Arquivo de Junho, 2011

Antologia «DigArtMedia» 2011

Henry Jenkins (Comparative Media Studies, MIT), entrevista realizada por Peter Zak (2009).

Esta é uma selecção de alguns dos melhores contributos escritos ao longo do semestre. A selecção tem em conta critérios como relevância, ligação com as teorias estudadas, qualidade da escrita, originalidade e interesse do exemplo escolhido.

Ana Gonçalves [02-06-2011], “Db8” sobre linguagem

Ana Sofia Lopes [01-06-2011], Mundos paralelos

André Costa [30-05-2011], “Hi, a real human interface”

André Ribeiro [31-03-2011], A brecha entre gerações causada pelos NM

Andreia Loureiro [31-05-2011], Artificial Intelligence: AI (2001)

Andreia Maranho [11-03-2011], O meio é a mensagem! Será que conseguimos decifrá-la?

Andreia Sofia Martins [03-04-2011], Criação de novos mundos

Bruno Fernandes Oliveira [28-05-2011], A tripla lógica na genealogia dos média

Carmen Gouveia [01-06-2011], A imagem electrónica. Arte ou tecnologia?

César Jesus [30-05-2011], A evolução do computador

Daniela Boino [24-05-2011], PressPausePlay: A film about hope, fear and digital culture

Diogo Alves Pinto [01-06-2011], Body Navigation

Filipa Lima [03-06-2011], Fardo ou complemento?

Gustavo Fonseca [02-06-2011], @DavidCrystal

Inês Oliveira [12-05-2011], Os novos (mini) filmes: os videoclips

Joana Cordeiro [01-06-2011], Paula Rego em alta definição

João Ferreira [04-06-2011], Bansky vs. videomapping

João Pereirinha [19-05-2011], Addicted  + [25-02-2011] Criatividade e informação digitais

Julia Alberti [19-04-2011], La stratégie commerciale d’Apple

Luíza Fernandes [02-03-2011], Sociedade digital

Mafalda Teixeira [01-06-2011], Tecnologia nas escolas

Manoel Paixão Lordelo S. Jr [04-04-2011], A perda da aura na actualidade: a Capela Sistina a um clique

Manoelito Neves [01-05-2011], A escrita e a fala online

Margarida Rigueira [14-03-2011], O meio é a mensagem: O impacto das tecnologias Wi-Fi

Maria Leonor Nunes [26-05-2011], How to stumble for dummies

Maria Pires [03-06-2011], Arte interactiva – visitas virtuais

Maurício Teixeira [03-06-2011], Banda desenhada e suas adaptações

Mónica Almeida [02-06-2011], How fast…?

Pedro Polónio [07-04-2011], Objectos digitais … conceitos e sua aplicação

Rita Henriques [26-03-2011], A captação do real

Rui Carvalho [06-06-2011], c4n sUm1 h31p m3?

Sara Cunha [19-03-2011], Um exemplo da forma de alteração de ensino

Sílvia Micaelo [04-06-2011], Transcodificação cultural

Victor Mota [02-06-2011], Evolução da urna electrónica

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Remake

O conceito de remdiação pressupôe sempre uma análise acerca da relação entre o novo media e o velho media. Num extremo, o novo media apenas apresenta o velho, como serão os casos em que páginas de internet nos dão acesso a cópias de livros, álbuns de fotografias ou quadros: pretende-se a transparência do meio novo, para realçar o antigo.
Por outro lado, a remediação pode significar a absorção de um meio por outro, sendo exemplo, a propriação do cinema pelos jogos de computador ou vice versa.
Com o aparececimento do meio digital, rapidamente surgiram na música novos sons, dando estes origens a novos estilos. Ao mesmo tempo, o hábito do remixing, do sampling, tornados cada vez mais simples  pelo avançar da tecnologia, faziam explodir a remediação na música.

Quando pela primeira vez vi o vídeo que apresento, conhecia na altura pouco do chamado BeatBoxing. Este estilo de música sustenta-se exclusivamente no uso da voz. Esta forma de percussão é considerada por alguns como tendo raízes bastante longínquas (nos trovadores, 1200-1300) mas a sua expressão como a conhecemos hoje teve origem comum com o hip-hop e o rap dos anos 90. Escolhi este vídeo por me parecer interessante não só a apropriação desde estilo dos sons produzidos na sua maioria electronicamente mas também do processo de mistura e samplagem e do formato de televisão bastante conhecido de todos nós: o programa de culinária.
Será esta, de facto, uma forma de remediação?


Este segundo vídeo, foi elaborado de forma a apresentar um evento, o PechaKucha Night Coimbra, em forma de cartaz. Tendo participado na sua elaboração, torna-se interessante pensar de novo nesta produção à luz de alguns dos conceitos que discutimos. O clip acenta na ideia de um cartaz, sendo que se pretendia a informação sobre participantes clara, sendo usado o grafismo e ilustração típicas de produto em papel. A parte vídeo tinha como objectivo complementar a descrição do trabalho que cada participante iria trazer à mostra. O áudio foi criado em partes, de forma a ser editado em conjunto com a imagem, sendo que só o estilo minimalista e os sons a usar foram criados antes da edição.
Tudo foi feito, à excepção da imagem capturada com uma câmara (também ela digital), através de computadores: software de edição de imagem (Premiere), software para desenho digital (apesar de desenhada à mão, a ilustração foi feita num computador), uso de software para sintetizar os sons (Reason) e para os editar (Adobe Audition). Mas não só a produção foi digital: tirando os essenciais encontros para discutir ideias (possibilitados pela proximidade mas também hoje possíveis através da internet), a troca de e-mails, ficheiros, problemas, questões, respostas, tudo foi tratado através da rede, não fosse a rede o seu destino final.

Rui Carvalho

Mass Media

No final dos anos 40 do séc. XX, quando a televisão começava finalmente a massificar-se, George Orwell publicava o livro “1984”. Nesta distopia marcada inevitavelmente pela Guerra Fria , o autor descreve um mundo futuro divido em três grandes blocos a que correspondem 3 estados concorrentes e em constante conflito: Eurasia, Eastasia e Oceania. A acção decorre neste último, regime totalitário chefiado pelo Partido. O seu representante máximo é o “Big Brother”, termo hoje conhecido por todos  (entre outros, sendo também conhecida a expressão “Big Brother is Watching You”, usada ainda hoje um pouco por todo lado precisamente quando se pretende criticar qualquer tipo de controlo sobre as massas)  foi cunhado pelo autor desta obra.

Não querendo entrar numa descrição detalhada do enredo, é necessário referir que a engenharia social era levada ao extremo, através do uso da propaganda ,do reescrever da história, do raciocínio (punição dos “crimes de pensamento”) e da própria língua (a “Newspeak”), do controlo/abolição da vida privada. Neste último ponto, entrava em cena o telescreen , uma espécie de emissor/receptor semelhante a uma televisão que tanto emitia a propaganda do regime como servia coma uma espécie de circuito interno de TV, gravando e transmitindo ao partido todos os movimentos de cada um, eliminando, à partida, qualquer possibilidade de desvio ás normas.

De facto, o exercício de futurologia praticado pelo autor, é assustadoramente próximo dos potenciais (ou reais) usos para o controlo das massas que essa nova tecnologia (e qualquer outra, a partir daí) colocou à disposição das lideranças. No entanto, alguns defendem que a distopia não passa disso mesmo e que a televisão foi, afinal, um catalisador da democracia.

Hoje vivemos numa época em que a internet, para além de todos os novos esquemas sociais que possibilitou, se consagrou definitivamente como um campo onde se desenrolam eventos que influem directamente na vida de comunidades e até estados. E como esperado, estes mesmos estados começam já hoje a tentar perceber como se pode controlar este sistema sem líder. Bom exemplo é a última reunião do G8 (intitulada e-G8), que juntou os lideres mundiais e representantes das maiores empresas do planeta no que diz repeito a conteúdos, meios e tecnologias relacionadas com a web. Congratulou-se o papel da internet nas revoluções mais recentes mas também se questionou como ter mais controle sobre o que se passa na rede…

De qualquer forma, numa sociedade que cada vez mais se define pelos media, esta distopia será sempre um ponto de partida, de passagem ou chegada numa dicussão sobre o poder e os media.

Rui Carvalho

c4n sUm1 h31p m3 ?

Com o aparecimento das SMS nos anos 90, surgiu também uma necessidade quase imediata de adaptação da escrita. Pelas características do próprio meio, aquela precisava de se tornar rápida de produzir e ocupar menos espaço já que os caracteres são contados 1 a 1, incluindo espaços.
A história dos sms é curiosa, sendo que inicialmente não tinham qualquer custo, não eram sequer publicitadas. A dificuldade em utilizar este novo meio, serviu como uma luva nas gerações mais novas já que as figuras autoritárias não tinham vontadade ou disponibilidade para aprender a utilizá-lo – era o meio de comunicação perfeito para os mais novos. De repente, eram enviadas milhões de mensagens. Só nessa altura, e após iniciar a cobrança de cada mensagem, se começou a publicitar este novo meio.
De qualquer forma, o meio não só era a mensagem como criou uma nova forma de escrita, novas palavras e símbolos,  que se adaptavam a esse meio no sentido de melhor transmitir emoções, informações, questões….

O título deste post lê-se “Can someone help me ?”

Esta forma de escrita é usada normalmente por “hackers” ou “crackers”, conhecida por Leet ou l33t (de elite). No imediato envolve a substituição de letras por números ou caracteres ASCII. Terá surgido em grupos de discussão, com o intuito de fugir a filtros que visavam evitar as dscussões sobre tópicos proibidos, como o cracking (modificação de software de forma a desactivar parte do mesmo, normalmente ligado á protecção contra cópia/utilização desse mesmo software) ou hacking . Outro motivo para o uso desta linguagem prende-se com a distinção entre especialistas e novatos (ou n00bs, da palavra newbie).

Estes exemplos mostram de facto que qualquer nova tecnologia altera a forma como comunicamos e consequentemente a própria linguagem. E se por um lado a linguagem sempre foi dinâmica, por outro há sempre quem resista a novas formas de comunicar…

Rui Carvalho

O Sexto Sentido

A busca pela imediacia é interminável. É uma busca pela “experiência sem mediação”, como referido por Bolter e Grusin. E um dos obstáculos a essa transparência tem sido o interface do utilizador com o computador. O rato, o teclado, ecrãs tácteis, luvas e capacetes têm o obectivo final de nos introduzir cada vez mais no mundo digital. O ser humano avança na fusão com o digital, na imersão que prentende mais completa. Somos cada vez mais cyborgs, mais ainda se considerarmos o conceito de cyborg apresentado por Amber Case, antropóloga (http://www.youtube.com/watch?v=z1KJAXM3xYA), com um sentido  muito mais lato do que aquela visão de um homem impregnado de componentes electrónicos.

No vídeo que apresento no início, esta busca ganha uma nova forma, talvez aquela que melhor concretiza a fusão do mundo real ao mundo virtual. É, a meu ver, uma abordagem inovadora na conceptulização da relação entre homem e máquina, já que se opta por trazer o digital para mundo real em vez de procurar formas de imergirmos no digital. De certa forma, a imersão torna-se completa. Toda a informação digital projectada no nosso mundo, nas coisa nas pessoas, nas situações.

Depois de considerarmos as novas tecnologias como um extensão da nossa mente, de nos percebermos como cyborgs , no sentido em que já dependemos de inúmeros dispositivos para levar a cabo a nossa vida, esta tecnologia provoca uma extensão do mundo virtual ao mundo real, um processo de certa forma inverso aos que temos analisado mas não menos consequente no futuro das nossas vidas.

Rui Carvalho

Quanto vale a qualidade dos produtos mediáticos?

Na quarta-feira estava a dar um relance pela página principal do meu facebook, quando de repente vi um post de uma notícia, feito por uma amiga minha, que mostrava o seguinte: “Rapaz vende rim para comprar Ipad 2 e Laptop” Fiquei chocado com a notícia, e hoje, ao pensar no tema que podia incluir no blog, lembrei-me desse acontecimento e ponderei sobre ele. Ponderei sobre até que ponto é que a necessidade de estar ligado ás novas e melhores tecnologias cria uma dependência e uma urgência tão grande em nós que nos forçaria a sacrificar algo tão pessoal ou, neste caso, da nossa existência biológica.

Claro que o indivíduo, tendo só 17 anos, não tinha maturidade o suficiente para se aperceber do erro que estava a cometer,  mas o facto de ter feito a transacção através da Internet e ocultando-a da sua família, faz-nos questionar sobre o impacto que todos estes avanços tecnológicos (e, consequentemente, sociais) têm não só na mentalidade geral das pessoas, como também na dos mais vulneráveis, como as crianças e adolescentes. Como é que passou pela cabeça do rapaz fazer aquilo? Porque é que sentiria tanta pressão para comprar tais produtos topo-de-gama? Será a pressão social do seus colegas? De facto, a vontade que os jovens têm em tomar posse da ‘novidade’ revela os efeitos que os mencionados avanços digitais têm nos mesmos. Dou o exemplo dos telemóveis touch e smartphones que substituíram o aparelhos com teclas que antes levavam nos seus bolsos. As coisas mais importantes/frequentes que faziam com os produtos anteriores são exactamente as mesmas que fazem com os novos, o que muda agora é a sede da qualidade, dos extras e do novo hardware que estes oferecem, que, hoje-em-dia, parecem ser factores sinónimos de “popularidade”, algo que, obviamente, rege nos mundos sociais dos mais novos. Os mais velhos também os compram, mas é mais por necessidade prática e pessoal, não tanto por pressão social. Ainda assim muitos detestam ficar ímpar com a evolução tecnológica e mediática.

 

-André Ribeiro

A Arte digital é eterna?

As artes digitais produzidas com o computador  utilizando os programas (softweres) são  armazenadas ou guardadas em arquivos e em CDs ou DVDs.  Depois de todo processo criativo e  finalização serão  apresentadas nos espaços publicos nas galerias e museus, esses espaços são importantes  para que os artistas mostrem suas obras, com isto, serem reconhecidos e consequentemente,  fazer com que o publico tenha contato com outros meios de fazer arte, evidenciando que a arte convencional e a arte digital podem conviver no mesmo espaço.

Porém,  há um grande problema a vista que é a preservação da arte digital e sua salvaguarda. Atualmente grande parte das obras estão gravados nos CDs e DVDs, porquanto, estarão  a salvos por  muito tempo como acontece com uma  pintura em tela e uma escultura que foram  feitas (algumas dentre tantas)  a três séculos e ainda se encontram preservadas e autenticas nos museus?

Diante da acelerada vida tecnológica dos hardwares que estão em constante mutação e desenvolvimento será que a arte digital terá os mesmos suportes(leitores óticos/CDs/DVDs), atuais e poderá ser vista daqui a dez décadas?

Um exemplo mais claro: algumas obras que  foram gravados em fitas rolos de filmes e fitas VHS e o suporte para fazer a leitura (os aparelhos de videocassetes), estão ultrapassados e  não há manutenção ou peças de reposição e deverão ser  transportados para os DVDs ou CDs e ao modificar o suporte  não perdem sua originalidade e autenticidade como Benjamim  havia profetizado? O suporte é parte integrante de uma obra de arte, os recursos utilizados para sua produção também, por isso, a arte digital/ multimédia é sem dúvida um desafio enorme que os museus terão que lidar para manter, salvaguardar e preservar as obras que integram o seu acervo e requer especialização, estudos e pesquisas de novas técnicas de preservação  para atender as tranformações no mundo da arte.

Manoelito Neves


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