Click

A invenção fotográfica não foi revolucionária na medida em que fixou através de fontes luminosas uma imagem permanentemente. 

Em oposição teríamos a pintura ao nosso dispor, mas por vezes de traços grosseiros e pigmentos que, combinados metodicamente apropriava o objeto observado e era transposto para a tela e lá permanecia, como um legado para a eternidade. Este era o método posterior à fotografia para gravar algo graficamente.
A fotografia, com o seu processo científico e respectivos aperfeiçoamentos permitiu algo mais. Um auto reconhecimento mais automatizado, algo que a pintura por si só não consegue alcançar, mesmo com a descoberta de técnicas mais revolucionárias, novos géneros como o hiper-realismo que com um tracejado quase imperceptível e um desenho mais concreto e de alta resolução se aproxima da fotografia mas não é suficiente.
Não é por acaso que este tipo de representação é progressivamente descartado na nossa contemporaneidade e é encarado exclusivamente como arte.
Esta necessidade particular de fixar imagens está presente em nós desde os tempos mais primitivos, numa tentativa de transpor o meio visual para um formato mais material.
Podemos considerar a fotografia como uma extensão da mente? Sim, se pensarmos na fotografia como uma oportunidade de dar fisicalidade às nossas memórias, em algo que o nosso cérebro não tem alcance a longo prazo, não temos armazenamento suficiente.
Somos estimulados, a nossa percepção ganha uma nova dimensão pois agora visualizamos com mais pormenor. 
Então, não fixamos imagens, fixamos momentos.
A fotografia permite o acesso a algo que nunca vivenciamos de forma corporal e presencial, essa é a outra face da fotografia. Somos de facto deslocados, experenciamos por via visual.
Nós permanecemos, os rostos são mantidos, os lugares inalterados, os detalhes são gravados, e assim estamos, detidos numa fração de segundo.
I used to think that I could never lose anyone if I photographed them enough. In fact, my pictures show me how much I’ve lost.”
—Nan Goldin
                                    Helena Bastos

Calendário

Abril 2015
M T W T F S S
« Mar   Maio »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

Estatística

  • 527,102 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores


%d bloggers like this: