Arquivo de Abril, 2014

Experienciar uma Reprodução

A reprodução de obras de arte já há muito que não é novidade mas a verdadeira revolução deu-se com a utilização de meios técnicos para esse efeito. A reprodução manual difere muito da reprodução técnica/mecânica e aquando do desaparecimento da “mão” no processo transformou o o conceito de obra de arte que era até aí creditado.

Se é bastante difícil copiar manualmente uma obra de arte de um qualquer pintor, o mesmo não se pode dizer do acto de a fotografar. Walter Benjamin tenta então estabelecer a diferença entre a obra de arte original e uma reprodução desta. Este teórico defende que o objecto artístico original possui aquilo a que chamou aura e que é aquilo que lhe confere singularidade. Acredita também que esta aura não é transmissível para as reproduções e, por isso, que estas têm menor valor artístico. Segundo Benjamin, às reproduções falta o “aqui e agora” do objecto original.

Benjamin não procura dizer se uma reprodução é algo bom, mau, certo ou errado. Tenta apenas constatar os efeitos dessas reproduções no público e na forma de este ver, apreciar ou estudar obras de arte.

O que é certo é que iniciativas como o Google Art Project permitem retirar as obras do seu contexto original trazendo-as ao encontro do público. É hoje possível visitar centenas de museus que se encontram espalhados por todo o mundo, confortavelmente sentados num sofá. Este projecto traz ainda grande interactividade com as obras.

Se este programa tem desvantagens? Claramente que sim. Nada substitui a ida presencial a um museu, a atmosfera que rodeia as obras no seu contexto original, a fotografia da praxe com um quadro famoso ou a tomada de consciência da dimensão de uma quadro como Guernica.
Mas as vantagens são também numerosas tais como visualizar obras que nunca de outra forma seria possível ou a observação de pequenos pormenores, proporcionada pela interacção disponibilizada no site. Pormenores esses que não seriam passíveis de apreciação quando uma fita de veludo nos separa daquele objecto cheio de aura (validada pela entidade competente) que pagámos para ver.

Fica este vídeo de uma visita virtual ao Museu Van Gogh em Amesterdão, provando que podemos estudar a mais ínfima pincelada

Ana Sofia Gomes.

Google Art

As we all know Google is becoming the most influenced software company in the world, creating various forms of simplicity like Google Maps, Android etc… Started simply by a search engine website making its capital simply by selling statistics. Now its going further creating Google Maps, and being able to see the world in “Street Mode” by making you know better the world and bringing Google closer to you.

Google Art project has created something new to many it looks just like a website of arts but we have to analyze things a bit closer now.

Upon entering the website we are displayed by many of the most prestige works of art around the world from all museums and privet collections not only do we have access to many tools. When searching for a specific painting we have the possibility to zoom in and out for specific details we get a brief description about the painting of the author year and reason. We have the possibility now to edit from specific masterpieces at our own will. What sets Google Art apart from Wikipedia or other sources ? Wikipedia is an open source website giving anybody the possibility of editing information about certain pieces of art, Google them selfs went to take digital photos of these exhibits and uploaded them with all those micro details that are unnoticeable to the naked eye.

What has Google done for us here ? Google did not just bring you images Google has brought free information to all those whom never had a chance to go to a museum to or a exhibition sure its not the same as seeing it for yourself there are other specific details like texture and size and other elements. But Google has brought us information Google has brought us knowledge and its all FREE.

 

Clive Castro

Viagem virtual

Todos sabemos que a história está repleta de marcas, sendo uma delas o impacto dos novos média. Estes vieram transformar a vida quotidiana de todos nós, ao ponto de se chegar a substituir uma visita a um museu por uma viagem virtual. A viagem virtual baseia-se numa espécie de percurso a um museu via internet, como o site Art Project, onde podemos visualizar diversas exposições assim como observar cada peça de arte ao pormenor.

A questão é: Será que devemos apenas ter em conta esta ideia de viagem virtual?
Claro que não, aliás, devemos ter em consideração o facto de termos possibilidades, que antes não existiam, de nos podermos deslocar até a um museu ou galeria, criarmos uma ligação direta com cada obra de arte, seja ela uma pintura ou uma peça de escultura, e sentirmos que estamos a viajar no tempo. Já a viagem virtual que executamos através do site Art Project é completamente diferente, para além de não implicar quaisquer custos é bastante relevante, porque podemos ampliar inúmeras imagens e visualizar com precisão todos os seus pormenores, que muitas vezes não são possíveis de se examinar, quando nos deparamos com uma sala de exposição de um museu. Apesar de esta viagem ter diversas vantagens, não se pode deixar de referir que, nós enquanto utilizadores somos separados do mundo que nos rodeia, por uma barreira invisível criada pelos aparelhos eletrónicos. O mesmo acontece quando assistimos a um concerto ao vivo e quando ouvimos música através de uma aparelhagem, também neste caso notamos a existência da tal barreira.

A arte virtual permite-nos criar cópias de imagens de obras de arte, através da utilização de programas informáticos sem nunca termos acesso às peças originais. O problema é que esta nova técnica virtual, não nos permite ter um contacto direto com o campo da arte, nomeadamente com o da pintura, porque nunca entenderemos através da visualização de uma imagem que é simulada através de meios eletrónicos, a técnica implícita, assim como o método de aplicação e o relevo presente numa escultura.

Enquanto seres humanos devemos tentar equilibrar estas duas ideias, adaptarmo-nos ao mundo das novas tecnologias adquirindo novos conhecimentos, assim como não nos devemos esquecer do quão importante é visitarmos um museu e termos uma experiência estética com o mesmo.

 

Maria Beatriz Nogueira

Reprodutibilidade Cultural

Nos dias de hoje é praticamente impossível encontrar um objeto artístico que não tenha sido replicado varias vezes.
Esta reprodutibilidade sempre existiu mas em menor escala e através de retratos ou pinturas. Ao longo dos anos foi-se inventando outras formas de reproduzir um objeto artístico, como a fotografia ou o cinema que fez com que a reprodutibilidade fosse cada vez maior e em massa.
Estes objetos artísticos que são reproduzidos são sobretudo pinturas, esculturas, arquiteturas, filmes, protótipos, livros, património etc.
Esta constante reprodutibilidade vai influenciar a forma como o espectador olha para esse objeto artístico, pois este não vai ter a mesma precessão do objeto replicado e do objeto não replicado, ou seja há uma mudança de relacionamento entre a obra e o espectador. Dando o exemplo de uma obra de Van Gogh, nós não podemos fazer a mesma análise a esse objeto reproduzido e não reproduzido, uma vez que na obra reproduzida falham elementos como a verdadeira escala, a textura da pintura, a verdadeira luz e outros.
Contudo, a reprodutibilidade também trás alguns benefícios ao espectador, pois existem plataformas, como Google Art Project, que reúne inúmeras obras de arte de vários museus de todo o mundo, que seria muito difícil, para um espectador, ver estas obras todas. Assim qualquer pessoa pode ter acesso a estas obras de arte, sem ter que gastar dinheiro.
Nos últimos anos tem surgido novas formas de reprodutibilidade virtual que tentam anular algumas diferenças e substituir a presença humana. Estas reproduções virtuais podem ser dadas através de programas 3D, camaras digitas, etc.
Em suma. hoje em dia qualquer pessoa em qualquer parte do mundo pode ver uma obra de arte, sem que esta se afaste muito da realidade, pois vão sendo cada vez mais os programas que anulam todas as diferenças.

Henrique Escada

Pormenor(es)

Passaram-se aproximadamente 500 anos desde que Miguel Ângelo pintou o teto da Capela Sistina, 500 anos esses que parecem demasiado tempo, mas que na verdade são uma ínfima quantidade, tendo em conta que esta é uma obra para a vida toda. Na altura em que Miguel Ângelo a pintou teria, certamente, o intuito de que esta pudesse ser vista por todos, que pudesse ser contemplada como se estivéssemos de olhos postos no céu, ou mesmo noutro mundo transcendente.
Teoricamente para que qualquer obra de arte possa ser experienciada esteticamente na integra, nós temos que ter um contacto direto com ela, colocarmo-nos frente a frente para que consigamos captar os mais pequenos detalhes, quer tenham estes a ver com o próprio conteúdo ou com a maneira como foi trabalhado e para isso teríamos de nos deslocar aos locais onde pudéssemos encontrá-las. Os Museus, por exemplo, são locais onde estão guardadas as mais valiosas obras de arte, assim consideradas, onde para as visitarmos temos que pagar uma quantia (normalmente), pois sabemos que à partida aquilo para que estamos a pagar é verdadeiro, é único, e os Museus dão-nos uma garantia disso, atribuindo ainda a cada uma obra em particular a ideia de autenticidade e aura, aura essa que é validada por estes.
A verdade é que hoje em dia visitar um museu, ou outro sítio qualquer é possível à distância de um “click” ou de uma breve pesquisa e tudo isto vai de encontro à ideia de Reprodutibilidade Digital da Obra de Arte, pois há uma reprodução da obra de arte através de meios digitais, pensamos na arte como uma arte digital. Nesta ideia encontramos o processo que Walter Benjamim descreve – a utilização de uma câmara digital, de um meio digital para podermos aceder a uma obra singular, que na verdade passa a ser uma reprodução, mas tem na mesma a ideia de autenticidade, de aura como a original, pois mesmo sendo virtual, acaba por se tornar em algo novo, original.

http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html
Aqui coloco um site (como tantos outros existem), onde é possível vermos esta ideia de reprodutibilidade digital. Neste exemplo temos uma visita virtual à Capela Sistina onde podemos ver muito minuciosamente cada pedaço da pintura, onde temos ainda a possibilidade de ouvir uma música que recria todo aquele ambiente espiritual.
Mas será que a perceção é a mesma? Apesar de todas as inovações, o melhor ainda é o natural, aquilo que é sentido e visto como um frente a frente entre o olhar e a obra que muitas vezes não confere especificamente minuciosidades, mas sensações e emoções que serão o maior dos pormenores.

Inês Pina

Arte Acessível

No momento da história em que tudo é reprodutível e digitalizado falar em reprodutibilidade digital da obra de arte é uma assunto que desperta diversas opiniões, principalmente no meio artístico. Walter Benjamin em seu texto “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica” foi um dos primeiros a explanar sobre tema.

Benjamin escreve uma frase que chamou a minha atenção: “a pintura sempre foi apresentada para ser vista por uma, ou algumas pessoas”. Com a realidade atual, em que temos tudo disponível na internet essa afirmação não pode ser tão fechada. Sabemos que a pintura no seu início era uma arte para poucos e que com a popularização da câmera fotográfica isso mudou.

Saindo do campo da teoria e tentando analisar um exemplo prático de reprodutibilidade digital da obra de arte, temos os sites dos museus que nos permitem visitar suas obras através dos nossos computadores. Acredito que há bastantes aspectos positivos nesse acesso através da internet, afinal existe a possibilidade proporcionar o conhecimento das obras para pessoas que não tem recursos financeiros para conhecer determinados museus. Dessa forma há uma maior acessibilidade as obras produzidas no mundo.

Benjamin alerta que a reprodutibilidade da obra de arte pode fazer com que essa perca a sua autenticidade. Autenticidade que dar a obra uma vida própria que só existe na original. Pensando nesse conceito e no exemplo das visitas online aos museus acredito que são experiências completamente distintas e a autenticidade não será a mesma.

Ter a oportunidade de conhecer uma obra de arte pessoalmente e dentro do ambiente de um museu nos permite ter uma maior aproximação da obra, da técnica utilizada pelo artista, além de vivenciar o espaço fora do nosso cotidiano. O significado da obra vista através da tela do computador é diferente de ser vista em um museu. Mas, através da tela é mais acessível.

Arlane Marinho.

 

Fui ao museu sem sair de casa

Actualmente, o mundo está a sofrer uma digitalização a todos os níveis. Desta forma, não muda só a tecnologia no mundo como também o ser humano e a relação deste com essa evolução.

Walter Benjamin fala-nos de um desses níveis que as técnicas de digitalização tocam. Isto é, apresenta-nos a nova teoria de arte que nasce e cresce na era dos novos Média, os Média digitais. Esta assenta numa capacidade de reprodutibilidade mexendo com o conceito de autenticidade e aura de cada obra de arte.
A era que estamos a atravessar é uma em que os processos técnicos de reprodução interferem com os processos artísticos. Como tal, a reprodutibilidade em massa de uma obra, que advém de todas as novas técnicas, vem modificar a circulação desta na sociedade.

A fotografia é um dos exemplos da modificação da arte como autêntica e única. O aparecimento da captação de uma imagem de forma instantânea veio alterar a questão temporal das imagens, permitindo uma mais fácil e rápida “gravação” do momento e uma maior proximidade ao quotidiano. Assim sendo, a fotografia deu-nos a possibilidade de conhecer locais sem termos de nos deslocar até eles, da mesma maneira que faz circular pelo mundo reproduções de imensas obras de arte. Logo, a fotografia vem tirar a autenticidade às obras, que é exactamente o que os museus pretendem conservar. Desta forma, pode afirmar-se que os museus procuram preservar a aura das obras, que está ligada à sua singularidade.

Mas a utilização dos meios digitais na arte não passa só pela fotografia. Com a reprodução técnica acelerada que se tem verificado de há uns anos para cá, hoje em dia já é possível ir ao museu sem sair de casa. Depois do objecto artístico ser remediado para a fotografia, volta a ocorrer a remediação, que dá origem às visitas virtuais. Isto vem permitir que o sujeito tenha uma visão do interior do museu, conseguindo ver toda e qualquer obra lá exposta, disponibilizando ainda de outras capacidades, tais como o zoom, e.t.c

No entanto, tudo tem um lado negativo, sendo este a perda do seu contexto singular que inclui a perda da dimensão e da contextualização da obra, ficando esta ainda exposta à manipulação e apropriação por parte do “visitante”.

Concluindo, todas estas novas técnicas digitais redefinem a arte. Por exemplo, a reprodutibilidade permite que uma dada obra, que advém já dessa reprodução, participe noutros contextos que são impossíveis à original. Esta nova forma de arte, que está ligada às novas tecnologias, modifica o modo como esta é estudada e estruturada.

Catarina de Jesus Santos

 


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