Arquivo de Abril, 2010

A música e os novos media

Com o aparecimento de novo software dedicado ao som, a produção musical para além de mudar em estilo, mudou principalmente em quantidade. Hoje em dia a produção de música é gigante. Com programas como o finale, qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento de teoria musical pode compor para a sua própria orquestra. O programa apresenta-nos uma folha de partituras ao nosso gosto que pode ir desde uma orquestra sinfónica a um grupo de blues. Temos a liberdade de escrever, ouvir e rescrever a nossa própria sinfonia. Podemos imaginar como seria se compositores como Mozart ou Beethoven tivessem acesso a tecnologia como esta.

Para além deste há programas como o Sownd Forge que nos permitem gravar instrumentos, misturá-los e editá-los, tudo isto em tempo real. É então possível a uma banda de garagem, por exemplo, editar a sua música a custos muitíssimo reduzidos.

Como vimos a música pode, hoje em dia, ser produzida por qualquer pessoa que tenha interesse pela matéria. Só requer um bom microfone, um bom interface e um bom computador. Mas para além disso, o mais fantástico é que, com a Web 2.0 a produção caseira de música pode ser gratuitamente divulgada a nível mundial. Um dos meios mais conhecidos de divulgação de música online é o MySpace.

O MySpace, é o novo cartão profissional de qualquer banda musical. Desde uma banda de garagem aos RollingStones praticamente todas as pessoas que fazem música com intenção comercial têm MySpace. Através do site é possível postar texto, fotos, vídeos e músicas da banda. É possível também adicionar outras bandas ao site criando assim links que as dão a conhecer aos visitantes do MySpace de um grupo, mais grupos idênticos dos quais poderão vir a gostar.

Mas nem tudo são rosas na produção barata e em massa da música. Há algumas décadas atrás, quem queria ouvir música, ou a fazia, ou pagava a quem a fizesse. Não havia dispositivos que reproduzissem música quando se queria. Hoje em dia estamos sob um bombardeamento musical constante. Quer queiramos quer não, ouvimos música o dia todo. Quando acordamos o nosso despertador presenteia-nos com música. Quando viajamos de carro temos música. O mesmo se passa quando vamos ao centro comercial, ou ao cabeleireiro e até algumas ruas têm música ambiente. Quando o meio envolvente não tem música, sacamos do nosso minúsculo leitor de Mp3 e temos em nossa posse algumas dezenas de horas de música. Ora, esta overdose de música faz com que haja uma desvalorização da mesma. Afinal, só damos valor ao que não temos…

Os ouvintes de música modernos, muito ao contrario dos ouvintes de à um século atrás, ouvem música sem atenção. É como se a vida de um humano do século XXI tivesse a sua banda sonora particular e constante. Algumas pessoas nem dão conta dos instrumentos que estão a ouvir. Ora, isto faz com que haja uma menor preocupação estética por parte de quem compõe a música comercial actual. Na verdade, grande parte da música que ouvimos hoje é baseada na mesma progressão (sucessão de acordes).

O vídeo que vimos (uma paródia) critica um factor bem presente na composição actual. Todos fazem mais do mesmo no ramo da música. O pior, é que como nos tornámos ouvintes desatentos nem nos apercebemos disso.

Como se não bastasse não prestarmos atenção ao que ouvimos, o rácio dos sentidos também sofreu alterações relativamente à música. É estranho estar a afirmar que se alterou o rácio nos nossos sentidos relativamente a um media que só utiliza um deles, mas o que fez com que se alterasse foi a constante presença de vídeos a acompanhar a música. Chega a um ponto em que podemos questionar o que é que acompanha o quê. Será que o videoclip é a moldura da música ou é a música, a moldura do vídeo?

A música comercial vive de repetições. O músico que quer vender tem uma receita fácil: faz dois versos, alternados com um refrão que é repetido pelo menos três vezes no final (normalmente em fade out) e algumas vezes faz o que se chama uma ponte (uma alteração ao tema principal) para não maçar o ouvinte. Este tipo de música torna-se cansativo, mas com a presença de um vídeo o cansaço é anulado. O vídeo é então, não só um complemento à música, mas também uma distracção da monotonia da mesma. Será tudo isto favorável ao futuro da música?

A desvalorização da música é também visível na própria compra. Com a facilidade de distribuição online e o aparecimento do Mp3 já não precisamos de comprar música para a poder ouvir. Temos que ter consciência da raridade de pessoas que resistem ao download ilegal. Chegámos a um ponto em que já não são poucas as bandas que disponibilizam a sua música gratuitamente na internet dizendo a quem a baixa que se quiser pode deixar um donativo. Tendo então a possibilidade de obter gratuitamente música, quando compramos um CD estamos a comprar música, ou o plástico e o design da capa? Há quem chegue ao ponto de ir ouvir música online para decidir se compra ou não essa mesma música. Não estou a criticar de maneira nenhuma quem compra CDs, muito pelo contrário. A minha pergunta é: se o comprador já tem a música porque é que compra o CD? É para comprar a música? Para não se sentir mal a ouvir algo roubado? Ou para ter algo físico que não seja só informação codificada?

Emanuel Taborda

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Franz Ferdinand “take me out” Video made by Jonas Odell (2004)

Estamos perante um vídeoclip onde se vê o grupo a tocar integrado numa animação surrealista ao estilo de Terry Gil-Liam (Monty Pythons) em formato bidimendional e tridimendional. Existem uma quantidade de elementos visuais que ao longo da música vão interagindo como por exêmplo os músicos, seres meio robóticos, maquinaria, figuras geométricas como blocos e círculos, desenhos gráficos, seres grotescos meio desproporcionados, tudo como que integrado numa estética e arte “vintage” à moda dos anos 20 e 30. A montagem é abstrata, vários e sucessivos planos diferentes desses elementos vão-se movendo, transformando e repetindo, não deixando possibilidade para nenhuma narrativa específica. As cores são limitadas, como o preto, o branco, o cinzento, o vermelho e algum amarelo.

Como já mencionei, o vídeo mostra bastantes referências relacionadas com contextos sociais e práticas culturais de épocas passadas como o início do século XX. Podemos encontrar a existência de fotomontagens e colagens ao estilo dadaísta, lembrando por exêmplo artistas como Geoge Grosz ou Hannach Hoch. Uma outra presença indiscutível são as imagens inspiradas no construtivismo russo como desenhos gráficos característicos dos posters de propaganda comunista e também a estética cinematográfica. Há sem dúvida um especial interesse por parte do grupo e do videoclip, nas vanguardas artísticas do início do século XX, bem como artístas como o russo Alexander Rodchenko, de onde a ideia para a capa do disco do single “take me out” foi tirada, como se pode ver aqui as semelhanças:

Por último, com alguma pequena semelhança com vídeo dos Arcade Fire “Neon Bible” analisado em uma das aulas, a presença do meio expressa-se através de outros meios de outras épocas que se combinam digitalmente. Podemos ver a presença do cinema, da imprensa, fotografia, moda, tecnologia, dança, desenho gráfico, propaganda política, etc. A tecnologia digital permite assim que se possam criar vídeos com um conteúdo artístico e mediático tão variado. A utilização simultãnea de duas formas de animação mostra como os média antigos ou tradicionais se podem manifestar através dos novos média que permitem uma fácil modularidade dos códigos numéricos digitalizados, dando possibilidades nunca existentes dentro do mundo da animação e não só. De alguma maneira este vídeo pode ser comparado a uma das teorias de Marshall Mcluhan em que varios meios anteriores são o conteúdo de um novo meio “the medium is the message”.  Para acabar queria também referir que a música “take me out” foi remediada, parodiada e remisturada por outros média populares como video jogos, bandas (Scissor Sisters, Daft Punk e muitas outras), anúcios de televisão e também samplada por Djs.

Pedro Jorge Chau

Vamos ser controlados…?

Eagle Eye estreou em 2008. Um filme de D. J. Caruso e que tem no elenco, nomes como Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Rosario Dawson, Billy Bob Thornton, Michael Chiklis.

Um thriller misterioso e com muita acção. Os protagonistas da película são Shia LaBeouf (Jerry Shaw) e Michelle Monaghan (Rachel Holloman). No desenrolar da acção são dois desconhecidos que unem-se devido a um telefonema de uma mulher que eles nunca viram. Ameaçando as suas vidas e as suas famílias, esta mulher empurra Jerry e Rachel para uma série de situações cada vez mais perigosas, usando a tecnologia do dia-a-dia para monitorizar e controlar todos os seus movimentos. À medida que a situação se agrava, estas duas pessoas vulgares tornam-se nos fugitivos mais procurados do país. Os dois vão trabalhar em conjunto para descobrir o que está realmente a acontecer. Ao lutarem pela vida, tornam-se peões de um inimigo sem rosto, que parece deter poder ilimitado para manipular tudo o que fazem.

O visionamento deste filme mostra qual o caminho que não devemos seguir… Um futuro sem segredos… Um mundo sem esconderijos… Um caminho altamente perigoso… Uma estrada sem saída… Uma máquina sem precedentes para atingir aquilo que quer…

Será importante repensar a utilização das novas tecnologias? Sim. Sem dúvida.

Milton Batista

A “aura” de uma obra de arte

A aura de uma obra de arte não está presente nas suas cópias e reproduções.

A reprodução que nos é fornecida pela tecnologia trouxe-nos muitas possibilidades. Agora podemos ter um conhecimento mais abrangente, ver obras de arte que se encontram no outro lado do mundo sem nos deslocarmos e até mesmo aumentar os aspectos que nos captam mais a atenção nessas obras. Conseguimos apreciá-las, mas falta qualquer coisa!…

Walter Benjamin definiu essa “coisa” que falta. Chamou-lhe “aura”. Para ele, o original de uma obra de arte é dotado de um hic et nunc, um “aqui e agora” que garante a sua autenticidade. O facto de ter sido produzido apenas um exemplar, num momento e lugar específico, numa dada circunstância e por um autor que nos é especial, acaba por fazer com que atribuamos ao objecto uma aura. É essa aura que dá à obra de arte o seu carácter único.

Eu adoro Gaudi, por exemplo. Sei quais são as obras conhecidas dele, mas para sentir o verdadeiro poder destas tenho de ir a Espanha. Pude conhecer o seu trabalho graças às reproduções; estas deram-me as informações necessárias à minha identificação com o autor e vontade para ir a Barcelona sentir a aura das suas obras.

Sara Godinho

A reprodutibilidade técnica da obra de arte

A obra de arte sempre foi reprodutível. O Homem sempre imitou o Homem. No entanto, a reprodução técnica que constituí algo totalmente novo tomou um papel de força na História da Humanidade.

Os Gregos conheciam apenas dois processos de reprodução técnica sendo eles, a fundição e a cunhagem. As moedas e os bronzes eram as únicos obejctos que se podiam produzir em massa. Mais tarde, as artes gráficas passaram a ser reproduzidas pela xilogravura e depois, com a chegada da impressão também a escrita se tornou um fenómeno de reprodução em massa. Porém, o avanço decisivo e que possibilitou às artes gráficas a sua venda no mercado foi a chegada da litografia no século XIX. Desta forma, para além de haver produtos em massa havia também produtos com novas formas e todos os dias. Serviu também para ilustrar o quotidiano.

Poucas décadas depois, eis que chega a tecnologia da fotografia que ultrapassa em todos os sentidos a litografia. Muito mais rápido do que desenhar e com a ausência de mãos habilidosas e talentosas, a fotografia acelera de uma forma extraordinária o processo de reprodução de imagens. Com esta nova técnica, o valor de culto que até agora tinha uma vertente unicamente espiritual e mágica é afastado pelo valor de exposição. Apenas os retratos de entes queridos continuam a abranger um culto de recordação que não pode ser sobreposto por ninguém.

O cinema foi outra das formas que acelerou o processo de reprodutibilidade com a reprodução técnica do som a ter um papel bastante importante. O facto do cinema se querer enquadrar no conceito de “arte” causou uma modificação nos efeitos e no objecto da reprodução técnica que passou a ser a totalidade das obras de arte provenientes de épocas anteriores.

Paul Valéry caracterizou este fenómeno de aceleração dizendo o seguinte:

“Tal como a água, o gás e a energia eléctrica, vindos de longe através de um gesto quase imperceptível, chegam a nossas casas para nos servir, assim também teremos ao nosso dispor imagens ou sucessões de sons que surgem por um pequeno gesto, quase um sinal, para depois, do mesmo modo, nos abandonarem.”

O facto é que não nos abandonou mas sim, faz parte de um bocadinho da vida de cada pessoa. A reprodutibilidade técnica emancipou-se assim pela primeira vez na história do mundo.

Ana Catarina Monteiro

” É Cool Estar Na Moda ? “

Ao observármos as ruas dos nossos dias apercebemo-nos cada vez mais como a imagem é um ponto fulcral da nossa personalidade.
Assim, cada vez mais na nossa sociedade, há desquilibrios entre a população para atingir o Look perfeito, ou porque somos bombardeados pelos meios telivisivos todos os dias , ou simplesmente porque ao sairmos de nossas casas vemos cartazes como” Deseja emagrecer , então consulte a clinica dermoestética”.
De facto , os adolescentes do século XXI estão cada vez mais frustrados, o que tem levado ao aumento de doenças como a anorexia e bolimia , para atingirem a silhueta de um ou de uma modelo. Porém o que estes jovens não percebem é que muitas vezes essas personalidades são tão perfeitas quanto elas, simplesmente ficam sem defeitos a apontar devido á utilização da técnica do Photoshop, o que faz com que se consigam corrigir todos os erros de uma pessoa e até modificar alguns pontos , tais como a cor dos olhos ou o penteado, num simples periodo de tempo.
Efectivamente, Também a telivisão leva cada vez mais os nossos consumidores a tornarem -se dependentes da mudança, levando a outra grande doença do séc., o Consumismo, é que em todas as mudanças de estação ouvimos, no nosso televisor expressões como ” Já é primavera no El corte Ingles” e há áté já lojas famosas entre os jovens que se inspiraram em séries como Gossip Girl , e donas de casa desesperadas para a criação das suas colecções tal Como a famosa marca internacional Zara.
Em suma , Se a moda servir para constituir o nosso estilo de forma saudável é algo que faz parte da sociedade comtemporânea em que vivemos , caso contrário, pode ser encarado como um dos maiores problemas da sociedade actual.

Nota: Algumas destas ideias foram retiradas da revista semanal: Domingo.

Miguel Valentim.

Videoclip-análise como obra digital

Videoclipe ou teledisco é um filme curto em suporte electrónico (analógico ou digital). Durante algum tempo “videoclipe” foi quase sinónimo de vídeo musical, mas com o advento da internet de banda larga e a difusão de ficheiros de vídeo através dela, a palavra tem vindo a regressar ao seu sentido original.

No cinema de vanguarda dos anos 1920 vários cineastas tentavam articular montagem, música e efeitos para criar um novo tipo de narrativa, própria do meio audiovisual e livre dos cânones de até então na literatura e no teatro. O videoclipe começou a ser amplamente utilizado a partir da anos 1960, pela banda The Beatles, pois não podiam ir a todos os lugares para que se apresentassem ao vivo, daí gravavam-nos cantando e então passavam a ser exibidos na televisão. Mais tarde, os vídeos da banda começaram a já tomar forma similar aos de hoje.

Os elementos básicos constituintes do videoclipe são a música, a letra e a imagem que, manipulados, interagem para provocar a produção de sentido. Os aspectos (características) de como estes elementos são construídos incluem a montagem, o ritmo, os efeitos especiais (visuais e sonoros), a iconografia, os grafismos, e os movimentos de câmara, entre outros.

Os vídeos musicais da indústria cultural contemporânea desenvolveram, principalmente a partir dos anos 80 do século XX, com uma estética e uma linguagem próprias, chamadas de Estética Videoclipe. Essa forma é, geralmente, caracterizada por uma montagem fragmentada e acelerada, com planos (imagens) curtos, justapostos e misturados, narrativa não-linear, multiplicidade visual, riqueza de referências culturais e forte carga emocional nas imagens apresentadas.

Neste vídeo dos “The Beatles” se identificarmos os diferentes elementos formais desta obra,  observamos a simplicidade do meio que nos mostram. È das primeiras obras do grupo em que a letra é simples, limitando-se ao titulo desta mesma, é uma letra e uma declaração de amor. Neste vídeo não existe movimentos da câmara devido á época que se encontram, mas á uma alternância de planos entre o plano geral que demonstra todo o panorama; o plano aproximado, em que estes são filmados da cintura para cima e o plano italiano, onde são filmados dos ombros para cima. Existe aqui como em quase todas as obras digitais uma invisibilidade das aplicações informáticas que apesar de serem ainda poucas estas são executadas de maneira a não demonstrar intervenção humana.

Juliana Alves


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