conteúdo transmite, mas sua atualização objetual pressupõe uma série de adaptações pertinentes à sociedade. A “reclamação” que pauta o seriado descrito acima, ultrapassa os limites da pura novidade. Ela se calca na comprovação de que certas formas de cultura, como certos meio de comunicação, se revelam obsoletos conforme o homem continua a estender os seus domínios. E mais do que isso, o ambiente na qual esses meios convivem é afetado de forma, muitas vezes, irreversíveis.

Reúne-se agora em torno do meio, não mais do espetáculo.

Reúne-se agora em torno do meio, não mais do espetáculo.

André Luiz Chaves

A Máquina de Escrever

A invenção da máquina de escrever revolucionou a sociedade e todos os segmentos ligados á escrita até então feita de forma manual. Inventada e desenvolvida na segunda metade do século XIX, contribuíram para o desenvolvimento das comunicações da época e, também, para a entrada da mulher no mundo dos negócios.

Até então a escrita era feita manualmente, maior parte do conhecimento transmitido ao longo dos séculos era feito através da escrita manual ou mais tarde com tipografia que vai ser um estímulo à máquina de escrever, e por si mais tarde ao teclado e sucessivamente ao computador. O alcance de novas etapas de conhecimento e de desenvolvimento despertam o desejo nos inventores e colaboradores de criarem um forma mais rápida e acessível de transmitir conhecimento e informação através da escrita.

Já na segunda metade do século XX, com a introdução das máquinas de escrever portáteis e das elétricas, a máquina de escrever mais desenvolvida e sofisticada, torna-se rápida, silenciosa, prática e ao alcance de todos.

No fim do século XX as máquinas de escrever já fazem parte da generalidade das empresas e na utilização doméstica. A máquina de escrever difundiu-se com a expansão do setor comercial e serviços, nas repartições públicas, nos bancos e nos escritórios, pela necessidade de uma maior rapidez e uniformidade da escrita contribuindo para o desenvolvimento económico e social.

Tornou-se indispensável no mundo dos negócios e surgiu como um instrumento das novas oportunidades de emprego, sobretudo da emancipação da mulher no mercado de trabalho.

O formato QWERTY das antigas e máquinas de escrever, que ainda hoje está presente no nosso computador ou telemóvel é um meio essencial de comunicação e interpretação.

Daniela Lages Fernandes

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O significado da fotografia nos seus primórdios

Para nós que nascemos num tempo em que o acesso à fotografia já se encontra plenamente (ou quase plenamente) democratizado e massificado, torna-se de algum esforço o exercício de recuarmos no tempo até à data do surgimento das primeiras fotografias, no início do século XIX, e imaginarmos exactamente o impacto dessa novidade na mundividência das pessoas que a ela assistiram, dando resposta à questão “e se eu tivesse vivido naquele século, o que significaria para mim ver pela primeira vez uma fotografia?”.

No entanto, nem por isso deixa de ser fácil a constatação de uma série de fenómenos nos campos social, cultural, artístico, filosófico, desencadeados pelo advento da fotografia.

É evidente, desde logo, que, de um modo geral, a fotografia permitiu reproduzir a realidade com níveis de exactidão e objectividade que outras formas até então usadas pelo ser humano para expressar a sua visão sobre o mundo envolvente não permitiam. Aliás, no âmbito artístico, muitos foram os artistas – em particular pintores – que se insurgiram contra a classificação da fotografia como forma de arte precisamente por considerarem que ela se reduzia ao produto de um processo químico, sendo a objectividade e fidelidade à realidade elementos perversores da própria arte, na medida em que ocupavam o espaço devido à intervenção criativa da mão humana. À semelhança do que muitas vezes sucede perante algo novo e diferente, e portanto, estranho, a fotografia, nos seus primórdios, foi alvo de desconfiança e de críticas destrutivas, vindo a ser assimilada gradualmente, não só na arte, mas com diversos outros objectivos, no quotidiano dos indivíduos, até se tornar “viral” nos nossos dias, perante a completa vulgarização da câmara fotográfica.

Fixando o olhar no século XIX, podemos ainda dizer que a captação da imagem fotográfica possibilitou uma nova dinâmica no mundo da imprensa, assim como ir mais longe na investigação científica das mais diversas áreas do saber, desde as ciências sociais e humanas – no âmbito das quais permitiu documentar a realidade de diversos estratos sociais – às ciências exactas como a medicina ou a biologia, servindo de precioso instrumento de apoio ao estudo, ao facilitar a apreensão da realidade com maior exactidão (ainda que as primeiras fotografias apresentassem uma nitidez e precisão de imagem muito relativa…)

AUTOPORTRAIT BAYARD 1839

“Autoportrait en noyé” (“Auto-retrato de um homem afogado”), de Hippolyte Bayard (1839) – o primeiro auto-retrato conhecido em fotografia, também considerada uma das primeiras fotografias de crítica e reivindicação social

De todo o modo, concluo que o ver pela primeira vez uma fotografia, no século XIX, terá sido um momento envolto em alguma “magia” – a que naturalmente é suscitada pela percepção de se poder eternizar uma imagem, seja de um espaço, seja de uma pessoa, naturalmente efémera –, permanecendo essa magia até aos nossos dias, a meu ver, sempre que, através de uma máquina profissional ou do nosso smartphone, condensamos no tempo um momento da nossa vida, por muito banal que aparente ser, e alimentamos a felicidade a ele associada, cada vez que o revivemos ao revisitarmos o álbum de fotografias.

Sara Luísa Silva

O inicio da Imortalização do som: a gravação audio de voz e música

Tecnologias de ver, ouvir, falar e escrever: uma arqueologia dos média

o que significou registar a voz humana pela primeira vez? O que acontece quando se grava o som?

Graças a Thomas Edison, que inventou o Fonógrafo em 1877, foi possível a gravação e reprodução de sons pela primeira vez. A partir desse momento, uma serie de outros inventos semelhantes surgiram, com outros nomes, como Gramofone, Fonoautógrafo, melhorados por diferentes inventores, como Bell e Thomas Young, fazendo com que mais tarde, por volta de 1927, Edison sofresse com os avanços na reprodução de som e com o facto de não ter optado mais cedo pela produção de modelos melhorados.

Assim, a partir do século XIX, já não era preciso aparecer em eventos musicais ao vivo para poder ouvir música, já podíamos ouvi-la no conforto da nossa casa (se tivéssemos possibilidade de comprar o produto) como nos é dito pelo próprio fonógrafo no anúncio de Edison que ouvimos na aula – Advertising_Record.ogg. Com este avanço tecnológico, podemos, em principio fazer muita coisa, como levar a música connosco para onde quisermos (através do transporte do Fonógrafo); gravar uma mensagem de voz e, através do transporte do aparelho por meio de alguém conhecido, enviá-la para um amigo ou familiar e receber outra de volta, apesar de este tipo de contacto parecer um pouco ineficiente devido ao transporte cansativo; deixar uma mensagem audio em casa antes de sairmos para alguém ouvir quando acordasse ou chegasse, entre outras hipóteses… Foi sem dúvida um grande avanço pois apesar de 50 anos depois já haver avanços ainda maiores e melhores, sem um primeiro avanço e uma primeira tentativa, nenhum dos aparelhos que surgiram naquela época poderiam ter sido inventados. Quando gravamos um som, é uma tentativa de imortalização do mesmo, isto é, uma tentativa de que este dure para sempre, ou o maior período de tempo possível, para que possa ser recordado sempre que necessitado, através da sua reprodução. Isto também é válido, claro, para a gravação da voz humana, como por exemplo, um antepassado nosso gravar algo num instrumento semelhante ao fonógrafo ou a outro dessa época que que mais tarde possa ser recuperado por algum familiar curioso.

A história da gravação sonora teve várias paternidades que a desenvolveram e todas devem ser valorizadas de igual maneira, pois sem estas invenções e os seus inventores, o mundo da música e o nosso mundo não seria como o conhecemos agora.

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