Arquivo de Fevereiro, 2015

Revolução com apenas um clique

É notável, que nos dias de hoje, não conseguimos sobreviver sem a ajuda dos novos média. A globalização nos tornou tão próximos, todos conectados. Uma ideia pode espalhar-se por continentes em alguns instantes com apenas um clique de distancia. É uma necessidade que nos possibilita uma existência de “omnipresença”. Estar online é estar por dentro do que acontece e é estar disponível a tudo e a todos.

Partindo do princípio de que já aceitamos e tomamos conhecimento da enorme importância das ferramentas de mídia e da tecnologia voltada para a conexão e comunicação da sociedade, e portanto, já temos na cabeça o significado desses meios, é interessante que se abra um discurso sobre suas vantagens no meio sócio-politico.

É de conhecimento geral o que aconteceu em 2011 com os países Árabes, com a Primavera Árabe, o “cyber-movimento” que tomou proporções tão imensas a ponto de derrubar ditadores de longa data no oriente. Como exemplo da força que os movimentos propagados pela internet tem politicamente, segue-se também as Revoltas no Brasil em 2013 e todos os movimentos decorrentes nos EUA a favor dos direitos humanos, tanto na luta contra o racismo, a homofobia e o machismo, que vêm acontecendo recentemente.

Gostaria de destacar que não importa quem, se um indivíduo tem uma ideia e esta ideia pode ser de interesse de um certo grupo de pessoas.. é tudo o que é preciso. Publicar algo na internet pode ser irreversível. Os idealizadores podem ser impedidos, mas a ideia nunca morre. Criar um evento no Facebook pode, e já conseguiu, juntar mais de 1 milhão de pessoas para protestar nas ruas contra um governo corrupto. Isto é apenas o povo se aproveitando da inserção da internet no cotidiano.

Portanto, se formos discutir sobre se a Internet está de fato, dando poder ou apenas censurando os cidadãos, como é debatido no vídeo ” The Internet in Society: Empowering or Censoring Citizens”, eu me encontro a defender a ideia de que a internet nos trouxe poder e uma forma ilimitada de difundir ideias. E se o argumento de que o governo poderia utilizar a internet para achar as cabeças por trás das ideias revolucionárias e dos protestantes, eu rebato explicando que: apenas as mentes são mortais, mas ideias nunca morrem.

 

Clara Motta

 

E-mail vs papel e caneta

Sou do tempo em que a Internet não era para toda a gente. Sou do tempo em que ia para casa da minha prima Sara ver vídeos de gatos no Youtube enquanto ela partilhava os mesmos vídeos com amigas via MSN. Sou do tempo em que a mãe da Sara dizia que precisava de fazer um telefonema e nós suspendíamos a sessão do Youtube. Só passados alguns anos é que tive ligação em casa.

Monopolizava o computador da casa, chegava da escola e ia para o computador, saía para o treino de hóquei em patins e ia dormir, nos dias em que não tinha treino e às sextas-feiras ficava ligado até tarde em fóruns, a comunicar no Hi5. Foi assim durante dois anos, depois disso o meu pai decidiu cancelar o contrato da rede.
Passei a estar desligado durante algum tempo. Ouvia rádio, andava de skate e tocava guitarra com amigos. Tive uma fase completamente diferente da anterior, mais afastado dos novos média.
Com quinze anos parti o pé. Falta pouco para fazer quatro anos desse incidente. Estive seis meses sem me conseguir mobilizar normalmente, passei praticamente todo o tempo de recuperação ligado ao laptop. Formspring.me, Skype, Tumblr, Facebook, Blogger e alguns fóruns de discussão foram o que me conseguiram aguentar todo o tempo que estive literalmente parado. Conheci várias pessoas por este meio, umas a 30 quilómetros, 150, 200. Ainda hoje me dou com parte dessas pessoas que me ajudaram na recuperação. Mas não nos limitamos ao chat nem a likes no Facebook. Damos valor ao físico e, por estarmos tão distantes, correspondemo-nos por carta, old school. Guardo cada carta que recebo com um carinho especial, é a única forma não digital de contacto que tenho com a maioria destas pessoas. É sempre mais fácil comunicar assim, sem a língua a pregar-nos partidas. Os sentimentos são extraídos de mais fundo e enterram-se mais em nós quando lidos.

Carlos Vicente

#seculo XXI

Século XXI, o que é isso?

Neste momento, acho que lhe podemos chamar século virtual, tendo em conta que quase metade do nosso tempo é passado em frente a um ecrã a ler e a ver publicações e mensagens nas redes sociais, a postar fotos no Instagram e a “socializar”, se é que podemos chamar-lhe assim.

Estas novas tecnologias acompanham os nossos dias, 24 sobre 24 horas, tornando-se quase impossível separarmo-nos deste mundo virtual. Eu falo por experiência própria: neste momento, eu sinto que seria impossível passar uma semana – ou alguns dias que fosse – sem utilizar a internet. A internet, para mim, tornou-se algo indispensável, tendo em conta que é esta via que mais utilizo para comunicar com pessoas que estão longe de mim e é com ela que ocupo a grande parte do meu tempo livre, quase como se uma parte da minha vida estivesse nesse mundo a que chamámos internet.

Mas como a internet, também o telemóvel roubou uma parte importante do ser humano, a capacidade de conviver com outras pessoas e socializar com as mesmas. As pessoas têm vindo a deixar de falar umas com as outras e têm passado a trocar mensagens ou chamadas, deixando de saber o que é um sorriso, uma cara triste, um amigo verdadeiro…

O ser humano deixou de falar frente a frente e começou a usar o chat, onde expressa as suas emoções, através de bonequinhos amarelos com sorrisos ou caretas; deixou de conseguir falar sem usar um hashtag antes das frases; começou a fotografar a nossa vida para que todos vejam e tornou-se alguém que diz tudo o que pensa ou sente, ou seja, expressa e expõe os seus sentimentos e a sua vida. Aqui chegados, acho que se torna um ser Antissocial.

Friamente, analisando esta problemática em profundidade, sinto-me um pouco desiludido comigo mesmo. Como é possível que uma coisa tão banal como uma rede social ou um dispositivo digital tenha sido capaz de me possuir, sobremaneira, a mim e a um mundo inteiro?

Será que conseguimos alterar esta situação – ou pelo menos diminuir os valores da dependência – num futuro próximo?

 Tiago Marques

Ubiquidade como qualidade?

«Dom de estar ao mesmo tempo em vários lugares; omnipresença»

Por entre sílabas e interpretações, a ubiquidade caracteriza a comunicação social e os mass media – se é que em parte se podem considerar sinónimos. Com frequência, têm vindo a ser alvo de grotescas transformações, de modo a alcançar e a abranger até os locais mais inóspitos. No âmbito de pesquisa da nossa disciplina, a intenção nesta temática será focar toda uma cadeia de metamorfoses que ditaram o nascimento desta era digital, e o impacto que tem este carácter omnipresente na vida dos seres humanos no século XXI.

Vemos diariamente a forma como a nossa vida foi facilitada. Seja em relação ao tempo, ao encurtar de distâncias ou de custos. Gosto aqui de exemplificar a Internet, porque no mesmo minuto, tanto posso estar a par de acontecimentos na Austrália, como de um cruzeiro itinerante pelas águas do Pacífico. É essa a realidade da Internet. A omnipresença que esta concede a quem a utiliza.

É então que surge o conceito de omnisciência. O “saber de tudo”, porque temos acesso a uma panóplia de informações, não significa que tenhamos qualquer tipo de conhecimento. A informação é difusa e, também por isso, confusa.

A título de exemplo, houve recentemente um acontecimento terrorista em França. Após o atentado contra o jornal Charlie Hebdo, muitas foram as “facções” virtuais dissidentes que cresceram na web e que esta despoletou. Falo de pessoas que acima de tudo resguardam a liberdade de expressão, ou pessoas que preservam mais o valor da vida humana, ou pessoas que defendem este “não-afrontamento” entre doutrinas. E ainda pessoas que alegam que, através da Internet não se conseguirá elucidar a contento nenhuma das partes, e creio que aqui residirá a iminência da ameaça.

Esta montra de terrorismo a que assistimos quase diariamente na mediação digital tende a tornar-se numa constante, e a Internet revela ser o veículo ideal para isso acontecer; já que a grande maioria da informação que circula não tem obstáculos para circular, e facilmente pode chegar a qualquer lado. Esta é uma outra característica da divulgação massiva de informação na mediação digital; e surge assim, por exemplo, a necessidade de criação de filtros de leitura, isto é, uma boa educação de base, que permita uma navegação mais consciente.

A título de exemplo, na passada quinta-feira, dia 19 de fevereiro de 2015, saiu este artigo relativo a uma estratégia contra esta apologia ao terrorismo, e que o Conselho de Ministros aprovou.

Maria Miguel

A Tecnologia e a sua Relação com o Mundo e com os Outros

Um dos problemas atuais e com maior influência no que respeita aos novos media é o controlo que a tecnologia exerce sobre a população nos dias de hoje. O mundo tecnológico tornou-se um vicio para a nossa humanidade e cada vez mais nos deparamos com a perda de comunicação e interação entre indivíduos sem que haja o auxílio ou a utilização de objetos tecnológicos. Cada vez mais nos tornamos dependentes de objetos como telemóveis, computadores, ipads, etc, que apesar de nos serem imprescindíveis nos dias de hoje, com as suas capacidades de tornarem muito mais fácil o nosso conhecimento, o nosso trabalho, o nosso desenvolvimento, até mesmo as nossas capacidades de comunicação, mas que nos fazem perder tempo. Tempo esse que deveríamos usar nas nossas relações, amizades, até mesmo com a família. O poder tocar numa pessoa, olha-la nos olhos, rir e chorar com alguém, aqueles bons momentos que todos gostam de passar sentados numa esplanada. E se pensarmos bem, quem já não deixou de estar com alguém ou fazer algo de que gosta só para ficar agarrado a um telemóvel ou a um computador?
São estes privilégios que a nossa sociedade está a deixar de parte, para ficar agarrado a estes objetos que tanto nos facilitam a vida e ao mesmo tempo nos reprimem no sentido de perdermos um pouco da nossa humanidade.

 Cada pessoa passa quatro anos da sua vida a olhar para um telemóvel!

 E mudar isto, só depende de cada um. Nós fazemos a escolha. E isto, nós não podemos “auto-corrigir”.

Ana Rodrigues Oliveira

Sociedade Tecnológica

Vivemos em pleno século XXI, onde a tecnologia está cada vez mais presente sob as mais variadas formas no nosso quotidiano. Quem não tem pelo menos um telemóvel , um computador ou um tablet e pelo menos uma conta numa rede social seja no facebook ou em qualquer outra?

Claro que toda a tecnologia  tem as suas vantagens , sobre as quais  se puderiam passar horas a falar, mas também tem muitas desvantagens.dizemos que um telemóvel ou a internet nos ajuda a estarmos mais próximos uns dos outros. isso até pode ser verdade não o posso negar , mas será que também não ajuda a estarmos cada vez mais distantes?

Cada vez mais somos uma sociedade tecnologicamente dependente. Já não sabemos, nem sequer conseguimos imaginar viver sem um simples objeto como o telemóvel!

Quem já não voltou a casa simplesmente porque se esqueceu do telemóvel, ou quem já não stressou e ate ficou de mau humor porque o telemóvel ficou sem bateria ou sem rede?

Quantas vezes damos por nós no meio de um jantar ou de uma conversa, a ir a mala ou au bolso e pegar no telemóvel para mandar ou ver se recebemos uma mensagem?

Quantas conversas perdemos ou só apanhamos uma parte porque estamos concentrados a ler, a mandar uma mensagem ou a ver o que se passa nas redes sociais au invés de estarmos a conviver com quem esta ao nosso lado naquele momento?

Quem nunca chegou a casa e uma das primeiras coisas que fez foi ligar o computador para ver o que se passou de “importante” durante o pouco tempo em que esteve ofline.

Hoje em dia os jovens têm o seu primeiro computador ou/e o seu primeiro telemóvel cada vez mais cedo, sendo uma parte das vezes ainda umas crianças. Crianças  por vezes filhas de pais ausentes que para as compensarem lhes oferecem estes objetos ao invés de lhes darem algum tempo de atenção e carinho. Crianças essas que começam cedo demais a ser corrompidas em toda a sua essência por algo tecnológico que cedo demais lhes foi lançado para as mãos.

Por culpa de pais inconscientes que não tem a noção do mal que estão a fazer aos seus filhos ao darem-lhes acesso a estes objetos tecnológicos ,estando na maior parte das vezes a expor as crianças a inúmeros perigos que estão escondidos um pouco por todo o lado cada vez que é ligado um computador ou acedem a redes sociais onde muitas vezes ainda com alguma inocência falam com estranhos e sem o mínimo controlo por parte de um adulto, são induzidos a entrar num mundo que não lhes pertence e no qual não deveriam sequer estar!

Estaremos nós assim tao dependentes de tecnologia, que estamos cada vez mais a deixarmo-nos corromper por ela?

Luis Santos

Uma nota sobre as distâncias

“A transcendência das distâncias ganha meu presente e introduz uma suspeita de irrealidade até nas experiências com as quais eu creio coincidir”.

– Maurice Merleau-Ponty

           A citação que abre esta postagem é bastante sintética quando falamos de comunicação nos dias de hoje. A atualização constante dos meios de comunicação do tempo de Merleau-Ponty ( primeira metade do século XX ) encontra no programa Skype o seu ponto mais elevado. Em referência ao uso de outros meios digitais como a rede social Facebook, percebo que no Brasil – em detrimento de Portugal, comunica-se muito mais através desta ferramenta e que muitas relações sociais se confirmam e se desenvolvem pelo ecrã. A “depressão” do século XXI encontra nessa dinâmica o seu porto seguro e é observável uma massificação de sintomas de caráter psicossocial, como a síndrome do pânico, que se desenvolvem, entre outros fatores, a partir da ruptura da convivência real em direção a uma irrealidade.

Sendo de outro país e morando em Coimbra por seis meses, é evidente que a mediação digital está inserida intrinsecamente em meu cotidiano. Seguro de seus pontos positivos, como a comunicação rápida e direta com familiares e amigos brasileiros, também atento para o seu lado “negativo” na extirpação da ideia de distância que se impõe a cada conversa. Entre Portugal e Brasil são três horas, significativas, de diferença. Ou seja, enquanto estou almoçando, meus amigos acabaram de acordar, o que impele um ajustamento de horários que reflete em nossa relação tecnológica.

Transcender a distância me aproxima muito mais de uma vida que deixei em meu país e que só agora, afastado dessa convivência, consigo tomar consciência com muito mais urgência. Sei o que ocorre nas dinâmicas sociais que mantenho com o Brasil em meus círculos de amizade, mas nada posso fazer ou participar a não ser, de fato, saber. Ou seja, o que percebo é uma experiência que se faz irreal posto que não me habilita a tomar partido de sua realidade existencial.

André Luiz Chaves


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