Arquivo de Maio, 2012

Identidade Digital

Todos sabemos, que se tornou indispensável ao nosso quotidiano o digital e tecnológico, sendo o “bicho racional” cada vez mais dependente dos contemporâneos dispositivos digitais.

Com o computador, e nomeadamente os dispositivos digitais portáteis, é cada vez mais comum, a ligação constante e permanente às redes sociais. Com o sucedido, cada individuo passa a ter duas identidades, a identidade integra e a digital. Este processo funciona como uma extensão do nível psíquico do sujeito, este reencarna enquanto corpo mediado digitalmente.

Sendo assim, estes meios funcionam como um objecto de projecção pessoal, afectiva e relacional. Pois uma página numa rede social, corresponde em parte, ao gosto pessoal do individuo, e não só, através desta é possível comunicar, fomentar novas amizades, que nos podem ou não transmitir sensação/impressão de “afecto”.

Como tal, a presença do sujejtio modifica, este acabar por poder estar em “vários sítios” e fazer determinadas tarefas ao mesmo tempo.

Consequentemente, esta nova forma de “estar” não tem só benefícios, pode se tornar prejudicial, levando ao isolamento físico, em prole da socialização directa, devido à condição de conectividade em linha permanente. E ver a vida como uma “oficina de identidades”, como se fosse um jogo de auto-representações, criando identidades falsas.

Francisca Luís Pereira

“Cyborgização”

http://visao.sapo.pt/a-historia-do-primeiro-cyborg-de-carne-e-osso=f666615

Começo com esta notícia com uma intenção muito clara: clarificar a ideia de cyborg. Todos sabemos que um cyborg é uma mistura entre a tecnologia e o ser humano, é, na verdade, um homem máquina. Mas se por um lado este cyborg ainda não é uma vulgaridade na sociedade, essa mesma sociedade é um conjunto de cyborgs sem o saberem.  Paradoxal? Talvez. A verdade é que a tecnologia é, de facto, parte integral do ser humano. Neste momento não haverá uma pessoa que não use tecnologia, não haverá, no fundo, ninguém que não dependa destes tão variados aparelhos que estão ao nosso dispor. Vou dar dois exemplos:

Telemóvel: começo por este objecto por ser uma vítima do vício que este cria. O telemóvel é um dos objectos do qual não abdicamos nem por um segundo. Dormimos com ele, comemos com ele e até há quem não vá à casa de banho se o levar. Não coloco em causa a utilidade desta tecnologia, a verdade é que nos adaptámos tanto ao telemóvel que a sem ele estamos completamente sozinhos, mesmo que rodeados de pessoas. Esta extensão da nossa capacidade comunicativa é cada vez mais um “faz-tudo” que podemos transportar no bolso. Quem sabe se dentro de alguns anos o podemos implantar no nosso corpo? Por certo acabaria com o enorme problema que criamos quando nos esquecemos dele em casa.

Computador: à semelhança do anterior, a presença do computador na sociedade também é inquestionável. Todos os serviços oferecidos à comunidade são feitos, actualmente, por um computador. Esta tecnologia apresenta mais funções que o telemóvel e, por isso torna-se também numa dependência. É praticamente impossível sobreviver ao sistema educativo sem um computador. E com o aparecimento da Internet, este objecto complexo deixou de ser um elemento usado maioritariamente para trabalhar e passou a ser um fonte de divertimento e de comunicação. Com o Facebook e outras redes sociais, o computador é também um elemento activo na criação de uma “solidão virtual”, ou seja, o estar sozinho no meio virtual quando se está no meio de muita gente.

Creio que estes dois exemplos tenham elucidado o meu ponto de vista. Claro que com o aparecimento de novas tecnologias como Ipad e afins, esta “cyborgização” é mais visível. A ideia de cyborg é a metáfora perfeita para identificar uma sociedade que depende das tecnologias para sobreviver porque, apesar de não fazerem parte do corpo, estes objectos estão sempre “ali mesmo à mão”.

Filipa Traqueia

Imagem digital

Hoje em dia em variadas redes sociais, sites, jogos virtuais e até blogs é possível termos uma representação virtual de nós, podemos assim projetarmo-nos de diferentes formas criando uma imagem digital de nós próprios, um avatar. Esta imagem digital poderá ter características próprias que o nosso eu real não tem ou ser bastante semelhante a nós, é uma imagem que criamos de nós próprios que poderá não ser muito semelhante á real, isto poderá levar a que possamos explorar diferentes facetas da nossa personalidade em diferentes plataformas, ou criarmos virtualmente uma imagem num mundo que desejássemos ser real, o que poderá dar a nós e a outros uma melhor noção de quem somos. Podemos também esconder algo que não gostemos em nós ou projetar tudo que gostamos mas não exploramos ou mostramos facilmente no dia-a-dia, o que permite construir outra imagem da nossa pessoa em relação com o meio digital e com as outras pessoas que também exploram esse meio que ficam a conhecer mais coisas sobre nós que não conheceriam no mundo real, muitas vezes nestas representações podemos ter um nome á nossa escolha, logo até pode acontecer o facto de comunicarmos com alguém que conhecemos na vida real sem saber que se trata dessa pessoa no mundo real. O que poderá ser problemático é se acontecer o facto de nos apegarmos tanto a essa realidade virtual que ficamos como que viciados e damos menos importância ás relações sociais e ao contacto com as pessoas no mundo real. É interessante termos essa forma de escape, uma forma de deixarmos a realidade por momentos e encontrarmo-nos num mundo totalmente novo e diferente que dá lugar á exploração de novas situações num mundo que nos dá a liberdade para tal, porém nunca será o mesmo que a experiencia no mundo real. Para demonstrar melhor esta ideia de imagem digital com a possível representação de um mundo futurista apresento este vídeo:

Tecnologia: Quanto mais a temos, mais queremos

“Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?”

Se há coisa de que se queixam os pais de hoje em dia, será certamente do tempo que vêm os filhos passar no computador, com um telemóvel ao lado, ambos inteiramente disponíveis a receber ligações e disponibilizar contacto para os quatro cantos do mundo.
O dia parece passar mais devagar e aborrecido, se não nos for possível verificar pelo menos uma vez o Facebook, ou se não mantivermos contacto com alguém através de constantes sms’s que já se escrevem por esta altura a uma velocidade que surpreende os mais velhos. Digo-o, porque é uma característica minha. O ritual mais sagrado: chegar a casa, ligar o computador, aceder à internet e dirigir-me logo à grandiosa rede social que tem ligado o mundo – o Facebook. E não digo que seja certo ou errado, pois com os seus prós e contras, assim se faz este sujeito digital que sou eu, e certamente, um pouco de cada um de nós.
Não estar ligados áquilo que apenas a tecnologia alcança acabou por se tornar uma tormenta. Pessoalmente, o meu ânimo desce a zeros se o telemóvel fica de repente sem bateria, ou se o computador ou a internet estão com um problema.

A falta da tecnologia afecta-nos psicologicamente; queremos sempre mais e mais, o dispositivo não tem sequer o direito de se “cansar” e ficar lento.
Alteram-se emoções, relações…hoje em dia tudo é possível através de um clique: podemos ver alguém que está longe; podemos conhecer alguém do outro lado do mundo; até mesmo para quem está perto, é mais fácil enviar uma sms, falar no Messenger ou enviar um comentário na rede social do que propriamente visitar a pessoa. Até já é bastante comum o novo ditado em que toda a gente felicita certo aniversariante, porque…ora…porque o Facebook o lembrou!!

Cada vez menos as pessoas se conhecem por aquilo que são em “presença viva”. Hoje, o que nos distingue é uma actualização de estado, o vídeo que partilhámos ou a imagem que temos como foto de perfil…o modo como escrevemos uma sms. É isso que hoje vemos em cada um de nós e é a partir daí que hoje se “julgam” os feitios de alguém.
Isto sim, talvez seja triste.

O computador deixou de ser um objecto prático, de trabalho. É agora um bem essencial para a criação de relações, para a manutenção das mesmas: é aquilo que mais se protege, e é esta a verdade.
Esperemos, enfim, que não se acabe de vez com o contacto humano. Embora essencial, que a frieza desta máquina não tome conta de nós.
Porém…
Eu já não vivo sem o meu “querido computador”. E quem viveria sem o seu?

Ana Vilarinho

Netspeak e os jovens

De manhã, quando me dirijo para a faculdade, vou quase sempre atrasada e nunca sei onde é a aula, envio um SMS a vários colegas de turma a perguntar: “td bem? ond é a aula?”. Passados alguns segundos começo a receber as respostas: “td e ctg? anf 5 piso 6”. Apresso-me na caminhada mas continuo em contacto através do telemóvel.

Este tipo de escrita que utilizamos, quer nas redes sociais quer nos SMS, é designada como Netspeak. Para David Crystal, esta maneira de comunicar, tem características da escrita e da fala tradicionais. Netspeak é uma adaptação da escrita tradicional e da fala do quotidiano. Basicamente são usadas siglas, abreviaturas, emoticons (emotion icon) como forma de poupar tempo na comunicação. É cada vez mais utilizada na nossa sociedade, especialmente pelos mais jovens. Muitos jovens, hoje em dia, já não sabem escrever sem usar abreviaturas ou siglas. Fico abismada quando leio um SMS, enviado pela minha prima de 14 anos, e reparo que para além das abreviaturas, siglas ou emoticons, o SMS está carregado de erros ortográficos. Sinceramente, não me faz qualquer tipo confusão o facto de ela usar abreviaturas (até porque também o faço), mas “assassinar” a Língua Portuguesa é o cúmulo!

O video que se segue é uma sátira, sobre a maneira como os jovens comunicam, feita pelo humorista Ricardo Araújo Pereira na rubrica  ‘Mixórdia de Temáticas’ da Rádio Comercial:

Iremos chegar ao ponto de os nossos jovens não saberem o que é uma vírgula? Irá o Netspeak influenciar a maneira como escrevemos nos testes e trabalhos? É certo que, esta linguagem já está impregnada no nosso dia-a-dia, na maneira como comunicamos uns com os outros, mas será correcto deixar a língua de Camões morrer? Camões já andava às voltas no túmulo por causa do novo acordo ortográfico, mas agora com a sociedade a “comer” vogais deve ter recuperado o olho. Na minha opinião, por mais que os tempos evoluam não pudemos, nem devemos, deixar que a nossa maravilhosa “língua mãe” (quer seja escrita ou falada) morra.

Ana Carolina Rodrigues

Comunicação, uma história de transformação

Tema de Escrita: Como podemos exemplificar a “remediação” como principal característica técnica e formal dos meios digitais?

Desde sempre existiu comunicação, mas esta tem vindo a alterar-se constantemente. Não só com a invenção da escrita como a imprensa, o telefone, o rádio, o computador, todos estes meios de comunicação foram inventados porque o Homem sentiu necessidade de algo mais. Sempre se quis comunicar e prova disso são as pinturas rupestres. Mas é interessante perceber como é feita a transformação dos dispositivos. Se pensarmos bem, foi inventada a escrita, que deu origem à imprensa porque o objetivo era chegar a um maior número de pessoas e com maior rapidez (note-se que na era medieval os livros eram copiados um a um pelos monges copistas). Sendo que a carta demorava sempre bastante tempo para chegar, surgiram os sinais, como o código morse e posteriormente o telefone, que nos permitia em segundos falar para o outro lado do mundo. Mesmo assim, o Homem sentia-se incompleto, pois não tinha a possibilidade de alargar a sua cultura se não se tratasse de um constante viajante. O rádio é assim descoberto e a música passa a ser mais acessível para todos. O mesmo acontecendo com o computador e os restantes dispositivos que hoje vemos em qualquer casa.

Para compreender os novos média está implícita a compreensão dos  processos de remediação que caracterizam as formas e  práticas culturais, defendidos por Bolter e Grusin.

A remediação é decomposta por Bolter em três aspectos: primeiro, como mediação de mediação, isto é, como parte do processo através do qual os média se reproduzem e se substituem uns aos outros; segundo, como inseparabilidade entre   mediação e realidade, que faz da mediação e dos seus artefactos uma parte essencial da cultura humana como realidade mediada; terceiro, como processo de re-forma da mediação da realidade, ou seja, como meio de transcender as formas e meios de mediação anteriores.

inhttp://www.ci.uc.pt/diglit/DigLitWebCdeConceitos.html#remediação

Se actualmente disser-mos a uma criança que na infância dos nossos pais não havia televisão, quanto mais computador, é dificil perceberem, pois pensam que o dispositivo esteve sempre ali. É então fácil de entender que esta transformação se deveu a necessidades do Homem e na invenção de novas máquinas foram se acrescentando novas funcionalidades, mas no fundo a ideia inicial continua presente em todos os dispositivos, pois o fundamental é comunicar.

Cláudia Sousa

Eu + a Máquina = Um Outro Eu?

Sherry Turkle explicou que os novos média mudam o conceito do eu. O eu depende do ambiente que o rodeia e duma certa forma alterou-se. Já não é só eu, mas eu e a máquina. Eu nas redes sociais. Eu no Facebook. Eu no Youtube, e eu no Skype etc. Experimentamos a nossa identidade, criando perfils, imagens, e vídeos. E atualizamos tudo o que a gente faz, esperando a “validação” dos outros sobre as nossas ações. Queremos ser ouvidos, queremos que alguém nos dê atenção e sobretudo temos medo da solidão. Ficamos aflitos quando estamos sozinhos e nos falta o telemóvel ou a Internet, e por isso procuramos estar constantemente conectados à máquina, aos outros.

Mas será que isso muda realmente o “eu”?

É claro que se cria um novo ambiente. A máquina tornou-se parte integrante das nossas vidas porque veio facilitar imensas coisas e tornou-se uma espécie de extensão psíquica do ser. Podemos estar num sítio, mas não estar lá. Sabemos que tendo um telemóvel e um computador ligado à Internet, que somos acessíveis e que a qualquer instante podemos receber uma SMS, um telefonema ou uma mensagem instantânea via messenger. Somos uma espécie de, e atenção gosto do termo, “central de comunicações”. A maior parte do tempo não estamos conscientes disto. A gente só quer é receber àquela mensagem que nos faça sentir melhor, mesmo que seja só por uma momento, o resto pouco importa. Nesse sentido estar permanentemente conectado pode ser usado como um escape à realidade, à solidão e depois dum certo tempo, pode acontecer que se crie um vicio sem que a gente se tenha apercebido disso. Dito isto, muitas pessoas iram culpar a máquina do vicio, porque é sempre mais fácil culpar a máquina. Porque a máquina causa desemprego, porque faz de nós uns viciados, porque a máquina isto e aquilo.

Na verdade não entendemos grande coisa. Somos umas crianças com estes novos dispositivos e ainda estamos em estado de experimentação. Vamos até aos limites para ver até onde isto pode ir, porque até é engraçado. Na verdade o vicio não é coisa nova, já existia antes da máquina. Na minha opinião, os novos media vieram apenas salientar, tornar mais visível um problema já existente. O problema de que não sabemos comunicar uns com os outros. Só para dar um exemplo, é incrível que a tecnologia que temos hoje foi desenvolvida em tempo de guerra como o computador ou o GPS.  Será que é só quando se trata de destruir o outro é que procuramos criar estes dispositivos? Isto demonstra que ainda temos uma sério problema de comunicação. A comunicação falha porque não sabemos discutir, não sabemos escutar e queremos apenas um novo ‘like’ na nossa atualização.

Vanessa Gomes


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