Os Conceitos de Copresença e Tempo-Real

No nosso dia-a-dia, sem apercebemo-nos, existem vários processos de mediação com vários conceitos. Dois desses conceitos, que eu vou falar, são a copresença e tempo-real.

– E o que são esses conceitos? – perguntam aqueles agarrados ao telemóvel sem saber que projeção dão ao mundo.

Não estou a julgar, eu também não sabia, teve de ser a Beth Coleman a explicar-me.

Muito bem, e o que é a copresença?

Bem, a copresença é um conceito de criação de um ambiente onde duas (ou mais) pessoas estão juntas, via uma conexão de rede, mas não estão realmente no mesmo sítio. Um exemplo disto seria uma chamada pelo Skype ou um stream de videojogo pelo Twitch. Com esses processos de mediação, existe assim uma atmosfera de familiaridade e convívio, sem as pessoas envolvidas estarem alguma vez no mesmo lugar.

O outro conceito, tempo-real, é, basicamente, o tempo que existe realmente, ou pelo menos o tempo que nós humanos experienciamos (existe a quarta dimensão espacial, people).

Isso, em relação com os processos de mediação, transmite-se numa forma mais pessoal. Um exemplo dessa relação poderia ser o site de social media, Facebook. Onde experienciamos, em tempo-real, a adição de fotos e comentários que o nosso tal amigo adiciona ao seu perfil (onde em 90% dos casos não é nada de interessante ou revelante) e nós somos quase como um espetador nessa vida digital. Em tempo-real.

Carolina Gonçalves

A Relação entre Imediacia e Hipermediacia (dentro dum Videojogo)

Quando estás imerso num videojogo, não pensas imediatamente no mundo à tua volta, pois não?

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Um bom exemplo de um grupo de estudantes a jogar videojogos quando deviam estar a estudar para os exames ou acabar as suas teses.

Os teus olhos estão fixados no ecrã, a tua atenção completamente agarrada ao que se passa com o teu avatar dentro do jogo, como se estivesses mesmo numa situação de perigo ou de adrenalina. Mas depois sentes um pouco tonto, ou as tuas mãos suam no controlador, ou alguma coisa puxa-te fora dessa experiência (por exemplo, a tua mãe a chamar-te para apanhares a roupa). Essas sensações são esperadas, e mais interconectadas do que pensas. É a relação que existe entre a imediacia e hipermediacia.

Na imediacia (ou imediação), o jogador emerge-se no videojogo através de processos de ocultação, naturalização e transparência do meio. A interação e o meio visual/áudio do videojogo faz esse trabalho. É parecido com o meio da televisão, exceto que neste caso também temos a interação que acontece entre o videojogo e o jogador. Somos nós que decide as ações das personagens que vemos, e por isso a nossa atenção fica mais focada no que está a acontecer no ecrã, assim apagando as distrações em redor.

O contrário disto é a hipermediacia (ou hipermediação), que é o que se passa quando o jogador nota o videojogo através de processos de revelação do meio. Isto é conseguido, por exemplo, com o nosso sentido de toque no controlador da consola, ou a realização do que se está a passar no videojogo está dentro do ecrã da televisão ou do computador. O ambiente à tua volta ficando mais evidenciado.

Portanto, é assim que essa relação de contraste está interconectada. (E, não, não estamos a contar com o exemplo da tua mãe a chamar-te para apanhares a roupa. Isso era só uma piada sarcástica. Lamento imenso se desapontei-vos.)

Carolina Gonçalves

To Talk at a Distance

Before, before our society became this tech centric culture, the mere thought of talking to someone at a distance, as you were talking in person, was a dream. People´s relationships survived with hand-written letters and a one week travel to the nearest town.

Do you understand what happened here? Do you understand what it was like for people of that time to pick up a device and talk to someone through it? It was the first step in the direction of the smartphones we hold in our hands today. And with that step, human´s distance communication became something more easily to achieve and access. It was both a comfort and an improvement in that aspect of our society.

Think about it, instead of writing an extremely long letter depicting every unnecessary detail of our lives, we could just pick up the phone and say:

“Hello, sweetie. How´ve you been doing? We and the kids miss you.”

“Just fine, darling. But the weather is a little rainy here, how about you?”

“Oh, we´re just swell! It´s rather sunny so no risk of the little ones catching pneumonia! Also, while you there could you grab some carrots? I´m afraid our garden is becoming rather… seared.”

“Sure thing, honey pie! I´ll be right on it. Love you!”

“Love you too! Bye!”

See how easy it became? If you´ve written a letter, the wife´s request probably would not have been read in time, and the poor family would´ve starved to death (well, not really die, per se, but something to that extent).

So, to talk at a distance was a creation that not only helped many people in their day-to-day lives, but was also the first prototype of something far more complex and multitask in the future. Be grateful.

Carolina Gonçalves

A Geraçao do Séc. XXI

Vivemos no século XXI, não vivemos? Portanto, acho completamente normal o meu quotidiano estar infestado de mediação digital. Porém, eu faço parte do que muitos chamam “A Geração Milênio”, portanto, como é óbvio, a minha opinião já está inclinada para o de não ficar incomodada com o “ataque” de tecnologia no meu dia-a-dia.

Têm de perceber, isto já é uma coisa implantada na minha mente ainda em desenvolvimento.

Então que não é, ao sair de casa, a primeira coisa que tenho de ter comigo é o meu telemóvel! Parece esquisito, sim, mas este pequeno retângulo eletrónico já faz parte das necessidades da minha geração arrogante e narcisista.

Contém tudo o que os nossos cérebros de peixe dourado não conseguem reter: os números de contatos precisos num caso de uma emergência (seja esta emergência grave ou não, como, por exemplo, telefonar à Sofia que vi o Jorge a beijar a Daniela quando este esteve com ela na noite anterior, este caso sendo claramente um dos mais gravíssimos); e todos os apps que precisamos para sobreviver (o twitter, para desabafar os nossos pensamentos passivo-agressivos do que falar com a pessoa com que estamos zangados; o instagram, para fotografar a nossa vida, assim dando uma ideia ilusória que somos melhor do que os outros, quando, na verdade, não o somos nem um bocadinho; o facebook, para saber quem já ficou sem namorado/a e quem voltou para o sacana que não parava de insultar, fingindo que está tudo bem com atualizações de estado ridículas; e, às vezes, também o tumblr, para ver as mensagens mais recentes de anon hate, com tanta má gramática que fazia qualquer professor chorar).

Tudo isto porque – pelo marketing que dão – é para ter uma comunicação mais significativa com os que estão distantes.

Porém, mais à noite, quando os barulhos de um mundo atarefado e complicado tornam-se silenciosos, e estou deitada na minha cama, às escuras, com uma cabeça que gosta de pensar demasiado, pergunto-me a mim mesma:

– Se tudo isto é criado para tornar-me mais social, porque é que eu sinto-me cada vez mais sozinha?

Carolina Gonçalves


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