Alone together, um conceito de Sherry Turkle

Tema 4: A linguagem e o sujeito no espaço social digital

1.2  A tecnologia como remediação do sujeito: a presença crescente da mediação digital na construção do sentido de si e na sociabilidade.

Tema de escrita: Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?

Por Beatriz Ventura

Desde que o computador e o telemóvel apareceram, a construção da identidade de cada sujeito e a sua maneira de socializar com o mundo e as pessoas à sua volta foi alterada com todo surgimento da tecnologia e das novas formas de conviver.

Antes, para convivermos seria pessoal apenas, mas agora temos outro tipo de convivência, mandar mensagens, falar com webcam ou, em casos extremos, criando um avatar num jogo online (um eu criado por nós que pode ou não ser o reflexo de nós mesmo, que podemos alterar/personalizar física e psicologicamente, como um brinquedo que nos personifica e nos transporta para outro mundo, onde o confronto não é pessoal e não há o risco de dizermos algo errado, pois podemos pensa-lo antes). Este último caso extremo é o mais extremo porque é aquele que nos faz absorver mais a tecnologia e o que ela nos oferece e esquecer-nos do mundo exterior, conseguindo o avatar/tecnologia remediar o sujeito.

Apesar destes tipos de comunicações terem pontos positivos (como a comunicação á distancia, visual e auditiva) também tem pontos negativos (como o sujeito perder-se no mundo virtual e não aproveitar devidamente o mundo verdadeiro, aquele em que vive). É por isso que Sherry Turkle, professora de Social Studies of Science and Technology no MIT, refere o termo “Alone Together”, porque nós estamos sozinhos, ligados as tecnologias que nos permitem falar com os outros: sozinhos com os outros. Outro maneira de entender conceito é quando estamos com amigos e em vez de falarmos uns com os outros, falamos com outras pessoas.Valorizamos demais a tecnologia nos dias de hoje, esperamos mais dela do que dos outros, como ela explica no seu livro “Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other“.

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Concluindo, o trabalho de Sherry gira á volta da  psicanálise e da interacção entre o homem e a tecnologia, objecto que ela analisa nas suas obras. Muitas pessoas decidem criar avatars de si próprios de maneira a que possam conviver com outras pessoas de maneira facilitada, pois se o sujeito tiver algum tipo de limitação ou problema que o afecta na sua vida comum, ele pode criar um avatar na esperança de não obter julgamentos ou repressões, pois nessa realidade virtual, ele/a pode ser o que quiser, como quiser, mostrando a pessoa que quer mostrar aos outros, podendo ser diferente física e psicologicamente da original.

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“O meio é a Mensagem”- McLuhan

tema: Como podemos entender/exemplificar a afirmação de McLuhan de que ‘o meio é a mensagem’? McLuhan chegou à conclusão de que só o facto de existirem aparelhos que nos deixam falar com pessoas que estão longe com um telemóvel ou um computador,que nos deixam fixar momentos passados através de imagem (parada ou em movimento) como a máquina fotográfica ou a câmara de filmar, só esse facto já pode ser considerado como mensagem, daí a expressão: “The medium is the message- O meio é a mensagem”. A forma com a mensagem é passada, isto é, o meio, é tão importante como a mensagem transmitida pelo mesmo, pois sem o meio, seria impossível transmitir a mensagem.Temos como um dos exemplos o radio que é o meio, a mensagem é a fala, sendo esta também um meio. Todos os meios, quer sejam telemóveis, computadores, escrita, máquina fotográfica, entre outros, são extensões do nosso corpo, mente ou sentidos: a fotografia é uma extensão da visão, a música é uma extensão da audição, a roupa é a extensão da pele e assim sucessivamente. Em conclusão:

“Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam. O meio é a mensagem porque é o meio o que modela e controla a escala e forma das associações e trabalho humanos”

(Marshall McLuhan) mcluhan1234

O inicio da Imortalização do som: a gravação audio de voz e música

Tecnologias de ver, ouvir, falar e escrever: uma arqueologia dos média

o que significou registar a voz humana pela primeira vez? O que acontece quando se grava o som?

Graças a Thomas Edison, que inventou o Fonógrafo em 1877, foi possível a gravação e reprodução de sons pela primeira vez. A partir desse momento, uma serie de outros inventos semelhantes surgiram, com outros nomes, como Gramofone, Fonoautógrafo, melhorados por diferentes inventores, como Bell e Thomas Young, fazendo com que mais tarde, por volta de 1927, Edison sofresse com os avanços na reprodução de som e com o facto de não ter optado mais cedo pela produção de modelos melhorados.

Assim, a partir do século XIX, já não era preciso aparecer em eventos musicais ao vivo para poder ouvir música, já podíamos ouvi-la no conforto da nossa casa (se tivéssemos possibilidade de comprar o produto) como nos é dito pelo próprio fonógrafo no anúncio de Edison que ouvimos na aula – Advertising_Record.ogg. Com este avanço tecnológico, podemos, em principio fazer muita coisa, como levar a música connosco para onde quisermos (através do transporte do Fonógrafo); gravar uma mensagem de voz e, através do transporte do aparelho por meio de alguém conhecido, enviá-la para um amigo ou familiar e receber outra de volta, apesar de este tipo de contacto parecer um pouco ineficiente devido ao transporte cansativo; deixar uma mensagem audio em casa antes de sairmos para alguém ouvir quando acordasse ou chegasse, entre outras hipóteses… Foi sem dúvida um grande avanço pois apesar de 50 anos depois já haver avanços ainda maiores e melhores, sem um primeiro avanço e uma primeira tentativa, nenhum dos aparelhos que surgiram naquela época poderiam ter sido inventados. Quando gravamos um som, é uma tentativa de imortalização do mesmo, isto é, uma tentativa de que este dure para sempre, ou o maior período de tempo possível, para que possa ser recordado sempre que necessitado, através da sua reprodução. Isto também é válido, claro, para a gravação da voz humana, como por exemplo, um antepassado nosso gravar algo num instrumento semelhante ao fonógrafo ou a outro dessa época que que mais tarde possa ser recuperado por algum familiar curioso.

A história da gravação sonora teve várias paternidades que a desenvolveram e todas devem ser valorizadas de igual maneira, pois sem estas invenções e os seus inventores, o mundo da música e o nosso mundo não seria como o conhecemos agora.

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Publicidade e Tecnologia: Uma relação dos nossos dias

Tema: Que valores simbólicos estão associados aos dispositivos digitais? Que atributos lhes são dados pelo discurso publicitário e pelo discurso dos média? Como é obsolescência uma característica ao mesmo tempo programada e percepcionada?

Telemóveis, Tablets, computadores e alguns electrodomésticos, todos estes produtos digitais chegam até nós diariamente, quer queiramos quer não, comprando-os por opção ou apenas olhando para eles quando “passam por nós naquela janela de tempo publicitário que nos aparece nos intervalos dos programas de TV que vemos, ou até nos pop-up’s irritantes em páginas da Internet. A esses produtos nós associamos imediatamente valores simbólicos, como “poder”, “popularidade instantânea”, “superioridade”,  “masculinidade ou feminidade”, entre outros, dependendo do produto e da pessoa.

Mas a verdade é que os anúncios publicitários são os primeiros a das atributos favoráveis aos produtos, como fino e leve para um computador, ou ecrã de alta definição e muitas polegadas para televisores/televisões, ou software avançado e ecrã grande para telemóveis, e assim em diante. Nós somos persuadidos a comprar algo, mesmo que não precisemos. Mais tarde sairá um modelo melhorado do produto que compramos e o ciclo continuará, assim funciona o consumismo, o novo torna-se velho cada vez mais depressa, mesmo que ainda esteja tecnicamente novo, e com isto as empresas aumentam bastante o lucro. Até há mesmo empresa que propositadamente desenham um produto para durar determinado tempo, suficiente para ser desenvolvido o produto seguinte melhorado e mais aliciante que o anterior, a isto se chama obsolescência programada, um fenómenos dos anos 30 e 40, desenvolvidos pelos países capitalistas que é prejudicial para o meio ambiente! 1º o produto é comprado em bom estado; 2º após anos torna-se obsoleto; 3º O consumidor vai há procura de substituir o produto por um mais recente e o ciclo é repetido… Mas parece que nós não percepcionamos isto, pois algumas pessoas continuam neste ciclo de consumismo .

É preciso escolher bem o que compramos e caso tenhamos de substituir um produto podemos sempre tentar vende-lo, dá-lo ou reciclá-lo. Se não formos nós a pensar no planeta, quem será??? Reciclar não é suficiente mas é um começo.

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Beatriz Ventura

iGeneration

Novos Media

Tema: A ubiquidade da mediação digital na sociedade contemporânea (Prince Ea, Can We Auto-Correct Humanity?)

Após a visualização do vídeo do artista Prince Ea “Can We Auto-Correct Humanity?” decidi que era exactamente àcerca deste tema que eu queria escrever, sobre como os novos media conseguem mudar as pessoas, a  sua maneira de agir, como por exemplo como quando alguém está com uma pessoa de quem gosta e a ignora para falar com os seus “ciber-amigos” no facebook ou noutra rede e até a sua maneira de pensar – como quando  se esquece de como é estar cara a cara com alguém, pois já se habituou ao “cara a cara do skype”. A própria escrita é subvertida ao escrevermos mensagens apressadamente com abreviaturas . E achar que se resolvem os problemas com  posts de descargo de consciência, em vez de recorrer aos amigos verdadeiros que podem realmente ajudar.

Antes, eu era muito mais viciada na tecnologia, ainda mais do que já sou, por um motivo, que se chama facebook. Eu já tive  facebook, e passava demasiado tempo “a dar conversa” a pessoas que nem conhecia bem, em vez de socializar PESSOALMENTE e viver momentos inesquecíveis com os meus verdadeiros amigos. Para a maioria das pessoas que tem facebook o importante é a quantidade de “amigos” que têm, sentindo-se melhor com isso. 300 hoje… 500 amanhã… em que mundo? No virtual… aquele mundo incerto onde os amigos perdem qualidades, onde amigo é qualquer pessoa que fale connosco quando estamos tristes e vulneráveis, à procura de companhia no chat. Esses não são amigos, são “ciber-amigos”, pessoas que pensamos que podem ser confiáveis, mas que provavelmente, quando chega a hora de ajudar não estão lá para nós, ao contrário dos nossos colegas, familiares ou vizinhos.

Quando tiramos selfies ou até mesmo fotos do nosso pequeno almoço e postamos no instagram, quando trocamos palavras com pessoas que não conhecemos bem, postamos estados furiosos no facebook, fazemos webcam com os amigos, estamos a dar pequenos passos para um futuro onde socializar pessoalmente estará fora de questão, onde viver a vida significará navegar grande parte do nosso tempo na web, onde ser feliz significará fazer scroll-down ou scroll-up no nosso feed de notícias. Eu não quero viver nesse mundo e vocês também não … Tudo deve ser utilizado com conta peso e medida.

Beatriz Ventura


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