Arquivo de Abril, 2009

Os média na Revolução

Como sabemos, o papel dos média tem sido, ao longo dos tempos, extremamente importante. Nalguns casos, determinante. Hoje, visto ser dia 25 de Abril, sugiro reflectir sobre o papel dos média no importante acontecimento de há 35 anos.

Pelas 22 horas e 55 minutos de dia 24, a canção “E depois do Adeus” de Paulo de Carvalho é transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Previamente teriam combinado este como um dos sinais para desencadear a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.

Às 0 horas e 20 minutos, o programa Limite da Rádio Renascença (com o locutor Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano) transmitiu “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso, sendo este o segundo sinal que confirmava o golpe e marcava o início das operações.

Desde já podemos verificar o papel fundamental que a rádio adquiriu e que ajudou a mudar o rumo do nosso país, assim como da vida do povo português. Com a revolução, a Emissora Nacional, criada anos antes à semelhança de outros modelos europeus, e que servia sobretudo para fazer propaganda ao Estado Novo, sofreu uma imediata ocupação, com a nomeação de militares para todos os cargos relevantes. As forças de intervenção tomaram ainda o RCP e também a RTP, no Porto. Após este acontecimento, o estatuto da empresa concessionária da radiotelevisão foi alterado. Um ano mais tarde a RTP foi nacionalizada, transformando-se na empresa pública Radiotelevisão Portuguesa.

Hoje existem online o  Centro de Documentação 25 de Abril da UC e ainda o sitio da Associação 25 de Abril.

Aqui temos a opinião de Zeca Afonso sobre a utilização da sua música.

Ora, se pensarmos na actualidade, como é que as coisas se teriam processado? Se bem que, por um lado, há uma maior facilidade de comunicação, com todas as mais-valias da internet, dos telemóveis, pagers e afins, por outro lado também é muito mais fácil “apertar o cerco” e controlar os movimentos. Na medida de forças venceria a circulação de informação ou a repressão? Seria mais complicado mobilizar e coordenar uma força interventiva?

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“Televison rules the nation”

Durante o meu estudo para a primeira frequência de Introdução aos novos média, dei por mim, no meio das várias vertentes e pensamentos que constituem esta matéria, a pensar e a formalizar sobre toda a influência que este “novos” média forçam sobre nós. Forçar se calhar é uma palavra forte; mas é só mesmo à primeira vista. Por tudo que posso observar, cada vez mais são as pessoas que se mostram dependentes destas “modernices”. Refiro-me à poderosa internet, televisão e telemóveis, acima de todos as outras. Praticamente todas as pessoas próximas de nós são assim, incluindo nós mesmo. Pus-me a reflectir e fiz um breve ensaio em relação a todas as pessoas que me rodeiam. O rapaz que vivia comigo mudou de casa. Em nossa casa estipulamos que não iríamos ter televisão, precisamente para não nos distrairmos muito. Quando ele mudou de casa fui visitá-lo e dava com ele sempre colado na sua “nova” televisão. Mandou instalar o Meo e lá ficava ele tardes e tardes especado a contemplar no seu precioso ecrã, mesmo que os programas não lhe interessassem particularmente. Ele até já dizia “saber os programas quase de cor”. Se não era o ecrã da televisão era o do computador, onde se punha a trabalhar durante tardes em programas de 3D. O que fazia ele o dia todo? No meu ver, por muito insignificante que seja, não fazia nada! O que de produtivo ele fazia? Nada. Pude concluir que ele era completamente manipulado pelos seus ecrãs, como uma marioneta. Podemos assistir a milhões de paródias sobre esta nova forma de “culturismo”, da influência que toda ela provoca na humanidade. Ao longo deste texto lembrei-me de várias cenas, acima de tudo filmes, que poderia aqui referir. Por exemplo no filme “Requiem for a Dream” uma das personagens é uma senhora com os seus quase 60 anos, Sara Goldfarb, que passa o dia em casa a ver televisão, mais propriamente a assistir ao seu programa favorito. Não saía de casa para praticamente mais nada. Ao ver as cenas com aquela senhora eu mesma ficava atrofiada com tamanha vida mesquinha. O filme ironiza, para além de outros aspectos mais pesados, a relação que essa senhora tem com a sua televisão, uma espécie de dependência que depois se junta a uns comprimidos para emagrecer. Comprimidos estes, que a personagem decide começar a tomar para ir ao seu programa favorito num vestido vermelho que ela tinha guardado em casa, mas com os anos deixou de lhe servir. Tudo isto se torna numa obsessão completamente doentia. Um das partes do filme é o seu filho, precisamente para a agradar, a oferecer-lhe uma televisão nova, pois sabia que era algo que ela iria dar valor. É uma obra-prima que ironiza todos estes aspectos, conseguida de uma forma espantosamente cruel e verdadeira, mesmo para mexer com os nossos espelhos interiores.
Se o video kill the radio star (vídeo matou a estrela de rádio), agora rules the nation (comanda a nação).


Morgana Gomes

Blasted digital

Foi no dia 8 de Abril, que a famosa banda portuguesa – Blasted Mechanism, revelou, na festa de apresentação do novo disco, na Lagoa das Sete Cidades (Açores), todos os mistérios que envolviam “Mind at Large”, o novo CD da banda. O público já se acostumou a esta banda diferente e inovadora, mas, que agora faz uso de uma tecnologia pioneira na música. Falo-vos de “realidade aumentada” que foi a grande novidade do concerto e que fascinou todos os presentes.

Realidade aumentada é uma das maiores surpresas deste novo trabalho e uma das formas que os Blasted encontraram para se aproximarem dos ouvintes, valorizando o objecto disco. Com esta aplicação, o disco torna-se num elemento interactivo, que cruza o conceito de álbum, site e jogo, segundo revela Frederico Ferreira, da empresa NIXFUSTE, que desenvolveu o projecto com a banda. Embora esta tecnologia já existisse desde os anos 90, nunca tinha sido aplicada num disco.

Para que os fãs da banda ou qualquer outra pessoa, que, por mera curiosidade, queira experimentar esta tecnologia, é necessário ter a capa do álbum, uma webcam e acesso ao site da banda. Depois, são colocados os símbolos, que funcionam como códigos, frente à webcam, activando assim, as aplicações que se descarregam do site.

Os primeiros aplicativos, que ficaram disponíveis em conjunto com o álbum, farão os músicos surgir no ecrã, em 3D, com uma sonoridade associada a cada um deles. A distância entre os símbolos e a webcam comanda o som. Esta tecnologia oferece ainda a possibilidade de poder ser descarregada para os telemóveis.

No seguinte link é possivel ver a aplicação desta ‘Realidade aumentada’ – http://ar.blastedmechanism.com/pt/inicio.aspx

Filipe Metelo

ACCESS

 

A Instalação interactiva ACCESS utiliza um site na internet para transmitir um vídeo em tempo real da instalação num espaço público (um museu ou galeria) permitindo aos utilizadores seguirem uma pessoa anónima, direccionando-lhe um foco de luz robótica e uma emissão acústica com instruções, que só a pessoa “perseguida” consegue ouvir. Para tal serve-se da internet, computadores, sons e tecnologias de iluminação e vigilância.

Os indivíduos seguidos além de não saberem o como nem o porquê da perseguição, não estão conscientes que são os únicos a ouvir o som assim como quem está a observar através do computador não sabe o que está a ser dito pela “voz” que direccionou para a pessoa que escolheu.

O vídeo acima, montado com a colaboração da própria autora do projecto, dá-nos a ver um registo de uma exposição de ACESS, em Nova Yorque, revelando-nos tanto o ponto de vista da pessoa a ser perseguida, como o lado de quem a está a observar na internet e, ainda, o próprio equipamento utilizado para o efeito (câmaras…).

No vídeo, podemos observar diferentes reacções das pessoas (algumas assustam-se e fogem, outras aproveitam a ocasião para se exibirem) ao serem subitamente iluminadas por um foco de luz e escutarem uma voz sem rosto que os informa que estão a ser observados incentivando-os a aproveitar os minutos de fama. O facto de existir também o “outro lado” em que, através da internet, qualquer pessoa pode escolher um alvo, dá a ACCESS uma outra dimensão em que completa o ponto de vista do observado com o do observador que tem algum controlo sobre aquilo que observa e é confrontado com as suas próprias reacções a esse facto.   

ACCESS é da autoria de Marie Sester, uma artista francesa, formada em arquitectura na Universidade de Estrasburgo actualmente a viver em Los Angeles. O seu trabalho artístico no campo da multimédia, em que se contam obras como Threatbox.us (que explora a agressividade imagens e sons na nossa cultura), BE[AM], Lásquitecture du Paradis, Exposure e Settlement, gira em torno de como a arquitectura afecta a nossa compreensão do mundo.  Nas suas palavras: I was trained as an architect, then chose the visual and multimedia fields to examine the way that a civilization originates and creates its forms. These forms are both tangible –such as signals, buildings, and cities– and intangible, such as the aspects of values, laws and culture.(…) The city is a fundamental expression of complexity and the exclusive creation of man. It embodies altogether artifice and sensation, the expressions of human mind.Em ACCESS, Marie Sester utiliza tecnologias de video-vigilância para levantar questões acerca do impacto que a detecção e a vigilância têm na sociedade contemporânea, obcecada com o controlo, ao criarem uma nova forma de presença e realidade.

(Entrevista a Marie Sester)

Claudia Marques

Dialtones: A Telesymphony

Dialtones: A Telesymphony

 

A partir de finais do século XX, os telemóveis tornaram-se tão omnipresentes na nossa sociedade que foi necessário avisar as pessoas para os desligarem em salas de espectáculo.

Golan Levin e os seus colaboradores (Scott Gibbons, Gregory Shakar e Yasmin Sohrawardy) brincaram com esta prática social na performance musical Dialtones: A telesymphony (http://www.flong.com/projects/telesymphony/), tocada a partir dos telemóveis da audiência.

Esta performance foi exibida pela primeira vez no festival Ars Electrónica em Linz, Áustria, no ano de 2001. Os duzentos participantes desta orquestra telefónica registaram os seus números em quiosques seguros da Internet no local do concerto e foram colocados na audiência em lugares específicos, carregando os seus telemóveis com toques pré-determinados para a performance.

Depois de estabelecido o tom e local exacto de cada telemóvel, Levin e a sua equipa conseguiram produzir progressões de acordes diatónicos, melodias distribuídas espacialmente e ondas de som.

No palco, os performers faziam de maestros e iam chamando os participantes a intervalos específicos através de um “instrumento software”. Acompanhada de projecções sincronizadas, esta composição de toques durou cerca de 30 minutos e criou efeitos sonoros únicos. O ponto alto da “música” deu-se quando, durante 4 segundos, todos os duzentos telemóveis tocaram. Um ano mais tarde, este espectáculo foi apresentado na Suíça, em Arteplage Mobile de Jura.

Levin diz que “Se a nossa rede de comunicações global pudesse ser pensada como um organismo único comunal, então o objectivo de Dialtones é transformar indelevelmente a forma como ouvimos e compreendemos o gorjear deste ser multicelular monumental (…) Ao colocar cada participante no centro de um massivo aglomerado de altifalantes, Dialtones torna visceralmente perceptível o éter do espaço celular.” Levi transforma a tecnologia quotidiana, patenteada no telemóvel, em arte experimental.

Este trabalho desenvolve a obra de John Cage que utilizou sons do dia-a-dia na sua música, inspirando gerações de músicos e artistas, mas enquanto Cage aplicou o acaso e a variabilidade ao seu trabalho, como reacção às composições rígidas do século XX, Levin coloca uma espécie de ordem sinfónica na rede de telemóveis internacional.

Inês Monteiro

A internet é uma tecnologia má?

 

Coisas negativas da internet?

– Uma das coisas más a cerca da internet e que as pessoas abusam da liberdade que a internet nos dá de podermos falar sobre qualquer assunto. Por exemplo, discutir actividades ilegais, violência e mesmo o racismo, isto também pode formar grupos e gangues de pessoas com más intenções. 

– Há também a questão da informação na internet, há muita quantidade mas temos de investigar as raízes para saber se podemos confiar na informacão dada que nem sempre é correcta. Isto pode levar a alguma confusão para algumas pessoas, e também esta má informação pode afectar seriamente o conhecimento das crianças e pode levar a algumas situações incorrectas .

– Outro mau ponto é tambem a facilidade em aceder a pornografia embora hajam filtros para crianças em muitas casos não chega para não conseguirem aceder a esses conteúdos.

– Também há um grande problema com a pedofilia na internet onde é mais facil para estas pessoas falarem com crianças em chat-rooms e tentar enganá-las e usando falsas identidades conseguem encontrar-se com estas crianças 

– Também, pessoas podem ter pontos de vista diferentes em assuntos sensíveis que em alguns casos pode levar a uma troca rude de palavras e a argumentos agressivos.

Por tudo isto podemos ver que as coisas boas da internet podem também ser más, dependendo sempre do utilizador e da intenção com que as usa. 

Kat Cockbill

Onde está a privacidade?

Foi em 1997 que Peter Weir realizou o filme “The Truman Show- A Vida Em Directo”, um enorme sucesso de bilheteira um pouco por todo o mundo. Protagonizado por Jim Carrey, este filme fala-nos de uma cidade, Seahaven inteiramente construida para fazer de cenário a uma gigantesca produção televisiva, um programa que acompanha a vida de Truman, (Jim Carrey), até ao mais pequeno pormenor, sem que este se aperceba que está a ser observado, e muito menos que os seus amigos, tal como a sua vida são uma mentira, pois não passam de figurantes. Apesar de ser uma produção cinematográfica, na vida real, ainda que de um modo menos agressivo, temos vindo a assistir de uma forma contínua a sucessivas agressões à privacidade das pessoas. De uma forma livre, o conhecido programa Big Brother surgiu-nos como um “BOOM!”, no que diz respeito ao choque que é podermos assistir 24 horas por dia à vida de alguém. A escolha desta temática para o meu texto surgiu pela actualidade do que foi apresentado, e também por ver o destaque dado num outro texto realizado pela Ana Teresa `a falta de privacidade que as tecnologias podem trazer. Citando a minha colega, “Será o princípio do fim da vida privada?”.

Sinceramente, e respondendo à pergunta, a privacidade já não existe, a não ser dentro das paredes que habitamos. Esta é uma das principais desvantagens que podemos atribuir às novas tecnologias. A qualquer momento, seja no autocarro, no shoping, na rua ou até mesmo no emprego, a pessoa que se encontra ao nosso lado pode ter um dispositivo para filmar ou fotografar do tamanho de um botão, e sem que nos apercebamos pode continuar a usar os media e colocar essas mesmas fotos ou videos na internet onde todo o mundo poderá ver. Sim, é claro que o video apresentado leva a situação ao extremo, mas outro exemplo mais prático e bastante real são os conhecidos paparazzi. Com uma objectiva razoavelmente evoluida, conseguem entrar na intimidade dos famosos, e mais grave ainda, é o facto destas tecnologias serem usadas não só para a invasão da privacidade, mas também para fazer disso um produto bastante rentável. Infelizmente, as coisas teêm sempre vantagens e desvantagens, como se viu, as tecnologias cada vez mais avançadas também teêm aspectos negativos.

André Madaleno


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